É Bacharelado em Meteorologia ou Bacharelado em Ciências Atmosféricas?



Linda imagem com topo de nuvens Cumulus para ilustrar mais um post sobre vida profissional. Photo by Joshua Reddekopp on Unsplash

Recentemente eu me encontrei em meio a um fogo cruzado desnecessário. As pessoas envolvidas na discussão debatiam se uma pessoa Bacharel em Ciências Atmosféricas também é meteorologista. Eu fiquei apenas de espectadora, pois eu aprendi uma coisa com meu amigo Chico Bento:

Ah, deixa pra lá! Dá muito trabaio batê boca“. Chico Bento –Turma da Mônica

Discutir em redes sociais ou aplicativos de mensagem não serve para nada, ao meu ver. As informações se perdem, fica tudo desorganizado e parece reunião de condomínio, em que um quer falar mais do que o outro. Chatíssimo (eu me senti o Pondé agora hahahaha). Ao meu ver, as discussões funcionam melhor quando as pessoas realmente têm base a respeito do que estão falando e tenham um objetivo claro. Eu acho que o que todo meteorologista quer é a valorização profissional. E quando falo valorização profissional, falo:

  • do registro profissional: que felizmente temos, através do sistema CREA/CONFEA;
  • da valorização por parte do mercado de trabalho: para que o mercado possa entender nossas potencialidades e nos contratar para realizar as atividades relacionadas às nossas atribuições profissionais.
  • da valorização da sociedade como um todo: e aqui entra o trabalho de popularização e divulgação científica também, que é o que gosto de fazer aqui no Meteorópole. Ao meu ver, se as pessoas da sociedade entenderem a importância de nossa profissão, seremos também valorizados pelo mercado.

Mas apesar de não gostar de discutir…

Se você não é da área mas gosta de acompanhar meu blog, vou fazer um paralelo que ao meu ver é certeiro. Algumas Universidades ministram o curso de Ciências Médicas, enquanto outras Universidades ministram o curso de Medicina. No entanto, ambos os cursos formam médicos. A nomenclatura é apenas uma questão relacionada a instituição de ensino, pois na hora de criar o curso a comissão (por qualquer razão) achou melhor dar esse ou aquele nome ao curso. Entretanto, no caso desse exemplo, ambos profissionais são médicos e ambos possuirão registro no Conselho Federal de Medicina, que é a entidade de classe que fiscaliza e orienta a respeito dessa atividade.

Ora, é exatamente a mesma coisa quando estamos falando de um bacharel em Ciências Atmosféricas ou de um bacharel em Meteorologia. Nos dois casos, os alunos que se formam serão designados profissionalmente, no CREA, como meteorologistas. Ambos possuirão o registro de Meteorologista nesta entidade de classe profissional. Sendo assim, eu realmente não entendo a polêmica que eu testemunhei. E é claro que eu saí de fininho da polêmica, porque se eu posso dizer para vocês é que eu já tenho certeza a respeito de uma resolução para 2018: não me envolver em tretas sem sentido.

Mas apesar da minha preguiça de discutir sexo dos anjos, eu gosto de escrever para quem quer ler e quer uma opinião ou um insight sobre o assunto. Eu percebi que esse assunto seria de extrema relevância para ser tratado no blog. Quem chega até aqui, fez uma busca no Google ou gosta do meu conteúdo e me acompanha com frequência, então eu acredito que essa informação possa ser de interesse para muitas pessoas.

Um pequeno glossário sobre cursos de graduação e esclarecimentos

Acho importante aqui fazer um pequeno glossário, até porque muitos alunos de Ensino Médio visitam meu blog e podem ficar em dúvida.

Um curso de graduação, de acordo com o modelo de ensino superior francês (que é o que adotamos no Brasil) é o primeiro título universitário de um indivíduo. Aqui no Brasil, quando falamos em curso de graduação podemos estar nos referindo às seguintes possibilidades:

  • Bacharelado: habilita o seu titular a ser um Bacharel em diferentes áreas do conhecimento. Tem duração normal de quatro a seis anos e é oferecido na maioria das áreas de estudo em Artes, Segurança Pública, Ciências Humanas, Ciências Sociais, Matemática, Ciências Naturais e nas profissões regulamentadas pelo Estado, por exemplo Administração, Arquitetura, Biologia, Direito, Engenharia Civil, Farmácia, Fisioterapia, Geologia, Medicina, Meteorologia,  Odontologia,Veterinária, entre outros que constam no cadastro de cursos superiores do MEC. Incluem-se entre os bacharelados aqueles cursos que concedem titulação profissional.
  • Licenciatura: habilita o seu titular a ser um professor em uma área de estudo específica. Existe a possibilidade de licenciatura em diversos cursos: Física, Letras, Biologia, Química, etc. Muitos desses cursos possibilitam que o aluno faça o Bacharelado e a Licenciatura, cursando disciplinas (matérias) adicionais. O ponto é que no curso de Licenciatura o aluno vai cursar matérias relacionadas com pedagogia e práticas de ensino, enquanto no curso de Bacharelado o aluno vai cursar matérias mais relacionadas com práticas de pesquisa e metodologia científica (pelo menos é essa a diferença principal que noto existir entre cursos de bacharelado e licenciatura da USP). Normalmente com a licenciatura o indivíduo pode dar aula no Ensino Fundamental e Médio, dependendo claro das exigências da instituição ou escola em que ele vai trabalhar.
  • Tecnólogo: Habilita o seu titular a ser um Tecnólogo ou Tecnologista, ou seja, mão-de-obra Técnico-Científica especializada em diversas áreas do conhecimento, cobrindo demandas específicas do mercado. São formações possíveis: Tecnólogo em Eletrônica, Eletroeletrônica, Telemática, Mecatrônica, Gestão Tributária, Gestão Ambiental, Gestão Pública, Construção Civil, Química Agroindustrial, Citotecnologia, Sistemas de Informação, Redes de Computadores, Marketing, Logística etc.

As informações acima foram obtidas aqui. E como sempre digo para todos, independentemente do interesse de cursar ou não Meteorologia: pesquisem sobre o curso e sobre a instituição onde desejam estudar. Aqui no Brasil, a fonte oficial de informações sobre os cursos e as instituições é o portal e-MEC.

Caso você esteja visitando meu blog e não seja daqui do Brasil, procurem os Ministérios da Educação ou órgãos semelhantes de seus países. Evite investir dedicação, tempo e dinheiro em um curso que não esteja oficializado e reconhecido.

Em tempo, cursos técnicos não são cursos de graduação.  São cursos de nível médio que foram profissionais de nível médio. Eu sou uma grande defensora dos cursos técnicos, ao meu ver toda escola de Ensino Médio deveria possibilitar a formação técnica. Eu falo mais sobre cursos técnicos nesse post recente.

O que faz um meteorologista?

Respondi essa pergunta nesse post. Clicando na tag profissão, vocês poderão ler todos os posts que escrevi sobre o tema.

Onde estudar bacharelado em Meteorologia (ou Ciências Atmosféricas)? 

Agora que já expliquei o que é um curso de graduação e quais as suas possibilidades, podemos falar sobre os cursos de bacharelado em Meteorologia ou Ciências Atmosféricas.

Nos últimos anos tivemos um considerável aumento na quantidade de locais onde o aluno pode cursar bacharelado em Meteorologia ou Ciências Atmosféricas. Nesse post, você pode conferir os locais onde pode fazer um curso de graduação nessa área para se tornar meteorologista. Como vocês podem ver, existem Universidades que ministram o curso em diversos estados brasileiros.

Eu consultei o portal e-MEC no dia 17/12/2017, que foi quando eu estava editando esse post. Eu fiz uma busca por bacharelado em Meteorologia e bacharelado em Ciências Atmosféricas:

Bacharelado em Meteorologia
Bacharelado em Ciências Atmosféricas

Eu pesquisei a grade curricular de todos os cursos, porém elaborar um comparativo seria complicado. Em primeiro lugar é porque são 13 cursos e o post ficaria enorme. Em segundo lugar, eu estaria sendo injusta, pois que eu não cursei disciplinas em todas essas instituições e eu não tenho como comparar.

O que posso dizer é que a base de Física e Matemática é igual, todos os cursos possuem disciplinas ligadas à Física Básica, Cálculo, Física Experimental e Programação. As matérias específicas de Meteorologia também são muito parecidas, claro que podem mudar o nome um pouco (Sinótica Aplicada ou Laboratório de Sinótica, por exemplo), mas o conteúdo dessas disciplinas é o mesmo.

Além disso, a gente precisa entender que um curso evidentemente “copia” a grade curricular do outro, até porque há um padrão na formação do profissional. Quando um novo curso vai ser criado, é organizada uma comissão de profissionais que são autoridades nas diferentes cadeiras/disciplinas/áreas do curso. Essa comissão é composta por pessoas que muitas vezes estudaram juntas na graduação ou na pós-graduação. Muitas dessas pessoas tiveram inclusive o mesmo orientador de Mestrado ou Doutorado, por exemplo. Algumas tiveram experiência no exterior e até em Universidades que não seguem o modelo francês de formação universitária (como os Estados Unidos) e claro, isso agrega muito nas discussões e na criação dos cursos.

Também é necessário salientar que normalmente uma Universidade possui um ponto forte em uma área, enquanto outra Universidade possui outro ponto forte em outra área. Normalmente os cursos de bacharelado em Meteorologia ou Ciências Atmosféricas surgem porque já há um laboratório de pesquisa de uma área relacionada naquela Universidade. Um exemplo recente que consigo me lembrar no momento é o curso da UNESP. Já existia o Radar Meteorológico e o IPMet por lá, inclusive com Meteorologistas trabalhando no radar. Várias pesquisas já vinham sendo desenvolvidas há anos usando os dados do radar meteorológico e com o tempo o IPMet cresceu a ponto de ter potencial para ajudar a criar um curso de bacharelado em Meteorologia na UNESP.  Por ter o radar meteorológico ali com eles, é bastante possível que esse curso forme pessoas bem especializadas nessa área.

Essas questões relacionadas aos diferentes pontos fortes das Universidades, no entanto, não atrapalham ou prejudicam a formação do Meteorologista, até porque o currículo é basicamente o mesmo, como mencionei. Além do mais, sempre é possível fazer trabalhos acadêmicos que envolvem a colaboração entre diferentes Universidades e Institutos de Pesquisa e é assim que deve ser, uma vez que o conhecimento é construído por uma equipe e não por um cientista sozinho ou isolado. E se o aluno decidir ficar na área acadêmica (ou seja, vai fazer Mestrado e Doutorado com o objetivo de ser pesquisador), ele pode fazer graduação em uma Universidade e seu Mestrado e/ou Doutorado em outras instituições ou Universidades. É muito positivo participar de cursos de verão e eventos de outras Universidades e essa é uma das coisas que lamento não ter feito durante minha graduação e mestrado (faltava dinheiro e coragem). Essa integração entre instituições sempre é positiva e fortalece a formação.

O papel do CREA na profissão 

Eu sei que muitos profissionais da minha área criticam o CREA por várias razões. Dizem por exemplo que eles demoram em verificar uma ocorrência sobre exercício ilegal da profissão. Como eu nunca precisei realizar nenhuma denúncia, realmente não sei o que dizer. O que eu penso é que se uma denúncia for feita, é necessário uma documentação bem feita para comprovar o exercício ilegal da profissão. E muita gente tem “medo de se envolver”, essa que é a verdade. Eu já soube de vários casos de exercício ilegal da profissão, inclusive vejo muita gente na internet “se achando o Meteorologista”, quando na verdade apenas é um entusiasta do assunto e acredita saber tanto quanto um bacharel na área, o que é uma tolice.

Vejam, acho super legal ver as pessoas buscando conhecimento, principalmente conhecimento em ciências (que é o caso do que estamos tratando). Eu acho ótimo ver pessoas que podemos dizer que são meteorologistas amadoras, pois elas podem inclusive auxiliarem os profissionais. Porém uma coisa é você gostar de algo como hobby e outra coisa é seguir essa profissão e eu percebo que algumas pessoas confundem essas coisas. Bom, eu falei sobre esse assunto nesse post, não vou me repetir aqui.

Vamos falar sobre o papel do CREA, consultando informações que obtive no site desse conselho profissional:

Crea-SP é a sigla que identifica o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo – o maior Conselho de Fiscalização de Exercício Profissional da América Latina e provavelmente um dos maiores do mundo. O Crea-SP é responsável pela fiscalização de atividades profissionais nas áreas da Engenharia, Agronomia, Geologia, Geografia e Meteorologia, além das atividades dos Tecnólogos e das várias modalidades de Técnicos Industriais de nível médio.

O CREA SP fiscaliza, controla , orienta e aprimora o exercício e as atividades profissionais da Engenharia Civil, Engenharia Ambiental, Engenharia Sanitarista, Engenharia de Infraestrutura Aeronáutica, Engenharia Hídrica, Engenharia Elétrica, Engenharia de Computação, Engenharia de Telecomunicações, Engenharia de Controle e Automação, Engenharia Eletrônica e Eletrotécnica, Engenharia Mecânica, Engenharia Industrial, Engenharia de Produção, Engenharia de Operação, Engenharia Metalúrgica, Engenharia Aeronáutica, Engenharia Naval, Engenharia Química, Engenharia de Alimentos, Engenharia de Materiais, Engenharia Têxtil, Geologia, Engenharia de Minas, Engenharia de Geologia, Engenharia de Agrimensura, Engenharia Cartográfica, Geografia, Agronomia (ou Engenharia Agronômica), Engenharia Florestal, Engenharia Agrícola, Engenharia de Pesca, Engenharia de Aquicultura, Meteorologia e Engenharia de Segurança do Trabalho, além das atividades dos Técnicos Agrícolas e Técnicos em Agropecuária e das várias modalidades de Técnicos Industriais e Tecnólogos.

Vejam que eu peguei as informações do site do CREA-SP. Todos os conselhos regionais (os CREA) são referentes a um Estado específico e estão ligados  ao CONFEA (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia). Sendo assim, as atribuições dos CREA’s são as mesmas, só muda o Estado em questão. Como eu sou de São Paulo-SP e o meu registro profissional está no CREA-SP, eu decidi copiar as informações de um site que já visito com frequência.

Observem que deixei em negrito que o CREA-SP fiscaliza, controla, orienta e aprimora o exercício e as atividades profissionais em diversas áreas (destaquei Meteorologia, evidentemente). Eu repeti a frase para deixar bem claro o que o CREA pode fazer. O CREA pode sim nos ajudar nessas questões envolvendo o exercício ilegal da profissão, desde que apresentemos a denúncia para eles.

Minha sugestão é: se você saiba de uma informação real de que alguém está atuando como Meteorologista irregularmente, denuncie. Procure em primeiro lugar seus antigos professores de bacharelado ou entre em contato com o departamento onde você cursou o bacharelado em Meteorologia ou Ciências Atmosféricas da sua Universidade de origem. É muito provável que um dos seus ex-professores seja um representante do CREA e poderá te ajudar na questão da denúncia. Documente tudo muito bem e tenha coragem de dar a cara para bater, isso é importante.

E para saber se o exercício ilegal da profissão está acontecendo, basta consultar a Lei nº 6.835, de 14 de outubro de 1980 (veja aqui), que dispõe sobre o exercício da profissão de Meteorologista.

Sendo assim:

A pessoa pode ser bacharel em Meteorologia ou bacharel em Ciências Atmosféricas, mas sua profissão após formado será meteorologista. Ficou claro? Simples assim!

Basta o curso de graduação ser reconhecido pelo CREA/CONFEA como um curso que forma profissionais aptos para atuar na área, de acordo com a Lei nº 6.835, de 14 de outubro de 1980 que citei anteriormente.

