Nem tudo é feito para você, aceite.



Faz algum tempo que não escrevo minhas reflexões por aqui. Há fases em que me concentro mais em temas de divulgação científica. Porém há momentos em que gosto de compartilhar por aqui também minhas opiniões ou minha visão sobre algum tema cotidiano. Uso como base minha experiência: sou uma profissional de Meteorologia, trabalho fora de casa, sou uma mulher de mais de 35 anos, casada e mãe de um menino de quase 3 anos. Essa minha pequena e limitada biografia é para que vocês possam entender um pouco mais sobre as bases de minhas opiniões.

Enfim, sem mais delongas, vamos direto ao tema de hoje.

Cortesia de Pixabay

Eu estava procurando alguns vídeos no Youtube, quando o próprio site me indicou um vídeo com muitos views de uma moça em que ela fazia um tour pelo seu próprio corpo, mostrando cada detalhe de seu corpo (cada “defeito”, cada particularidade, etc). Não assisti ao vídeo, mas depois eu entendi que o vídeo era na verdade uma tag e vários produtores de conteúdo produziram materiais semelhantes. A ideia principal, pelo o que pude entender, era falar sobre a aceitação do próprio corpo e sobre a diversidade corporal. Ao ver as thumbs dos vídeos relacionados, percebi que se desenrolou uma polêmica desproporcional, pois houve quem gravasse videos criticando a tag e aqueles que participaram dela.

Esse acontecimento totalmente banal (banal para mim, quero dizer), me fez mais uma vez concluir algo: nem tudo é feito para você, aceite isso.

Hoje temos acesso a volumes absurdos de informação. Eu abro meu perfil no Twitter (citando o exemplo de uma rede social onde sou bem ativa) e vejo diversos links, comentários e informações. Por mais que eu me identifique com as pessoas que eu acompanho, é evidente que eu não me importo ou me interesso por todos os conteúdos que essas pessoas compartilham. Quando o assunto ao meu ver é muito chato (como o reality show Big Brother Brasil, por exemplo), eu simplesmente dou mute nas hashtags referentes ao assunto. Há diversas pessoas que eu gosto de acompanhar, porém comentam sobre esse programa de TV que eu não gosto e é por isso que o recurso muted words do Twitter é tão bacana, já que não preciso deixar de acompanhar essas pessoas.

Eu poderia ficar simplesmente reclamando do Big Brother na minha timeline, sendo extremamente chata e reclamando das preferências pessoais dos outros de um modo geral. Só que fazendo isso eu seria apenas chata e não alcançaria objetivo nenhum. Sendo assim, quando o assunto é Big Brother (ou qualquer outro assunto que igualmente não me interesse), eu simplesmente prefiro apenas não participar da conversa.

O que percebo, no entanto, é que com esse grande volume de informação chegando até nós a todo momento, muitas vezes a gente se sente “obrigado” a comentar tudo, a ter opinião sobre tudo, a participar de tudo e a fazer tudo o que os outros fazem. No meio dessa confusão, a gente acaba perdendo nossa própria identidade e gastando energia desnecessariamente. E apenas hoje eu consegui perceber que lá pelos idos de 2012-2013 eu estava agindo assim e acho que eu já nem sabia quem eu era e isso me sufocou na época.

Ok, todo mundo passa por esse momento de crise de autoconhecimento e de busca por uma identidade. Mas talvez esse volume gigantesco de informações tem ajudado essas crises a serem ainda mais “profundas”, digamos assim. Pelo menos é a minha opinião, baseando-me na minha experiência.

Se os assuntos não nos interessam, não deveríamos simplesmente sair pela tangente? Se está todo mundo na sua timeline falando sobre a mesma coisa (e o muted words não é suficiente), talvez não seja o momento de sair da rede social e fazer outra coisa?

Um exemplo que me ocorre agora é a Copa do Mundo, que se aproxima. Há quem realmente não se interesse muito por futebol e até tenha uma raivinha, considere o assunto um pet peeve. Se esse for o seu caso, durante os jogos, evite as redes sociais. Aproveite a situação como uma oportunidade para se desconectar e fazer outras coisas: ler um livro, acompanhar a série atrasada, visitar um amigo que também não gosta de futebol, passear pela praça, etc. Não gaste sua energia reclamando, não faz sentido.

Não vejo sentido em gravar e editar um vídeo falando mal de uma tag específica ou criticando o fato de os outros se identificarem com essa tag. Ainda nesse exemplo, se não é para você, não faça a tag e não acompanhe quem fez a tag.  Ninguém é obrigado a comentar o assunto do momento, seja ele qual for.

Deixar certos assuntos de lado e sair pela tangente quando necessário para mim é sinônimo de uma vida mais leve e também e eu considero até algo minimalista. Comente apenas sobre aquilo que te interessa ou que você pode contribuir com sua expertise (e se você realmente quiser comentar, claro).

Já percebeu que a gente se envolve em tretas imaginárias ou tretas sem sentido quando faz certos comentários? Quem gosta do assunto se ofende, vira aquela ridícula troca de farpas sobre algo banal, etc. O negócio todo realmente vira um monstro, a tal tempestade num copo d’água.

Deixe os moinhos de vento para a literatura.

— Valha-me Deus! — exclamou Sancho. — Não lhe disse eu a Vossa Mercê que reparasse no que fazia, que não eram senão moinhos de vento, e que só o podia desconhecer quem dentro na cabeça tivesse outros?
— Cala a boca, amigo Sancho — respondeu D. Quixote —; as coisas da guerra são de todas as mais sujeitas a contínuas mudanças; o que eu mais creio, e deve ser verdade, é que aquele sábio Frestão, que me roubou o aposento e os livros, transformou estes gigantes em moinhos, para me falsear a glória de os vencer, tamanha é a inimizade que me tem; mas ao cabo das contas, pouco lhe hão-de valer as suas más artes contra a bondade da minha espada.

Don Quijote de la Mancha,  Miguel de Cervantes.

Falando em Meteorologia…

Apesar do post de hoje não ter nada a ver com Meteorologia, eu mencionei o Twitter. E lá no Twitter eu tenho uma thread que está ficando bastante famosa.  A cada like eu pretendo postar um fenômeno atmosférico.

Ou seja, eu dou um jeito de falar sobre Meteorologia em tudo 😂☔☁⛈!!!

Eu já tinha falado sobre essa thread em um post recente, mas acredito que vale a pena repetir. Sei que muitos leitores chegam até meu blog através dos mecanismos de busca, então saibam que podem interagir comigo através do Twitter também.

Vou ser realista: talvez eu não consiga postar um fenômeno atmosférico para cada like, porque o tweet fez mais sucesso do que eu poderia imaginar. Só que é bacana ver o engajamento e o feedback das pessoas, que me mandam sugestões, compartilham e dizem que estão apreciando as nuvens após minhas publicações e explicações. Sem dúvida, a quantidade de likes me desafia a postar cada vez mais!