O que é gravidez anembrionada?



No post de hoje, vou contar para vocês o relato de uma situação que eu vivi por quase 2 meses chamada gravidez anembrionada ou gravidez anembrionária (ou ainda, ovo cego). Eu já contei esse relato em meu perfil do Instagram, porém achei importante repeti-lo aqui no blog também, inserindo alguns links úteis e mais informações.

Concepção artística de uma blástula humana. Cortesia de Shutterstock

Em primeiro lugar eu preciso deixar algo extremamente claro: eu não sou médica.  Isso quer dizer que se você tiver dúvidas médicas, consulte um médico. Se tiver dúvidas sobre reprodução humana, consulte seu médico ginecologista.

Se forem dúvidas sobre o seu caso específico, sobre a sua saúde, sobre uma situação fisiológica incomum que você estiver vivendo, repito: procure um médico. Eu falo isso porque até hoje recebo comentários estranhos em alguns posts do blog em que falo sobre minha primeira gravidez.

Se forem dúvidas genéricas, sobre o funcionamento do corpo de uma grávida e sobre reprodução, recomendo que você consulte o Baby Center. Os artigos do Baby Center são bem escritos, há uma equipe médica por trás dos textos do site e eles me ajudaram muito durante minha primeira gestação e na verdade ajudam até hoje, mesmo com meu filho tendo pouco mais de 2 anos, pois há artigos muito bons sobre o desenvolvimento infantil.

Quando você for ler relatos como o meu na internet, relatos de blogs pessoais ou perfis pessoais de redes sociais, entenda que é APENAS UM RELATO. Um relato em tantos outros e que claro, é importante ouvir pois pode esclarecer dúvidas ou apenas tirar aquela sensação de solidão. Muitas vezes achamos que estamos vivendo algo sozinhas, mas saber que outras pessoas já passaram por isso pode ser reconfortante.

No entanto, é importante considerar que cada corpo funciona de maneira diferente e que cada pessoa tem uma realidade distinta. Por isso, leia relatos e histórias pessoais com bastante senso crítico.

Ditas essas coisas, vamos ao meu relato.

A gravidez anembrionária é quando ocorre fecundação, porém o embrião não se forma. O artigo do Baby Center dá mais detalhes técnicos sobre essa situação.

Apesar de as causas não serem totalmente identificadas, a gestação anembrionária costuma ser considerada um acidente da natureza. Quando um óvulo é fertilizado por um espermatozoide, as células começam a se dividir. Algumas se desenvolvem em forma de embrião, outras em forma da placenta e do saco gestacional.

Em alguns casos, a parte do óvulo fertilizado que deveria se tornar o bebê não vai para a frente (provavelmente porque aconteceu um erro durante a fertilização e há cromossomos demais ou de menos), mas a que se destinaria à placenta e às membranas continua crescendo dentro do útero. {x}

No meu caso, nem a vesícula vitelínica se formou. A imagem vista nos 2 ultrassons transvaginais que fiz era a de uma área “vazia” dentro do útero, ou seja, o saco gestacional estava quase que completamente vazio. Eu até mostrei a imagem em meu perfil no Instagram:

