O que é a #COP23?



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A #COP23 é mais uma das Conferências das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (United Nations Climate Change Conferences) . São conferências anuais, que ocorrem desde 1995. Essas reuniões ocorrem dentro do âmbito da Convenção-Quadro das Nações unidas sobre as Mudanças Climáticas (United Nations Framework Convention on Climate Change, UNFCCC), tratado internacional adotado em 9 de maio de 1992 durante a  Cúpula da Terra (Eco-92).

O nome COP vem de Conference of the Parties, que é o nome dado a algumas reuniões internacionais que envolvem representantes governamentais de diversas nações que são membros das Nações Unidas (United Nations). E o termo #COP23 é porque trata-se da 23° reunião (na verdade é a 24° reunião, pois a 6° edição teve duas partes). Abaixo, a lista com o nome das cidades onde todas as COP anteriores foram realizadas:

1995: COP 1, Berlin, Germany
1996: COP 2, Geneva, Switzerland
1997: COP 3, The Kyoto Protocol on Climate Change
1998: COP 4, Buenos Aires, Argentina
1999: COP 5, Bonn, Germany
2000: COP 6, The Hague, Netherlands
2001: COP 6 (COP 6 ‘bis’), Bonn, Germany
2001: COP 7, Marrakech, Morocco
2002: COP 8, New Delhi, India
2003: COP 9, Milan, Italy
2004: COP 10, Buenos Aires, Argentina
2005: COP 11, Montreal, Canada
2006: COP 12, Nairobi, Kenya
2007: COP 13, Bali, Indonesia
2008: COP 14, Poznań, Poland
2009: COP 15, Copenhagen, Denmark
2010: COP 16, Cancún, Mexico
2011: COP 17, Durban, South Africa
2012: COP 18, Doha, Qatar
2013: COP 19, Warsaw, Poland
2014: COP 20, Lima, Peru
2015: COP 21, Paris, France
2016: COP 22, Marrakech, Morocco
2017: COP 23, Bonn, Germany
2018: COP 24, Katowice, Poland

A COP23 está sendo realizada em Bonn, na Alemanha e a reunião foi iniciada no dia 06 de novembro e vai se estender até o dia 17. A principal discussão da COP23 trata-se dos refugiados do clima. De acordo com informações fornecidas pelo Conselho Norueguês para refugiados, entre 2008 e 2016 foram 25,3 milhões de pessoas que tiveram que se deslocar devido a desastres naturais (nesse número, temos os afetados por desastres relacionados com a Meteorologia, mas também temos afetados por terremotos, tsunamis e vulcanismo).

Por essas razões, a ONU tem discutido abordagens para tentar dar algum tipo de resposta à questão dos refugiados do clima.  Como exemplo, a gerente de programas humanitários da ONG Oxfam na República Dominicana, Camila Minerva, afirmou que apenas nesta temporada de furacões, 1,7 milhão de pessoas em Cuba foram deslocadas de seus lares, o equivalente a 15% da população {x}. E tivemos também o exemplo recente da Ilha de Barbuda que foi extremamente afetada pelo Furacão Irma, de modo que hoje a ilha está completamente desabitada: isso mesmo, todos foram embora e nem apagaram a luz (porque não tinha luz). Isso sem mencionarmos os afetados pelos outros furacões mais intensos de 2017 (além do Irma), como o Harvey e o Maria. Porto Rico, por exemplo, ainda não se recuperou totalmente dos danos causados pelo Furacão Maria (quase 2 meses depois).

De acordo com as projeções, com o aquecimento global e as águas oceânicas ficando mais quentes, haverá cada vez mais maior probabilidade de que furacões intensos (categoria 4 e 5) ocorram nas áreas onde já se desenvolvem naturalmente. Com furacões possivelmente cada vez mais intensos, ficará cada vez mais difícil para que pessoas habitem nessas áreas. Pode parecer exagero, mas é totalmente possível que outras ilhas fiquem desabitadas, como Barbuda.

Outro exemplo que podemos mencionar é Bangladesh, um pequeno país muito pobre, onde chove muito e há muitos alagamentos. De acordo com especialistas e voluntários de ONGs, as mudanças climáticas contribuem diretamente na decisão de migrar dos bangladeses (em uma pesquisa feita, 40% dos entrevistados disseram que as mudanças climáticas afetaram suas decisões).

Aqui estamos usando exemplos de furacões e chuvas intensas, porém não podemos nos esquecer das secas intensas e prolongadas. Esse tipo de deslocamento em decorrência das secas prolongadas já ocorrem em diversas regiões do continente africano.

 

Dentro desse contexto, já foi sugerida inclusive a criação de um status especial para refugiados, os refugiados do clima, para assim proteger as pessoas que são anualmente forçadas a deixarem seus países devido ao impacto das mudanças climáticas. O status legal de refugiado existe desde 1951, porém ele é voltado para quem sofre perseguição (política ou religiosa, por exemplo). No entanto, esse status de refugiado do clima ainda é bastante controverso para algumas nações, que provavelmente temem a chegada de ainda mais refugiados em seus países.

A Divisão de Proteção Internacional da Agência da ONU para Refugiados (Acnur), acredita em uma ação “de baixo para cima”, tentando ações mais locais como a proteção humanitária, estadias temporárias e leis migratórias. Acredito que esse tipo de ação pode permitir que as pessoas façam pequenos deslocamentos, entre países com semelhanças culturais, por exemplo.

Vamos continuar acompanhando a #COP23. Eu acompanho pouco, porque é um evento político. Nesse tipo de evento a ciência é “aplicada”, já que os tomadores de decisão tiveram acesso as pesquisas e devem então tomar decisões para minimizar os efeitos das mudanças climáticas. Eu estou mais acostumada com eventos científicos, porém de uns tempos pra cá tenho tentado acompanhar para entender que tipo de ações estão sendo propostas e de fato aplicadas.

Bibliografia: