O fim dos #primeiros1000dias do Joaquim



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Nessa semana, meu filho vai completar 2 anos de idade. Chega ao fim o período dos #primeiros1000dias do Q e gostaria de escrever um pouco. Em meio a tanto conteúdo referente à maternagem por toda internet, acredito que meu relato pode de alguma maneira ajudar alguém. Além disso, é gostoso escrever. Tirar do peito aquilo que é belo ou assustador.

A gravidez do Joaquim foi planejada e muito desejada. No entanto, eu não estava preparada para muitas mudanças. A verdade é que nenhuma mulher está mentalmente preparada para ser mãe. Eu diria que o aprendizado ocorre enquanto toda a ação se desenrola. Não tem como ler vários livros, manuais e blogs e pensar: pronto, agora estou preparada. Quando vejo moças que ainda não são mães com tantas certezas e dando tantas opiniões precisas, eu apenas rio mentalmente e penso: sabe de nada, inocente.

Algumas até comparam ser mãe de uma criança com ser “mãe de cachorro”. Dou um sorriso simpático, admiro o amor pelos animais, mas sei que a comparação não faz o menor sentido, para não dizer que ela é desproporcional.

Ser mãe é exatamente como aprender a pilotar um avião em pleno voo.

Quando eu estava grávida do Joaquim e em seus primeiros meses de vida, eu lia muito sobre como cuidar de bebê e sobre como educá-lo. Aquelas blogueiras, aquelas instagrammers, elas pareciam ter tanta certeza do que estavam fazendo e eu estava assustada e insegura. Chegou um ponto que eu percebi que eu tinha me perdido: eu tinha deixado de ser eu mesma. E eu chorei.

Foi quando cheguei a seguinte conclusão e aqui deixo meu apelo para você que está grávida ou é mãe de um recém nascido: não acompanhe perfis de pessoas que parecem ter certeza sobre como criar os filhos. Ninguém tem certeza e ninguém nunca teve certeza! Meus pais já me confessaram que acham que não atuaram bem (e eu e meu irmão temos mais de 30 anos). Não existe fórmula, gente!

A gente se auto-ilude muito com esse negócio de redes sociais (principalmente se a gente não está com a cabeça legal). Fica achando que a vida do outro é melhor, que o corpo da outra é melhor, que o outro tem razão e que o outro está fazendo tudo certo. É tudo editado! Principalmente quem vive de ser digital influencer precisa ter um cuidado ainda maior com essa edição. Não estou dizendo que toda digital influencer necessariamente está mentindo sobre sua própria vida e que tudo é uma ilusão. Na verdade, elas editam suas próprias vidas e tiram fotos maravilhosas porque ninguém quer ver gente desarrumada e foto escura.

E mesmo que o outro seja melhor do que você em alguns aspectos da vida ou mesmo que o outro possua algo que você almeje, afaste a inveja de você. Esse sentimento é destrutivo. Cada um possui um caminho nessa vida, cada um está em um estágio dessa fascinante e amedrontadora jornada. Ame sua história. Respeite sua história.

Eu sempre digo aqui  no blog que você, mamãe que está lendo, com certeza você sabe o que deve ser feito, porém tanta ansiedade e tanta informação (e desinformação) desencontrada deixa você insegura e confusa. Eu falo por mim, eu já me senti assim. Se você está grávida ou tem um bebezinho em suas mãos, leia informações de divulgação científica de qualidade. Leia conteúdo de sites como o Baby Center,  um ou outro post ou entrevista que apresente conteúdo honesto e sincero. Porém leia com moderação, não fique ansiosa com tanta informação. Procure também livros leves, aquelas histórias divertidas e cativantes para distrair a mente. Assista séries, ouça músicas, faça caminhadas em parques, procure atividades físicas em geral, etc. E principalmente, não fique acompanhando digital infuencers (principalmente se você não está com a cabeça muito boa ou sente ansiosa ou deprimida). E se os sintomas de mal estar mental forem muito persistentes, procure um psicólogo.

Quando eu me centrei e compreendi que eu deveria ser uma mãe do jeito que eu sou (ou seja, levando em conta aquilo que sou, minha personalidade), eu me senti mais leve e percebi que sou uma boa mãe, como tantas outras, cada uma de seu jeitinho. Aprendi a ser feliz com o que eu sou. Observo que as pessoas vivem com aquela ideia do que é ideal e tentam buscar isso de maneira descontrolada, sem perceber que dá para ser feliz com o que temos. Claro, sempre melhorando aos poucos e dentro das possibilidades. Sem pressa. Porém sempre muito feliz e grata com o que tenho!

Eu sou uma mãe que trabalha fora, que deixa seu filho na escolinha, que acredita que a convivência na escola é super importante, que sabe que pais e professoras precisam caminhar lado a lado, que sabe que as vacinas são um importante avanço científico, que questiona modismos da maternagem, que gosta de ciências e ficção científica e que não tem pretensões de ser fit ou de ser uma it mom arrumadíssima e maquiada. Que vai fazendo as coisas conforme dá, que não se importa que o filho coma um bolo ou um brigadeiro de vez em quando e que acredita que a amamentação é importante (mas não é obrigatória).

Eu sou uma pessoa que acredita que o que deve ser feito, deve ser feito. E que por isso fiquei, ainda fico e sempre ficarei noites em claro. Porque precisa ser feito. E se precisa ser feito, não tenho que ficar questionando ou me lamentando a respeito disso. Apenas devo fazer. Acredito também que temos que saber quando precisamos respirar e por isso toda a ajuda de pessoas de confiança é válida. Repousar e respirar nos faz boas mães.

Com o fim desses primeiros 1000 dias do Q, sei que fiz o melhor que eu pude ao longo de todos esses dias. Olhando para trás, sei que poderia ter sido muito melhor. Mas perceba, esse raciocínio não é nem um pouco justo comigo mesma e nem um pouco lógico. Há mais de 2 anos atrás eu era outra mulher, em um outro estado de evolução de meu ser. Sendo assim, eu fiz o melhor que eu pude nesses primeiro mil dias, o melhor dentro de minhas possibilidades. Eu sou uma boa mãe.

❤#jardineirinho #instababy #24meses #babyboy #sesujarfazbem

Uma publicação compartilhada por Samantha N. S. Martins Almeida (@samanthaweather) em