Cultivando no Deserto do Saara. Isso é possível?



As imagens acima foram obtidas através do satélite Landsat 8 no dia 26 de fevereiro de 2017. Quando bati o olho nas imagens, tomei um super susto! A segunda imagem destaca uma área chamada “Detail” (detalhe), que trata-se do destaque da primeira imagem. E por que tomei um susto? Ela não parece uma fotografia. Parecem vários círculos com padrões de preenchimento diferentes desenhados em uma área bege. Um trabalho artístico feito pelas mãos do homem. E não deixa de ser, na verdade. Trata-se de áreas cultivadas em uma região do Deserto do Saara no território egípcio, muito conhecida como Saara Oriental.  E esta parte do Saara Oriental (a oeste do rio Nilo) é tão seca – recebendo apenas alguns  centímetros de chuva por ano – que os pesquisadores descrevem como “hiperárida”. E dessa maneira, a princípio parece improvável que qualquer vegetação cresça por lá.

Mas nas últimas décadas, isso mudou. As imagens que destaquei acima são parte de um projeto que pretende tornar algumas áreas desérticas do Egito adequadas para a agricultura. O projeto começou em 1997 e mais de 1 bilhão de reais foram gastos em máquinas para bombeamento de água subterrânea e construção de canais. Em 2002, o maior canal foi concluído: ele tem cerca de 50km de extensão, 6m de profundidade e 30m de largura, conectando-se a uma rede de outros canais. Infelizmente, os críticos dizem que a infraestrutura no local não é tão boa, o que desencorajou investidores (além da instabilidade na região, desde a Revolução de 2011).

Os círculos que vemos nas figuras que destaquei já indicam o método de irrigação utilizado: a água bombeada do subsolo é fornecida aos sprinklers que giram em torno de um ponto de pivô central. Conforme a estrutura suspensa que compõe o pivô central vai girando, ela vai irrigando uma área circular. Cada “círculo” da figura destacada anteriormente mostra uma área irrigada por um pivô central.

Pivô central. Cortesia de Shutterstock

Pivô central de irrigação é um sistema de agricultura irrigada por meio de um pivô. Nesse sistema uma área circular é projetada para receber uma estrutura suspensa que em seu centro recebe uma tubulação e por meio de um ráio que gira em todo a área circular, a água é aspergida por cima da plantação {x}.

A água é subterrânea e vem do Nubian Sandstone Aquifer, que consiste em um aquífero que recarrega lentamente e por isso é considerado um recurso não renovável. Mas, por enquanto, aquela água significa que as plantas podem florescer no mais seco dos desertos.

De acordo com um relatório de 2014, as empresas que operam na área destacada estavam focadas no cultivo de trigo, um alimento básico importante no país. Uma empresa de arrendamento de terras em East Oweinat teria produzido 40 mil toneladas de trigo ao longo de um ano. Os trabalhadores podem transportar as colheitas e os equipamentos através do aeroporto no lado oriental do local (também destacado na figura do Landsat).

Fonte: EO-NASA