Precisamos conversar sobre o que é “dar certo na vida”

Adolescentes se “fantasiam” de profissões que são desvalorizadas por eles. Fonte da imagem: Huffpost Brasil

Mais uma polêmica invadiu a internet. Trata-se da escola que decidiu organizar uma festa com o tema “e se nada der certo”. A ideia era “incentivar a criatividade dos alunos” para que eles pudessem mostrar o que fariam se “não passassem no vestibular”. Os alunos então se “fantasiaram” de funcionários de lanchonetes, garis, empregadas domésticas, etc.

Na verdade, em 2015 outra escola há havia proposto algo semelhante (nessa publicação do Celso dá para entender isso direitinho) e por isso circularam por aí fotos das duas festas. Essas coisas são uma daquelas bobagens que inventam para “amenizar o stress” dos alunos do terceiro ano do ensino médio, que estão supostamente sobrecarregados com os estudos e com a pressão de estudar vestibular. Quando eu fazia cursinho, em 2001, a escola organizava shows de talentos. Eu achava a iniciativa bacana, embora na época eu não tivesse energia ou vontade de participar dessas festividades.

Eu entendo (e sei) que ficamos sobrecarregados com os estudos e que é necessário se distrair um pouco, até para que o conteúdo estudado possa ser melhor compreendido. Mas não gosto desse discurso de “coitadinho, tem que estudar”. É a única coisa que o adolescente faz na vida, por isso tem que fazer da melhor maneira possível.

No entanto, há sérios problemas e questões a serem discutidas a partir do tema dessa festa e dessa polêmica. Eu vou tentar abordar alguns pontos sobre essa polêmica, então esse texto vai ficar imenso. São muitas coisas para discutir, então escolhi os seguintes pontos para refletir:

  • O conceito de “dar certo na vida”
  • Ter uma graduação e ter uma profissão
  • Vivendo em uma bolha.

O conceito de “dar certo na vida”

Bom, vamos dissecar um pouco o conceito de “dar certo na vida” de acordo com nossa sociedade. Isso significa basicamente ganhar dinheiro e manter um status, um padrão reforçado pelos seus pares. Se você tiver um diploma universitário com um título, melhor ainda. Claro que não é qualquer diploma universitário. Se for de Medicina, Direito ou Engenharia, melhor. Talvez desses três, melhor que seja Medicina ou Direito, porque ser chamado de doutor é um grande sinal de status. Claro que doutor é quem tem doutorado, mas isso não importa para o grande público que não compreende essas questões. Se seu diploma for de uma renomada Universidade, melhor ainda.

Agora vamos fazer um recorte. Vamos falar de jovens de classe média. Eles escutam que tem que passar no vestibular em boa parte da vida adulta. Tem que fazer faculdade e ser um orgulho para os pais. Considerando essa nova classe média, muitos dos pais nem passaram pela faculdade ou ingressaram nela tardiamente. Então é um adicional, um imenso orgulho mencionar isso nas rodas de conversa da firma que o filho estuda na USP.

Vejam, claro que passar no vestibular é um marco importante e que deve ser comemorado. E é evidente que é um motivo de orgulho para os pais. Porém vamos repensar o conceito de dar certo na vida  e sua direta associação com passar no vestibular, porque isso é fonte de imensa frustração. Primeiro porque a Universidade não é para qualquer um, pois para entrar em um curso universitário de uma boa instituição, você precisa gostar de estudar. E convenhamos, nem todos gostam e se você é professor e está lendo meu texto, certamente vai concordar comigo sobre isso.

Depois, passar no vestibular é uma etapa inicial. Você vai ter que se formar e arrumar emprego. E não, gente, nenhuma dessas etapas é fácil. Conheço pessoas formadas em boas instituições que ganham muito pouco. Elas trabalham com o que gostam, mas não, elas não venceram o capitalismo. O mundo é muito cruel e muito difícil, hic sunt dracones. Terra incognita. Terra pericolosa.

