Qual o futuro de alguém formado em Meteorologia?



 

Cortesia de Pixabay

Nesse post, vou responder mais uma dúvida sobre formação em Meteorologia e sobre o futuro de quem segue essa carreira. O futuro a Deus pertence, já diziam nossas avós, mas a gente pode falar algumas coisinhas.

Antes eu preciso dizer que muitas das perguntas de vocês vão para a minha caixa de spam e eu não sei porque isso acontece. Parece ser meio aleatório, no entanto eu percebi que alguns domínios (como e-mails @outlook.com) parecem que vão para a caixa de spam com mais frequência. Eu estou verificando isso e salvando algumas mensagens do esquecimento da caixa de spam, portanto tenham paciência!

Além disso, esse blog é feito por apenas uma pessoa (euzinha, no caso 😅) e por isso não consigo responder todas as perguntas com rapidez. Profissionalmente, eu não me dedico apenas ao blog. Tenham calma e façam buscas no conteúdo do blog, porque muitas das perguntas que vocês fazem eu respondi em outros posts. É o caso por exemplo da pergunta de hoje, que tem a ver com carreira em Meteorologia. Vocês vão notar que eu vou colocar alguns links para responder essa pergunta, porque muitas das perguntas tem relação com assuntos que já tratei aqui no blog.

Então vamos lá!

Me chamo Adeni, tenho 17 anos, moro em São Paulo e acabei de iniciar o terceiro ano do ensino médio(faço um curso de manutenção e suporte em informatica integrado).
Sou apaixonado por Física desde o primeiro ano do ensino médio e ao longo da minha jornada de auto conhecimento eu descobri um amor intenso pelas nuvens… eu tive uma aula relacionada a formação dos raios e a partir desse momento eu comecei a pesquisar mais e mais até que por fim acabei encontrando o curso de meteorologia… esse por sua vez se mostrou muito interessante pra mim porque reúne duas coisas são alvos do meu amor, carinho e admiração (Física e nuvens).  Contudo, eu sou uma pessoa que nunca está satisfeita e me considero alguém assíduo na busca constante de conhecimento, tenho medo de após ter tido o curso de meteorologia terminado, me tornar alguém estagnado na mesmice de uma rotina de trabalho.
Gostaria de enfatizar que o curso parece ser perfeito pra mim, pois, reúne a Física, as nuvens, o IAG é “próximo” e ainda de quebra eu posso aproveitar todo o conhecimento voltado a informatica e linguagens de programação aprendidos durante o curso efetuado no ensino médio, porém, eu tenho muita vontade de continuar a cursar algo depois de terminar o curso de meteorologia. Caso seja possível, você poderia me informar sobre possíveis caminhos a serem seguidos por alguém que se formou em meteorologia e deseja ter alguma outra graduação.

Adeni, obrigada por sua mensagem simpática e por colocações bem pertinentes. Em primeiro lugar, gostaria de te parabenizar por estar fazendo um curso técnico. Ao meu ver essa é a maneira mais fácil de entrar no mercado de trabalho com uma remuneração melhor, com uma profissão desde cedo. E claro, estudar é sempre engrandecedor. Muitos adolescentes não entendem a importância de se profissionalizar e acabam não fazendo isso e muitos até se arrependem depois e acabam de alguma maneira fazendo cursos profissionalizantes.

Além disso, você tem apenas 17 anos e eu percebo que sua mensagem é muito madura. Eu até me ‘preocupo’ um pouco com isso, por que eu acho que a gente precisa tratar a vida com mais leveza e compreender que certas questões estão fora de nosso alcance ou controle. Por outro lado, eu admiro esse seu jeito de ser e quem dera as pessoas tratassem a vida com mais seriedade. O ponto é conseguir equilibrar essas coisas e isso é bastante difícil mesmo, estou com mais de 30 anos e eu gostaria de ser mais equilibrada em diversos pontos da minha vida.

