Esse artista faz nuvens perfeitas em interiores



Eu já falei de Berndnaut Smilde nesse post, mas o trabalho dele é tão incrível que achei que valia a pena falar mais uma vez para os leitores mais novos do blog.

Já pensou se pudéssemos criar nuvens perfeitas dentro de casa? E eu não falo daquela nuvenzinha que sai da chaleira ou da panela de pressão, falo de nuvem bonitinha, com contornos definidos. É o que faz Berndnaut Smilde, com uma “escultura” que dura cerca de 10s apenas. Sua escultura é uma nuvem.

Um dos trabalhos de Smilde. Fonte: Wired

Ou seja, a arte de Smilde é completamente fugaz e efêmera e talvez diga alguma coisa sobre a nossa época. Os materiais usados por Smilde são fumaça e vapor d’água. Usando equipamentos melhores e uma metodologia mais organizada, o que ele faz nada mais é o mesmo que ensinei nesse post.

Os resultados de seu trabalho vão variar em tamanho e em formato e claro, vão depender do tamanho e da temperatura do local onde a nuvem será fabricada. Para que o trabalho de Smilde dê certo, o local precisa ser frio, úmido e sem circulação de ar. Smilde cria uma “parede” de vapor d’água e gotículas de água usando um borrifador. Uma máquina então cria e emite a fumaça na direção dessa “parede”. Essa fumaça na verdade envia os núcleos de condensação na direção do ponto saturado de vapor d’água (a parede criada pelo borrifador).

Smilde gosta de manter as nuvens a uma altura de no máximo 1,80m, pois dessa maneira elas demoram mais para se dissipar. Pelo o que entendi, Smilde criou o seu “arranjo experimental” e sua “metodologia” através do empirismo, ou seja, na base da tentativa e erro. Com os devidos cuidados, o artista consegue criar nuvens concentradas, com bastante textura, que lembram em muito nuvens Cumulus.

E não é tão simples conseguir “a nuvem perfeita” para uma foto como a que abre a postagem. Para a revista Wired, Smilde contou que já teve que criar cerca de 100 nuvens até conseguir uma que proporcionasse uma imagem perfeita. O artista gosta de trabalhar com fotógrafos especializados em registrar elementos arquitetônicos, pois com técnicas adequadas é possível conseguir esse interessante contraste entre o aspecto “fofinho” das nuvens e a rigidez do concreto, da madeira e do metal do local da instalação.

Nas palavras de Smilde, as nuvens que ele cria são “esculturas temporárias feitas de quase nada – a fronteira da materialidade”. Ele ainda ressalta a dualidade em seu trabalho: “parece que você pode entrar nelas ou tocá-las, mas elas se dissipam. Ha uma dualidade que eu realmente gosto na qual você está tentando alcançar esse objeto ideal e então ele colapsa no ar”.

O trabalho do artista é tão interessante e já se tornou tão conhecido que companhias de computação em nuvem tem chamado Smilde para criar suas esculturas em exposições e eventos. Ele ainda fala de como as nuvens são “universais”, no sentido de serem conhecidas por todos. E ao colocá-las em ambientes fechados “é como se você mudasse o contexto e elas se tornassem estranhas e até ameaçadoras”, de acordo com a opinião do artista.

Fontes:
Wired
Vimeo