Como aprender a aceitar críticas?



Cortesia de Pixabay

Um aprendizado que tive ao longo dos anos escrevendo blogs é o de aprender a aceitar críticas. E é preciso aqui ter muito cuidado com a palavra aceitar. É  preciso pensar na crítica antes de aceitá-la, entender porque aquela crítica foi feita e se ela é legítima.

Eu pensei em escrever sobre esse assunto quando acabei de escrever esse texto a respeito do supercomputador Tupã, instalado no CPTEC-INPE. Previsão numérica de tempo não é minha área de atuação no momento, embora eu tenha trabalhando um período de tempo com meteorologia operacional e embora como todo meteorologista, eu tenha aprendido isso na graduação e no mestrado. No entanto, eu não tenho prática e vivência o suficiente para dar muitos detalhes aprofundados sobre o assunto.

Quando preciso escrever um post sobre uma área da Meteorologia que eu não tenho muita segurança, eu pesquiso mais do que costumo pesquisar. Converso com colegas, procuro me informar para escrever o melhor texto possível. E esse procedimento é feito nos posts de outras áreas que escrevo aqui no blog. Nos últimos dois anos, tenho direcionado cada vez mais um cuidado maior na elaboração e revisão dos textos do Meteorópole. Eu sei que alguns textos (principalmente os do passado) não estão tão completos ou bem elaborados, por isso inclusive tenho repetido muitos assuntos por aqui. Em outras palavras, tenho realmente tenho me empenhado na melhoria da qualidade.

E por que estou falando tudo isso? Bom, nesse processo eu aprendi a aceitar boas críticas. Lá pelos meus 20 e poucos anos eu era uma pessoa um tanto arrogante e isso me prejudicou bastante. Eu tinha muita dificuldade em aceitar críticas e como quase todo arrogante, eu escondia uma baixa autoconfiança.

Muita gente tentou me ajudar com críticas construtivas, porém a baixa autoconfiança fazia com que eu acreditasse, dentro do meu imaginário, que aquela pessoa estava me atacando. Sim, claro que tem gente que só sabe criticar para destruir ou diminuir. Nem toda crítica é construtiva: tem até gente que diz que está fazendo crítica construtiva, mas está se fazendo de sonso e está apenas atacando mesmo.

Hoje eu realmente percebo que em várias ocasiões no passado eu recebi críticas ótimas que poderiam ter me ajudado na ocasião em que foram feitas e que eu simplesmente ignorei. Fiquei revoltada com pessoas que não mereciam revolta nenhuma, pelo contrário, mereciam meu agradecimento pela sinceridade.

É difícil dizer como aprendi a aceitar críticas. Acho que com o passar dos anos muita coisa foi acontecendo na minha vida e eu aprendi a ‘baixar a bola’. Entendi que eu precisava do outro: do peer review de colegas, amigos e familiares. Até contatos que só conheço pela internet já me deram críticas e informações muito úteis e com os anos fui aproveitando disso para melhorar o blog e minha vida em geral.

Ao mesmo tempo que aprendi a baixar a bola, fui obtendo uma maior auto-confiança. Hoje sei que quando uma pessoa fala algo sobre mim ou sobre meu trabalho, eu tenho apenas duas opções: ver que realmente aquilo que foi dito é real e então fazer algo a respeito ou simplesmente ignorar (caso tenha sido apenas um comentário maldoso ou inapropriado).

Falando especificamente do blog, já recebi sim comentário maldoso, sem fundamento ou sem necessidade. Já disseram por exemplo que eu perco meu tempo escrevendo o blog. Já teve gente que disse que eu escrevo de maneira muito simples (simplificando demais alguns conceitos de Meteorologia) ou que cometo alguns erros de concordância. Sobre os erros de concordância, até pode ser verdade. Eu razoavelmente domino a norma culta do português, mas deslizes podem acontecer. Também já disseram que “eu não sei nada”. Sim, eu não sei de muitas coisas. E é claro que eu não domino tudo sobre Meteorologia ou Climatologia, apesar de ter feito um bacharelado e um mestrado na área. Eu aprendo todos os dias e a cada post que escrevo, vejo que preciso revisar mais e mais materiais da época de graduação, além de aprender coisas novas ou que não foram ensinadas. A vida é assim, não é mesmo? Esse constante aprendizado ocorre para profissionais de qualquer área de atuação. Já disseram também que eu escrevo textos muito longos. Eu realmente gostaria de ter uma boa capacidade de síntese, mas eu não tenho essa característica. Fiquem com os meus textões, hahahaha. Mas até esse tipo de observação me ajuda, pois vez ou outra re-leio meus textos e vejo que fui repetitiva em alguns pontos.

Sendo assim, após entender que eu tenho apenas duas opções quando recebo uma crítica (aceitar e tomar medidas cabíveis ou ignorar), eu consegui parar de internalizar coisas que não fazem sentido e só me faziam mal. E essa decisão é parte de um conjunto de medidas que tenho tentado abraçar na minha vida, para torná-la mais leve.

Tem que saber criticar

Acho que em primeiro lugar é importante que a gente tire o peso ruim da palavra crítica. Se a gente simplesmente pegar o dicionário, veremos que:

1. Análisefeita com maior ou menor profundidadede qualquer produção intelectual (de natureza artísticacientíficaliteráriaetc.). = APRECIAÇÃO

2. Capacidade de julgar.

3. [Figurado]  Opinião desfavorável. = CENSURACONDENAÇÃO

“crítica”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/cr%C3%ADtica [consultado em 27-11-2017].
Muitos de nós quando ouvimos a palavra crítica, já pensamos na terceira definição da lista acima, quando a primeira definição é a que nos interessa. Temos que pegar a crítica, avaliá-la e então aceitá-la quando ela for uma boa crítica. E eu acredito que essa postura necessita de maturidade, autoconfiança e autoestima elevada.
Eu entendo que muita gente critica publicamente, sem necessidade. Se por exemplo você nota um erro em um texto, fale com o autor do texto. Acho que o problema muitas vezes nem é somente a crítica pública, mas sim o tom dessa crítica. Uma crítica feita com arrogância ou tom de superioridade, por exemplo, pode chatear. Mesmo que a crítica seja cabível (um erro crasso, por exemplo), cabe uma delicadeza e uma educação.
Porém aqui temos um ponto importante: a gente não consegue mudar os outros. Quem é mal educado e rude vai continuar sendo, pois os esforços em transformar um indivíduo adulto são na maioria das vezes em vão. Esse tipo de mudança deveria partir de dentro do mal educado.  A única pessoa que você pode transformar é você mesma e quando eu entendi isso, até as críticas das pessoas grosseiras deixaram de me chatear.