O Fim da Missão Cassini



A Missão Cassini presenteou a humanidade com dados que possibilitaram uma melhor compreensão do planeta Saturno e de seus satélites. Em outras palavras, permitiu com que tivéssemos uma melhor compreensão sobre nosso Sistema Solar. A missão teve fim em 15 de Setembro de 2017, após 20 anos de operações (considerando o período de longa viagem até Saturno). Seu gran finale foi poético, com um mergulho na atmosfera de Saturno, fazendo agora parte do planeta que estudou ao longo desses anos.

Imagem de Saturno feita pela Cassini em 2016. Fonte: Wikimedia Commons

Imagens obtidas através da Missão Cassini possibilitaram que eu pudesse ilustrar alguns ótimos posts aqui do Meteorópole:

Com o recente final da Missão Cassini, resolvi aqui contar um pouco da história dessa missão e reforçar sua extrema importância para a compreensão de Saturno.

A Missão Cassini

A Missão Cassini-Huygens foi uma missão não tripulada enviada para estudar o planeta Saturno e suas luas. O projeto era uma colaboração internacional entre a NASA, a ESA (Agência Espacial Europeia) e a ASI (Agência Espacial Italiana). A missão consistiu em um orbitador (Cassini) e uma sonda (Huygens). A missão foi lançada em 15 de Outubro de 1997 a partir do Centro Espacial Kennedy (base da Força Aérea no Cabo Canaveral, na Flórida).

O lançamento foi feito usando um foguete Titan IV-B, um foguete de dois estágios com o estágio de cima sendo responsável pelo transporte de carga. O custo total da missão Cassini-Huygens é de cerca de US$3,27 bilhões de dólares, incluindo US$1,4 bilhão para o desenvolvimento, US$422 milhões para o veículo lançador e US$54 milhões para o rastreamento no espaço. Os Estados Unidos contribuíram com grande parte do custo, sendo o restante repartido entre a ESA, que contribuiu com quinhentos milhões de euros, e a agência italiana, que contribuiu com cerca de 150 milhões {x}.

Ocorre que Saturno não é “logo ali”. A Cassini chegou em Saturno apenas em 1 de Julho de 2004 (ou seja, foram quase 8 anos de viagem) e continuou em operação até 15 de setembro de 2017. Os dados da missão permitiram conhecer a atmosfera de Saturno, seus satélites naturais e permitiram até testar a Teoria da Relatividade.

Em sua viagem de sete anos, a missão sobrevoou Vênus e Júpiter até chegar em seu destino final.  A nave entrou na órbita de Saturno em meados de 2004 e em dezembro do mesmo ano a sonda Huygens separou-se da Cassini. A Huygens pousou em Titã (maior satélite de Saturno) em 14 de janeiro de 2005, transmitindo imagens e dados para a Terra. O pouso da Huygens em Titã marca a primeira vez que um objeto construído pelo ser humano pousa em um corpo celeste do Sistema Solar exterior.

Na verdade, a missão seria interrompida em 30 de junho de 2008, tendo sido batizada como Missão Cassini Equinox. Porém as boas condições de seus instrumentos permitiram que a missão fosse estendida várias vezes e em 2010 iniciou-se o projeto de 7 anos que ficou conhecido como Missão Cassini Solstice.

Por que Cassini-Huygens?

Huygens Systema Saturnium: Ilustração de Huygens com os anéis de Saturno, de acordo com suas observações. Fonte: WIkimedia Commons/Smithsonian Libraries

A missão chama-se Cassini-Huygens em homenagem a dois astrônomos: Giovanni Cassini e Christiaan Huygens. Esses dois astrônomos foram contemporâneos entre si, vivendo na segunda metade do século XVII. Cassini calculou com precisão a paralaxe solar e foi um dos primeiros a estudar a luz zodiacal (que foi tema de pesquisa de Brian May, músico e astrônomo e só estou mencionando isso aqui porque sou fã). Cassini estudou o Sol com tanto afinco que infelizmente ficou cego, destino semelhante ao de Galileu.

Huygens foi um dos primeiros a observar os anéis de Saturno e a observar também sua Lua, Titã. Batizar a sonda com seu nome portanto era algo mais do que justo.

Mesmo com o fim da Missão Cassini, os pesquisadores ressaltam que os dados obtidos pelo projeto vão deixar os cientistas da área ocupados por muitos anos. Muitos dos dados ainda não foram processados, há muita informação para esmiuçar. Muitos artigos serão escritos e muitas surpresas ainda podem ser descobertas após a análise dos dados.

O fim da Missão

O fim de Cassini envolveu uma série de passagens muito próximas de Saturno, aproximando-se cada vez mais dos anéis. Finalmente, houve uma entrada na atmosfera em 15 de setembro de 2017, o que destruiu a espaçonave. Segundo alguns especialistas, esse foi o método escolhido para finalizar a missão para prevenir a contaminação biológica em qualquer uma das luas de Saturno, que podem oferecer potencial de habitabilidade.

 

Última imagem colorida enviada pela missão Cassini-Huygens pouco antes do mergulho fatal na atmosfera de Saturno. A imagem foi eita a uma altura de 634.000 km acima de Saturno em 14 de Setembro de 2017 (19:59 UTC). Fonte: NASA/Wikimedia Commons

O que ajudou a Cassini a se aproximar cada vez mais de Saturno foi um efeito chamado estilingue gravitacional. Na verdade, a lua Titã atuou como um estilingue gravitacional para a Cassini ao longo de várias vezes durante sua missão, o que sempre colocou a sonda bem próximo de Saturno para estudar os seus anéis e sua superfície.

Referências (além das linkadas ao longo do texto)

Moment do Twitter sobre o gran finale da Cassini