Modificação das condições meteorológicas em Star Trek



Aposto que você já teve um passeio arruinado pelas condições meteorológicas. Aquele fim de semana na praia que foi por água abaixo (literalmente), quando chuvas torrenciais atrapalharam seus planos.

Além dessa situação mundana mencionada, secas extremas e prolongadas prejudicam a produção de alimentos, causando fome e êxodos. Chuvas intensas provocam mortes e prejuízos financeiros em diversos locais do mundo. Sem mencionar fenômenos como tornados e furacões, que causam dezenas de mortes em diversas localidades anualmente. A previsão do tempo pode ajudar na programação das atividades, emitindo alertas para que as pessoas deixem suas casas a tempo. Mas já pensou se de alguma maneira, pudéssemos alterar as condições meteorológicas instantâneas (o tempo) de um local ou até mesmo fazer isso sistematicamente, para alterar o clima de uma região inteira?

O ser humano tem alterado o clima através das emissões descontroladas de gases de efeito estufa e através da mudança de uso do solo (principalmente com o desmatamento). No entanto, essa mudança é uma consequência não intencional da atividade humana. Quando um madeireiro desmata áreas da Região Amazônica de maneira ilegal e indiscriminada ou quando o dono de uma industria emite gases que aumentam o efeito estufa, não estão pensando que o objetivo de tais atividade é alterar o clima. É apenas uma consequência nefasta, que não interessa ao madeireiro e nem ao proprietário da indústria. É uma consequência nefasta que provavelmente não ocupa os pensamentos de muitas pessoas, principalmente enquanto houver essa “guerra ideológica” na qual muitos dizem de maneira extremamente inconsequente e ignorante que preocupar-se com o meio ambiente é coisa de esquerdista.

O que quero dizer com o título desse post é: já pensou se pudéssemos alterar o tempo e/ou o clima de uma região intencionalmente e de maneira certeira? Por exemplo: quero que chova mais no interior do Piauí. Daí eu vou lá, faço alguns ajustes, aperto alguns botões e pronto: terei mais chuva nessa localidade. Na quantidade, no tempo e no meu ponto de interesse. Certeiro.

No momento isso não é possível.  Mas na ficção especulativa, qualquer coisa é possível. Vamos falar das modificações das condições meteorológicas em Star Trek, minha franquia favorita e sempre abordada aqui no blog.

Fan art de FBOMBheart, mostrando o planeta Risa, uma espécie de colônia de férias da Federação. Nesse planeta, há um sistema de modificação das condições meteorológicas funcionando constantemente, de modo que modificou o clima do planeta, possibilitando sempre temperaturas amenas e ausência de chuva, para que os hóspedes e os habitantes possam aproveitar as praias. Além disso, tempo ensolarado e seco sempre deixa as pessoas mais descontraídas. Em Risa, só tem gente feliz.

Uma rede de modificação do tempo (ou sistema de controle do tempo) é um sistema usado para alterar os padrões climáticos naturais de um planeta, agindo como um sistema ambiental em escala global.

No episódio de Star Trek: TNG “True Q“, é dito que a Terra conta com um sistema desses, para evitar tornados. No mesmo episódio, é dito que o sistema é praticamente livre da falhas (exceto quando o personagem Q provoca essa falha).

Os sistemas de controle do tempo também são tema do episódio Star Trek: TNG “Sub Rosa“, quando ao sistema instalado na colônia de Caldos II (onde nasceu a Dra. Beverly Crusher) passa a sofrer a interferência de uma forma de vida que se manifesta como energia. Para consertar o sistema de controle do tempo de Caldos II, é necessário que se utilize a infraestrutura e o fornecimento de energia da nave USS Enterprise-D.  Inclusive falei desse episódio em mais detalhes nesse post.

Sistema de modificação das condições meteorológicas em Caldos II, uma das colônias da Federação.

No episódio de Star Trek: TNG “Force of Nature“, um sistema de controle do tempo é instalado no planeta Hekaras II para corrigir as instabilidades causadas pelas viagens que utilizam dobra espacial. O episódio é bastante interessante, pois nos faz pensar nas ações do homem aqui na terra, que alteram os ecossistemas. De alguma maneira, as viagens espaciais que utilizam o conceito de dobra espacial, dentro da ficção do programa, causariam alterações no espaço que poderiam prejudicar a vida em alguns planetas.

E claro, o exemplo mais clássico de sistema de controle do tempo na franquia é daquele instalado em Risa, o planeta que é uma espécie de colônia de férias da Federação. Naturalmente, a atmosfera de Risa parece ser muito instável, com tempestades severas. Através do sistema de controle do tempo, o planeta apresenta um clima com características amenas e ensolaradas o ano todo. No episódio de Star Trek DS9: “Let He Who Is Without Sin…“, o sistema de controle do tempo de Risa é sabotado por um grupo radical chamado New Essentials, sabotagem que foi possível graças a ajuda de Worf. Essa ação teve como objetivo apontar para o povo da Federação que a busca trivial do prazer, como em Risa, estava enfraquecendo sua fibra moral diante de inimigos como o Domínio. A pessoa responsável pela rede de modificação do tempo em Risa foi determinada mais tarde a trabalhar para o Sindicato Orion ( Star Trek DS9: “Honor among thieves“)

Mencionei esse episódio em Risa nesse post sobre a Meteorologia de Ferenginar.Quark faz um comentário muito pertinente sobre as condições meteorológicas de Risa após a sabotagem do sistema de controle do tempo:

I’ve seen drier days on Ferenginar. And we have a hundred seventy-eight different words for rain. Right now it’s glebbening out there. And that’s bad.

Ao longo das séries e dos filmes da franquia, pelo menos pelo o que eu me lembro, não é explicado em detalhes qual a tecnologia utilizada nesses sistemas de modificações das condições meteorológicas. É apenas dito que esses sistemas existem e pronto. Na ficção muitas vezes é assim. As coisas simplesmente existem. Pensando bem, você não fica pensando no funcionamento de um smartphone o tempo todo. Você simplesmente usa, porque está disponível. Se uma pessoa do século XVII fosse transportada para a atualidade, provavelmente ela encararia o smartphone como algo mágico, como um item da ficção. E para nós, é apenas uma ferramenta trivial.

Para finalizar o post, aproveito para reescrever algo que eu já mencionei em 2013:

Até a atualidade não conseguimos mostrar uma forma concreta de modificar o tempo  (com os resultados esperados e que justifique o uso de tantos recursos financeiros). Há a ideia da semeadura de nuvens, que tem uma base científica e boas respostas em laboratório (como o Projeto Cirrus, por exemplo), porém não há resultados concretos na atmosfera livre. Há também ideias totalmente pseudocientíficas e que nem preciso comentar (como a da tal fundação esotérico-científica).

Conseguimos modificar o clima de um ambiente pequeno, usando climatizadores, umidificadores, aquecedores,  etc. Com o aquecimento global inevitável (e que já está acontecendo), vários tomadores de decisão já falam em medidas mitigatórias.  A redução de emissões de gases do efeito estufa é uma delas. No entanto, como o aquecimento é inevitável, talvez a tecnologia na área de “modificação do clima” daqui alguns anos consiga modificar o clima globalmente (ou numa grande área), reduzindo as temperaturas no verão e equilibrando a duração das estações seca e chuvosa.