Vida de mãe: aprenda a criar e manter uma ilha de tranquilidade



O que fazer quando o bebê se machuca ou faz birra? Acredite, a resposta (ou parte dela) está dentro da gente. Ocorre que às vezes o desespero e o julgamento dos outros impede que possamos vê-la. Vamos falar sobre isso nesse post. Cortesia de Shutterstock

Acredito que quando a gente produz conteúdo para a internet tratando um assunto tão particular e delicado quanto maternidade, precisamos agir com ética, respeito e muito carinho. É necessário compreender e transmitir que cada mãe tem um jeitinho. Nós podemos atingir o sucesso na criação de nossos filhos de diversas maneiras, pois cada família tem uma filosofia diferente. É preciso saber respeitar essa diversidade.

Espero que meu relato nesse post possa ajudar outras mães. Quero empoderar todas as leitoras desse texto, quero que todas nós possamos compreender que muitas vezes a gente sabe sim como agir. E se a gente ainda não sabe, não tem importância: estamos aprendendo com a vivência, não é necessário ficar ansiosa ou afoita. E principalmente, precisamos aprender a criar uma ilha de tranquilidade ao nosso redor e ao redor de nossos filhos. Muitas vezes criar essa ilha não é tarefa fácil e também não é algo que a gente aprende da noite para o dia. Eu diria que essa é uma habilidade que a gente vai conquistando com muita força de vontade, muita paciência e muitas vezes a gente precisa ignorar estímulos externos para conseguir criar essa ilha mágica e agradável, quase um paraíso tropical de tranquilidade.

Bom, esse papo fica bem mais fácil de compreender se eu contar para vocês o que aconteceu, que vai ajudar a ilustrar minha opinião.

No último fim de semana, meu filho (ele tem 2 anos) foi descer da cadeira e se desequilibrou. Acabou batendo a boquinha na cadeira da frente. Automaticamente, ele começou a chorar. Como ele estava do meu lado, logo o peguei no colo para avaliar o que tinha acontecido. Havia sangue, o que é normal em ferimentos (principalmente ferimentos na boca e no rosto, costumam sangrar mais). Ele chorava muito, mas consegui ver o machucadinho. Eram dois cortes superficiais, pois os dentinhos superiores bateram no lábio inferior. Pedi para alguém pegar algodão (logo me deram papel toalha) e sequei o sangue. Observei os dentinhos, reparei que tudo parecia certo. O sangramento logo parou, ele mamou um pouco e logo estava pedindo arroz e feijão. Ficou fazendo um beicinho engraçadinho por causa do dodói e no dia seguinte estava mostrando para a professora. Tudo certo, graças a Deus.

Fiz tudo isso com muita calma, apenas cuidando para que ele se acalmasse. E ele se acalmou. É um ensinamento importante, ele vai precisar se acalmar ao longo da vida. Haverá inúmeros momentos em que ele vai ter que fazer isso sozinho e eu preciso ensinar para ele, um pouquinho de cada vez.

Ainda estou observando o pequeno ferimento e os dentinhos, principalmente na hora de escovar os dentinhos. Muito provavelmente tudo estará bem até o final da semana. Ferimentos na boca e no rosto costumam sarar mais rapidamente, até pelo fato de a região ser bem irrigada.

Toda essa narrativa, vista de fora da ilha de tranquilidade que criei, não foi tão serena assim. Algumas pessoas a minha volta falavam alto, se descontrolavam, fazendo parecer que o que aconteceu fosse muito mais sério do que de fato foi. Eu pedia o algodão e algumas pessoas pareciam simplesmente correr de um lado para o outro, como alucinados em um incêndio. Outros davam palpites não solicitados, como se eu não pudesse cuidar de um simples ferimento de meu filho. Eu ignorei todo mundo e não ouvi essas vozes. Apenas me concentrei em conseguir o algodão (acabaram me dando um papel toalha rs).

Se você conhece pessoas com tendências parecidas, certamente está familiarizada com a cena que narrei acima. Entenda, as pessoas não fazem por mal: elas querem te ajudar e possuem boa vontade, porém não tem condições de te ajudar e simplesmente te atrapalham com o comportamento descontrolado e caótico. E o que você vai fazer, vai se irritar com todos os seus familiares e amigos? Não, não vale a pena e nem faz sentido (eles querem seu bem, lembre-se). Apenas os ignore. Crie essa ilha de tranquilidade e faça o que deve ser feito.

Não é fácil, eu tive que criar várias vezes essas ilhas de tranquilidade ao longo desses 2 anos de maternidade. Muitas vezes eu me senti sozinha, mas eu até que gosto de agir como a Mei Chang (a senhorinha chinesa de Orange is the New Black). Há situações que quanto menos gente, melhor!

E sei que vou precisar continuar criando ilhas de tranquilidade e acreditem, a prática leva a perfeição, pois percebo que minha ilha está cada vez mais linda!