Pronto, já que eu não consigo usar o stories (sou uma tia, gente rsrs não entendo nada que vai de Snapchat pra frente 😂), vou contar minha história aqui. Eu vivi uma situação chamada #gravidezanembrionada, que eh quando ocorre fecundação, porém o embrião não se forma. No meu caso, nem a vesícula vitelinica se formou (que adiante dá origem a parte do aparelho digestivo do bebê). Ou seja, só formou um saco gestacional vazio. O diagnóstico foi dado no meu primeiro ultrassom transvaginal (com seis semanas de gestação) e foi confirmado em um ultrassom cerca de 8 dias depois. Eu ainda tinha um fio de esperança achando que poderia ser uma gestação normal e eu havia errado a minha DUM, mas o tamanho do saco gestacional estava compatível. Mas esperança né, a gente sempre tem. Tive uma espécie do que chamam de aborto subclínico, meu corpo expeliu naturalmente o saco gestacional. Gravidez anembrionada eh uma situação que pode acontecer com qualquer mulher, embora possa ser que as chances de isso acontecer sejam maiores em mulheres mais velhas 🙋. Não eh uma gravidez psicológica, mas eh uma situação curiosa do ponto de vista físico: você está grávida de um saquinho vazio. E tem a duvida sobre o diagnóstico, sempre fazem vários ultrassom para confirmar, por isso chamo de Gravidez de Schrodinger 😂 (desculpem, não quis ofender ninguém com a piada, eh meu jeito de lidar com essas situações 😐). Parte de mim ficou triste, mas a ciência e a fé me consolam de maneiras diferentes. A fé consola pois sei que cada coisa ocorre por uma razão, Deus sabe de todas as coisas. E a ciência consola porquê dá a compreensão do fenômeno. Enfim, um dia escrevo de maneira mais elaborada sobre isso. O que importa eh que estou bem de saúde, apta para trabalhar e cuidar de meu filho e marido. E claro, cuidar de mim. Eu tenho refletido muito sobre isso, sobre cuidar de mim. Vou me amar mais ❤. Estou dividindo meu relato para ajudar quem está passando por isso e para informar também, né? Na academia que frequento, por exemplo, tinha gente q não conhecia essa condição. Um abraço a todas e todos. #gravidez #gravidezanembrionada

Uma publicação compartilhada por Samantha N. S. Martins Almeida (@samanthaweather) em

Bom, eu fiz o teste de gravidez e deu positivo. Logo em seguida, já liguei para minha médica agendando uma consulta. Ela pediu alguns exames, dentre eles o ultrassom transvaginal.

Alguns dias depois eu fui ao laboratório e durante o exame, a média ultrassonografista já deu o diagnóstico.  Eu já tinha ouvido falar muito por cima sobre gestações anembrionárias e eu não conhecia ninguém que tivesse passado por isso. Eu fiquei um tanto surpresa. Nesse mesmo dia, eu tinha uma viagem marcada e não quis desmarcar. Eu ainda estava “anestesiada”, sem compreender direito o impacto do diagnóstico.

Viajei por 3-4 dias e assim que retornei, refiz o ultrassom e o diagnóstico era o mesmo. Mas dessa vez o médico ultrassonografista foi mais cauteloso e disse que eu poderia ter errado a data de minha última menstruação (DUM) e nesse caso a gravidez poderia estar muito no início, impossibilitando a visualização do embrião.

Com essas palavras, claro que fiquei um pouco esperançosa. Esse médico pediu para que eu repetisse o ultrassom depois de 15 dias.

Então se passaram cerca de 10 dias e comecei a sentir uma leve cólica e um pouco de “dor nas cadeiras”, uma dor na parte mais baixa da coluna. Nada muito grave, era mais um incômodo do que uma dor propriamente dita. Logo surgiu o sangramento e dias depois o aborto espontâneo, ou melhor, aborto subclínico. O meu corpo expeliu naturalmente o saco gestacional.

Gravidez anembrionada é uma situação que pode acontecer com qualquer mulher, embora possa ser que as chances de isso acontecer sejam maiores em mulheres mais velhas 🙋. Não é uma gravidez psicológica, mas é uma situação curiosa do ponto de vista físico: você está grávida de um saquinho vazio. E tem a duvida sobre o diagnóstico, sempre fazem vários ultrassom para confirmar, por isso chamo de Gravidez de Schrodinger 😂 (desculpem, não quis ofender ninguém com a piada, é meu jeito de lidar com essas situações 😐). Parte de mim ficou triste, mas a ciência e a fé me consolam de maneiras diferentes. A fé consola pois sei que cada coisa ocorre por uma razão, Deus sabe de todas as coisas. E a ciência consola porquê dá a compreensão do fenômeno.

