Série sobre o Aquecimento Global – Episódio 1



Cortesia de Pixabay

No post de hoje, vou começar uma série sobre o aquecimento global. A previsão inicial é de que essa série tenha 5 episódios, porém ela pode ter infinitos episódios, na verdade. Eu sei, sou uma péssima gestora de projetos.

Feito com o Canva

Eu sei que é um tema que talvez muitos dos meus leitores já estejam cansados de ler a respeito, já que diariamente saem notícias sobre esse tema. A verdade é que é um assunto que deve ser tratado diariamente mesmo e que deve ser tratado sob vários pontos de vista:

– falar do assunto de um jeito “hard science’, ou seja, para realmente explicar o que é aquecimento global e até para aprofundarmos mais nossas discussões sobre Física da Atmosfera;

– falarmos dos efeitos do aquecimento global na sociedade, na vida das crianças e das mulheres, em questões de saúde pública, etc.

Vejam que quando estamos falando de questões relacionadas ao Aquecimento Global, estamos falando de um tema que envolve todas as grandes áreas do conhecimento: ciência, tecnologia, biológicas e humanidades.

O objetivo dessa série de posts é falar em linhas gerais sobre o aquecimento global, para ajudar alunos e professores (que são sempre alunos, na medida que aprendem para ensinar) em suas pesquisas e estudos. Fico satisfeita principalmente quando professores me procuram e dizem que meu material os ajudou a preparar suas aulas, então preparem-se porque essa série vai ser cheia de referências e links, sempre apresentados ao longo do texto.

Gosto de pensar que o Meteorópole pode ser uma porta de entrada para vários assuntos. Quero dizer, apresentando temas aqui em linhas gerais, penso que eles podem ser um ponto de partida para algo muito maior.

A ideia para essa série surgiu a partir de uma participação no TEOLABCAST, quando reparei que enchi meu commonplace book de novas informações. Eu falei mais do que o homem da cândida  (como diria minha amiga Bárbara) no epodcast, mas ainda assim não consegui cobrir todas as  minhas notas. Sendo assim, um subproduto da minha participação no Episódio 5 do TEOLABCAST é essa série. Obrigada, Cedric e Leo! 

Importante: todas as vezes que vocês virem isso {x} significa que esse x é um link. Eu acho essa maneira de colocar referências muito legal e eu copiei essa ideia do lindo blog Hello Lolla, que eu costumava acompanhar com bastante frequência (ainda dou minhas passadinhas por lá). Num passado do blog, a Lolla costumava organizar suas referências ao longo de seus textos dessa maneira. Sendo assim, fiquem atento aos {x}.

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O que é aquecimento global?

O aquecimento global é o que o próprio nome já sugere: elevação das temperaturas médias em todo o planeta.

Nos últimos 50 anos, a temperatura média global tem aumentado a uma taxa nunca antes vista na história e essa tendência parece estar se acelerando nos últimos 20 anos. Dos 16 anos mais quentes dos últimos 134 anos, 15 ocorreram após os anos 2000 {x}.

Os negadores do aquecimento global (muitas vezes chamados de negacionistas) argumentam que ocorreu uma pausa ou diminuição na taxa de aquecimento. Entretanto, um recente estudo envolvendo pesquisadores da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) e outros órgãos publicado na Science em 2015 mostram o contrário {x}.

Esse artigo da Science discute que análises anteriores das tendências de temperatura da primeira década do século XXI estavam indicando essa pausa, porém usando dados atualizados de temperatura da superfície e fazendo as devidas correções instrumentais relacionadas aos novos sistemas de medição, verificou-se que não há uma pausa.

O conhecimento é como uma grande catedral cuja construção não tem fim. Temos os alicerces, mas sempre há as modificações, melhorias ou detalhes que precisamos nos ater. Reformas também precisam ser feitas vez ou outra, até nos alicerces. Para um artigo científico ser publicado, ele precisa ser revisado por pares que aceitarão ou não o artigo. Melhorias poderão ser sugeridas para que seja submetido novamente e um artigo pode até ser completamente negado. No entanto, a produção do conhecimento não se encerra com a publicação daquele artigo. O conteúdo do artigo pode ser questionado por outros pesquisadores, que poderão tentar reproduzir aqueles resultados e com essa verificação inclusive novas produções científicas poderão ser criadas. Os próprios autores originais do artigo poderão chegar a novas conclusões em outras fases do projeto de pesquisa, usando outros equipamentos, outros métodos, etc. Sendo assim, é perfeitamente normal que até pouco tempo atrás os pesquisadores pensassem que havia uma pausa no aquecimento, porque era o conhecimento que se tinha até aquele momento.