A questão do nome dado ao curso depende da comissão que criou o curso. Eu acredito que a ideia de dar o nome de Ciências Atmosféricas é para deixar claro que a atuação do Meteorologista também pode abranger a pesquisa científica. Em outras palavras, o aluno formado não precisa necessariamente atuar como previsor do tempo. Pode atuar como um difusor, com divulgação científica, com ensino e pesquisa.

Além disso, ao meu ver a ideia de chamar de Ciências Atmosféricas é também para dar uma ideia de abrangência de disciplinas/cadeiras cursadas ao longo da formação universitária. Analisando friamente, um Meteorologista não precisa da disciplina de Poluição Atmosférica para fazer a previsão do tempo. No entanto, nos cursos de bacharelado em Meteorologia ou bacharelado em Ciências Atmosféricas, disciplinas da área de Poluição do Ar estão disponíveis e em muitos casos são obrigatórias. Caso semelhante por exemplo para disciplinas mais específicas na área de Programação ou Física (Óptica, por exemplo), que também estão no currículo do bacharelado mas elas não são essenciais para que um indivíduo faça todos os procedimentos operacionais da previsão do tempo. Entretanto, elas fazem parte da formação acadêmica e são muito importantes.

Sendo assim, a questão do nome do curso me parece ter mais relação com essas discussões sobre a abrangência de nossa formação. Apenas isso. No final das contas, tanto bacharéis em Meteorologia ou Ciências Atmosféricas são meteorologistas!

Eu vi gente dizendo que a existência de cursos de Meteorologia ou Ciências Atmosféricas é para “confundir” e existirem mais problemas de exercício ilegal de profissão. Pelo amor, minha gente! Isso não faz sentido algum. Você vai preencher seu currículo no LinkedIn por exemplo e vai colocar lá que é meteorologista. E ponto. Você tem um registro no CREA, que vai mostrar que você é meteorologista. Não entendo o problema inexistente que essas pessoas criam!

Eu até vou ser justa e vou considerar que o nome Bacharelado em Ciências Atmosféricas é um nome muito grande e talvez o nome Bacharelado em Meteorologia seja mais sucinto, já que as pessoas em geral sabem que meteorologia é “será que vai chover?“. Olhando por esse lado, eu concordo que os nomes podem gerar uma confusão na sociedade, mas para o CREA, não. Você vai colocar no seu currículo que você é meteorologista formado pela Universidade XYX. E fim de papo!

Na prática, a questão do exercício ilegal da profissão não acontece devido a essa diferença de nomes nos cursos de bacharelado. Acontece que um indivíduo curioso (muitas vezes um Engenheiro ou Geógrafo, vou ser honesta e rasgar a gazeta aqui e espero que ninguém se ofenda) oferece esse serviço para a empresa que trabalha. Essa pessoa acha que sabe sobre Meteorologia porque fez uma disciplina introdutória na formação Universitária, porque lê muito sobre o assunto ou por qualquer outra razão.  Pode ter sido até pressionado pelos superiores hierárquicos para realizar trabalho que é atribuição de Meteorologista. De fato o indivíduo em questão sabe Meteorologia, porém em geral sabe superficialmente e não tem registro profissional. Ou seja, está infringindo a lei!

Esse indivíduo se oferece como “faz tudo” e convence a empresa onde trabalha que não precisa contratar um Meteorologista. Normalmente o indivíduo fuça sites de previsão do tempo diversos, quando tem dúvidas técnicas é capaz que chegue até ao Meteorópole também (oi, você está agindo ilegalmente). O indivíduo faz isso para garantir seu emprego, muitas vezes até acumulando funções. E em vários casos faz isso com um certo toque de ignorância, pois muitos nem conhecem a existência da profissão de Meteorologista. Alguns inclusive ainda acham que Meteorologistas são aquelas pessoas que apresentam a previsão do tempo na TV (que em geral são comunicadoras ou jornalistas).

