Quem inventou o guarda-chuvas?



Cortesia de Pixabay

Sabe aquela expressão ‘mais velho do que andar pra frente’? Então, o guarda-chuva é o caso clássico de uma invenção super antiga. E também é o tipo de invenção difícil de dizer quem inventou e quando inventou primeiro, já que várias civilizações ao longo da história falam de invenções que se assemelham ao que hoje chamamos de guarda-chuva. E detalhe: não necessariamente essas civilizações tiveram contato entre si, uma vez que temos registros do uso do guarda-chuva na China e em civilizações pré-colombianas.

O guarda-chuva surgiu primeiro como um guarda-sol ou como uma sombrinha. E na China, o primeiro registro escrito do uso de uma sombrinha é de 21 d.C, porém o seu uso é anterior a isso, já que sombrinhas foram encontradas no sítio arqueológico de Luoyang e datam do século VI a.C. Um antigo livro de cerimônias chinesas, o Zhou Li (data de aproximadamente século IV a.C.) menciona algo que parece ser uma sombrinha. Em todos os casos mencionados, o uso parece estar relacionado com algo cerimonial associado à pessoas de destaque na sociedade, como realeza e nobreza em geral, por exemplo.

O caractere chinês para guarda-chuva é   e se você reparar bem, ele bem que lembra um guarda-chuva ou sombrinha. A cultura chinesa valorizava a pele clara, que era associada à nobreza, e portanto a proteção contra os raios solares era uma necessidade cultural.

Há também indícios do uso de sombrinhas na Mesopotâmia, há mais de 3400 anos. No Egito antigo também encontraram referências ao uso da sombrinha, inicialmente de maneira bem simplificada, como uma folha grande. Ainda na Antiguidade foram encontrados registros do uso de sombrinhas na América pré-colombiana, na Grécia antiga e em Roma. Na maioria dos  casos, as sobrinhas eram bem simples e não-retráteis. As sobrinhas mais sofisticadas da antiguidade parecem de fato serem as desenvolvidas pelos chineses.

Na Europa, ainda na Idade Média, há o registro do uso do que parecem ser guarda-chuvas, já com essa finalidade mesmo (proteger da chuva), o que difere bastante do uso na Antiguidade, pois em todos os casos que encontrei o uso estava associado com a proteção contra a luz solar.

A palavra umbrella, possivelmente originou-se do italiano ombrello. Em latim, a palavra umbra significa sombra. A partir daí a gente tem uma ideia da origem da palavra. O uso da sombrinha na França e na Inglaterra provavelmente se popularizou em meados do século XVII. É bastante provável que as navegações tenham tido um importante papel na disseminação desse uso e Veneza tinha um importante porto, por onde transitavam muitas mercadorias e é muito possível que a palavra tenha se popularizado sessa forma devido a este fato.

 

 

Jour de pluie à Paris (1877), Gustave Caillebotte. Art Institute of Chicago

Aqui precisamos pensar em como fazer uma sombrinha transformar-se em um guarda-chuva. Sobrinhas precisam ser feitas de um tecido suficientemente opaco para sombrear e assim evitar que a pessoa receba radiação solar direta. Já o guarda-chuva precisa ser feito obrigatoriamente de um tecido impermeável. Na França, por exemplo, por volta do século XVII as sombrinhas passaram a receber uma camada de cera para que o tecido ficasse impermeável e elas pudessem ser utilizadas como guarda-chuvas.

No século XVIII e XIX, os guarda-chuvas e sombrinhas tornaram-se artigo de moda, pois os processos de fabricação foram melhorando e foi possível produzi-los em massa. Foram representados em diversas pinturas desses séculos. Um quadro muito famoso que retrata uma pessoa com uma sombrinha é de um de meus pintores favoritos, Oscar-Claude Monet:

La Promenade ou La Femme à l’ombrelle, de Claude Monet (1875).

O quadro acima é conhecido como La Promenade ou La Femme à l’ombrelle  e retrata Camille Doncieux (ou Madame Monet) utilizando uma sombrinha.

No século XX, os processos de fabricação melhoraram ainda mais e novos materiais foram introduzidos na fabricação, como o nylon. Os guarda-chuvas mais compactos surgiram, aqueles que além de se retraírem também dobram e são mais facilmente portáteis.

Na segunda metade do século XX e no início do século XXI, podemos dizer que eles ficaram muito baratos. A maioria dos guarda-chuvas utilizados no mundo foram fabricados na China e muitos deles duram muito pouco, são quase que descartáveis. É bastante provável que seus avós ainda levavam os guarda-chuvas para o conserto. Hoje em dia, quando quebram, a gente acaba jogando fora.

Tenho até uma história meio bobinha, de muitos anos atrás. Numa ocasião, o vento forte quebrou meu guarda-chuva todinho. Cheguei em casa molhada, sem guarda-chuva. E minha mãe ficou perguntando onde estava o guarda-chuva. Quando contei que joguei fora (eu estava com muita raiva), minha mãe ainda brigou comigo, hahahaha.

Em 2014, publiquei uma notícia sobre um guarda-chuva conceitual que tinha como objetivo também ser uma estação meteorológica (veja aqui). Em 2005, um estudante holandês de design industrial chamado Gerwin Hoogendoorn desenvolveu um guarda-chuva aerodinamicamente resistente que poderia suportar ventos de até 100km/h. Ou seja, um guarda-chuva ideal para situações de tempestade. Esse guarda-chuva ficou conhecido como Senz Umbrella e é vendido na Europa e nos Estados Unidos (vi na Amazon e custam cerca de US$75,00). 

Testando o Senz Umbrella, utilizando um ventilador bastante potente. Cortesia de Wikimedia Commons

O guarda-chuva é uma invenção muito antiga, porém que ainda assim foi significativamente aperfeiçoada. Eu adorei escrever esse post, porque meteorologistas amam guarda-chuva e amam informar para as pessoas se elas devem ou não carregar seus guarda-chuvas. Claro que sempre a gente acerta precisamente, apesar de a previsão do tempo ter melhorado significativamente nas últimas décadas. No momento estamos na estação chuvosa na maior parte do Brasil, veja se o seu guarda-chuva está funcionando direitinho e sempre o carregue  em sua bolsa ou mochila.

Fontes

Umbrella – History (Wikipedia)