A Atmosfera

NASA: um ano na vida do CO2 da Terra

Posted by on 25-nov-2014 in A Atmosfera, Blog, Imagens de Satélite, Mudanças Climáticas | 0 comments

O vídeo acima é narrado por Bill Butman, um dos cientistas do clima no NASA’s Goddard Space Flight Center. O que vemos é uma simulação dos níveis de CO2 na atmosfera da Terra a longo de um ano. Um ano de dados, “comprimido” em alguns minutos.

O CO2 é o gás de efeito estufa mais importante, porque é o que nós liberamos em maior quantidade em nossas atividades (transporte, agricultura, queimadas, indústrias, geração de energia, etc). Metade do C02 emitido pela queima de combustíveis fósseis fica retido na atmosfera, enquanto a outra metade é absorvida pelas plantas e reservatórios no oceano. Ah sim, e os oceanos estão ficando cada vez mais ácidos por isso (veja aqui), afetando todo o ecossistema marinho.

Bem no começo do vídeo, por volta de 36s, podemos notar que as maiores concentrações de CO2 estão localizadas na América do Norte, Europa e Ásia. O gás não fica sempre no mesmo lugar: sua dispersão é controlada por padrões de circulação de grande escala (falei um pouco dos padrões de circulação de grande escala nesse post).

Durante a primavera e o verão do Hemisfério Norte (1min02s), as plantas absorvem uma enorme quantidade de CO2 através da fotossíntese, removendo parte do CO2 da atmosfera. Na animação, é possível ver que o vermelho clareando, mostrando exatamente essa absorção. Enquanto isso, é possível observar a emissão de outro poluente no Hemisfério Sul: o CO. O monóxido de carbono é prejudicial ao ambiente e a saúde humana. Durante o verão no Hemisfério Sul, plumas de CO são emitidas principalmente devido a queimadas (1min42s). Essas emissões também são transportadas pelo vento de escala global.

Quando chega o outono lá no Hemisfério Norte, as folhas das árvores caem e a fotossíntese diminui. Dessa forma, o CO2 vai se acumulando na atmosfera. Claro que esse é um processo normal, mas as observações e as simulações tem corroborado que mais e mais CO2 tem se acumulado na atmosfera. O CO2 é um gás de efeito estufa: ele absorve radiação de onda longa (infravermelho), emitida pela superfície da Terra. Dessa maneira, o acúmulo de CO2 na atmosfera tem contribuído para o aumento na temperatura média global.

Um satélite chamado OCO-2 (Orbiting Carbon Observatory-2) é a primeira missão de satélites da NASA com o objetivo de visualizar o CO2 globalmente. Ele foi lançado em Julho deste ano. A expectativa é que este satélite e modelos atmosféricos como o GEOS-5 (usado para essa animação), trabalharão em conjunto para que haja um melhor intendimento das emissões naturais e antropogênicas de CO2. Com boas observações, é possível realizar melhores simulações da atmosfera. Dessa forma, melhores previsões do clima poderão ser elaboradas e os tomadores de decisão terão mais informações e mais ferramentas para mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

O vídeo é parte de uma simulação entre o período de Maio de 2005 e Junho de 2007. Como o objetivo era narrar um ano, usou-se o ano de 2006 (no “meio” da simulação). Em modelos meteorológicos, é comum utilizar a informação “do meio”, já que no comecinho da simulação o modelo meteorológico ainda está se ajustando às condições iniciais fornecidas. Essa simulação do GEOS-5 tem até um nome: “Nature Run”. Os dados são fornecidos para a comunidade científica, para que possam ser analisados e discutidos por cientistas do mundo inteiro que tem afinidade e conhecimento na área. Falo essas coisas porque infelizmente há pessoas que não compreendem como a ciência é feita. Muitos acham que simulações assim são “dados secretos”. Na verdade, para uma pesquisa científica ser validada e ganhar crédito, precisa ser compartilhada por meio de artigos científicos, conferências e convênios entre instituições.

