Na escolha de sua profissão, saia do óbvio!

Esse post nasceu de uma conversa que tive com alguns alunos do ensino médio (segundo e terceiro ano). Como é natural dessa época da vida, eles estão em dúvidas, escolhendo qual profissão devem seguir.

De maneira bem simples, eles tentam responder aquela pergunta que nos fazem repetidamente quando ainda somos crianças:

O que você quer ser quando crescer?

Eu observo que muitas vezes, por pressão familiar, querem que sigamos uma carreira extremamente óbvia. Melhor dizendo, uma carreira extremamente tradicional.

O que eu quero dizer com carreira tradicional? Eu me refiro aos cursos conhecidos, os cursos mais tradicionais: medicina, odontologia, direito e engenharia são os exemplos que melhor ilustram o que quero dizer. É inegável que ainda hoje, quem tem diploma nessas áreas recebe um maior prestígio por parte da sociedade.

Há algo de errado em cursar uma carreira tradicional? De maneira alguma! Eu sempre penso que o ideal é cursar aquilo que se gosta. Se você gosta de medicina, já leu muito a respeito e está disposta a encarar todos os obstáculos para se tornar médica, então faça isso! A questão é que muitas vezes o jovem se sente pressionado a seguir essas carreiras mais tradicionais. Pressionado pela família e pela sociedade.

Nessa conversa que tive com alunos de ensino médio, procurei tentar ajudá-los a ampliar seus horizontes de escolhas. Com o crescente desenvolvimento tecnológico em diversas áreas do conhecimento, surgem diversas áreas de especialização. Se formos pensar em cursos relacionados à Tecnologia da Informação, por exemplo, são vários tipos de curso de nível técnico, tecnólogo e de bacharelado.

Em outras palavras, o que quero dizer é que a variedade de carreiras para seguir é muito grande! Fazendo um comparativo até infantil mas que ajuda a ilustrar o que quero dizer, imagine que você chegou em um hipermercado e quer comprar um produto para limpar o piso de sua casa. E vamos supor que você vai limpar a sua casa pela primeira vez e não tem nenhuma experiência com limpeza. Certamente você terá muitas dúvidas ao escolher o produto que atenderá suas necessidades. No passado, digo há uns 50 anos, a dúvida seria muito menor pois certamente havia uma variedade menor de produtos no mercado e havia também uma menor variedade de tipos de pisos nas residências. Hoje em dia tem porcelanato, vinílico, laminado, carpete, etc. E cada piso tem um tipo certo de produto para limpá-lo.

Ou seja, eu acredito que a dúvida dos jovens que estão pensando em qual carreira vão seguir é justamente a variedade, a enorme quantidade de opções. E essas opções vão aumentando cada vez mais, em conversas com colegas e na leitura de informações. Temos acesso a uma enorme quantidade de informação diariamente e isso deixa qualquer um confuso. Por isso nesse post, vou dar algumas sugestões e opiniões que podem ajudar quem se encontra nessa situação.

Entendam, não sou dona da verdade. Muitos de meus conselhos ou ideias são embasados em minha experiência pessoal. Não tome tudo o que você ler aqui como “regras absolutas a serem seguidas”. Meu objetivo é fornecer a você algumas opiniões que irão ajudá-lo a moldar suas próprias opiniões. Leia bastante, leia opiniões de diversos pontos de vista.

Um ajuda o outro: com os questionamentos dos adolescentes e jovens adultos que conheço, reflito sobre minha experiência. E essa troca de ideias ajuda a construir pontes. Cortesia de Shutterstock

Auto-conhecimento

Leia livros e textos de diversas áreas, para que você saiba do que você mais gosta. Se possível, procure um terapeuta. Precisamos tirar esse estigma negativo da terapia. Um psicólogo pode sim te ajudar a colocar as coisas no lugar, pode te ajudar nessa jornada de auto-conhecimento.

Ainda há a possibilidade de procurar um profissional de coaching ou um especialista em orientação vocacional. Porém tome muito cuidado, porque infelizmente há charlatães nessas áreas. Busque indicações de pessoas conhecidas.

Separe alguns momentos do seu dia para orar, rezar o meditar. Não importa sua fé, separe um momento para se desligar de qualquer fonte de informação e pensar na vida, relaxar. Faça passeios ao ar livre, deite na grama. Se separamos alguns momentos assim, toda aquela informação que acessamos será melhor aproveitada, pois conseguimos pensar com maior clareza no que lemos a ponto de chegarmos às nossas próprias conclusões.