Causas do Aquecimento Global

Antes de mais nada, é preciso deixar claro aqui como a nossa atmosfera se aquece. E aqui me refiro especialmente à troposfera, que é a primeira camada da atmosfera e é onde ocorre quase que a totalidade dos fenômenos meteorológicos.

Os raios solares são absorvidos pela superfície da Terra. A superfície da Terra então se aquece e o calor emitido pela superfície da Terra aquece a atmosfera. Parte do calor emitido pela superfície da Terra (que também chamamos de radiação infra-vermelha) é emitido para o espaço, porém moléculas de dióxido de carbono (CO2), por exemplo, podem absorver parte desse calor e “aprisioná-lo” na atmosfera.

Fonte: UCAR

Na animação acima, temos uma molécula de CO2 absorvendo um fóton infravermelho que chega até ela (cor amarela) e a energia desse fóton faz com que a molécula de CO2 vibre. Em seguida, a molécula “devolve” essa energia ao emitir outro fóton no espectro do infravermelho{x}.

Essa habilidade de absorver e re-emitir radiação infravermelha é o que faz o CO2 um importante gás do efeito estufa. Não são todas as moléculas que tem essa habilidade. Outros gases que compõe a atmosfera, como o Nitrogênio (N2) e o Oxigênio (O2) – e são responsáveis por mais de 90% do total da atmosfera – não absorvem fótons de infravermelho. Uma molécula pode ter ou não a capacidade de absorver radiação no infravermelho dependendo da forma como vibra e o CO2 vibra na forma ideal para isso ocorrer {x}.

Vejam que no parágrafo anterior eu mencionei o efeito estufa. O efeito estufa é importantíssimo para o nosso planeta. Sem os gases de efeito estufa, nosso planeta seria uma enorme bola de gelo {x}. Podemos chamar esse efeito estufa de efeito estufa natural, se assim preferirem e sem ele, a temperatura média da Terra seria cerca de -18°C ao invés dos 15°C que temos em média (lembre-se, considerando a Terra toda). {x}

Um importante gás responsável por esse efeito estufa natural é o vapor d’água. Além do vapor d’água, outros gases de efeito estufa também são emitidos naturalmente (como o metano – CH4, que é emitido quando há decomposição da matéria orgânica, por exemplo) {x}. Sendo assim, temos como bons exemplos de gases de efeito estufa: o vapor d’água (H2O), o metano (CH4), o óxido de nitrogênio (N2O) e o ozônio (O3). Ocorre que nos últimos anos os gases de efeito estufa (principalmente o CO2) oriundos de atividades humanas (queima de combustíveis fósseis, principalmente) começaram a aquecer a atmosfera a uma taxa mais rápida, desbalançando o clima do planeta.

Nos EUA, por exemplo, a queima de combustíveis fósseis para gerar energia elétrica (termoelétricas) e as emissões relacionadas com os meios de transporte são as maiores fontes de CO2. No Brasil, os campeões de emissão são a agropecuária e a mudança do uso do solo (desmatamento){x}.

A alternativa é portanto reduzir essas emissões, modificando a matriz energética e propondo alternativas aos combustíveis fósseis. Muitos países desenvolvidos tem conseguido fazer essas reduções, porém o desafio para ser maior para os países em desenvolvimento, que ainda não possuem uma indústria própria totalmente desenvolvida  e em alguns casos possuem legislações ambientais deficientes.

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Esse é o fim do episódio 1. Se tiverem dúvidas ou sugestões, escrevam na caixa de comentários. Espero conseguir colocar todas as ideias que escrevi no meu caderninho sobre esse tema aqui no blog.

Indicação de livro

O Meteorópole é afiliado da Oficina de Textos, uma editora séria que reconhecidamente possui livros de qualidade em português para diversas áreas do conhecimento. Um livro super recomendado para quem está iniciando seus estudos em Meteorologia é Meteorologia: noções básicas, que conta com um time de autores excelentes (Rita Yuri Ynoue, Michelle S. Reboita, Tércio Ambrizzi, Gyrlene A. M. da Silva), todos professores de cursos de Meteorologia de diversas regiões do Brasil.

Hoje, o jornal em qualquer mídia apresenta e explica a dinâmica meteorológica. Embora façam parte de um sistema complexo, os fenômenos meteorológicos são apresentados nesta obra de forma simples e didática, desde os conceitos básicos de composição e estrutura da atmosfera até a previsão do tempo e do clima e as mudanças climáticas. {x}

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Algumas referências adicionais