Eu tive um tweet que viralizou e olha no que deu



 

Cortesia de Pixabay

Em primeiro lugar, gostaria de desejar um feliz ano novo para meus queridos leitores. Eu tenho aqui leitores recorrentes, alguns inclusive costumam deixar comentários muito gentis e educados (com sugestões, críticas construtivas e elogios). E eu tenho também leitores que chegam até meu blog através de uma busca no Google ou indicação em redes sociais. Seja qual for o seu caso, desejo um excelente 2018.

Esse é o primeiro post que eu escrevo depois de minhas merecidas férias. Eu não escrevi nada nas férias, porém eu li bastante e eu alimentei minhas redes sociais (Twitter e Instagram). E eu tive uma surpresa, que é o tema desse post: eu tive um tweet (ou tuíte) que viralizou. O tweet em questão é esse:

Simples, não? Eu estava folheando algumas revistas e livros antigos com meu marido, quando então ele me mostrou esse trecho do Manual do Professor Pardal. Achamos isso curioso e meu marido comentou em tom de brincadeira que o Professor Pardal havia “previsto o Netflix”. Decidi então compartilhar essa informação no Twitter e qual não foi minha surpresa quando o tuíte chegou até pessoas famosas e rapidamente se espalhou. Até prints do meu tuíte foram parar no Facebook e o Gilmar do e-farsas, escreveu um texto ótimo a respeito.

O que me deixou “chateada” é que nem foi um tuíte sobre Meteorologia, hahahaha. Por outro lado, gosto de acreditar que algumas pessoas puderam saber que essa carreira existe porque deixo claro na minha bio do Twitter a respeito de minha profissão. Eu gostaria de que um tweet sobre mudanças climáticas, importância da fotoproteção ou cuidados com as descargas elétricas viralizassem também. Mas eu acredito que isso seria extremamente difícil.

Como fazer o seu tuíte viralizar?

A internet funciona de maneira meio caótica. Quem diria, por exemplo, que as caras e bocas da Gretchen virariam meme? Ou que o semblante reflexivo da vilã Nazaré Tedesco (interpretada pela maravilhosa Renata Sorrah) viraria meme? E a propósito, viraram memes internacionais. O Brasil virou um exportador de memes.

Eu tenho alguns palpites. Acho que basta um influenciador digital ou uma pessoa extremamente famosa gostar daquele meme ou informação e dessa maneira, ele se espalha rapidamente. Foi o que aconteceu com meu tweet. Um humorista famoso, o Gilmar do e-farsas e até o próprio perfil do Netflix compartilharam meu tuíte. Se meu tuíte não tivesse chegado a esses perfis grandes, não teria feito sucesso.

Além de chegar até um “grande” da internet, seu tuíte precisa conter elementos de coisas que já estão em alta. O Netflix por exemplo é um dos maiores serviços de streaming do mundo e seu perfil nas redes sociais brasileiros já é conhecido pela interação simpática e divertida com os usuários. Em meu tuíte, também falei de uma “previsão”. As pessoas adoram a história de que alguma publicação do passado “previu” o que descobrimos ou desenvolvemos nos dias de hoje. Há vários exemplos disso, alguns mencionados inclusive no texto do Gilmar.

Sendo assim, meu tuíte possui dois elementos: o Netflix e as tais “visões do futuro”. Eu acredito que esses elementos e o fato do tuíte ter chegado até perfis com muito seguidores (que compartilharam meu tuíte), ajudaram em sua viralização.

E tudo isso, claro, é retroalimentado pela histeria (fabricada e/ou exagerada) típica da linguagem de internet. Observem como as pessoas se empolgam com qualquer coisa nova (ou coisa velha travestida de coisa nova). Outro dia vi uma moça explicando como fazer uma refeição usando carne moída (?) e ela estava tão maravilhada que parecia que tinha descoberto a cura de uma grave doença ou um novo asteroide. Os seguidores dela a chamavam de “diva”, diziam “que dica maravilhosa”, etc. Era só uma carne moída refogada! Mas a moça é famosa, seus seguidores são muito jovens e talvez nunca tenham cozinhado. Ou estejam elogiando apenas para receberem a atenção da moça. As vezes eu acho que a histeria transforma qualquer coisa em novidade, mesmo que seja um sentimento coletivo totalmente falso, como a roupa do rei.

Mas você escreveu com a intenção de viralizar?

Não! Eu estava de férias e como disse anteriormente, foi algo que achei interessante e compartilhei. Simples assim. Achei que teria algumas menções e compartilhamentos, mas pensei em algo muito menor (dentro dos círculos de meus próprios seguidores, que não são pessoas famosas). Chegou ao ponto do app do Twitter no meu celular travar devido a tantas menções (até que desabilitei).

Essas reflexões sobre os motivos da viralização vieram depois. Depois inclusive de eu ter observado algumas coisas curiosas sobre as pessoas.

As reações das pessoas

Eu notei alguns comportamentos das pessoas diante desse tuíte viralizado e eu gostaria de comentar. Eu separei as pessoas em algumas categorias:

– Quem achou interessante e simplesmente compartilhou;

– Quem achou interessante, compartilhou e comentou comigo que tinha ou ainda tem o Manual do Professor Pardal. E me agradeceu, porque o livro traz boas recordações (particularmente gostei muito dessa reação, acho bacana quando a internet aproxima);

– Quem compartilhou de maneira histérica: “Meu Deus, olha só que loucura”, “que medo”, “isso é muito Black Mirror”, etc. Eu entendo que muitas vezes a histeria na web é meio que fabricada ou exagerada para reforçar o sentimento de surpresa.