Pode acontecer de um tudo depois que você passa no vestibular. Você pode perceber que o curso escolhido não atende suas expectativas e vai querer mudar de curso. Pode concluir o curso e demorar para conseguir um emprego que te pague um bom salário. E em meio a tudo isso, você vai se sentir pressionado por você mesmo, por sua família e pela sociedade. Exemplos de coisas que vivi ou presenciei:

  • Se você demorar para concluir sua graduação (e acredite, você pode demorar mais do que o esperado), você vai ouvir gente perguntando quando você vai se formar ou fazendo piadinhas a respeito disso;
  • Se você escolher um curso “diferente” (Meteorologia, rs), vão ficar te fazendo mil perguntas sobre mercado de trabalho. E se você não souber respondê-las, vão ficar apontando mil defeitos e vão dizer que você vai morrer de fome;
  • Se você resolver trocar de curso ou trancá-lo, pode ser que te taxem de vagabundo/inútil ou dizer que você não sabe o que quer da vida;
  • Em outras palavras, vão opinar sobre suas escolhas O TEMPO TODO
  • Se você demorar para conseguir um emprego, você vai se sentir um total inútil. Vão sugerir que você não está procurando direito. Você vai se sentir frustrado (aliás, frustração é parte da vida e tudo isso nos ensina a conviver com ela).

Meu conselho sempre é: passe um filtro em tudo o que ouvir e absorva só o que é bom. Exercício difícil, vão te testar o tempo todo, mas acredite: você vai ficar bom nesse exercício com o tempo.

Agora vou falar o que é “dar certo na vida” na minha opinião de mulher adulta de mais de 30 anos, que teve um jeito específico de criação e que já é mãe: dar certo na vida é ser uma pessoa batalhadora, trabalhadora e esforçada. É ser dedicada em tudo o que faz. E ser bem resolvida, honesta e justa. É tratar o seu próximo com respeito, ter um senso de comunidade e responsabilidade. Além de outras qualidades relacionadas com esses pontos que mencionei. Para mim, essa é a definição de dar certo na vida. E você pode ser assim de diversas formas, não precisa necessariamente passar em um vestibular para dar certo na vida. Não precisa necessariamente passar em um vestibular assim que se forma do Ensino Médio: pode esperar alguns anos, trabalhando e fazendo cursos, até para conhecer o mercado de trabalho.

Ao trabalhar, você aprende a cultura da empresa, aprende a ter noções de organização e de responsabilidade. Já trabalhei em alguns lugares e guardo em minha trajetória profissional um pouco de cada um desses lugares. E eu percebo que muitos jovens de classe média tem aversão a certos tipos de trabalho, como por exemplo trabalhos em redes de lanchonetes. É óbvio que não é fácil trabalhar em uma rede de fast food ou em uma empresa de telemarketing, há muita pressão por rapidez e resultados, há situações inconvenientes com clientes e com colegas de trabalho, etc. Mas tudo isso faz crescer. Eu compreendo que as relações de trabalho são muitas vezes injustas e os salários são ruins. Porém deixar de trabalhar não é uma escolha para todo mundo. Os alunos que participaram das festas das escolas mencionadas podem escolher não trabalhar fora. O pai e a mãe vão continuar sustentando, muitos pagando até mesada. Alguns pais podem até ajudar  financeiramente no “sonho do mochilão” ou no “sonho de empreendedorismo”. Ou seja, para os alunos que participaram das festas, não “dar certo na vida”e “ir trabalhar no McDonald’s” não existe, porque eles já começaram a corrida da vida na frente.

