Vida de mãe que trabalha fora: o constante peso da culpa



Fonte: Free Digital Photos

Eu fui uma criança criada por uma mãe que é dona de casa em tempo integral até hoje. Eu tinha café da manhã antes de ir para a escola, almoço quentinho quando eu retornava. Um lanche da tarde e um jantar em família.  Minhas roupas sempre estavam limpas. Se eu precisasse de algum material diferente para um trabalho escolar, ela me ajudava.

Eu cresci mal acostumada? Não. Cresci muito grata a minha mãe. Ela me ensinou a cuidar da casa, a observando eu também aprendi a cozinhar e a agir com sabedoria diante de diversas situações. Não porque isso seja necessariamente “coisa de mulher”, é porque isso é coisa de ser humano mesmo. Precisamos ter algumas habilidades para o dia a dia, e cuidar da alimentação, da habitação e ter traquejo social são importantes habilidades. Minha mãe e meu pai me ensinaram a ter responsabilidades desde cedo.

Conheço amigos e primos que foram criados por mães que trabalhavam fora. São também hoje pessoas íntegras e bem resolvidas, muitos inclusive são mais mimados do que eu 😂. Amam suas mães e também são gratos a elas. O que quero dizer é que o sucesso na criação dos filhos não está diretamente relacionado ao fato da mãe trabalhar fora de casa ou não. Depende de uma família estável e bem resolvida, com uma criação cheia de amor, carinho e bons ensinamentos. E existem diversos arranjos para tornar isso possível.

Algumas feministas (principalmente as que não são mães) talvez não me entendam e outras talvez nem respeitem meu ponto de vista, mas a criação de uma criança depende mais da mãe do que do pai. Temos muito mais responsabilidades, principalmente quando a criança é muito pequena. Só que as atuais circunstâncias da sociedade nos levam também para o mercado de trabalho. Então temos que nos desdobrar para dar conta de tudo e muitas vezes é aí que a culpa aparece. Eu já falei um pouco sobre esse sentimento nesse post. Além do cansaço, nos sentimos culpadas!

Tanto o cansaço quanto a culpa podem ser amenizados se você tem um companheiro participativo e uma família que te garante apoio. Uma boa organização e um pouco de jogo de cintura e planejamento para tomar decisões importantes também contam.  Pois é, ainda fica um pouco de culpa. As mães sabem, tem aquele dia em que a criança dormiu um pouco mal e fica mais manhosa. Ou logo após um feriado prolongado, depois de muito tempo “grudado na mamãe”. Eu procuro pedir a Deus muita calma, tranquilidade, sabedoria e segurança para passar ao meu filho. Explico que preciso trabalhar e que depois nós voltaremos para casa e tudo ficará bem. A honestidade é bastante importante.

Eu tento amenizar minha culpa e minha tristeza me dedicando o máximo possível ao meu filho nos momentos em que estamos juntos. Eu brinco com ele, lemos, faço carinho, passeamos em família, etc. Todo aquele chameguinho de mãe que a gente ama e facilmente reconhece. Recentemente eu comecei a ler o livro Submissa? Todos tem um dono, da Fabiana Bertotti. Há um ponto no livro em que ela destaca algo muito importante. Ela diz algo mais ou menos nessa linha: do que adianta ser uma mãe que não trabalha fora, porém ficar boa parte do tempo na frente da TV ou na Internet? Em um vídeo da youtuber Jemima Marguerat, ela fala sobre tempo de qualidade com os filhos. São aqueles momentos em que a criança (criança maior, no caso) vai se lembrar para sempre, como um momento gostoso em família. Como meu filho tem apenas 18 meses, penso em momentos de qualidade que vão colaborar para que ele se sinta cada vez mais feliz e seguro. Com o tempo, ele vai construir essa memória afetiva que será muito importante no futuro.

Essa culpa que eu sinto não me machuca. Na minha opinião, assim como a imensa responsabilidade, a culpa e um pouco de insegurança acompanham a vida de uma mãe. A gente tem dúvidas, não sabe se está fazendo tudo certo. E temos que lidar com esses sentimentos, com muita calma e muita fé.  E também tem que ter boa vontade e serenidade para lidar com comentários impertinentes.

Outra coisa que gosto de dizer e colocar em prática  é: não deixe as pessoas dizerem que você não é mãe em tempo integral só porque trabalha fora. Você é mãe em tempo integral sim! Tenho certeza que cada decisão sua é tomada pensando no seu filho. Só porque você não está fisicamente presente o tempo todo, não significa que por 8h diárias (ou mais) você magicamente deixa de ser mãe. A cada diagrama que analiso e a cada grupo escolar que atendo em minhas palestras, eu posso dizer com toda certeza que meu filho está ali. Inclusive eu acho que melhorei a produtividade no meu trabalho por causa do meu filho, mas isso é assunto para outro post.