O excesso de informação e a locomotiva descontrolada



Cortesia de Pixabay

Como muitos de meus leitores sabem, sempre estou lá no Twitter. Sou uma usuária dessa rede social desde 2009 e gosto bastante do burburinho, da troca de informações, das várias “rodinhas de conversa” que podemos participar simultaneamente. Esse fim de semana passei a questionar o tempo que passo nessa rede social e minha relação com esse excesso de informação.

Entendam, não vou falar mal do Twitter ou dos usuários do Twitter nesse post. Eu apenas quero mostrar uma face de minha relação com essa rede social que ao meu ver está me prejudicando.

Já não é algo atual: eu venho questionando o excesso de informação, ou seja, a quantidade de informação que consumimos mesmo sem ir atrás dela. Eu não me interesso por esse tipo de estilo de vida ou por reality shows, porém sei quem são as Kardashians. Eu não procuro essa informação, mas pessoas que conheço gostam desse tipo de programa, compartilham notícias e memes a respeito e eu acabo sabendo por tabela. Vejam, não quero determinar o que meus contatos, amigos e colegas devem gostar. O que quero dizer é que acabo sabendo de coisas que não me interessam porque a vida é assim hoje em dia.

Bom, esse fim de semana eu abri meu Twitter em um determinado momento e vi uma notícia que me deu nojo e que prefiro nem comentar para não expor o caso. Sei que a maldade humana sempre existiu, sei que não devemos confiar em ninguém, enfim, nada novo debaixo do Sol. Mas ler aquela notícia me fez perder a fé na humanidade mais uma vez, justamente porque sei que não foi nada de diferente e mal infelizmente nos ronda.

Eu saí do Twitter imediatamente, enojada. Não entrei mais na rede social após ter lido a notícia. Enquanto escrevia esse texto, havia uma aba do Twitter aberta em meu navegador. Fechei, não quero mais saber por hoje. Só vou entrar lá para postar o link desse texto quando eu tiver concluído a escrita.

Quando eu consumo informação sobre um tema que gosto, é como beber água em um dia bem quente e seco. Quando começo a ler sobre História, Astronomia ou sobre Nefologia, por exemplo, eu quero ler mais e mais. E o “esgotamento” da pesquisa ocorre naturalmente, em decorrência das obrigações da vida (cuidar da casa, passar um tempo com meu filho, etc). Em outras palavras, é prazeroso pesquisar voluntariamente sobre um tema de meu interesse. Por outro lado, observo que quando a informação simplesmente chega na minha frente (como os centenas de links ou mensagens que compartilham no Twitter), eu começo a me sentir mal, sobrecarregada e eu não quero mais essa sensação.

Vejam, não estou falando mal da rede social. Para mim, é a que ainda melhor respeita os links e permite que produtores de conteúdo tornem-se conhecidos, possibilitando a visibilidade de seus trabalhos. No entanto, estou repensando meu tempo gasto nessa rede social e minha relação com as informações compartilhadas por lá.

A Fabiana Bertotti, mulher que muito admiro, gravou um vídeo que tocou meu coração onde ela fala que precisamos parar. Nossa vida está cheia de excessos: coisas, pessoas (olha a quantidade de contatos nas suas redes sociais) e informação. Esse vídeo talvez tenha sido o start para a reflexão que apresento aqui. Eu devo ter assistindo esse vídeo há alguns dias e fiquei um bom tempo pensando nele. E hoje pela manhã, minha amiga Jaqueline (que é a responsável pelo design e pela hospedagem do Meteorópole – conheça o trabalho dela aqui) compartilhou esse texto que fala sobre os excessos na vida das crianças. Bom, como mãe, não posso deixar de pensar no exemplo que estou mostrando para o meu filho e fazendo uma auto-análise muito sincera, percebo que estou indo bem em alguns pontos, porém errando bastante em outros e um deles talvez seja esse exagero de informação e ‘vida digital’. Meu filho ainda não completou 3 anos, ainda há tempo de corrigir isso e proporcionar a ele um estilo de vida mais leve e mais tranquilo. Quero ensinar meu filho a viver, apreciar um pôr do Sol, observar uma plantinha diferente, jogar bolinha de gude e refletir sobre tudo aquilo que aprendeu durante o dia para que quando adulto, ele possa pensar de maneira crítica sobre a vida e refletir bastante antes de emitir qualquer opinião, sem ter pressa de “dar a opinião primeiro”.

Acho importante, sempre que possível, pararmos por um momento para refletirmos a respeito de nossa vida. Repensar a nossa maneira de viver, para sermos pessoas mais leves e tranquilas. Eu tenho um histórico de viver a vida como se ela fosse um trem descontrolado e penso que vivi assim por muitos anos de minha vida, até por ter recebido exemplos negativos nesse sentido ao longo de toda minha existência. Minha vida tem que ser um trem mais tranquilo e estou me esforçando para isso. Um trem confortável, que pára nas estações para que pessoas e bagagens possam descer e para que eu possa receber pessoas e bagagens novas. Que vez ou outra vá para a manutenção e para a garagem, para ser cuidado e limpo. É isso o que quero para minha vida e é um propósito que estabeleci bem no começo do ano:

 

Why now should I deny
The only true thing left inside me
Hurry home
No more running

Hurry home – A-ha