Valorize conversas com pessoas mais velhas. Mesmo que aparentemente a pessoa mais velha não te entenda (é normal, tenho 30 e poucos e já não entendo os adolescentes rs), compreenda que é possível aprender com pontos de vista de pessoas que já tem mais experiência. Experiência a gente adquire com as porradas da vida. Por mais que você leia e se informe, tem coisas que a gente só entende vivendo.

Durma bem. Não leve o celular para a cama, nem assista TV antes de dormir. Vá para o seu quarto e treine seu cérebro para descansar. Eu acho que as pessoas atualmente estão viciadas em informação, mas sem o devido cuidado, esse enorme volume de informação nos esmaga ao invés de nos ajudar.

Leia boas fontes de informação.

Para a escolha de sua carreira, leia boas fontes de informação o Guia do Estudante ou  o Portal Universia, por exemplo. Converse com professores de sua escola e até com profissionais de áreas mais diversas. Como meteorologista, por exemplo, recebo perguntas de diversos vestibulandos que se informaram a respeito da carreira em Meteorologia e me fazem todo tipo de perguntas interessantes. Essa é uma maneira de usar a internet ao seu favor, ou seja, você está procurando profissionais de suas áreas de interesse para buscar conteúdo e informação. Porém entenda que esse tipo de informação consiste em experiência pessoal, ou seja, trata-se de um ponto de vista específico daquela pessoa. Ainda usando um exemplo de minha área, basta lembrar daquele texto sobre valer a pena ou não cursar meteorologia. Lendo o post, você vai observar que alguns de meus colegas de profissão estão totalmente satisfeitos enquanto outros não estão. Por isso é importante ter acesso a vários pontos de vista.

Não desista apenas porque as matérias são difíceis

 

Não desista de cursar uma determinada carreira porque as matérias são difíceis. Quando eu estava no primeiro ou segundo ano do Bacharelado em Meteorologia, eu pensei em desistir porque as disciplinas de Cálculo e Física estavam muito difíceis. Pensei inclusive em trocar de curso, em fazer Biologia. Eu julgava, na ocasião, que Biologia poderia ser mais fácil. Eu parei para pensar e refletir e vi que não fazia sentido trocar de curso por essa razão. Eu tinha o apoio de minha família, então pensei que toda dificuldade em absorver o conteúdo de Cálculo e Física poderia ser sanada se eu me esforçasse e me dedicasse mais. Foi o que fiz e valeu a pena.

Entenda, claro que você pode desistir ou trocar de curso, ninguém deve insistir em algo que traga infelicidade. Mas a desistência e a troca de curso devem ser bem pensadas, levando múltiplos fatores em consideração. Ou seja, não leve apenas a questão da dificuldade como único motivo para a troca de curso.

E não fique na ilusão de achar que um curso universitário é mais fácil do que o outro. Tem gente que acha que humanas ou biológicas são mais fáceis do que exatas. E foi o que pensei quando cogitei trocar para Biologia, como mencionei acima. Não, não existe curso fácil, principalmente dentro de uma Universidade de prestígio. Eu sei que existem instituições onde o conteúdo é super mastigadinho e os professores não cobram muito a ponto de ser possível ser aprovado em uma matéria apenas por frequentar as aulas.

Porém aqui eu estou falando de instituições prestigiadas. E mais do que instituições prestigiadas, estou falando de pessoas prestigiadas. Sim, mesmo que você estude em uma Universidade local, que não tem tanto renome, você é capaz de conseguir muito mais do que aquilo que é apresentado nas aulas. Busque informação, leia bastante e inclusive procure vídeos de aulas das mesmas matérias de outras Universidades. Pela internet, é possível assistir aulas da USP ou do MIT, por exemplo.

Eu tenho uma prima que fez Letras na USP e a quantidade de material que ela tinha que ler semanalmente era muito grande. Eram resumos e fichamentos que não tinham fim. Ela tinha que escrever sem parar! Ou seja, é um curso muito pesado e muito difícil também. Acontece que se convencionou dizer que a inteligência lógica é a “real inteligência” e que sendo assim, é a mais difícil de ser alcançada (leia mais sobre isso nesse post). Há quem diga que eu sou extremamente inteligente, quando digo que fiz Meteorologia. No entanto, eu não me considero tão inteligente assim e percebo que não tenho boas habilidades relacionadas à escrita, fala e a leitura de certos textos. Nesse último fim-de-semana eu conversava com uma prima que é professora de História e ficou bem claro, em uma certa situação, que ela sabia descrever o contexto do que estava acontecendo de maneira bem clara e objetiva. Eu não tenho a mesma clareza com as palavras e claro, essa é uma habilidade relacionada à inteligência linguística.