Ferramentas importantes no site do CREA/CONFEA:

  • Buscar se um profissional é registrado e portanto pode exercer sua profissão – aqui
  • Eu não achei como pesquisar se uma instituição de ensino está cadastrada no CREA/CONFEA. Encontrei apenas essa recomendação no site do CONFEA. Sendo assim, busque no site do CREA do Estado em que o curso é ministrado se o curso está cadastrado. Na minha opinião, deveria existir uma maneira centralizada de fazer essa pesquisa, por isso deixo aqui registrada essa crítica. Se eu me enganei e por acaso eu não encontrei uma seção onde essa pesquisa pode ser feita no site, por favor, me avisem!

O papel da SBMet na Meteorologia

Há ainda quem não compreenda o papel da SBMet, que é diferente do papel do CREA. A SBMet é a Sociedade Brasileira de Meteorologia, é uma sociedade técnico-científica, como tantas outras das mais diversas áreas do conhecimento. O objetivo da SBMet é congregar os profissionais, organizando eventos e workshops.

Claro, a SBMet deve ser ouvida pelo CREA e por representantes do Governo quando o assunto é relativo ao trabalho do Meteorologista. A questão é que a SBMet não é um conselho profissional, não fiscaliza nossa profissão. Não é o papel deles, o papel deles está mais relacionado com a produção técnico-científica. E quando falamos em pesquisa científica, um Físico, um Geografo ou um Engenheiro Ambiental (por exemplo) podem publicar trabalhos nos eventos da SBMet, desde que tenham relação com as áreas que compõe a Meteorologia.

Inclusive muitos professores universitários que fazem parte de departamentos de Meteorologia (ou Ciências Atmosféricas) em várias Universidades não possuem graduação em Meteorologia, porém possuem pós-graduação (mestrado e/ou doutorado) em Meteorologia. Esses podem dar aula de Meteorologia, podem participar de pesquisas científicas relacionadas com Meteorologia, mas não podem trabalhar como meteorologista operacional no mercado de trabalho (na previsão do tempo), por exemplo. Claro, salvas algumas exceções da lei, na qual profissionais antigos que demonstrem experiência em Meteorologia podem atuar como Meteorologistas. Eu estou falando de gente das antigas mesmo, muitos fizeram cursos relacionados à Meteorologia nas Forças Armadas, por exemplo.

Em outras palavras, para ser pesquisador em Meteorologia, não precisa ser meteorologista. Um exemplo bem próximo é o Vinícius, que tem graduação em Física e Mestrado na área de Meteorologia, além de outros cursos. Ele dá aulas de Meteorologia Aeronáutica, é totalmente apto para tal, porém ele não pode trabalhar como meteorologista dentro das atribuições bem descritas na  Lei nº 6.835, de 14 de outubro de 1980 (veja aqui).

Reconhecimento Profissional (CREA) x Reconhecimento no Mercado de Trabalho

Uma pena que o mercado de trabalho ainda conheça pouco o curso. Infelizmente ainda temos muitos problemas com exercício ilegal da profissão, conforme mencionei brevemente nos parágrafos anteriores.

Como eu deixei transparecer bem no começo do post, eu acredito que a divulgação científica é essencial. A alfabetização científica do povo brasileiro é muito baixa e eu acredito que se a gente conseguir divulgar a importância das diversas áreas do conhecimento, teremos pessoas que poderão cobrar com mais foco por soluções por parte dos governantes.

Eu sonho com o dia em que as pessoas cobrem a presença de meteorologistas nos departamentos de Defesa Civil de suas cidades, nos levantamentos ambientais, nas discussões regionais sobre mudanças climáticas, etc. E eu acredito que isso só vai acontecer se a gente trabalhar positivamente na comunicação de nossa profissão. Vamos falar sobre o que fazemos, escrever, falar nas redes sociais e saber fazer um bom marketing pessoal quando for concorrer a uma vaga de emprego.

Vamos nos fazer visíveis e deixar de picuinhas e discussões tão pequenas, compreendendo que o povo precisa saber o que é a Meteorologia e saber o que nós profissionais e pesquisadores da área podemos fazer!

Como sempre peço…

Se tiver algo para corrigir ou acrescentar, fiquem a vontade! Escrevam nos comentários, mandem um e-mail ou me avisem através das redes sociais.

Veja também minha sequência de tweets sobre regulamentação profissional.