Passeio recomendado em São Paulo-SP: a Pinacoteca do Estado de São Paulo



No final do mês passado passado fui na Pinacoteca do Estado de São Paulo e é um dos passeios que eu recomendo aqui na cidade de São Paulo. Vou contar um pouco para vocês sobre o lugar e sobre minha experiência por lá, contando como foi visitar a Pina com meu filho.

O edifício

O edifício onde fica a Pinacoteca foi construído em 1900, no Jardim da Luz. Foi projetado por Francisco de Paula Ramos de Azevedo e Domiziano Rossi para ser a sede do Liceu de Artes e Ofícios.

Ramos de Azevedo inclusive foi diretor do Liceu de Artes e Ofícios por alguns anos no final do século XIX. A escola ocupou o edifício parcialmente até 1910. A Pinacoteca foi inaugurada em 1905, então por 5 anos o edifício serviu como Museu e como Escola.

O estilo arquitetônico do edifício é o que chamam de arquitetura eclética, um estilo que combina elementos da arquitetura clássicamedievalrenascentistabarroca e neoclássica. Esse estilo marca a “transição” entre o século XIX e início do século XX. Ramos de Azevedo foi provavelmente um dos maiores representantes desse estilo, ao menos aqui no Brasil. Se você é arquiteto ou historiador e deseja complementar mais alguma coisa nesse texto, fique a vontade. Meu conhecimento sobre arquitetura é bem limitado. O edifício passou por uma ampla reforma com projeto do arquiteto Paulo Mendes da Rocha no final da década de 1990.

É considerado o museu mais antigo de arte de São Paulo e é um dos museus mais importantes do país.

O acervo

Além do próprio prédio ser um atrativo, o acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo (ou simplesmente Pina) é muito interessante. Se você não conhece o museu e gostaria de conhecer o acervo, recomendo que conheça através do Google Arts and Culture. Há inclusive um aplicativo do Google Arts and Culture, que é ótimo para você conhecer o acervo de vários museus (de arte, de história natural, etc) e para saber quais exposições estão ocorrendo perto de você.

E sabe aquela mania boba que as pessoas tem de fotografar os quadros no museu? Pois então, completamente desnecessária, já que o Google Arts and Culture (além de outros sites, claro) contam com imagens de alta resolução das obras de arte.

Um de meus pintores brasileiros favoritos, Almeida Júnior, conta com muitas obras expostas na Pinacoteca. O artista usou técnicas do Realismo dentro da temática regionalista, retratando o cotidiano do caipira. Almeida Júnior conhecia muito bem o que estava retratando, pelos detalhes de seus trabalhos é possível perceber a familiaridade com o cotidiano do caipira. O pintor nasceu em Itu em 1850 e morreu em Piracicaba no ano de 1899: ou seja, um legítimo caipira.

Nota: aqui em São Paulo-SP o termo caipira é usado carinhosamente para falar daqueles que nasceram no interior do Estado. Talvez algumas pessoas usem o termo de maneira depreciativa, mas no meu convívio, usamos caipira de maneira positiva.

Almeida Júnior foi financiado pelo Império, uma vez que Dom Pedro II (um apaixonado por artes e por ciências) ficou impressionado com seu talento. Ele ganhou uma bolsa de estudos, viveu em Paris e retornou consagrado para o Brasil.

19 trabalhos de Almeida Junior na Pinacoteca e uma de meus favoritos é Amolação Interrompida (1894), que mostra essa familiaridade e apreço com o cotidiano do homem simples do campo:

Amolação Interrompida. Almeida Júnior (1894). Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo

Outro quadro de Almeida Júnior que chama muito minha atenção é Leitura, de 1892. Substitua o livro por um tablet e ela fica bastante atual.

Leitura. Almeida Junior (1892). Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo

Além de retratar o cotidiano, Almeida Júnior também utilizou a arte sacra como inspiração, porém na Pinacoteca há apenas um quadro com essa temática. É o Estudo para “Fuga da Familia Sacra para o Egito” (1881). Fuga da Família Sacra para o Egito é um daqueles temas clássicos e eu inclusive destaquei um Giotto dentro desse tema nesse post.

Foi através da arte sacra que Almeida Junior começou sua carreira e um de seus incentivadores foi um padre, que viu no rapaz potencial para ser um grande artista.

Estudo para “Fuga da Familia Sacra para o Egito”. Almeida Junior (1881). Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo

Claro que há trabalhos de outros artistas na Pina, mas eu aqui quis destacar um de meus artistas favoritos. Como mencionei anteriormente, aqui você pode conferir todos os trabalhos presentes na Pina.

Até o dia 29 de janeiro, uma exposição que comemora os 120 anos de Di Cavalcanti estava presente na Pina. Visitei a exposição e gostei, achei bacana aprender mais sobre esse artista (embora eu ainda prefira o Realismo, no caso).

Preços e como chegar:

A Pina fica na Praça da Luz e para chegar lá é só descer na Estação Luz da CPTM. Se você está vindo de Metrô, não tem problema: basta seguir as placas indicativas na estação, porque a estação de metrô da Luz é interligada com a estação da CPTM.

A visitação é aberta de quarta a segunda-feira, das 10h00 às 17h30 – com permanência até às 18h00 – os ingressos custam R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia). Crianças com menos de 10 anos e adultos com mais de 60 não pagam. Aos sábados, a entrada é gratuita para todos os visitantes.  [informação obtida no site oficial em 09/02/2018]

Achei o preço do ingresso muito bom e acessível. Acredito que a arte tem que ser para todos, já que todos tem o direito de apreciar lindas obras de arte. E inclusive nessa questão de democratização do acesso à arte, a Pina tem um trabalho educacional muito legal de divulgação das artes, com textos e ações pelas salas que compõe o edifício para que as pessoas possam se educar e compreender que elas podem sim apreciar arte e entender um pouco sobre o assunto. A arte tem que deixar de ser uma coisa vista como algo “elitista”, porque na verdade os museus estão aí para serem visitados e iniciativas como a do Google Arts and Culture existem para que as pessoas possam ainda mais enriquecer suas bagagens culturais.

A Pina fica dentro do Parque da Luz e eu diria que até valeria a pena caminhar pelo parque se não fosse tão perigoso. Pessoalmente eu não recomendo. Dá para caminhar um pouco nas proximidades do edifício Pina, onde há um jardim com algumas esculturas. Entretanto, conforme a gente vai se afastando do edifício da Pina, vai ficando meio perigoso.

Visitando com crianças

A Pina é um dos museus que possui trocador, inclusive no banheiro masculino (conforme é noticiado aqui). Não precisei usar o trocador, então não posso dar mais detalhes para vocês.

Visitar museus com crianças é sempre um desafio. Quando são bebês, fica mais fácil: você coloca em um carrinho ou até mesmo em um sling e eles até dormem. No entanto, quando são maiores eles querem correr, ficam entediados, etc. Eu vejo nesses passeios oportunidades para ensinar um monte de coisas para o meu filho (2 anos e 7 meses), não apenas sobre arte e cultura, mas principalmente sobre como se comportar. Eu tenho algumas convicções e acredito que vale a pena sim levar a criança em passeios assim, porém a gente precisa estar calma, serena e firme para isso dar certo.

Confira aqui outras dicas de passeios com crianças em São Paulo-SP.