Por que as coisas se repetem tanto?



Por que as coisas se repetem tanto?

Todos os rios correm para o mar.

Cortesia de Pixabay

Apesar de a atmosfera ter natureza caótica (um dia nunca é exatamente igual ao outro para a atmosfera), podemos esperar algumas repetições quando estamos falando de padrões climatológicos. Os meteorologistas sabem o que é um El Niño ou o que são os ventos alíseos usando como base observações de muito tempo para verificar padrões na ocorrência desses fenômenos, por exemplo.

E ainda, se a gente considerar uma determinada localidade, a gente sabe dizer qual é o clima dessa localidade sem necessariamente ter acesso a dados climatológicos. Isso se chama abordagem quantitativa. Em outras palavras, se você mora um uma mesma cidade há muitos anos, consegue dizer qual a época mais quente/fria e mais chuvosa/seca desse local.

E conhecendo esses padrões naturais através de observações ao longo de vários anos, a gente consegue saber se o clima está mudando como de fato está, devido a interferência humana. A gente precisa ter um valor ou situação padrão para dizer se uma determinada situação está fora dos padrões.

Toda essa introdução meteorológica é na verdade pretexto para falar de um assunto bastante humano. Quando ouço vídeos do Pastor Caio Fábio, fico surpresa quando ele logo se adianta e já sabe na onde vai dar as histórias enviadas pelos seus leitores. Muitas vezes ele fala com certo pesar e indignação a respeito da ingenuidade das pessoas. Ele demonstra um certo enfado também, porque same shit, different day. Frequentemente o pastor menciona um livro bíblico que gosto bastante, o Eclesiastes. E logo no primeiro capítulo, a questão da repetição é tratada e há a relação com o cansaço.

Apesar de a gente ter acesso a novidades todos os dias, chega uma hora que as coisas começam a nos surpreender menos. Isso é triste, porque significa que a gente está perdendo aquele brilho no olhar de descoberta que as crianças e adolescentes exibem. Por outro lado, tem a ver com a natural experiência adquirida ao longo dos anos e a gente percebe que pode mudar o veículo, pode ter um verniz novo ou tintura nova aqui ou ali, mas o muro é o mesmo. E essa experiência nos ajuda a não cair em furadas, porque sabemos de antemão como certas histórias podem evoluir.

Recentemente, vários usuários do Twitter ficaram perplexos porque uma @ relativamente famosa foi acusada de assédio e até de comportamento violento com outras @. A perplexidade se deu porque tal @ era o que os gringos chamam de Social Justice Warrior (SJW), ou como disse o brilhante Márcio Américo, são os flanelinhas de minorias.

Sabe aquele seu conhecido ou amigo que na primeira oportunidade aponta gordofobia, homofobia, machismo, etc nas coisas que você fala ou escreve, mesmo que seja algo muito sutil ou de interpretação dúbia? Então, essa @ era desse tipo. Claro que existem todos esses comportamentos horríveis  (gordofobia, homofobia, machismo, etc), não estou negando isso. Mas você certamente conhece alguém que na primeira oportunidade, para se sentir bem ou sei lá, aponta o dedo na cara dos outros e muitas vezes até publicamente. E muitas vezes os tais SJW são injustos ou imprecisos, porque pegam frases ou trechos soltos que podem ter múltiplas interpretações. Selecionam cuidadosamente, para corresponder à narrativa do ponto que eles pretendem provar.

Como diz minha avó, falar até papagaio fala. E qualquer um pode demonstrar através de palavras uma postura progressista ou humanista em qualquer ponto, quando na verdade as ações correspondem ao extremo oposto. No entanto, demonstrar através de ações é algo completamente diferente. Por isso, não se iludam com as palavras que saem das bocas ou dos textos dos perfis de redes sociais. Conheçam as pessoas de fato, conversem e avaliem para verificar se a pessoa é todo aquele poço de humanidade que ela se autodefine. É preciso prestar atenção nas atitudes e fica difícil verificar isso apenas avaliando perfis de redes sociais sem uma análise detalhada.

Pessoas que enganam as outras com um falso discurso é algo mais velho do que a invenção da roda. Sempre existiu gente com esse perfil sociopata, não é nenhuma novidade. Pode mudar o discurso, a ideologia apresentada. Mas a enganação sempre existiu!

Passei parte de minha vida em igrejas evangélicas e conheci várias pessoas muito boas. Porém também conheci pessoas que usavam o discurso do evangelho para seduzir outras pessoas com promessas maravilhosas, mostrando em seguida uma face extremamente perversa.

Vocês notaram que é exatamente a mesma coisa? No caso da @, ele demonstrava ser uma pessoa desconstruidona e lacradora, sempre pronta a apontar os preconceitos das pessoas. No caso de alguns religiosos que tenho conhecimento, eles pregavam uma ideia de vida dedicada ao evangelho e exemplo a ser seguido, quando na verdade eram pessoas que traiam cônjuges e/ou desviavam dinheiro da igreja.

É sempre a mesma coisa. “Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Já foi nos séculos passados, que foram antes de nós. – Eclesiastes 1:10”. Sempre a mesma coisa. Muda o discurso, muda a ideologia, mudam as palavras, muda o canal de comunicação, mas é sempre a mesma coisa. E eu percebo que conforme a gente vai envelhecendo, a gente vai ficando cansada dessas mesmas coisas. Eu me canso de sempre ver a história do enganador e do enganado e de sempre ver a história das pessoas perplexas devido ao escândalo “inimaginável”. Não era inimaginável coisa nenhuma!

Eu deixei bem claro em meu perfil do Twitter que eu não quero aqui culpar vítimas dessa @. A credulidade é uma característica humana, mas infelizmente há sociopatas que se aproveitam da credulidade alheia. O que eu quis dizer na minha sequência de tweets sobre o assunto é que esse tipo de coisa sempre acontece e vai continuar acontecendo. Quando a pessoa é famosa, o ‘escândalo’ parece que se amplifica, como no caso dessa @ e como no caso de um professor universitário famosinho nas redes sociais há alguns anos (que adorava flertar com menores de idade nas redes sociais). Vejam, esses dois casos são apenas exemplos. Tantos outros que a gente ouve por aí!

Acontecimentos assim são lembretes para que não confiemos em ninguém. Citando mais uma vez a Bíblia em Jeremias 17:5: “Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do Senhor!”

Não confie em ninguém logo de cara, principalmente usando como base sua autodeclarada bondade e ausência de preconceitos. Conviva, observe e procure saber referências sobre esse alguém a partir de outras pessoas. Gente enganadora sempre existiu e continuará existindo. Não me surpreende mais e não deveria surpreender ninguém.