– Os Prof. Girafales de plantão (homens, na esmagadora maioria dos casos): são aqueles que citaram outros tantos serviços de streaming, de maneira super professoral e pedante. Acho que não entenderam que eu mencionei o Netflix exatamente por ser o mais conhecido. Eu sei que alguns não fazem isso por mal, mas acho o comportamento chato (eu me sinto o Pondé toda vez que falo que algo é chato, me ajudem rsrs). Eu até falei sobre os Prof. Girafales em uma pergunta que me fizeram no Curious Cat, pois achei o “fenômeno” muito curioso.

O sucesso desse tuíte teve algum impacto na quantidade de seguidores de meu perfil? 

Muito pouco. Eu tinha cerca de 1100 seguidores antes do tuíte viralizar, agora tenho aproximadamente 1250 seguidores. Não percebi aumento nas visitas do meu blog: eu tive o esperado para a época do ano, período entre Natal e Ano Novo (quando a maioria dos blogs tem menos visitas mesmo).

Nenhum site grande me procurou e o Netflix não me deu assinatura gratuita vitalícia, hahaha.

Em outras palavras, nada mudou na minha vida! Eu apenas achei curioso o fato do tuíte ter viralizado e achei legal ver que as pessoas gostaram do meu tuíte. Eu aprendi algumas coisas com essa experiência, refleti sobre o “funcionamento das redes sociais” e estou aqui produzindo um metaconteúdo. Então valeu bastante a pena.

Números importam?

Eu seria hipócrita se eu dissesse que números não importam, porém eu não gostaria de ter milhões de seguidores, pois eu acho que não conseguiria administrar números tão colossais e não conseguiria administrar as consequências desses números. Eles teriam impacto destrutivo na minha vida. Apesar de claro, pessoas com muitos seguidores ganham dinheiro como consequência disso e isso é bom. Mas eu tenho CERTEZA que elas perdem um pouco da paz.

Eu quero números com qualidade e felizmente eu tenho conquistado isso ao longo desses mais de 7 anos de Meteorópole. O mesmo posso dizer com relação às minhas redes sociais, pois a maioria de minhas interações são bastante positivas e agradáveis.

O que eu tenho feito é ignorar haters (e bloquear se for o caso, se a insistência for grande) e ser gentil com as pessoas em geral. Eu tenho um lema na internet: tratar as pessoas da mesma maneira que eu as trataria se fosse pessoalmente. Não gente, não quero ganhar biscoito com essa declaração um tanto óbvia. Mas preste atenção nas suas interações: elas são exageradas? Você fala com as pessoas, pela internet, da mesma maneira que falaria pessoalmente? Eu realmente levo isso ao pé da letra, para não me frustrar e para não ferir e nem ofender ninguém. Claro que nem sempre a gente acerta, mas juro que sigo tentando.

Eu não gostaria de ter milhões de seguidores porque a quantidade colossal raramente vem acompanhada de qualidade. Vem muito hater no meio de tudo isso. Sem contar que você não consegue administrar suas interações e acaba deixando de responder todo mundo. E sendo famoso ao meu ver o indivíduo acaba ficando meio “perturbado”, pois percebe que sua audiência quer mais e mais e espera uma série de comportamentos e compartilhamentos. Veja o que aconteceu recentemente com a Youtuber do nicho beleza que omitiu uma cirurgia plástica. Eu acredito que ela escondeu essa informação justamente porque é cobrada o tempo todo pelos seus seguidores e a pessoa meio que perde ‘noção da realidade’ e tem um monte de distorções, na minha modesta opinião.

Concluindo

Nunca deseje que um tuíte ou foto sua viralize, pois isso não é necessariamente bom. Você vai soar artificial forçando a barra para que algo que talvez nem aconteça. Foque na qualidade. Produza seu conteúdo com dedicação e responsabilidade e uma hora você vai conquistar uma audiência bacana e que vai inclusive te ajudar e te motivar na produção de conteúdo.

A viralização muitas vezes é um processo meio “caótico” e muito difícil de explicar. Como mencionei no texto, existem elementos que talvez ajudem no aumento da possibilidade da viralização de um tuíte. E é necessário deixar claro que nem tudo que viraliza tem qualidade. Muita porcaria viraliza, vide tanto conteúdo bobo que cai nas graças das pessoas. Além de conteúdo bobo, muita mentira é viralizada de propósito, por pessoas que entendem melhor sobre os mecanismos da internet (usando bots e ciborgues, muitas vezes). Estamos em um ano de eleições e vale tudo nesse jogo sujo rumo ao poder, por isso questione todo tipo de informação que você recebe. Se você não gosta de um determinado candidato porque ele é segue uma ideologia diferente da sua,  não acredite imediatamente nas notícias negativas sobre esse candidato: cuidado com o cherry picking.

E ajude a viralizar o que é belo, engraçado sem ser ofensivo e informativo. Dê sempre preferência a bons conteúdos!