A “Nature Run” também simulou os ventos, nuvens, vapor d’água, aerossóis (poeira, black carbon, sal marinho, emissões da indústria e dos vulcões). A resolução dessa simulação é cerca de 64 vezes maior que as que são utilizadas normalmente em modelos climáticos. Enquanto simulações de modelos climáticos possuem uma grade de 50km, a Nature Run foi feita com uma grade de 7km. Ou seja, é muito dado! São quase 4 petabytes de dados e a simulação demorou 75 dias para ser completa.

Devemos lembrar que no primeiro semestre de 2014 (primavera lá no Hemisfério Norte), pela primeira vez na história moderna, o CO2 atmosférico ultrapassou a marca de 400 partes por milhão. Atualmente, está por volta de 398 ppm. Se você quiser acompanhar as medições feitas lá em Mauna Loa, basta acompanhar esse perfil do Twitter. O maior responsável pelas emissões de C)2 na atmosfera continua sendo a queima de combustíveis fósseis.

Apesar da comunidade científica conhecer os efeitos do CO2 no clima, ainda há muito para saber com relação aos caminhos entre a emissão do CO2 e seus reservatórios (oceanos e florestas). Por essa razão, o OCO-2 e o modelo  GEOS-5 são ferramentas importantes.

Fonte:

Informações da NASA sobre a Nature Run.

Esse post foi dica do Renan Tristão ;)

 

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Dúvida do leitor: Meteorologistas e o ciclo d’água

Posted by on 28-ago-2014 in A Atmosfera, Água, Chuva, Dúvida do Leitor, Nuvens, Profissão | 0 comments

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Há algumas semanas, atendi alguns alunos muito especiais, pois são alunos de minha prima e amiga Aline. Na escola em que ela trabalha, estão estudando o ciclo d’água de maneira multidisciplinar.

Um dos alunos, Glauco, foi bastante direto e essa semana me mandou um e-mail perguntando:

Qual a relação entre a meteorologia com o ciclo da água?

E para responder a dúvida dele, mostrei a imagem acima. Traduzi essa imagem no começo do ano passado (contei toda a história aqui). Conversei com o Howard Perlman, da USGS, um dos criadores da imagem, perguntando se havia versão em português da imagem. Ele disse que não e perguntou se eu gostaria de traduzir. Aceitei o desafio e fiz a tradução.

Quando vi a versão em inglês me apaixonei e logo sonhei com uma versão em portugês. Fiquei feliz em ver esse sonho realizado a partir de minhas mãos :)

Pois então, por que mostrei essa figura ao Glauco? Porque eu quis responder a pergunta dele de maneira retórica.

Observando o ciclo d’água na figura acima, onde você acha que o trabalho do Meteorologista se encaixa? Em que parte do estudo ciclo d’água o Meteorologista pode contribuir?

A chuva é uma importante parte do ciclo d’água. E quem estuda a chuva? O Meteorologista! Para conhecer outras atribuições do Meteorologista, veja aqui.

Estudamos desde os processos de formação de nuvens e os principais tipos de chuva. Dessa maneira, conhecendo a nuvem fisicamente, é possível pensar em estratégias para entender como prever a sua formação.

Os Meteorologistas também estudam o Vento e a Radiação Solar. Esses elementos também estão relacionados com o ciclo d’água. Só lembrar que a evaporação pode ser facilitada se o dia estiver ensolarado e/ou com vento mais forte.

Há um post bem completo em que abordo os principais pontos do ciclo d’água. Veja aqui.

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Céu roxinho? Sim, no Sliders teve

Posted by on 13-ago-2013 in A Atmosfera, Aerossóis, Blog, Cores no céu, Óptica, Radiação, Séries | 0 comments

Uma de minhas séries favoritas é Sliders. Foi uma série da década de 90 e eu costumava assistir muito quando tinha entre 15-17 anos. Como a série está disponível no Netflix, voltei a assisti-la.

