Vivendo em São Paulo: a necessidade de educar as crianças para essa realidade



Será que estamos educando bem os pequenos brasileiros que vivem em metrópoles, pensando nas necessidades específicas da vida em uma cidade grande? Cortesia de Shutterstock

Viver em uma grande metrópole é um enorme desafio. E digo isso porque vivendo em um local com tantas pessoas, é necessário exercer a paciência com mais intensidade e mais urgência. Só que muitas vezes não conseguimos cultivar essa paciência, pois há muitos obstáculos para isso: engarrafamentos, problemas no ambiente de trabalho, problemas familiares, etc.

Na minha opinião, cultivar a paciência leva a tolerância, que leva a coexistência e finalmente leva a paz. E eu acredito que precisamos nos esforçar para conseguirmos conviver em São Paulo com o mínimo de paz, já que a cidade em si não é nada amigável.

Stephen King criou uma cidade fictícia chamada Derry (que é mencionada em vários livros e é cenário do livro It) e no universo de Stephen King a cidade tem vida própria e a cidade é malévola. Há momentos em que acredito que São Paulo é um pouco assim: a cidade tira a humanidade das pessoas, deixa elas duras e frias. Sim, São Paulo mata um pouco as pessoas por dentro. Eu sei, vai ter gente dizendo que adora São Paulo e não moraria em outro lugar. Porém nesse texto estou falando um pouco de minhas impressões sobre a cidade e acho que sim, falta paz e amor em São Paulo.

Claro que não é só em São Paulo, há várias cidades onde as pessoas não agem com cortesia. No entanto, estou fazendo um recorte para essa metrópole, cidade onde vivo, e das minhas experiências.

Sempre me pergunto se São Paulo é uma boa cidade para criar os filhos. Para criar uma criança, definitivamente não é mais. Mas é claro, essa é a minha opinião. Só que mudar de cidade no momento não é o caso. Observo que muitas famílias acabam criando as crianças numa bolha com medo da violência urbana. E essa bolha pode ter consequências terríveis de alienação e noção precária da realidade.

O medo da violência urbana talvez seja também um importante fator que faz as pessoas terem medo umas das outras. As pessoas se entocam, tem medo de tudo, até do vizinho. Laços de comunidade estão cada vez mais difíceis de serem criados. Muitos de nós sequer conhecemos nossos vizinhos pelo nome. Muitos sequer cumprimentam os vizinhos e isso é assustador. Quando vejo aquelas recomendações de segurança que envolvem pedir para que um vizinho olhe a sua casa durante as férias, vejo como essas recomendações fazem cada vez menos sentido em São Paulo, pois tive experiências terríveis com vizinhos.

 

Apesar de muitas vezes nos sentirmos isolados com medo, temos que ter uma postura que envolve pensar nas peculiaridades de um local cheio de gente. Vejo muitos pais atrapalhando o trânsito em vias muito movimentadas, porque param em fila dupla para buscar o filho na escola. Aqui a gente já nota um péssimo exemplo sendo transmitido, pois essa criança vai crescer achando que é normal passar por cima do bem estar coletivo em nome de seu próprio conforto. E isso não é normal e nem pode acontecer em lugar nenhum, muito menos em uma cidade enorme como São Paulo.

E não sei se vocês tem a mesma opinião que eu, mas eu acho que um dos grandes males da convivência em São Paulo é esse que mencionei anteriormente e repito: muitas pessoas acham que é normal passar por cima do bem estar coletivo em nome de seu próprio. Comportamentos absurdos como ser espaçoso em meios de transporte, ouvir música em alto volume, estacionar em fila dupla, desrespeitar filas, jogar o entulho em locais inadequados, etc tem todos relação com ignorar a vida em comunidade em nome do próprio conforto. É o bom e velho comportamento de gente folgada, que é inaceitável em qualquer lugar, porém traz ainda mais problemas para uma enorme metrópole.

Eu acredito que pais e professores de grandes cidades devam reforçar comportamentos e atitudes visando a vida em uma enorme cidade.  Nós não podemos agir como se os únicos habitantes da cidade fossem as nossas próprias famílias. Pensar na comunidade, de maneira bem geral, sempre respeitando regras de convivência e de bom senso ajudaria a tornar a cidade um local melhor.