Erupções solares



O que me incentivou a escrever esse post foi a gentil colaboração do meu amigo Vlamir da Silva Júnior. Ele fez essas ótimas imagens de 7 de setembro de 2017, mostrando uma forte erupção solar que foi destaque em vários sites especializados em astronomia.

Nas imagens do Vlamir (veja abaixo) é possível observar em amarelo o horário da observação (em UTC, ou seja, o horário de Greenwich). A mancha branca em cada uma das figuras mostra a erupção solar e ao longo dos vários “retratos” é possível ver a sua persistência e evolução.

O Vlamir é meteorologista e astrônomo amador. Ele costuma observar o Sol com frequência e já até escreveu um guestpost sobre suas osbervações solares, texto que na minha opinião é um ótimo ponto de partida para quem deseja iniciar esse hobby.

Atenção: a observação solar deve ser feita com equipamentos adequados. Jamais olhe diretamente para o Sol, mesmo com o óculos solar, pois há risco de cegueira.

Sequence_of_Solar_Flare

Para ver outras imagens astronômicas do Vlamir, veja seu perfil no Flickr.

Erupções solares

Concepção artística de uma erupção solar, mostrando também os arcos coronais. Cortesia de Shutterstock

Uma erupção solar é um aumento repentino do brilho do Sol, normalmente observado bem próximo a superfície do Sol. Durante as erupções solares, pode ocorrer ejeção de massa coronal, que é quando ocorre uma liberação de uma quantidade de plasma. Quando essa ejeção é intensa e ocorre na direção da Terra, podem causar fortes auroras ou até problemas nas comunicações via rádio. Um exemplo de uma situação assim foi o Evento Carrington , quando o sistema de telégrafos da América do Norte foi prejudicado (contei tudo nesse post).

A massa coronal ejetada durante as erupções solares contém íons, elétrons e átomos ao longo das ondas eletromagnéticas e geralmente leva um ou dois dias para atingir a Terra.

Estrutura interna do Sol, além de mostrar suas camadas mais externas (algumas mencionadas ao longo do texto). A figura também apresenta alguns dados interessantes sobre o Sol. Cortesia de Shutterstock

Erupções solares afetam todas as camadas da atmosfera solar (fotosfera, cromosfera e corona) quando o meio no estado de plasma é aquecido a uma temperatura de dezenas de milhões de kelvins, enquanto partículas como elétrons, prótons e íons pesados são acelerados a uma velocidade bem próxima a da luz, produzindo radiação em todos os comprimentos de onda do espectro eletromagnético (de ondas de rádio a raios gama), embora a maior parte da energia esteja espalhada por frequências fora do alcance visual e, por esta razão, a maioria dos flares não são visíveis a olho nu e devem ser observados com instrumentos especiais. As flares ocorrem em regiões ativas em torno de manchas solares, onde campos magnéticos intensos penetram a fotosfera para conectar a corona ao interior solar.

Se uma situação como o como o Evento Carrington ocorresse novamente nos dias atuais, cerca de  130 milhões de pessoas poderiam ficar sem energia elétrica (além dos danos nos satélites de comunicação), pois as redes de transmissão de energia elétrica poderiam ser afetadas.

Como já discutimos em outros posts, a camada de ozônio atua como um “escudo protetor”, protegendo toda a vida na superfície da Terra dos efeitos nocivos dos raios UV (ultravioleta), embora ainda assim parte da radiação UV ainda chegue na superfície. Os raios-X, que são raios de altíssima frequência, são ainda mais danosos para a vida, porém eles são completamente “bloqueados” pela ionosfera, de  modo que não chegam até a superfície.

Os astronautas que estão trabalhando na ISS (International Space Station  – Estação Espacial Internacional) não tem essa mesma sorte. Quando acontece uma erupção solar, eles ficam a mercê de ainda mais radiação eletromagnética danosa. Uma erupção solar que ocorreu em 20 de janeiro de 2005 fez com que os astronautas tivessem apenas 15 minutos para procurarem abrigo (o abrigo no casos são os compartimentos mais internos da ISS) {x}.

Uma coisa positiva (talvez a única) de quando ocorrem várias erupções solares é o aumento na ocorrência de aurora borealis e aurora australis , que podem ficar mais intensas e luminosas.