Arte: A Vênus adormecida, de Giorgione



Essa é talvez uma das pinturas de nudez feminina mais conhecidas. Outras pinturas inclusive se inspiraram no trabalho desse pintor. Mas além da nudez, vou falar de meteorologia.

A Vênus adormecida, Giorgione. Gemäldegalerie Alte Meister, Dresden.

A Vênus adormecida é também conhecida como A Vênus de Dresden (cidade alemã onde o quadro está exposto, na Gemäldegalerie Alte Meister). O quadro foi pintado pelo pintor renascentista italiano Giorgione. O curioso é que Giorgione morreu antes da obra ser concluída, em 1510. Os especialistas em arte dizem que quem terminou a obra foi Ticiano, que teria pintado toda a parte da paisagem e do céu.

Ticiano também pintou uma Vênus em uma pose muito semelhante anos depois, tratando-se de seu famoso quadro Vênus de Urbino (em exposição na Gallerie degli Uffizi), pintado em 1538.

Vênus de Urbino, de Ticiano (1538). Gallerie degli Uffizi, Florença – Itália

Apesar de ressaltar essa curiosidade, o que me interessa aqui é o quadro de Giorgione. E vocês já deve ter observado o porquê: é um quadro ao ar livre e tem nuvens no horizonte!

O quadro de Giorgione é considerado um marco, uma revolução na história da arte. Não pelas nuvens, claro, mas sim pela nudez feminina. Li algumas observações interessantes, de especialistas que destacam as curvas da topografia, no horizonte, são semelhantes as curvas do corpo da Vênus. Muita sensualidade e delicadeza. O corpo considerado perfeito, a época do Renascimento, era um corpo feminino proporcional, porém mais rechonchudo. A Vênus de Dresden seria considerada gorda nos dias de hoje.

Mas vamos falar de nuvenzinhas

No horizonte, observamos uma faixa de céu. Parte do céu está azul, um azul claro ainda. Podemos ver algumas nuvens. A direita, é possível observar uma formação de Cumulus  (Cu) e é possível fazer essa conclusão observando os contornos da nuvem, que  são bem definidos e lembram uma “pipoca” estourada.

Além da nuvem Cu, vemos também o que parece ser uma massa maior de nuvens. Talvez sejam nuvens Cu que já se dissiparam e perderam parte de sua estrutura vertical, transformando-se em nuvens Sc (Stratocumulus), o que costuma acontecer no final da tarde.

Se você ainda é novo nisso de classificação de nuvens e não faz idéia o que estou falando, sugiro a leitura desse post mais recente, em que falo sobre o sistema de classificação de nuvens. Esse outro post , mais antigo, resume a classificação básica das nuvens. Nos dois posts, mostro a figura abaixo, que ajuda muito estudantes sobre o assunto.

 

Curiosidade

Eu conhecia apenas a Vênus de Urbino, pois eu tive a oportunidade de visitar a Gallerie degli Uffizi há alguns anos. Eu conheci a Vênus de Dresden nesse documentário ótimo: Gordas. Uma das moças entrevistadas fala sobre como ela identifica seu corpo no corpo da Vênus sensual. Foi quando fui pesquisar sobre o quadro. A propósito, esse documentário é muito bom.  Veja abaixo, parte da sinopse:

Sinopse: GORDA aborda a relação de três mulheres gordas com seus corpos, cujos depoimentos irão revelar vivências únicas.

“GORDA sim, maravilhosa também!”
Não é novidade para ninguém que a sociedade atual perpetua um padrão de beleza muitas vezes inalcançável, especialmente para os corpos femininos. Com isso, cria-se uma obsessão em ter o corpo perfeito. Dessa forma, o preconceito contra mulheres com corpos não-padronizados é uma triste realidade.
Por isso, a gordofobia – hostilização e desvalorização das pessoas gordas -, se estende em diversos âmbitos sociais, seja ele o mercado de trabalho, medicina, ou até em relacionamentos amorosos.
GORDA irá tratar da temática sob um novo viés. Com direção de Luiza Junqueira, o documentário aborda a relação de três mulheres gordas com seus corpos, cujos depoimentos irão revelar vivências únicas. Diferentemente da forma difamatória como geralmente são representadas na maioria das produções culturais, GORDA concede espaço para que essas mulheres falem por si – e isso muda tudo.
Foram escolhidas mulheres em diferentes estágios de autoaceitação para participar do projeto; desde a mais “bem resolvidas”, até as que possuem uma autoestima abalada e problemas em relação à sua autoimagem:

Cláudia Rocha, de 38 anos, é muito empoderada e confiante de si. Após vencer um câncer, decidiu que se amaria dali para frente e criou um blog, o Gordivah, onde ela incentiva esse amor próprio aos seus seguidores.

Elisa Nesi não se sente totalmente confortável no próprio corpo quando está fora de casa. Além do machismo e gordofobia, Elisa também lida diariamente com o racismo. Mesmo com essa insegurança, a jovem de 20 anos, ao frequentar espaços mais elitizados – como a faculdade em que estuda – segue com a cabeça levantada.

Dandara Aryadne, de 24 anos, apresenta um posicionamento ambíguo, já que, apesar de sua consciência política, não consegue se libertar da necessidade de ser validada pelas pessoas de seu convívio. Por ser estudante de artes plásticas, sabe que padrões estéticos mudam de tempos em tempos.

Assista aqui.