Incêndios em Christchurch, Nova Zelândia: a meteorologia auxiliando no combate



O combate e a prevenção de incêndios florestais tem como importantes aliados o trabalho o Meteorologista. Saiba mais a respeito ao longo desse post. Cortesia de Shutterstock

Hoje vamos falar sobre Incêndios Florestais e para ilustrar o tema, vou mostrar um caso recente de incêndios florestais que estão ameaçando a cidade de Christchurch, na Nova Zelândia.

Imagem do satélite AQUA, sensor MODIS. Adquirida em 15 de Fevereiro de 2017. Fonte: EO/NASA

Focos de incêndio perto do centro de Christchurch, na Nova Zelândia, queimaram casas e causaram a evacuação de mais de 1.000 pessoas, de acordo com notícias.

A gravidade dos incêndios em Port Hills levou as autoridades a declarar o estado de emergência no distrito de Selwyn e em Christchurch, a maior cidade da Ilha do Sul da Nova Zelândia. O espectroradiômetro de imagem de resolução moderada (Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer – MODIS) , a bordo do satélite Aqua da NASA capturou esta imagem, capturou a imagem acima mostrando a fumaça referente a esses incêndios. A imagem foi obtida às 3:55 p.m. hora local em 16 de fevereiro de 2017 (02:55 Tempo Universal em 15 de fevereiro).

Outros satélites também capturaram imagens desses incêndios. A seguiir, uma imagem obtida pelo Sentinel-2 da Agência Espacial Europeia (ESA – European Space Agency) às 11:25 da manhã, hora local, em 14 de fevereiro (22:25 Horário Universal em 13 de fevereiro). A imagem é na cor natural, obtida pelos canais visíveis do satélite e mostra fumaça em direção ao sudeste.

Imagem do satélite Sentinel-2, da ESA (European Space Agency), usando os canais visíveis, mostrando também a cidade de Christchurch. Imagens obtidas em 13 de fevereiro de 2017.

O mesmo satélite (Sentinel-2 da ESA) também possui canais referentes ao infra-vermelho e com eles também podemos observar os focos de incêndio. e é o que mostro na sequência. Só que ao invés de vermos a fumaça, conseguimos ver a área onde o incêndio está mais ativo (cor vermelha) e conseguimos ver as cicatrizes deixadas pelo incêndio (áreas que foram queimadas), na cor marrom.

Imagem do satélite Sentinel-2, da ESA (European Space Agency), usando os canais de infra-vermelho, mostrando também a cidade de Christchurch. Imagens obtidas em 13 de fevereiro de 2017.

Por isso, sempre que vamos analisar informações de satélites meteorológicos, é importante levar  em consideração informações das diferentes regiões espectrais, ou seja, diferentes canais do satélite. Cada região espectral vai fornecer informações que se complementam. Se você quiser saber mais sobre sensoriamento remoto (e eu me refiro ao básico sobre o assunto), veja minha série de três posts sobre o tema:

 

Unindo as informações do sensoriamento remoto (imagens de satélite) com informações de previsão do tempo, é possível planejar a evacuação de pessoas da área próxima ao incêndio. Também é possível organizar melhores estratégias para combatê-lo. É até possível mobilizar setores da área de saúde, como pronto-socorros por exemplo, muitas pessoas tem graves quadros de problemas respiratórios devido a fumaça.

Além do exemplo mencionado acima, vocês sabiam que existem índices que descrevem a possibilidade de ocorrer um incêndio e esses índices são calculados a partir de  variáveis meteorológicas? Eu vi isso muito rapidamente na minha formação como Meteorologista (acho que foi na disciplina de Agrometeorologia), mas sei que o pessoal da área de Engenharia Florestal está bem familiarizado com fórmulas empíricas como Fórmula de Monte Alegre, Índice de Angstrom, Índice de Nesterov, etc. Saiba mais sobre esses índices na página do Laboratório de Incêndios Florestais da UFPA (veja aqui).

As imagens e informações desse post foram obtidas no boletim do Earth Observatory, da NASA.

Eu já destaquei incêndios florestais em outras ocasiões aqui no blog: