Amamentação em Star Trek Voyager

A série Star Trek Voyager é sem dúvidas a mais feminina das séries da franquia. E a razão é óbvia, temos a brilhante e decidida Capitã Katryn Janeway como responsável pela nave USS Voyager.

Meu marido fez um comparativo ótimo. Quando ele viu Star Trek Voyager pela primeira vez, ele achou tão uma coisa “de menina”. E claro, ele não disse isso no sentido de diminuir a série. Ocorre que ele fez o seguinte comparativo entre personagens:

Procurei uma imagem que tivesse também o Chakotay, mas não encontrei rs.

Em outras palavras: Janeway = She-ra,  Chakotay = Arqueiro, Neelix = Corujito, segundo conclusões de meu amado marido.

A propósito, a própria sala da capitã e os aposentos dela são mais bonitos e mais bem decorados do que as salas e aposentos dos outros capitães das outras séries da franquia. Claro que algumas feministas vão ler minhas observações e vão possivelmente me acusar de uma ou de outra coisa. Mas quem tem boa vontade e quem admira esse senso estético que é mais presente nas mulheres (de modo geral), vai compreender o que quero dizer.

Temas femininos são muito explorados na serie. Tenho certeza que você já teve ou conhece alguém que teve um relacionamento destrutivo com um tipo kazon-nistrim. Doeu ver Janeway ser agredida verbalmente e fisicamente por Culluh no último episódio da segunda temporada. O machismo de Culluh e de todos os kazon mostram uma face terrível do que vemos por aí. Como sempre é ressaltado por mim e por qualquer trekker, cada uma das espécies de alienígenas de Star Trek ressaltam um ou vários aspectos negativos ou positivos que nós humanos carregamos.

Também foi doloroso ver a vilã Seska sendo agredida e diminuída por Culluh, seu parceiro, apesar de ela não ser nenhuma santa. Aliás, não é assim que é a vida? Tantas mulheres são maltratadas por seus companheiros e familiares e amigos apenas dizem que ‘ela merece’?

Apesar dos temas relacionados ao machismo, eu gostaria de destacar a maternidade e a amamentação. Nesse post, vou destacar especialmente dois casos da série: o da Samantha Wildman e o da própria Seska. No futuro vou falar de outros casos, como o da B’Elanna Torres.

Samantha Wildman

Samantha Wildman e sua bebê. Fonte: Memory Alpha

Eu já tinha falado a respeito dela nesse post, em que falo sobre gravidez em Star Trek. Gosto muito do episódio em que ocorre seu parto: o parto dela foi feito por teletransporte. Isso mesmo: a Alferes Wildman estava deitada em uma cama hospitalar e a criança foi teletransportada para uma maca especial (uma espécie de incubadora). Aparentemente, chegaram a tentar o parto normal, sem sucesso. Foi quando fizeram o teletransporte da bebê, que é o sonho de toda mulher que precisa passar por uma cesariana.

Durante o trabalho de parto, a USS Voyager foi duplicada acidentalmente por um fenômeno associado a uma nebulosa. Eles precisaram passar por essa nebulosa pois os temíveis vidianos estavam em seu encalce. Não era na verdade possível distinguir entre Voyager “original” e Voyager “cópia”. Em uma das Voyagers, a bebê infelizmente teve complicações que não puderam ser remediadas e faleceu. Na outra, tudo correu bem no parto. Bom, no final da história, a Voyager em que o bebê estava bem foi invadida pelos vidianos. Através de uma fenda temporal, foi possível transportar o bebê para a outra Voyager. Em suma: Samantha Wildman enfrentou a dor da perda do bebê, mas depois o teve de volta.

Um destaque interessante para o caso da Samantha Wildman é que ela está sem o marido por perto. O marido ficou na Deep Space Nine, enquanto ela embarcou na Voyager que está perdida no Quadrante Gama. Entretanto, fica claro ali que ela tem o apoio e o carinho de todos, inclusive da própria Capitã Janeway. Mesmo não sendo mãe, Janeway demonstra uma empatia e um carinho enormes, algo que infelizmente falta em muitas líderes.