Um dos questionamentos que você fez que considero bem maduros considerando sua pouca idade é esse de ficar estagnado no trabalho. A estagnação pode acontecer com qualquer profissional, por diversas razões. Muitas vezes a pessoa não tem tempo de estudar (porque os filhos chegam, por exemplo) ou simplesmente não quer estudar porque a situação em que se encontra está “confortável” e é o que geralmente ocorre com pessoas que estão em empregos estáveis.

Sobre essa questão da estagnação, eu acredito que depende muito da pessoa. Eu vou escrever um texto falando um pouco sobre minha experiência pessoal, mas preciso de mais tempo e mais reflexão para isso. O que posso te dizer é que quando você fica muitos anos em uma mesma empresa e percebe que não há chances de ascender na carreira, percebe que sempre realiza as mesmas tarefas e percebe alguns vícios por parte dos colegas, você acaba se sentindo muito frustrado. Mas a gente coloca várias coisas na balanças e as vezes a gente opta pela ‘estagnação’. Mas dá para remediar essa aparente estagnação de algumas maneiras: cursos, participação de projetos no ambiente de trabalho, etc.

É complicado, acredito que quando a estagnação está incomodando muito, é questão de conversar com a chefia para que novos desafios te sejam propostos. E claro, o “estagnado” também pode ir pensando em um plano B. Por isso o que eu digo é: sempre mantenha-se informado, sempre estude (nem que seja um curso curto, de extensão) e pense em possibilidades para você melhorar o seu ambiente de trabalho e a sua maneira de trabalhar.

Você tem uma visão bem inteligente ao perceber como o curso técnico em informática pode te ajudar no Bacharelado em Meteorologia, caso venha a cursá-lo. É verdade, saber programação é todo o diferencial na vida do Meteorologista.

Quando você me pergunta sobre os caminhos que podem ser seguidos por bacharéis em Meteorologia, em primeiro lugar você tem que ler esse texto que escrevi com a colaboração de alguns amigos e colegas que já são formados. Eu acredito que os depoimentos deles vão te auxiliar bastante.

Abaixo, alguns locais onde meteorologistas estão trabalhando:

  • No setor público: monitoramento do tempo e do clima para evitar desastres diversas, instrumentação meteorológica, setor administrativo. Nesse tópico, destacam-se instituições públicas (ou mistas) como USP, INFRAERO, SIMEPAR, SIPAM, CEMTEC, CPTEC-INPE, Forças Armadas, etc. São instituições de diversos Estados e há vagas mediante concurso público, contratação por terceirizada, contratação por período específico através de um projeto de pesquisa (bolsa), etc.
  • Empresas da área de Energia Eólica (empresas privadas). Não vou citar nenhuma aqui, mas tenho colegas trabalhando nessa área. Muitas vezes como PJ ou como consultor, mas há casos de contratação.
  • Empresas da área de Energia Elétrica em geral. A maior parte da energia elétrica brasileira é obtida através de Hidrelétricas e saber se vai chover ou não faz toda a diferença. Há meteorologistas atuando nessa área.
  • Bancos. A base em Programação e Lógica é bastante sólida, tem gente trabalhando em bancos nos departamentos relacionados à investimentos. Sei inclusive de Bacharéis em Meteorologia que fizeram MBA e atuam na área corporativa hoje.
  • Empresas privadas de previsão do tempo. Sim, aquelas que são super conhecidas! Aqui em São Paulo há duas empresas privadas de Meteorologia que fazem previsão do tempo e prestam serviços de consultoria para todo o Brasil.
  • Instrumentação Meteorológica. Quem já tem uma afinidade com eletrônica  e mecânica pode atuar nessa área, sei de profissionais da Meteorologia capacitados que trabalham com isso.
  • Pesquisa Acadêmica: quem segue por esse caminho faz o Mestrado e o Doutorado e realiza pesquisa científica. Escreve artigos, participa de congressos e outros eventos científicos, etc. O difícil de seguir a carreira de cientista é que ela é pouco valorizada no Brasil. Além disso, os resultados chegam muito a longo prazo. É um caminho de persistência e resignação muito grande. Imagine você com mais de 30 anos sem um “emprego convencional” e sendo questionado por parte da família? É muito difícil, mas se você gosta mesmo de estudar vale a pena. Eu falei dessas dificuldades da pesquisa científica nesse post. Ah sim, e se você teme pela estagnação, a pesquisa científica é uma carreira em que as chances de isso acontecer são pequenas. Sempre há novos desafios e há a possibilidade de atuar como cientista no exterior também. Há vários brasileiros, cientistas de várias áreas, atuando em Universidades de diversos países.