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Na série, Quinn Mallory (interpretada pelo lindo Jerry O’Connell) é um estudante de física, um dos grandes destaques em sua universidade. Em seu porão, ele faz experimentos diversos. O principal dele consiste na criação de um dispositivo que permita viajar entre dimensões paralelas.

Como muitas séries de ficção científica, Sliders  explora um conceito físico que ainda não é inteiramente compreendido ou não é inteiramente popularizado. Nesse caso, é o conceito de multiverso. É claro que não vou ficar aqui tentando explicar alguma coisa sobre Teoria das Cordas porque desisti de meus sonhos de ser física no primeiro ano da faculdade, quando decidi que meteorologia era mais interessante…rs. Não tive as bases teóricas necessárias para entender e explicar a Teoria das Cordas, que é uma das teorias mais mencionadas no estudo de universos paralelos.

No seriado, Quinn Mallory cria um dispositivo (que parece um daqueles celulares antigos, verdade seja dita), como um controle remoto, que é capaz de gerar um vórtex que permite o deslizamento entre universos paralelos. É a mesma Terra, o mesmo ano, só que realidades diferentes. Como o dispositivo de Mallory não estava funcionando muito bem, ele não consegue voltar para a “sua Terra”, então ele fica deslizando de mundo em mundo com o Professor Maximillian Arturo, com sua amiga/namorada Wade Wells (leia rápido: H. G. Wells rs) e com o cantor Rembrandt (que tem um irmão chamado Cézanne rs) Brown, que foi atraído pelo buraco de minhoca (wormhole)  por acidente.

Os críticos dizem que a base física do seriado é bem fraquinha. Para dizer a verdade, não é esclarecido onde Mallory recarrega seu celular-controle-dispositivo. Também não é esclarecido de onde vem tanta energia para fazer com que aquele vórtice do buraco de minhoca seja criado. O mais interessante do seriado são as diferentes possbilidades criadas nas diferentes versões da Terra que eles visitam. Há versões da Terra em que os EUA são uma Monarquia, onde a Rússia venceu a Guerra Fria, um mundo sem vida e tomado por chamas e etc. Além disso, frequentemente os protagonistas encontram seus duplos, o que normalmente gera conflitos ou mal entendidos.

Essa semana assisti um episódio em que a Terra havia sido tomada por andróides. Por alguma razão que não foi explicada ao longo do seriado, o céu do local era roxo. Melhor dizendo, a razão do céu ser roxo foi explicada: naquele lugar, partículas muito pequenas espalham a luz preferencialmente no comprimento de onda referente a cor roxa. O que não foi explicado é da onde viriam essas partículas.

Aqui na nossa Terra querida (como diria Stephen King, aqui no Mundo Chave), o céu é azul . A luz solar é na verdade muito brilhante e branca, sendo uma espécie de “pacote” com diversos comprimentos de onda que formam o Espectro Eletromagnético (veja a figura abaixo). Há uma faixa no espectro eletrmagnético na qual nossos olhos tem sensibilidade em enxergar e identificar o que chamamos de cores.

Quando a luz solar penetra na atmosfera da Terra, ela se espalha. Esse espalhamento é devido a presença de gases e pequenas partículas na atmosfera. As moléculas de gás de oxigiênio e de gás nitrogênio possuem um tamanho e uma estrutura que favorecem o espalhamento na região do azul. Por essa razão, a coloração que vemos durante um dia sem nuvens é aquelelindo azul que a gente tanto ama.

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Espectro Eletromagnético.