Ou seja, podemos ser inteligentes de diversas maneiras, temos que nos auto-conhecer (como mencionei antes) para sabermos onde nossas habilidades estão mais encaixadas e esse auto-conhecimento vai ajudar na escolha da carreira. Trabalhar suas habilidades (seja elas quais forem) é uma tarefa árdua, pois exige treino e dedicação. Não tem fórmula mágica.

Pense na sua vida, não apenas em sua vida profissional

Há maneiras de se realizar na vida que vão além da carreira ou da carreira convencional. Ter uma vida espiritual saudável e ter filhos são exemplos bastante importantes de conquistas que trazem paz e felicidade. Claro que ninguém é obrigado a ter filhos ou obrigado a frequentar uma igreja para ser feliz, no entanto são escolhas válidas e sólidas que trazem felicidade para quem conscientemente deseja esses caminhos.

Por isso, cuidado para não ficar pensando apenas na vida profissional. Claro que precisamos encontrar maneiras de ganhar dinheiro e contribuir com a sociedade, mas temos que dar espaço para os relacionamentos e para a família. Isso é muito importante! Em minha jornada como estudante de Meteorologia, muitas vezes negligenciei minha família, amigos e até minha saúde. Fiquei muito tempo sendo uma pessoa sedentária, pois eu precisava estudar. Fazer isso por um curto período, até tudo bem. Quantos jovens maravilhosos você certamente conhece que trabalham e fazem faculdade, sempre se  esforçando muito e trocando um jantar por um salgado? Provavelmente vários. Mas levar essa vida por muito tempo não é saudável. Pense bem no que você quer conquistar em termos de vida pessoal quando for levar em conta sua escolha profissional.

Não escolha carreiras pela “moda”

Há quem escolha cursar uma determinada carreira porque está em alta naquele momento. E esse ápice pode estar relacionado com muitas ofertas de emprego naquele momento ou porque o assunto está sendo bastante tratado pela mídia naquele momento. Por exemplo, vamos supor que uma determinada novela aborde o dia a dia dos médicos em um grande hospital. E por alguma razão, essa novela caia nas graças do público, com os atores que interpretam os médicos sendo muito elogiados. É bastante razoável pensar que um jovem possa se “embalar” pelo sucesso da novela e decida prestar medicina usando apenas isso como base.

Escolha algo com o qual você se identifique. Se imagine procurando emprego naquela área. Em quais empresas você pode trabalhar? Você pode empreender de alguma maneira? O que você pode fazer, usando o seu conhecimento, para ganhar dinheiro? Pense nessas coisas enquanto estuda, para que seus planos de longo prazo comecem a ser traçados. Claro que tudo pode mudar no meio do caminho, mas é importante saber qual é o ponto de chegada.

Cuidado com as redes sociais

Sim, fiquei parecendo um senhor de meia idade falando para os jovens tomarem cuidado com os “perigos das redes sociais”, mas não é disso que estou falando. Na verdade repito algo que já mencionei em outras ocasiões. Cuidado com a glamourização das coisas.

Quando posto aqui ou nos meus perfis sociais (principalmente no Instagram) algo sobre meu trabalho, fico muito preocupada pensando que algumas pessoas podem concluir que minha vida é perfeita e sou completamente realizada no meu trabalho. Eu tenho também dificuldades no meu ambiente de trabalho e tenho frequentemente dúvidas sobre minha carreira (até falei sobre essas dúvidas nesse post). Esse tipo de insegurança é absolutamente normal, a questão é que nem sempre as pessoas externam isso. Quando postamos informações nas redes sociais, temos que filtrar o que postamos para satisfazer nossos egos, para proteger nossa privacidade e para proteger nossas relações.