O que eu não acho justo é dizer que quem trabalha no McDonald’s não deu certo na vida. Nem um pouco justo. É cruel e desrespeitoso. O próprio conceito de ‘dar certo na vida’, conforme é visto pela sociedade e como discuti anteriormente, envolve um sucesso financeiro, ou seja, ter algo que podemos exibir e ostentar: algo que pode ser materializado. Porém na minha opinião, dar certo na vida significa algo que não dá para ser materializado e nem medido, além de se tratar de um processo longo, que perdura a vida toda. A gente cresce, amadurece, fica mais tolerante e amoroso. Aprende mais sobre o próximo. Esse é um aprendizado longo, doloroso e muito cansativo. Isso não acontece do dia para a noite.

A aprovação em um vestibular concorrido deve ser celebrada e claro que é motivo de orgulho para os pais. Mas não deveria ser o único e nem o principal motivo para se orgulhar dos filhos.

Condicionar o sucesso de um jovem a passar no vestibular e ganhar dinheiro é cruel. É mentiroso também, nossa sociedade está deixando de focar nas qualidades que as pessoas podem adquirir e aperfeiçoar para se tornarem indivíduos melhores.

Ter uma graduação e ter uma profissão

Como disse anteriormente, não são todas as pessoas que são talhadas para a faculdade. Tem gente que não gosta de estudar e que não vê sentido em estudar um conteúdo abrangente, como é na Universidade. Por exemplo, eu aprendi Eletromagnetismo e no meu dia a dia como meteorologista o conhecimento nessa área não é necessário. No entanto, eu gostei de ter estudado Eletromagnetismo.

Curso técnicos existem para quem não quer usar o seu tempo aprendendo conteúdos que não vai utilizar. Há por exemplo o curso técnico em Meteorologia (veja aqui onde é oferecido) e o aluno aprende exatamente o que vai utilizar no dia a dia profissional, que basicamente é o conteúdo de sinótica e instrumentos meteorológicos.

Na minha opinião, cursos técnicos em diversas áreas deveriam ser possíveis e acessíveis para todos os alunos do Ensino Médio.Eu penso que o aluno a partir de uns 14 anos deveria ficar o dia todo na escola em quase todos os dias da semana. No período da manhã, poderia ter as disciplinas tradicionais (incluindo Filosofia e Sociologia, acho um absurdo quererem reformar o ensino e excluir disciplinas que ajudam a compreender a sociedade). E no período da tarde, poderia aprender um ofício. Qualquer ofício: rotinas de escritório, eletrônica, marcenaria, manutenção de veículos, vendas e contabilidade, construção civil, mecânica industrial, enfermagem, cuidado com idosos, cuidado com crianças, algo na área da agricultura, etc. Em outras palavras, deveriam aprender uma profissão para que estejam aptos a conseguir um emprego. Eu sei que é preciso que existam empregos para isso e envolve questões relacionadas à economia do país, porém e maneira simples e pensando como educadora, essa é a linha que sigo.

Claro que certas profissões exigem mais anos de estudo. Vamos pensar em um hospital. Há mais profissionais da enfermagem do que médicos. Onde trabalho, há mais técnicos do que profissionais com nível superior. O profissional de nível superior acaba tendo um cargo de gestor, organizando o grupo e dando as diretrizes, na maioria dos casos.

O que vemos no Brasil é um aumento na quantidade de Universidades particulares, sempre oferecendo os mesmos cursos. Quantas pessoas com  Bacharelado em Administração você conhece? Esses profissionais acabam sendo absorvidos pelo mercado com salários muito baixos. Não seria muito mais produtivo para a vida delas se eles tivessem feito um curso técnico (na área relacionada a rotinas de escritório mesmo, por exemplo) e ganhassem o mesmo salário?

Ocorre que no Brasil ha uma “diplomolatria”. As pessoas em geral não valorizam o conhecimento que você adquire ao frequentar uma Universidade: elas valorizam o seu diploma universitário. E isso é muito cruel, porque tem gente que frequenta um curso universitário por 4 anos e sai de lá sem escrever corretamente e ainda vangloriando-se por nunca ter lido um livro completo ou por nunca ter frequentado uma determinada aula (pois o professor deixava assinar a lista e a prova era fácil). Em outras palavras, é como se algumas pessoas simplesmente tivessem comprado seu diploma. Gastaram uma imensa quantia de dinheiro em um pedaço de papel que confere algum status perante a família e a sociedade, porém não significa real aprendizado ou imediato retorno financeiro.