Se algum colega chegar até esse post e quiser elencar mais uma possibilidade de local de trabalho, fique a vontade e deixe escrito nos comentários! Se tiver alguma crítica, pode escrever também. Como sempre digo: aceito qualquer crítica, desde que escrita de maneira educada.

Bom, Adeni, eu não tenho como “prever” como as coisas serão (ok, a gente aprende a prever o tempo e o clima 😅😂). O que quero dizer é que não dá para saber se um aluno de Meteorologia do primeiro ano agora em 2018 terá sucesso profissional daqui 4 ou 5 anos.  Depende do esforço pessoal, depende do mercado de trabalho, depende de condições inerentes (família, saúde, etc) e depende até de um pouco de “sorte”. Claro que quanto mais aplicado e focado o aluno for, mais chances terá.

O que eu tenho a te dizer é que de repente pode ser interessante você considerar fazer um Bacharelado em Física (ou até mesmo uma Licenciatura em Física) e depois cursar o Bacharelado em Meteorologia, caso você tenha muitas dúvidas sobre o curso de Meteorologia. Acredito que o curso de Física dá um maior leque de opções. Além disso, se você cursar Física primeiro (principalmente se for o Bacharelado), poderá eliminar várias matérias do Bacharelado em Meteorologia. Como você mencionou seu interesse pelo IAG-USP, eu posso dizer com garantia que os dois primeiros anos do Bacharelado em Física são muito semelhantes aos dois primeiros anos do Bacharelado em Meteorologia (falei sobre isso aqui). E se o seu interesse em Meteorologia for meramente acadêmico (ou seja, você não quer atuar profissionalmente), já pode sair do Bacharelado em Física para o Mestrado em Meteorologia.

Veja, eu estou falando isso apenas porque eu considero que o Bacharelado em Física garante um maior leque de opções! Mas se você já está decidido em cursar Bacharelado em Meteorologia, curse. Você poderá atuar tanto no mercado de trabalho convencional quanto na área acadêmica (para atuar na área acadêmica, deve fazer Mestrado e Doutorado, como mencionei antes).

Ah sim, eu falei sobre essas questões relacionadas com regulamentação e exercício da profissão nesse post. Acho muito importante você ler esse post também até para definir se pretende ser Meteorologista (atuar profissionalmente) ou se pretende ser um pesquisador na área de Meteorologia, pois para ser um pesquisador acadêmico não é necessário ser Bacharel em Meteorologia.

Pensar em todas essas questões que coloquei é importante, até para definir mesmo se você quer e precisa mesmo cursar Bacharelado em Meteorologia (ou até mesmo para decidir se vai cursar um Bacharelado em Física). E não se preocupe, uma vez na Universidade pode ser que você repense todas as suas escolhas. Procure não agir por impulso, mas se você sentir vontade de trocar de curso, troque. O importante é estarmos em paz e sempre focados!

Adeni, espero ter te ajudado. E parabéns por ser tão responsável e criterioso em sua escolha profissional.

E para todos aqueles que assim como o Adeni tem dúvidas sobre cursar o não Meteorologia ou quer saber um pouco mais sobre a profissão, recomendo todos os meus posts sobre o tema. Conversem também com outros Meteorologistas, procurem contatos, façam buscas no Google, etc. Lembrem-se que aqui eu posto coisas que são muito relacionadas com minha experiência profissional e com a experiência profissional de outros colegas próximos a mim. Outros meteorologistas que não conheço poderão ter opiniões distintas ou vivências diferentes e poderão acrescentar muito nessa discussão.