Cristã imperfeita



 

Muitos aqui me seguem no Instagram e talvez alguns tenham observado que eu coloco, acima de tudo, a minha religião: sou cristã. Não faço isso para me engrandecer, não é nada disso. Pelo contrário, faço isso porque coloco Cristo em primeiro lugar na minha vida. Nem sempre eu acerto, nem sempre obtenho sucesso nesse objetivo. Sou pecadora, e oro a Deus todos os dias para que Cristo possa redimir meus pecados e habitar em meu ser, em meu agir. Para que ele possa resplandecer em mim. Para que eu possa fazer tudo dentro da vontade de Deus, para que eu deixe de ser uma pessoa ignorante e teimosa. Para que eu possa crescer em sabedoria e no entendimento do Evangelho.

E infelizmente, o Evangelho tem sido colocado na lama por muitos charlatães. Acontece que quem já não tinha uma religião (ou quem não sabe nada sobre fé/religião) acaba usando os casos desses charlatães como uma confirmação para suas próprias opiniões.

Colegas e amigos meus que não são cristãos sempre me perguntam dessas igrejas variadas, com vários nomes (alguns nomes de gosto questionável). Até amigos católicos me fazem essas perguntas. Outro dia tive dificuldades para explicar minha fé para uma senhora católica, que me perguntou docemente a respeito. Essa senhora não compreendia que eu também era cristã, só que protestante. Ela parecia conhecer vários desses tele-evangelistas (não tem como não conhecer, essas igrejas gastam muito dinheiro com horários na TV aberta) e não entendia tanta variedade, tantas placas, tantos nomes.

Com o recente caso do Waldemiro da Igreja Mundial, tenho observado essa discussão novamente, agora com a força das redes sociais. Tenho observado um certo preconceito e ignorância em parte de meu círculo de conhecidos nas redes sociais. Conheço muita gente bem inteligente, acadêmicos inclusive, mas que pouco entendem sobre fé e religião. Acabam cometendo generalizações absurdas. E falta boa vontade para entender o que os cristãos tem a dizer, pois na cabeça de muitos, cristãos são “aqueles tontos enganados pelo pastor” ou “aqueles que elegem a bancada evangélica”. Em muitos casos, esses intelectuais tem uma enorme boa vontade com outras religiões, mas não tem a mesma compreensão e respeito com cristãos. Aparentemente, para muitos membros da intelligentsia, ter uma religião e ser inteligente são coisas excludentes.

Gosto desse texto provocativo do Pondé em que ele fala dos jantares inteligentes. Vou destacar um trecho:

Detalhe: é essencial achar todo mundo “ridículo” porque isso faz você se sentir mais inteligente, claro.
Quanto à religião, católica nem pensar. Evangélicos, um horror. Espírita? Coisa de classe média baixa. Budista, cai muito bem. Judaica? Uma mãe judia deixa qualquer um chique de matar de inveja. Judaísmo não é religião, é grife.

Será que tem gente que deixou de me seguir nas redes sociais ou deixou de ler meu blog quando descobriu minha religião? Não sei dizer. Se em algum momento isso aconteceu, só me faz pensar em um vídeo recente da Fabiana Bertotti, em que ela fala exatamente isso: pessoas que vivem em bolhas. Pessoas que deixam de seguir o outro por discordâncias políticas ou ideológicas de um modo geral. E acho isso péssimo, porque é enriquecedor conviver com o diferente. Desde que cada um tenha educação, respeito e sabedoria para ouvir o discurso do outro.

Eu tenho um orgulho enorme em ser cristã. Faz parte do meu ser. Faz parte até de minhas imperfeições, é por isso que busco a Cristo: porque sei que preciso, sei que não sou perfeita. Faz parte da história de minha família, da maneira como fui criada e ensinada. O Evangelho só me trouxe coisas boas. Sim, tive problemas em algumas igrejas que frequentei. Mas o problema nunca foi Cristo ou a palavra de Deus. O problema é a iniquidade do ser humano. Depois que compreendi isso e aprendi a ser tolerante, acredito que estou preparada para participar de uma comunidade, um propósito que coloquei em minha vida em 2017.

Um adendo importante: algo que sempre me questionam, que é minha opinião sobre o Criacionismo. Acho que amadureci um bocado depois de ter escrito esse post. Não, não me tornei criacionista, pelo menos não no ponto de vista científico da coisa (explico isso melhor aqui), mas eu acredito sim em um Deus criador.