Raios no campus da UFT



Raios e relâmpagos são fenômenos lindos, porém muito perigosos. Nesse post, vou mostrar algumas imagens enviadas pelo Ismael, feitas no campus da UFT. Cortesia de Shutterstock

A imagem que destacarei nessa segunda-feira é uma nova colaboração do Engenheiro Ismael, funcionário da Universidade Federal de Tocantins (UFT).

A imagem não fico ‘perfeita’ do ponto de vista artístico porque nosso colaborador provavelmente a registrou com o celular. Mas isso não importa em nada para a discussão que vamos realizar aqui. Essa imagem foi registrada semana passada e também tem uma filmagem:

Observem que essa parte do campus da UFT é um espaço bastante aberto, com árvores e alguns postes. Uma pessoa caminhando por uma área aberta como essa poderia ser atingida por uma descarga elétrica, quero dizer, teria maior probabilidade de ser atingida. O que me faz lembrar do alerta dado no post da última quinta-feira: começou a surgir indícios de que vai acontecer uma tempestade,  procure abrigo de alvenaria ou o interior de um veículo. Eu explico tudinho no post.

O Ismael já colaborou com outras postagens aqui no blog:

Ele adora fotografar tempestade e como engenheiro, sua preocupação profissional é maior no tocante aos danos aos equipamentos da rede elétrica. E ele não se refere exclusivamente aos equipamentos eletroeletrônicos danificados dentro de casa. O Ismael trabalha com equipamentos de alta tensão, que ficam realmente expostos. Veja por exemplo essas buchas de transformador, completamente danificadas por raios:

Imagem fornecida pelo Eng. Ismael, da UFT.

Como comparação, a peça sem dano é assim:

Imagem fornecida pelo Eng. Ismael, da UFT

As redes de alta tensão possuem equipamentos e peças que atuam como pára-raios, mas eventualmente danos como os apresentados podem ocorrer. Em uma estimativa feita pelo INPE em 2013, concluiu-se que os raios causem prejuízo de 1 bilhão ao país.

Curiosidade histórica

Em uma matéria feita pelo Fantástico em 2013, uma interessante curiosidade histórica sobre os raios é apresentada. Vocês sabiam que a família real portuguesa, quando desembarcou no país, teve muito medo dos raios. Bom, o Brasil, por ser um país tropical (mais quente e mais úmido), apresenta mais condições para o desenvolvimento de nuvens de tempestade. Deve ter sido realmente assustador para a corte portuguesa. Em alguns trechos a matéria do Fantástico:

Dom João passou pra história vitimado por uma série de características caricaturais que, de fato, ele tinha. Dizem inclusive que ele se escondia debaixo da cama cada vez que caía um raio”, disse o jornalista e escritor Eduardo Bueno.

E os piores pesadelos de Dom João XVI com os raios acabaram se concretizando de uma maneira irônica.

Um raio derrubou aquela que foi a primeira palmeira imperial plantada por ele, pessoalmente, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

Em 1808 quando ele chegou, no dia 7 de março, nos dias seguintes nós tivemos um número de tempestades acima da média para o mês de março no Rio de Janeiro.

“Diversos relatos de membros da comitiva de Dom João VI que vieram ao Brasil. Juntando o relato de uma pessoa com o relato de outra pessoa nós chegamos à 10 dias de tempestade, entre o dia 7 de março e o final de março de 1808. E a média gira em torno de seis a sete. Se nós compararmos com Portugal, Portugal tem 4, 5 dias por ano e aqui nós tínhamos 10 dias num mês, numa cidade”.

Será que ele se escondia mesmo debaixo da cama? Além da fama de glutão, será que ele também sofria de astrofobia? Bom, não sabemos se havia esse medo exagerado, mas com certeza todos os membros da corte notaram os raios em quantidade muito maior, quando comparando-se com Portugal.