O que é essa Super Lua, Lua azul e Lua Sangrenta da quarta-feira (31/01)?



Cortesia de Pixabay

Na próxima quarta-feira (31/01), nosso maravilhoso satélite natural estará mais deslumbrante do que de costume, pois ao mesmo tempo teremos a ocorrência de três fenômenos: Super Lua, Lua azul e Lua Sangrenta (esse último, apenas se você estiver em alguns lugares do planeta, conforme veremos no texto). Vamos falar sobre cada um desses termos que designam fenômenos relacionados com a Lua.

Super Lua

Eu já falei sobre Super Lua nesse post. E nesse post, falo sobre a controvérsia do termo Super Lua.

Uma Super Lua ocorre quando a Lua está na fase cheia durante um momento de perigeu, ou seja, no ponto de sua órbita em torno da Lua em que o satélite fica ligeiramente mais próximo da Terra do que de costume. Isso acontece porque a órbita da Lua em torno da Terra é uma elipse, embora seja uma elipse com baixa excentricidade (ou seja, é quase um círculo). A Terra está em um dos focos dessa elipse e tem um momento em que a Lua fica mais distante da Terra (apogeu) e há outro momento em que a Lua fica mais próxima da Terra  (perigeu). Se estivermos no perigeu e a fase da Lua for cheia, teremos super Lua.

Se o parágrafo anterior estiver muito simplificado e restarem algumas dúvidas, sugiro que vocês vejam esse post em que há imagens explicando a órbita da Lua em torno da Terra.

Fazendo a subtração entre as distâncias entre a Lua e a Terra no apogeu e no perigeu, temos: 48892m, o que corresponde a uma variação de cerca de 13%. É uma variação que faz com que o tamanho aparente da Lua Cheia varie entre cerca de 0,55° (perigeu) e 0,49° (apogeu) no céu noturno. Falei sobre os cálculos para chegar nesses valores aqui. Não é muito, mas para quem vê a Lua a partir de uma luneta, é a possibilidade de poder enxergar mais detalhes. E se o céu estiver sem nuvens, num local com pouca luz artificial, teremos um espetáculo perfeito para observar.

Circulam muitos boatos malucos por aí sobre a Super Lua, mas ela é simplesmente isso: uma Lua Cheia no perigeu. Leia mais sobre a Super Lua (ou Superlua) nesse texto.

Lua Azul

Também já falamos de Lua Azul aqui no blog, em um post de 2012.

O ciclo da lua dura mais ou menos 1 mês. Isso significa que em cada mês do ano (aproximadamente) temos Lua Crescente, Lua Minguante, Lua Nova e Lua Cheia. A Lua Cheia certamente é a que mais chama a atenção das pessoas, porque é quando podemos contemplar mais detalhes do astro (desde que as nuvens não nos atrapalhem).

Em algumas situações pouco frequentes, temos 2 ‘luas cheias’ em um único mês. Isso ocorre com uma frequência de aproximadamente 1 vez a cada dois ou 3 anos. Quando isso ocorre, damos o nome de Lua Azul para a segunda lua cheia daquele mês.

Eu disse logo acima que o ciclo lunar é de aproximadamente 1 mês. É, mas vamos ser exatos: o ciclo lunar é de 29,5 dias. Como alguns meses possuem 31 dias, é perfeitamente possível que a lua cheia apareça duas vezes. Como fevereiro é um mês com 29 dias, é o único que não pode apresentar uma lua azul.

Os primeiros registros do uso do termo ‘blue moon’ na língua inglesa datam de 1524. Era um panfleto que atacava violentamente o clero inglês, intitulado  “Rede Me and Be Not Wrothe” (“Read me and be not angry”), que em português seria “Leia-me e não fique nervoso”. No panfleto, era dito algo como:  “If they say the moon is belewe / We must believe that it is true” [If they say the moon is blue, we must believe that it is true], que em português significa “Se eles dizem que a lua é azul, devemos acreditar que é verdade”. Uma outra interpretação belewe na verdade pode significar ‘betray’, ou seja, trair. E neste momento de minha pesquisa, eu comecei a dar muitas risadas. Não tem a música do Calypso: “a Lua me traiu/acreditei que era para valer”. Pois é, estou com essa música grudada na cabeça, como proceder?

Para saber mais aspectos históricos do termo “blue moon”, clique aqui.

Ou seja, Lua Azul nada mais é do que uma segunda Lua Cheia em um mesmo mês. A primeira Lua Cheia de janeiro de 2018 foi em 02 de janeiro e agora teremos um presente: mais uma lua cheia, em 31 de janeiro! É por isso que a Lua Cheia do dia 31 de janeiro é chamada de Lua Azul.

Lua Sangrenta

Esse para mim é o nome mais “assustador”. Lua Sangrenta não parece nome de filme de terror? Eu falei sobre Lua Sangrenta nesse post. Dos três termos mencionados Lua Sangrenta é o de mais longa explicação, porque é preciso falar sobre Eclipse Lunar Total. Por isso, para ler a explicação completa veja o post que escrevi apenas sobre esse fenômeno . Aqui eu vou apenas resumir.

Créditos: NASA/Mashable

A Terra deve estar entre o Sol e entre a Lua para ocorra o Eclipse Lunar Total. A luz solar passa pela atmosfera da Terra e é então espalhada pelas moléculas e pelas partículas em suspensão na nossa atmosfera (os aerossóis). A luz é composta por diversos comprimentos de ondas, que formam o espetro eletromagnético. A parte da luz que possui comprimento de onda mais curto (azul, roxo…) é espalhada pelas moléculas que compõe o ar atmosférico e por partículas muito pequenas. Quando a luz passa por uma camada mais longa da atmosfera (como no pôr-do-sol), os comprimentos de onda maiores (laranja, vermelho…) acabam dominando e dessa forma a luz que nossos olhos percebem é correspondente à esses comprimentos de onda, portanto, vermelha. Quando essa luz vermelha atinge a Lua, a luz é refletida e consequentemente a vemos avermelhada. efeito responsável por essa coloração avermelhada é o mesmo que causa o por-do-sol avermelhado. O nome desse processo de espalhamento da luz chama-se Espalhamento Mie.

O Eclipse Lunar de 31 de janeiro de 2018 não será visível no Brasil. Os agraciados serão os moradores da Ásia, Austrália, Oceano Pacífico e oeste América do Norte. Sendo assim, aqui no Brasil teremos apenas Super Lua e Lua Azul no dia 31 de janeiro de 2018.

Concluindo

Embora esses fenômenos tenham nomes “assustadores” ou “exóticos”, acredito que esse post explicou de maneira bastante sucinta a natureza de cada um desses fenômenos. A Lua desperta emoções e desperta manifestações artísticas e eu acredito que devemos nos deixar levar pelo lado bom dessas emoções. Por outro lado, é necessário sempre manter uma postura cética, para não ser enganado por charlatães ou por pessoas que disseminam fake news alarmistas.

Links (além dos já mencionados ao longo do texto)