A amamentação da bebê parece que teve alguns desafios. As crianças ktarianas (apesar de Samantha ser humana, seu marido é ktariano) desenvolvem as presas já nas primeiras semanas de vida. Por ser humana, Samantha não tem as escamas que protegem os seios que as ktarianas tem. Os roteiristas foram geniais ao acrescentarem esse aspecto, pois muitas mães sofrem com a amamentação. Sofremos dores, cansaço, dutos lactíferos entupidos, o problema da pega correta, etc. Há muitos desafios que nós enfrentamos quando amamentamos. E a história de minha xará de certo modo relembra isso.

Há uma situação em que quase todos os membros da USS Voyager são abandonados em um planeta sem nenhum recurso. Samantha está em meio aos outros membros da tripulação, porém com a dificuldade de ter que enfrentar essas adversidades com uma criança adoecida nos braços. Ela tem o apoio de Chakotay e Janeway.

Seska

Bebê de Seska. Fonte: Memory Alpha

Seska tem sede pelo poder. Fez procedimentos estéticos para não se assemelhar a uma cardassiana e assim poder infiltrar nos Maquis. Enganou o coração de Chakotay e traiu os maquis. Mentiu para muita gente, e decepcionou outros tantos,  o que parece ser de praxe para os cardassianos. Viu a oportunidade de poder ao se afiliar aos kazon. Ficou grávida de Culluh, importante líder da facção kazon-nistrin. Entretanto, acreditou que estava grávida de Chakotay, de quem roubou material genético. Quando descobriu através de um exame de DNA que o bebê era na verdade metade kazon-nistrim, ficou surpresa mas não demonstrou outros sentimentos. Queria sustentar a farsa, que fez com que a U.S.S. Voyager fosse atraída para uma emboscada.

Apesar de traidora e vilã, Seska demonstra ser uma boa mãe. Preocupa-se com sua saúde, levando o menino ao Doutor da Federação, pois a medicina kazon é menos desenvolvida. Há um momento em que ela amamenta a criança, que tem fome, sem nenhum problema, vergonha ou dificuldade. Seska acaba morrendo em um ataque, mas a criança sobrevive e é cuidada por Culluh. Por mostrar esse aspecto sensível e materno de Seska, o telespectador acaba tendo certa pena de seu destino.

Considerações

Esses dois exemplos me fazem perceber que a amamentação parece ser tratado como algo natural no universo Star Trek. De memória, não me lembro de nenhum exemplo em que a amamentação é tida como algo não-natural. Se você meu leitor que também é trekker lembrar de algo, por favor me informe nos comentários.

A série Star Trek Voyager mosta diversos temas relacionados com o universo feminino. Eu adorei a comparação que meu marido fez com She-Ra. É como se as outras séries fossem o equivalente ao He-man e os produtores decidissem fazer algo para o público feminino. Vai ver foi isso mesmo. Mas percebam, apesar de tratar questões do feminino, a série não ‘espanta’ os homens. Pelo contrário, muitos homens assistem Star Trek Voyager e gostam bastante.

Entretanto, acho que a entrada de Seven of Nine nas temporadas seguintes foi proposital, para garantir a presença de um eye candy e assim aumentar a audiência masculina. Porque se a gente for analisar as outras mulheres da série não entram na categoria eye candy. Não que elas sejam feias, não é isso! É que elas não tem um aspecto decorativo:

  • Janeway é uma líder nata, que se preocupa com a tripulação
  • Kes mostra a curiosidade, a inteligência, a vontade de aprender mais e de ‘sair de seu mundinho’.
  • B’Elanna é forte, é inteligente, líder e toma decisões rápidas.
  • Samantha Wildman (apesar de não ser do elenco principal) tem o instinto materno e é a mãe que trabalha fora, digamos assim.
  • Seska é a vilã trapaceira extremamente ardilosa.

Já Seven of Nine, principalmente num primeiro momento, pode para alguns ter apenas esse aspecto decorativo. Apesar de ser belíssima e realmente chamar a atenção por sua beleza, Seven of Nine representa muito mais do que isso na série. Bom, falarei de Seven of Nine em outra oportunidade, já que comecei a quarta temporada de Star Trek Voyager muito recentemente e preciso re-acostumar com Seven antes de falar sobre ela.