Falei um pouco mais sobre Espectro Eletromagnético nesse post. Confira :)

A cor azul é portanto resultado dos gases que compõe a atmosfera e de suas concentrações, característica essencial que possibilita a vida da forma que conhecemos. Então fiquei pensando: o que teria feito causado céu lilás/roxinho do Sliders? Levando em conta a explicação do andróide (naquele lugar, partículas muito pequenas espalham a luz preferencialmente no comprimento de onda referente a cor roxa) e deduzindo que a luz solar tivesse o mesmo comportamento de emissão naquela versão da Terra (a emissão é maior em comprimentos de onda na região do visível e considerando que o comprimento de onda associado a cor roxa é um pouquinho menor que o comprimento de onda associado a cor azul, deduzi que aquela atmosfera deveria ser composta por uma concentração menor de moléculas ou partículas consideradas pequenas.

Talvez se a atmosfera de lá fosse composta por gás hidrogênio (H2) daria certo? Emitindo uma luz de comprimento de onda de  430nm,  o gás hidrogênio “devolve” uma coloração azul-arroxeada. O duro seria viver numa atmosfera com uma grande concentração de gás hidrogênio, que é um gás extremamente inflamável. Talvez um outro gás de moléculas pequenas (e que não consigo pensar em um agora, porque não sou muito boa de química). Ou talvez nessa versão da Terra aconteça algo muito parecido com o que acontece em Marte. Em algumas situações, a atmosfera do planeta vermelho pode ser meio roxinha.

Imagem feita pela Mars Pathfinder em 1997. Fonte: Wikimedia Commons

Poente em Marte. Imagem feita pela Mars Pathfinder em 1997. Fonte: Wikimedia Commons

Em Marte, o espalhamento Rayleigh (o responsável por deixar o céu azul na Terra) é um efeito muito fraco, A atmosfera marciana é extremamente rarefeita, composta principalmente por dióxido de carbono, que é uma molécula maior que a do gás nitrogênio ou a do gás oxigênio. A atmosfera marciana é rica em poeira, Essa poeira possui muito óxido de ferro, que tem uma coloração avermelhanda/alaranjada característica. Além disso, a poeira faz com que ocorra o Espalhamento Mie, responsável pela coloração alaranjada durante o pôr-do-Sol ou nascer do Sol aqui na Terra.

Lá em Marte, o espalhamento Mie é maior! Normalmente, lá pelo meio-dia marciano, o  céu  de lá é laranjinha como você já deve ter visto em fotos:

Céu marciano ao meio-dia. Foto de 1999 da Mars Pathfinder (quis usar uma imagem da mesma câmera usada na imagem anterior). Fonte: Wikimedia Commons

Céu marciano ao meio-dia. Foto de 1999 da Mars Pathfinder (quis usar uma imagem da mesma câmera usada na imagem anterior). Fonte: Wikimedia Commons

A foto com céu roxinho que apresentei antes normalmente ocorre durante o pôr-do-Sol marciano, em situações quando há nuvens no horizonte. Essas nuvens são compostas por partículas de gelo tão pequenas que espalham preferencialmente na cor roxa. Talvez, naquele episódio de  Sliders, os aerossóis existentes na atmosfera possibilitam a formação de nuvens com cristais de gelo tão pequeninhos como esses de Marte.

E se você quiser saber como é o céu de outros planetas, clique aqui.

Dicas de links:

Veja os fatores que interferem na coloração do nosso céu através desse applet interativo. Você pode escolher a hora do dia, a presença ou não de moléculas pequenas, etc. Adorei :)

Atmospheric Optics, na Wikipedia. Há explicações inclusive sobre a coloração acizentada de nuvens, assunto que também mencionei nesse post. Verbete bastante completo, recomendo.

O céu marciano :)

Qual é a cor do céu marciano?

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The Blue Marble – história e imagens

Posted by on 20-jun-2013 in A Atmosfera, Blog, Imagens de Satélite | 0 comments

O nome Blue Marble significa “bolinha azul”, provavelmente com a ideia de “bola de gude azul”. Vi alguns meios de comunicação brasileiros traduzirem como “bola de mármore azul”. Eu me pergunto se isso faz algum sentido. Teoricamente até faz, porque o mármore polido pode ter um tom azulado. No entanto, a palavra marble significa bolinha de gude, uma bolinha que não é feita de mármore, mas sim de vidro.