Voltei no médico, dias depois. Fiz outro ultrassom transvaginal e ficou constatado que eu útero estava limpo, sem a necessidade de fazer curetagem. Agradeci muito a Deus, pois eu não queria ter que passar por esse procedimento.

Quando contei minha história no Instagram, percebi que muitas pessoas se compadeceram. Ficaram tristes por mim e eu agradeço muito pelo carinho de todos os amigos. Ao longo dos anos conquistei amigos da escola, faculdade, trabalho, cursos, etc. Porém conquistei também “amigos virtuais”, pessoas muito boas que trocam ideias comigo há anos e temos muito em comum. Pessoas leves, que eu sonho em poder abraçá-las um dia. E ver que essas pessoas tem tamanha empatia, me alegra muito. No entanto, eu tentei tranquilizá-los e garanto para todos: eu estou bem. Como eu disse acima, Deus sabe de todas as coisas e o conhecimento nos conforta, nos faz compreender porque as coisas acontecem.

Eu li bastante sobre o tema e, principalmente, conversei com os vários médicos que me atenderam em todas as vezes que fui ao hospital. Aprendi bastante. Eu fiquei meio abalada em meu último ultrassom, logo após o aborto espontâneo. Não sei explicar muito bem o motivo da minha tristeza naquele dia. Acho que era porque eu finalmente compreendi a situação que vivi. Quando tive o resultado positivo em minhas mãos, já passei a vislumbrar minha vida com dois filhos de menos de 3 anos. Imaginei meu pequeno Q com um irmãozinho e imaginei minha vida mudando muito. Além disso, meus meses de julho e agosto não foram muito fáceis pois foram vários desafios e tribulações que se somaram a essa questão da gravidez anembrionada.

Eu relutei em tocar no assunto publicamente e até mesmo e compartilhá-lo com familiares. Decidi finalmente falar sobre o assunto porque percebi que muitas pessoas não sabiam da possibilidade desse tipo de gravidez. Muitos amigos e conhecidos meus nunca nem tinham ouvido falar no termo gravidez anembrionada. Uma enfermeira que me atendeu no hospital me confessou que nunca tinha ouvido falar disso. Como gosto de ciências e gosto de compartilhar conhecimento, decidi falar sobre o assunto. Porém ao falar do assunto, notei que abri portas para que algumas pessoas passassem a me perguntar o seguinte:

– E aí, quando você vai tentar de novo?

Minha resposta é: não sei. E essa pergunta é super pessoal também, nem gosto de falar sobre isso. Acho bem esquisito quando as pessoas passam a te perguntar sobre a sua vida reprodutiva. É invasivo perguntar isso, então se você conhece alguém que viveu um abortamento, não faça perguntas desse nível, principalmente se você não tem intimidade com a pessoa e se o acontecimento foi recente.

Eu sei gente, as pessoas em geral não perguntam por mal. Por isso eu não saio dando patadas nas pessoas que me perguntam. Mas que é chato ter que responder a pergunta…

Bom, a gravidez anembrionada costuma ser um fato isolado, um erro na matrix. Foi o que me explicaram. Sendo assim, se você está lendo esse texto agora, passou por isso e deseja engravidar novamente, espere o período de pausa recomendado por seu médico e tente novamente. Inicialmente, não há nada que te impeça de ter uma gravidez normal após a ocorrência de uma gravidez anembrionada, mas claro, faça perguntas ao seu médico, faça todos os exames e siga as recomendações médicas. Leia bons textos também, pois ajudam bastante.

Espero de coração ter ajudado outras mulheres com esse relato. Meu objetivo aqui foi falar de minha experiência pessoal para então compartilhar algumas coisas que aprendi.

Um grande abraço.

Ah sim, e se você está grávida e chegou ao meu blog, acompanhe a série de posts em que conto as aventuras de minha primeira gestação. Quem já me acompanha no blog sabe que eu adoro ciências e procurei ao longo dos textos usar uma abordagem científica, pois ao meu ver a gestação e a maternagem são cercadas de pseudociência e charlatanismo.