Concluindo, eu lamento que ainda entenda-se que para ter uma profissão é necessário ter um diploma universitário. A maior parte das vagas no mercado de trabalho são para técnicos qualificados e não para universitários. E esse pensamento só vai mudar quando as pessoas entenderem o real significado de frequentar a Universidade e adquirir conhecimento. Claro que tem que ter outras mudanças, que envolva acesso a ensino de qualidade para todos e incentivo à indústria e a tecnologia. Enfim, envolvem questões estruturais do país, mas nesse texto estou focando nos pontos pertinentes à educação.

É evidente que as pessoas tem o direito de quererem melhorar, sempre pensando em estudar mais e ser financeiramente recompensada por isso.  Ou seja, o sujeito pode fazer o curso técnico e depois cursar uma Universidade, porque gostou daquela área e quer aprender para contribuir mais. Acontece que as coisas não são exatamente lineares. Ter um diploma universitário não é certeza de emprego bem remunerado. Além disso, algumas pessoas já nascem com condições financeiras melhores e ‘dinheiro gera dinheiro’.

Vivendo em uma bolha

Tem ainda um último aspecto que eu gostaria de mencionar e que também tem relação com o “e se nada der certo”, tema da polêmica. A classe média brasileira vive em uma bolha e coloca seus filhos bem no centro dessa bolha. Cada vez mais, essas pessoas vão se afundando nessa bolha, se entranhando nela.

Veja, eu tenho um bebê. Eu estou começando a entender o que significa querer proteger seus filhos dos horrores desse mundo. E sei que a gente falha, sendo superprotetora em diversas situações. Mas não é exatamente dessa bolha que estou falando (embora ela possa ser um sintoma), mas sim da bolha que faz com que esses adolescentes não compreendam que uma pessoa pobre é essencialmente uma pessoa como eles mesmos, com sonhos, frustrações e aspirações. Uma pessoa que não teve a sorte de nascer em um lar privilegiado financeiramente e que muitas vezes não pode exercitar seus talentos ou que sequer teve a oportunidade de descobrir seus talentos, pois teve que começar a trabalha muito cedo não exatamente no emprego dos sonhos, deixando os estudos em último plano.

Há esse processo de tornar pessoas pobres invisíveis. A funcionária do shopping que recolhe o lixo da praça de alimentação, o porteiro do prédio (que muda toda hora você nem grava o nome), a caixa do supermercado, etc.  Não estou falando que você tem que ser amigo de todo mundo ou sentir pena dessas pessoas. Fazer amizade com as pessoas é um processo, vamos convivendo e nos afeiçoando, não dá para forçar a amizade com ninguém. Alguns tem mais facilidade nesse processo.  E a pena é um sentimento indigno, essas pessoas são trabalhadoras.  Devemos tratar a todos com cordialidade e respeito, da mesma maneira que gostaríamos de sermos tratados.

Percebo que há essa coisa de ‘pequenos poderes’. Sabe a pessoa que está no aeroporto e ofende o funcionário da companhia aérea, ressaltando que ele não sabe com quem está falando? Ou que exige ser tratada com pompa e reverência pelos porteiros de seu local de trabalho? Pois então, não sei explicar com palavras bonitas, como fazem meus amigos da área de humanas. Mas o que quero dizer é que parte da classe média acha que o funcionário que está atendendo na lanchonete (por exemplo) é um subalterno, um lacaio. Não enxergam ali uma prestação de serviços, essencialmente uma troca. Essa troca é de dinheiro por serviço/mercadoria. Antes da existência do dinheiro, a troca era de mercadoria por serviço ou de mercadoria por mercadoria.