Na verdade, esse nome apareceu pela primeira vez em 1972, quando os astronautas da Apolo 17 tiraram uma famosa fotografia de nosso planeta (no dia 7 de dezembro daquele ano):

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Figura 1: The Blue Marble, imagem obtida pela tripulação da Apolo 17 em 7 de dezembro de 1972. Fonte: Wikimedia Commons

O azul dos oceanos da Terra chama a atenção dos astronautas. Onze anos antes da famosa imagem do Blue Marble, o astronauta russo Yuri Gagarin (o primeiro homem a ir ao espaço), a bordo da nave Vostok I disse uma das frases mais famosas do mundo:

A Terra é azul. Como é maravilhosa. Ela é incrível!

E Yuri Gagarin não era charmosão? Ele morreu em 1968, pouco depois de completar a missão. Abaixo, uma fotografia dele em um postal em sua homenagem:

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Figura 2: o charmoso Yuri Gagarin, primeiro homem a ver a Terra do espaço em 12 de abril de 1961. Fonte: Wikimedia Commons

 

Esse lindo tom de azul que inspirou tanta gente depois de Gagarin, também deu origem ao nome “The Blue Marble”. O azul cristalino dos oceanos se assemelha ao tom de azul de algumas bolinhas de gude.

A famosa imagem (Figura 1)  pega todo o Continente Africano, a Península Arábica a Antártida. No topo direito da imagem (bem no topo direito) podemos ver um ciclone tropical no Oceano Índico. Essa tempestade trouxe chuvas intensas, que provocaram enchentes, além de ventos intensos na região indiana de Tamil Nadu no dia 5 de dezembro de 1972, 2 dias antes da fotografia ter sido tirada.

Recentemente descobri uma coisa muito interessante: a imagem original não tinha essa orientação! O continente Antártico estava “em cima”:

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Figura 3: Imagem original obtida pelos tripulantes da Apolo 17 em 7 de dezembro de 1972. A imagem foi então invertida (Figura 1) para a projeção que estamos mais acostumados. Fonte: Wikimedia Commons

Sim, isso provoca certa estranheza, já que estamos acostumados com mapas em que a Europa esta “em cima” e a África está “em baixo”. Só que não existe isso de “em cima” ou “em baixo” quando falamos em mapas. O correto é falar que está mais ao Sul ou mais ao Norte. Como os primeiros exploradores e cartógrafos estavam localizados no Hemisfério Norte, precisamente na Europa ou Ásia, eles começaram a desenhar os mapas de modo a colocar esses continentes no centro do mapa-múndi e na parte superior. Já repararam que a Europa sempre está no centro de mapas deste tipo? Para divulgar a fotografia de modo que as pessoas associassem com a visão “tradicional” dos mapas-mundi, eles inverteram a imagem The Blue Marble.

Provavelmente isso ainda deve acontecer hoje. Muitas imagens de satélite que vemos diariamente também estavam ‘invertidas’, originalmente. Programas de computador relativamente simples podem inverter a imagem (podemos fazer isso até com nossas fotos, rs).

Mas o que tudo isso tem a ver com o título do post? Bom, recentemente a NASA fez um conjunto de imagens de satélite de altíssima resolução. Essas imagens foram melhoradas por cientistas e técnicos dessa instituição. Deram ao conjunto o nome de “Blue Marble”, em homenagem as fotografias da década de 1970. Esse novo conjunto (também chamado de Blue Marble Next Generation), foi divulgado em 2012. Esse novo conjunto de imagens possui uma resolução muito melhor e os satélites possibilitam que outras áreas do planeta também sejam vistas.

