Dados de emissão de CO2 por país



Cortesia de Pixabay

No último post que escrevi para a série sobre Aquecimento Global (veja aqui), falei sobre as emissões de CO2 por país. Como é um assunto muito procurado e percebo que tem pouco material em português sobre o assunto (quando a gente compara com material em inglês), resolvi compartilhar aqui algumas informações.

Usando dados de 2014 do CDIAC (Carbon Dioxide Information Analysis Center) e disponíveis nesse link (onde há informações sobre os autores), vamos  falar das emissões por país e das emissões per capita (por indivíduo).

Emissões por país

As emissões por país estão disponibilizadas nesse link e trata-se do ranking dos países em emissões totais de CO2 (dados de 2014, conforme mencionado) por queima de combustíveis fósseis, produção de cimento e queima de gás. As emissões (CO2_TOT) são expressas em mil toneladas métricas de carbono. Do ranking, selecionei os 20 primeiros países (ou seja, os 20 que mais emitem) e fiz o gráfico abaixo:

Conforme já tinha mencionado aqui, a China é o país que mais emite (e possui 1/6 da população mundial). Já os EUA estão no segundo lugar e contam com apenas 4% da população mundial.

(…) o que sempre faz suscitar a seguinte pergunta em discussões sobre mudanças climáticas: o que seria do planeta se todos decidissem consumir como os norte-americanos? Sem dúvida, seria uma catástrofe. E se formos pensar na influência cultural que os EUA exercem em vários países em desenvolvimento, certamente muitas pessoas em outros países almejam consumir da mesma maneira {x}.

Emissões per capita

Vamos agora falar das emissões por habitante (per capita) e falar disso faz toda diferença. Conforme veremos, há países que são bem pouco habitados e até pouco conhecidos, porém possuem alta taxa de emissões de carbono por habitante. Eu separei os 20 países que mais emitem (per capita) e a lista é muito interessante, com países pouco conhecidos aparecendo nela.

Olha que interessante: em 2007, a Australia aparecia no topo da lista de emissões per capita. Aparentemente, as usinas termoelétricas australianas não eram tão eficientes, além de emissões associadas aos transportes. O país fez um plano de redução de emissões com um alvo  ambicioso: reduzir em 30% suas emissões até 2030. Ao sair do primeiro lugar da lista de emissões per capita em 2007 (quando a Austrália emitia 10 tonadas de carbono per capita) e ao chegar no décimo quinto lugar da lista em 2014 (figura acima, com  pouco mais de 4 toneladas de carbono per capita), podemos notar que o Governo Australiano está conseguindo sucesso na redução das emissões. Quem sabe as iniciativas do governo australiano não poderiam inspirar outros países.

As ações para a redução da emissão de gases de efeito estufa muitas vezes partem das próprias pessoas, que repensam sua maneira de consumir e de se deslocar. Entretanto, iniciativas globais precisam ser tomadas, porque não são todas as pessoas que tem uma consciência ambiental. Interesses de corporações (lucro e poder) além de interesses que envolvem a soberania de um país acabam atropelando o meio ambiente. E nesse contexto que entra o Acordo de Paris, que tem como objetivo:

O Acordo de Paris foi aprovado pelos 195 países Parte da UNFCCC para reduzir emissões de gases de efeito estufa (GEE) no contexto do desenvolvimento sustentável. O compromisso ocorre no sentido de manter o aumento da temperatura média global em bem menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais e de envidar esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. {x}

Ou seja, a ideia é chamar todos os países para agirem juntos e num cenário ideal, todos os países poderiam se ajudar e compartilhar as iniciativas que estão dando certo.

Faça sua parte. Informe-se sobre o tema e se você é educador, informe seus alunos. Além de fazer sua própria parte e atuar como exemplo e liderança local, vote também em políticos que se comprometam com o meio ambiente e possuam propostas para ações efetivas em suas agendas políticas.

 

Bibliografia Adicional:

 

Dica de livro

Agora vou falar de um livro em português que é super recomendado para quem está iniciando seus estudos em Meteorologia. Meteorologia: noções básicas conta com um time de autores excelentes (Rita Yuri Ynoue, Michelle S. Reboita, Tércio Ambrizzi, Gyrlene A. M. da Silva), todos professores de cursos de Meteorologia de diversas regiões do Brasil.

Hoje, o jornal em qualquer mídia apresenta e explica a dinâmica meteorológica. Embora façam parte de um sistema complexo, os fenômenos meteorológicos são apresentados nesta obra de forma simples e didática, desde os conceitos básicos de composição e estrutura da atmosfera até a previsão do tempo e do clima e as mudanças climáticas. {x}

O livro trata de conceitos básicos de Meteorologia em diversas áreas dessa ciência. É o melhor livro de Meteorologia básica em português da atualidade e conta com um capítulo sobre Mudanças Climáticas muito bem escrito e com informações essenciais para auxiliar na elaboração de suas aulas ou para ser o ponto de partida de sua pesquisa. Por isso vale muito a pena comprá-lo.