Furacão Jose: possivelmente o furacão mais longevo da história do Atlântico



Fonte da imagem: CNN

A temporada de furacões de 2017 no Atlântico Norte teve até o momento os destaques dos furacões Harvey (que chegou a CAT4) , Irma (CAT5) e Maria (CAT5). Se você chegou ao meu blog agora, leia esse post onde explico essa questão das categorias dos furacões.

Eu escrevi um post sobre o Furacão Harvey e mencionei o Irma nesse post. Ainda não escrevi nada sobre o furacão Maria, mas certamente o farei em breve. Eu destaco esses 3 furacões porque foram os mais destrutivos e acabam sendo os mais estudados, com mais informações divulgadas a respeito. Entretanto, hoje quero falar sobre uma peculiaridade do furacão Jose (que também foi mencionado nesse post).

O furacão Jose chegou até a CAT4 (portanto é um furacão considerável, o que o NHC chama de major hurricane). As previsões iniciais apontavam que Jose atingiria atingiria as Antilhas, porém as previsões não se concretizaram, já que ele alterou ligeiramente o seu caminho.

Jose era apenas parte de uma onda tropical no dia 31 de agosto. No dia 6 de setembro, ele já era um furacão e no dia 8 de setembro havia se intensificado rapidamente e já exibia CAT4.

De acordo com o NHC (National Hurricane Center, da NOAA), foi a primeira vez na história do Atlântico que dois furacões simultaneamente registraram ventos de pelo menos 240 km/h (o outro foi o Irma). No dia 14 de setembro, José perdeu força e estava deixando de ser um furacão, porém no dia 15 de setembro ele ganhou força novamente e permaneceu como furacão até o dia 19 de setembro, quando desintegrou-se e ganhou o status de tempestade tropical. Entretanto, a partir do dia 14 de setembro, Jose só conseguiu atingir a CAT1, um furacão menos ameaçador, porém deixou o mar revolto em boa parte da costa leste dos EUA.

Em outras palavras, José “viveu” por muitos dias. Se a gente for considerar desde que ele era apenas uma onda tropical, ele viveu 20 dias. Na imagem da CNN que abre a postagem (ela foi divulgada em 19 de Setembro no perfil do Twitter da CNN Weather Center), é dito que o Furacão Jose fica ao lado do Furacão Frances (1980) como um furacão muito longevo. O curioso é a gente observar que na figura também aparecem as trajetórias dos dois furacões. Percebam como Frances chegou até o meio do Atlântico Norte, achei isso extremamente curioso, tanto que o Furacão Frances (1980)  foi tão pra norte que acabou meio que se misturando com um sistema frontal entre a Groenlândia e a Islândia.

Para um furacão viver tanto assim, ele precisa encontrar em seu caminho condições que sustentem seu status de furacão. Conforme discutimos nesse post, isso significa regiões com a água do mar mais quente (temperatura acima de 27,0°C) e com fraco cisalhamento do vento. Tanto Jose quanto Frances encontraram essas condições pelo caminho. Outro furacão igualmente longevo foi o Furacão Nadine (2012).

O Furacão Jose também foi um dos protagonistas de uma rara ocorrência no Atlântico:  a presença de 3 furacões (Katia, Irma e Jose) atuando ao mesmo tempo (claro que em diferentes regiões e em diferentes momentos de seus ciclos de vida). Destaquei isso recentemente e inclusive volto a postar uma linda imagem que chamou a atenção de toda comunidade meteorológica:

Imagem feita usando material da NASA. Da esquerda para a direita: furacão Katia, Furacão Irma e Furacão José. Cortesia de Shutterstock

Uma animação feita com imagens de satélite do GOES-EAST entre os dias 6 e 7 de setembro usando informações do canal IR (infra-vermelho, saiba mais sobre imagens de satélite nessa série), mostra a presença desses 3 furacões (veja a imagem abaixo). O Furacão Katia durou apenas 4 dias, pois se formou bem próximo da costa do México e foi um furacão que atingiu CAT2. Ainda assim, as localidades de Veracruz e Puebla foram alertadas e mais de 4000 pessoas tiveram que deixar suas casas. Mesmo um furacão de CAT2 pode causar muitos problemas, principalmente relacionados a enchentes e deslisamentos de terra relacionados com a chuva intensa. Além claro, de deixar o mar revolto e provocar o fenômeno de storm surge.

Animação feita com imagens do satélite GOES-EAST usando imagens do IR entre os dias 6 e 7 de setembro de 2017. Fonte: NOAA/Wikimedia Commons