Imaginem se eu ficasse falando mal de meu emprego e de meus colegas de trabalho ou de profissão pela internet. Não posso fazer isso, pois é grosseiro e antiético. Se eu tenho reclamações sérias e contundentes a respeito de colegas, devo procurar órgãos competentes. Fora que eu tenho o maior cuidado em não escrever coisas quando estou irritada ou nervosa, porque quando estamos assim, somos incoerentes, não nos expressamos com clareza e acabamos ferindo muita gente (inclusive nós mesmos).

Sabe aquele perfil do Instagram que só posta fotos artísticas em restaurantes elegantes ou em destinos maravilhosos? Já parou para pensar que muito provavelmente aquela pessoa poste APENAS esses momentos? Não há muito glamour em postar o PF da padaria da esquina ou o passeio na Praia Grande (o que não quer dizer que seja impossível apreciar coisas simples!). Não há mal em postar só coisas bonitas, acho que temos que eternizar esses momentos. A questão é que um expectador  desavisado, que já está com pensamentos negativos a respeito de sua própria existência, pode erroneamente concluir que a vida do outro é perfeita e a sua não é.

Em outras palavras, é claro que quando lemos sobre o trabalho de alguém em um blog ou perfil de rede social, podemos ter a falsa ideia de que tudo são flores. Se você segue um personal trainer nas redes sociais e acha que a vida dele é só gente sarada, roupas maneiras de academia e lanches fit, lembre que há muito esforço naquela conquista. Lembre que ele precisa lidar com situações adversas e complicadas, como qualquer ser humano em qualquer profissão. Nós não contamos toda a nossa história por ai, não faz sentido esperar que o outro conte. 

Sim, você pode mudar de carreira! E não tem idade para isso.

A escolha da carreira não é algo eterno e imutável. Não é porque você cursou Nutrição que será nutricionista para o resto da vida. As coisas podem mudar pelo caminho. Podem surgir concursos públicos em outras áreas de interesse, nas quais não é necessário ser formado em Nutrição. Uma colega de meu pai, por exemplo, é nutricionista, porém acabou passando em um concurso público na área administrativa e aparentemente estava satisfeita com isso.

Você pode fazer uma pós e mudar ligeiramente a sua área de atuação. Por exemplo, vamos supor que você começou como nutricionista de uma grande rede de restaurantes. Com o tempo você notou que não está mais satisfeita com a carreira. Pode fazer uma pós e vir a trabalhar com nutrição esportiva, por exemplo. Pode virar docente, ministrando aulas para cursos técnicos e universitários. Muita coisa pode acontecer dentro de sua própria área. Basta estudar e se atualizar.

Você pode também dar uma enorme guinada de 180° e fazer um novo curso de graduação. Essas mudanças exigem um enorme esforço para sair da zona de conforto. Exigem também um certo planejamento financeiro e apoio da família, mas não são impossíveis. Quando eu cursava Bacharelado em Meteorologia, conheci uma mulher de mais de 40 anos que era psicóloga e que trabalhou na área por muitos anos. Cansou dessa carreira e decidiu mudar, prestando vestibular para Meteorologia. Formou-se como uma das melhores alunas de sua turma e depois passou em um concurso público da área. Eu também conheci professores de Física e engenheiros, com mais de 40 anos, que também estavam dispostos a deixar sua antiga carreira ou pelo menos a agregarem novos conhecimentos em seus currículos, como um diferencial. Um Engenheiro Civil que também é Meteorologista, por exemplo, terá um enorme diferencial em seu currículo.

Conclusão

Como eu disse, o que exponho aqui é o meu ponto de vista. Escrevi esse post de coração e espero ajudar tantos outros jovens e adolescentes como aqueles que mencionei no começo do post. O alcance de meu blog não é muito grande e para ajudar meu trabalho, peço que você compartilhe esse texto caso tenha achado suas informações valiosas.

Entenda também que sem foco e dedicação qualquer conquista é impossível. Todo profissional gabaritado que você conhece e admira certamente teve uma história de esforço, dedicação e superação. Eu sei que algumas pessoas já nascem em lares estáveis e financeiramente privilegiados e claro, essas pessoas tem a maior chance de adquirir sucesso.  Se você é pobre mas tem uma família estável que acredita em você e te apoia, saiba que isso é muito maior do que qualquer quantia em dinheiro.

Se a sua família está desestruturada e não te entende e nem te apoia, tente o diálogo (se possível). Se não for possível, busque outros modelos de apoio (como professores, por exemplo). Acredite em seu potencial e não desista de fazer coisas boas e de ser uma versão melhor de si mesmo todos os dias.