A melhor coisa nessa vida é ignorar esses vozes. Talvez você não saiba muito bem o que fazer na hora da dificuldade, mas se você conseguir manter a calma, vai conseguir aprender a fazer. Vou dar outro exemplo, tratando de um assunto recorrente e um tanto difícil que é a amamentação. Muita gente quer te dar palpites. Alguns palpites são bons, vale a pena serem ouvidos. E a gente sabe quando a informação é boa, pois a pessoa a transmite com delicadeza e com paciência, respeitando o momento da mãe. Mas tem “dica” que é péssima, dada por palpiteiros e palpiteiras sem conhecimento ou ansiosos em ajudar, que acabam transmitindo ansiedade e frustração para as mães. Ignore gente assim, filtre o que você ouve!

Uma vez uma conhecida minha, mãe de uma garotinha um pouco mais velha que o meu filho, me disse:

Samantha, criar os filhos é fácil. Difícil é ter que ouvir o palpite dos outros.

Olha, hoje eu entendo completamente o que ela quis dizer. Houve outra situação, há alguns meses, em que fomos a uma pracinha. Meu filho se jogou no chão e ia ameaçar uma pequena birra. Olha, por mais que exista diversos ‘guias’ pela internet nos ensinando como agir em caso de birra, saiba que não é uma tarefa nem um pouco fácil e você só vai saber o que fazer na hora. Por isso a gente não deve (de jeito nenhum!) julgar o pai ou a mãe que estão diante de uma situação dessas. Bom, eu simplesmente peguei meu filho no colo (ele estava com sono), que acabou procurando por alento (procurou o peito) e eis que ouço um desses especialistas em educação infantil formados pela Wikipedia, Redes Sociais e blogs, que evidentemente não tem filhos e tem inúmeras certezas sobre a vida (e que para completar, é homem, o que um desenxabido desse sabe de amamentação?):

Não dá o peito para ele, senão ele fica mal acostumado.

Ai gente, nem era para aquela pessoa estar ali, para começo de conversa. Eu respirei fundo, olhei para o meu marido e só não falei nada em consideração às pessoas presentes e principalmente em consideração ao meu filho que já estava cansado, frustrado e precisava de apoio.

Nós mães (e pais também) passamos por cada coisa! Eu não sei se as minhas reações diante da birra de meu filho ou diante de seu pequeno “acidente” e machucadinho na boca foram as mais adequadas. Mas eu estou aprendendo. E não admito que ninguém interfira destrutivamente em meu aprendizado. Eu quero aprender com a prática, com as situações, sempre mantendo a serenidade e a calma.

Queridas, não deixem que ninguém tire a sua paz! Eu tenho certeza que se a gente conseguir manter a calma, a gente consegue buscar soluções dentro da gente. E essas soluções vão se aperfeiçoando om o tempo. Temos um poder dentro de nós, um conhecimento que a gente foi adquirindo com a vida. Mas precisamos de calma para conseguir enxergar esse conhecimento e empregá-lo. Sei que não é tarefa fácil manter a calma, por isso você precisa se centrar e ter paciência com você mesma. Com o tempo, você vai conseguir. E principalmente: passe um filtro em tudo o que você ouve, porque nem tudo o que a gente ouve o lê presta ou é aplicável a nossa realidade. Com o tempo, você vai conseguir construir uma linda ilha de tranquilidade.

Criando ilhas de tranquilidade em outras áreas da vida

Essa imagem é tão linda :). Mães certamente se identificaram. Mesmo que você não faça home office, certamente seu bebê não sai de seus pensamentos. Cortesia de Shutterstock.

Eu sou uma mãe que trabalha fora de casa e muitas de minhas amigas não são mães, porém também trabalham fora de casa. O que quero dizer é que essa história de criar ilhas de tranquilidade é muito aplicável no ambiente de trabalho também. Há situações em que estamos sob pressão ou que há colegas e até chefes questionando nossa capacidade. Há também aqueles que aproveitam qualquer oportunidade para dar palpites infundados ou até para fazer comentários maldosos em uma tentativa de te prejudicar. Não é saudável e nem produtivo ficar entrando em conflito em certas circunstâncias. O melhor a se fazer é concentrar-se na tarefa que deve ser feita e então executá-la da melhor maneira possível. Pergunte, pesquise e tire dúvidas com quem pode te ajudar, porém não permita que outras pessoas atrapalhem sua paz e sua concentração.

Além do ambiente de trabalho, nós precisamos lidar com pessoas em diversos ambientes. Os exemplos que comentei acima envolvem familiares e conhecidos. É comum, em reuniões de família, ter aquele parente ou agregado inconveniente que faz intervenções destrutivas. Aprenda a criar a ilha de tranquilidade e ignore. Essa pessoa certamente não sabe nada de sua vida e de suas dores.

Portanto, acredito que a gente pode aplicar esse conceito de ilha de tranquilidade em diversos setores de nossas vidas. Vamos todas treinar essa habilidade, para que ela se torne natural.

  • Foque no presente, no problema que está acontecendo naquele instante. Concentre-se em resolvê-lo
  • Ignore todas as vozes, muitas vezes há várias pessoas palpitando e toda essa dissonância atrapalha sua concentração.
  • Acredite que você pode dar o melhor de você para resolver aquela questão. Talvez o seu melhor não seja a melhor solução naquele momento, mas você está aprendendo.
  • Eu tenho certeza que quem tem condições de ajudar em situações assim não fica correndo de um lado para o outro o falando sem parar. A pessoa vem até você e pega na sua mão com delicadeza. Permita que essas pessoas preparadas te ajudem. Elas são especiais.