Claro que a imagem mais famosa do  Blue Marble Next Generation é aquela que foi feita em ângulo muito semelhante ao da Blue Marble original (Figura 1):

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Figura 4: Foto em alta resolução de 2 de fevereiro de 2012 mostra África, Oriente Médio e Sudeste Asiático (Foto: NASA/NOAA)

Mas como eu disse, agora também é possível ver a Terra de outros ângulos. Como por exemplo essa imagem que pega o Golfo do México:

Figura 5: Fotografia de 25 de janeiro mostra as Américas (Foto: NASA/NOAA/GSFC/Suomi NPP/VIIRS/Norman Kuring)

Figura 5: Fotografia de 25 de janeiro de 2012 mostra as Américas (Foto: NASA/NOAA/GSFC/Suomi NPP/VIIRS/Norman Kuring)

O realce pelo computador permite que outros tons de azul sejam inseridos. Nas imagens do Blue Marble Next Generation, podemos ver uma delicada capa azul em torno do planeta. Essa capa azul trata-se da atmosfera da Terra.

Além das imagens das Figuras 4 e 5, o Blue Marble Next Generation, permitiu a criação de um interessante time-lapse que mostra a variação de cobertura de neve ao longo de 1 ano (Figura 6). Esse time-lapse foi feito com imagens mensais de todo o ano de 2004. Essas imagens foram reprocessadas e deixadas em alta definição, para que pudéssemos ver todos os detalhes. Como a maior parte dos satélites meteorológicos são americanos ou europeus, há uma quantidade muito maior de imagens para o Hemisfério Norte. Além disso, se observarmos o mapa-múndi, notamos que a área continental no Hemisfério Norte é maior do que a área continental no Hemisfério Sul. Sendo assim, a gente só consegue ver continente coberto por neve no Hemisfério Sul no extremo sul da América do Sul e em alguns pontos mais altos, em montanhas da Nova Zelândia, Cordilheira dos Andes e Kilimanjaro. A Antártica fica o ano todo coberta por neve, assim como boa parte da Groenlândia, Escandinávia, norte da Rússia, norte do Canadá e Alasca. Essas são regiões polares, que recebem pouca radiação o ano todo. Essa radiação é insuficiente para derreter o gelo.

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Figura 6: Animação usando imagens do Marble Next Generation. São imagens mensais, de janeiro a dezembro de 2004. Fonte: NASA Earth Observatory/Wikimedia Commons

Talvez alguns achem que a Figura 6 está um pouco escura. Eu gostei dela porque no canto superior esquerdo ela mostra os meses. Podemos reparar então o período de inverno em cada um dos hemisférios. Eu encontrei uma imagem mais clara, mostrando a mesma coisa, mas infelizmente a indicação dos meses foi removida:

Figura 7:

Figura 7: Animação feita com o mesmo período da Figura 6 (janeiro a dezembro de 2004), só que um pouco mais clara. Isso talvez melhore a visualização. Fonte: NASA Earth Observatory/Wikimedia Commons

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Imagem muito legal do ciclo da água

Posted by on 7-fev-2013 in A Atmosfera, Água, Blog, Vapor d'água | 4 comments

Embora eu já tenha falado sobre o ciclo hidrológico (ou ciclo d’água) algumas vezes aqui no Meteorópole, um dia desses encontrei um figura tão didática e divertida que senti obrigação de compartilhar aqui.

Eu sei que a maioria dos meus leitores não vai se importar. O Meteorópole já tem mais de um ano é alguns assuntos começam a se repetir. É natural que eu encontre formas melhores de escrever sobre um mesmo tema e é natural também que eu encontre links mais interessantes sobre velhos assuntos.

A ideia é divulgar material que facilite a compreensão. É ajudar meus leitores professores a fornecerem informação de qualidade aos seus alunos, melhorando a qualidade de suas aulas.