Essa ideia de superioridade pelo simples motivo de ‘eu estou pagando’ me foi muito bem exemplificada  recentemente por uma amiga. Em seu trabalho, as clientes  mandam e-mails mal educados e até mimados, pedindo coisas absurdas. Na hora de pagar, fazem aquela enrola enorme. É como se minha amiga tivesse a obrigação de fazer o que elas quiserem.

Lembrei também desse caso recente de uma mulher que pediu para o motorista do Uber parar em uma lanchonete e queria que ele a esperasse do lado de fora até que consumisse todo o lanche. Isso mesmo: ela não encerrou aquela corrida e pediu outro Uber após consumir o lanche, como qualquer pessoa com o mínimo de noção faria. Ela queria que o motorista ficasse lá esperando, porque ela julga ter esse direito. 

Portanto, a bolha que me refiro é essa bolha maldosa do “você é melhor do que os outros”, pois “o projeto de vida que temos para você, a maneira que criamos você, é superior a qualquer outro formato”. Simplesmente arrogante, não tenho outra maneira de classificar.

E essa bolha vai se construindo aos poucos, ela é perigosa. Se você, como eu, tem esse pensamento crítico com relação a esses pontos, pode também ser engolido por essa bolha de arrogância. E quando você nota, você está imerso em uma situação com a qual você não concorda.

Vou dar um exemplo de uma situação que tive conhecimento recentemente. Uma escola bolou uma “atividade sensorial” para os bebês do berçário. Essa atividade consistia em colocar os bebês em uma banheira com macarrão e corante vermelho. A pessoa que me mostrou um vídeo com essa atividade tem seu neto matriculado nessa escolinha. Ela me mostrou com aquele orgulho típico das avós. Sim, é fofo mesmo e a criança é uma gracinha. A questão é que ela não está percebendo o absurdo que é uma atividade dessas, que essencialmente consiste em desperdício de comida. E eu conheço a família dessa senhora, sei que são contra desperdícios. Será que ela questionou o desperdício de comida na atividade? Será que para ela o desperdício de comida é justificado, uma vez que o bebê está se divertindo e principalmente, o bebê em questão é seu neto?

Se alguém propusesse uma atividade dessas na escola do meu filho, eu sinceramente ficaria enojada. Sou contra desperdício de alimentos, porque eu não quero viver numa bolha: eu sei que ainda tem muita gente que passa fome e para mim não é certo usar um alimento dessa maneira.

Eu acredito que precisamos nos policiar a todo momento para que não sejamos engolidos por essa bolha.

Ah, vou parar em fila dupla para buscar meu filho, rapidinho.

Ah, não tem problema estacionar aqui em frente a esse ponto de ônibus.

Com relação a atividade do macarrão: compreendo que alguns bebês com necessidades especiais em situações bem específicas até podem ser beneficiados com essa atividade sensorial em questão. No entanto, não é o caso do bebê do relato! E outra coisa, há diversas atividades sensoriais que podem ser elaboradas usando materiais não comestíveis e seguros.

Se você ficar se auto-concedendo essas pequenas infrações, você vai entrando cada vez mais fundo nessa bolha. Vai se transformando em uma pessoa sem senso de empatia ou respeito ao próximo. Por isso, minha colocação é: é óbvio que essa festa do “e se não der certo”  não foi o primeiro passo para dentro dessa bolha. Na verdade, isso mostra que esses adolescentes, suas famílias e toda comunidade escolar já estão dentro dessa bolha faz tempo a ponto de perderem totalmente a sensibilidade.

O que me faz pensar: do que adianta passar no vestibular? Perdeu-se o aspecto humano e social da formação desse aluno e a culpa não é só da escola, pois os pais com suas concessões permitiram que isso acontecesse.  Às vezes a Universidade ajuda a sair dessa bolha, porém as vezes ela contribui para que se entre ainda mais nela. Eu acho que é difícil sair da bolha, por isso a gente tem que evitar entrar.