O Dia Meteorológico Mundial está chegando



O Dia Meteorológico Mundial (23 de Março) é uma data comemorada internacionalmente por Universidades, Institutos de Pesquisa e Empresas que tenham alguma relação com Meteorologia.

Desde que comecei o blog, em quase todos os anos eu fiz um post especial falando da data e do tema escolhido para cada um dos anos. Veja aqui o post de 2017, onde também falo dos posts dos outros anos.

A Organização Meteorológica Mundial (World Meteorological Organization) é quem propõe o tema que será discutido na data. Em cada ano, temos um tema diferente e para 2018 o tema é  Weather-ready, climate-smart (Prontos para o tempo, preparados para o clima). A ideia ao meu ver é que devemos estar prontos para o tempo (condições meteorológicas do instante atual), já que o tempo pode mudar a qualquer momento. Pode ocorrer uma tempestade intensa de final de tarde que poderá ser um grande desafio para uma cidade, por exemplo, ou um tornado que pode destruir um vilarejo e essas coisas acontecem em curtíssimo prazo, de uma hora para a outra. Entretanto, o fato de o fenômeno ser rápido não significa que é totalmente imprevisível, já que os resultados do processo de previsão do tempo estão disponíveis para auxiliar na tomada de decisões rápidas e certeiras. Além de estarmos preparados para as mudanças no tempo (condições meteorológicas), temos que estar preparados para as mudanças climáticas. Os climas da Terra estão mudando em decorrência do Aquecimento Global e além de precisarmos tomar ações efetivas que visem mudar nossa forma de produzir e consumir, temos também que pensar em ações de mitigação a longo prazo.

Eu acredito que aqui cabe mais uma vez falar da diferença entre tempo e clima. Se você ainda não sabe a diferença entre essas duas palavras no contexto meteorológico ou ainda tem dúvidas, veja os seguintes posts:

O entendimento a respeito desses dois conceitos ajudará a entender melhor a importância do tema escolhido.

De acordo com o anúncio oficial da Organização Meteorológica Mundial (OMM) (a tradução é minha):

A população mundial cada vez maior enfrenta uma grande variedade de riscos, tais como os efeitos dos furacões, chuvas intensas, ondas de calor, secas e muito mais. Mudanças climáticas de longo prazo aumentam a intensidade e a freqüência de eventos extremos do ponto de vista do tempo e do clima, eventos esses que provocam o aumento do nível do mar e a acidificação dos oceanos.  A urbanização e a disseminação das megacidades fazem com que estejamos cada vez mais expostos e vulneráveis. Agora, mais do que nunca, precisamos estar Prontos para o tempo, preparados para o clima  (Weather-ready, climate-smart).

É por isso que uma das principais prioridades da WMO (OMM) e dos Serviços Meteorológicos e Hidrológicos Nacionais – National Meteorological and Hydrological Services (NMHSs) – é proteger as vidas, os meios de subsistência e a propriedade dos riscos relacionados aos eventos meteorológicos, climáticos e hidrológicos. Assim, a OMM e os seus membros apoiam a agenda global sobre desenvolvimento sustentável, adaptação às alterações climáticas e redução do risco de desastres.

A OMM e os Serviços Meteorológicos Nacionais projetam serviços operacionais que vão desde as previsões meteorológicas diárias até as previsões climáticas de longo prazo que ajudam a sociedade a estar Pronta para o tempo, preparada para o clima  (Weather-ready, climate-smart). Outros serviços hidrológicos nacionais são essenciais para o bom gerenciamento de recursos de água doce para agricultura, indústria, energia e consumo humano, para que possamos ser inteligentes com o uso desse recurso. Esses serviços nos permitem administrar os riscos e aproveitar as oportunidades relacionadas ao tempo, clima e água.

Os sistemas de alerta precoce e outras medidas de redução de risco de desastres são vitais para aumentar a resiliência de nossas comunidades. Os serviços climáticos podem informar as decisões de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. O monitoramento hidrológico aumenta nossa compreensão do ciclo da água e, portanto, apoia a gestão da água.

A página oficial do Dia Meteorológico Mundial em 2018 é essa. No discurso acima, fica claro que a OMM está se apoiando no tripé tempo-clima-água. Tanto que para o evento deste ano eles criaram um link para cada um desses elementos do tripé:

O recado é muito claro: temos que agir com inteligência diante do que já temos como resultado das mudanças climáticas. Temos que repensar nossa maneira de produzir e de consumir, pensando num uso inteligente dos recursos hídricos.

O problema da escassez hídrica também é um objeto de estudo do meteorologista, ainda mais agora que com as mudanças climáticas, os regimes de precipitação em diversos locais tem se alterado. São os meteorologistas que estudam uma parte importante do ciclo hidrológico, que é a precipitação. A recarga dos reservatórios depende da precipitação e mais do que nunca nossa profissão tornou-se importante, uma vez que com cidades cada vez maiores, cada vez maior o consumo de água.

Em agosto de 2016 escrevi um post discutindo alterações no regime de chuvas em São Paulo-SP. Usei dados da Estação Meteorológica do IAG-USP para fazer o gráfico abaixo:

O gráfico apresenta os totais anuais de precipitação em São Paulo-SP de 1933 até 2015 na Estação Meteorológica do IAG-USP, localizada no bairro da Água Funda, em São Paulo-SP.

Notamos no gráfico alguns “sobes e desces”, ou seja, há variações entre um ano e outro (anos mais secos e anos mais chuvosos). Apesar dessas variações inter-anuais, há uma tendência do aumento da precipitação anual, mostrado pela linha de tendência (na cor preta), que indica uma tendência linear de aumento de precipitação anual.

É importante notar também no gráfico acima que essa flutuação inter-anual aumentou nas últimas décadas. Ou seja, temos experimentado mais extremos nas últimas décadas em relação ao início da série de dados, com anos extremamente secos e anos extremamente chuvosos.

De uma maneira bem sumarizada, acho que podemos dizer que o clima antes era mais “previsível”, ou seja, possuía variabilidades menores. Hoje as variabilidades são maiores, o que significa que precisamos de ferramentas cada vez melhores para podermos tomar nossas decisões. E além dessas variabilidades maiores, as cidades incharam (mais gente para consumir água), destruímos e poluímos muitos cursos d’água (em São Paulo, vários rios estão totalmente poluídos e tantos outros além de poluídos tornaram-se subterrâneos com a construção de avenidas e outras alterações no espaço físico). Em outras palavras, temos enormes desafios no assunto gestão da água e o Meteorologista é um importante profissional nessas discussões.

Ao longo da semana trarei mais assuntos relacionados com o tema Prontos para o tempo, preparados para o clima  (Weather-ready, climate-smart). 

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