Essa figura do ciclo hidrológico é cortesia da USGS (U.S. Geological Survey). Fico admirada com a maioria dos sites de instituições de ensino e pesquisa norte-americanos. Os sites sempre contam com excelente material de divulgação científica, com ótimas figuras e textos de fácil compreensão.

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A figura não fica muito boa neste tamanho, pois tem muitos detalhes. Sugiro o link da USGS, postado acima.

Quando eu estava no primeiro ano da faculdade, li um texto muito interessante, cujo título era algo como “como é o cotidiano de uma gota d’água?” A figura explora a mesma ideia.

Vocês devem ter notado que a figura da USGS está em altíssima resolução e está em inglês. Entrei em contato com Howard Perlman, da USGS e fiz a tradução da figura para o português. Agora vocês podem usufruir desta figura super didática em alta resolução em português também:

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Também recomendo o texto da USGS sobre o ciclo d’água, que também está em português.  Gostaria de parabenizar a USGS e a FAO pela iniciativa. :)

 

 

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Poluição atmosférica por dióxido de nitrogênio

Posted by on 4-dez-2012 in A Atmosfera, Blog, Descargas Atmosféricas, Imagens de Satélite, Meio Ambiente, Poluição do Ar | 0 comments

O dióxido de nitrogênio (NO2) é um poluente atmosférico muito comum, conhecido por seu cheiro forte e coloração castanha em algumas situações (a maioria dos gases são incolores). De acordo com a Organização Mundial da Saúde, 2.4 milhões de pessoas morrem anualmente por doenças associadas a poluição do ar. A exposição a concentrações elevadas de NO2pode causar problemas respiratórios, principalmente para pessoas que já possuem alguma doença respiratória pré-existente.

Veículos automotores, usinas termoelétricas e siderúrgicas são as principais fontes antropogênicas de NO2. As fontes naturais incluem incêndios florestais (que podem ser intencionais), calor gerado pelos relâmpagos (que cria NO2 a partir de reações químicas entre N2 e O2) e atividade microbiana nos solos.

Para estudar a localização das fontes de NO2, a NASA usa imagens de satélite. As imagens de satélite são importantes ferramentas em estudos ambientais e meteorológicos. Através das imagens de satélite, podemos ver como as luzes das cidades se distrbuem pelo planeta:

Mapa das luzes da cidade. O mapa revela uma visão única da urbanização ao redor do globo. Tipicamente, as maiores concentrações de NO2 são encontradas em áreas urbanas com muito tráfego de veículos ou próximas a áreas industriais. Fonte: NASA

Esse tipo de informação nos permite determinar quais áreas do planeta são mais urbanizada, determinando assim áreas em que a emissão de NO2 pode ser mais alta. O mapa das luzes das cidades nos mostra que a costa leste americana é mais densamente urbanizada que a costa oeste. Também podemos ver grandes cidades sulamericanas, como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Buenos Aires e Montievidéu. A Europa também aparece bem iluminada no mapa, assim como áreas da China e do Japão. Há detalhes bastante curiosos: reparem como a Índia está perfeitamente destacada e limitada por suas nuvens. A fronteira norte da Índia consiste no Himalaia e outras regiões inóspitas, como poucos habitantes. Outra característica interessante deste mapa é a Àfrica. Embora seja um continete muito populoso, as luzes destacam-se apenas em áreas da África do Sul e da porção oeste do continente.

Agora, veja abaixo um mapa com as medições de NO2. As medições deste poluente são um grande indicador da localização de sua fonte, já que o NO2 tem um tempo de residência de aproximadamente 1 dia, ficando assim concentrado bem próximo às fontes poluidoras. Observando o mapa abaixo, vemos altos níveis de concentração do poluente em cidades como Nova York, Beijing e Bruxelas. O ar é mais livre de NO2 em áreas bem pouco urbanizadas como Groelândia, norte da América do Sul (faixa que compreende a Floresta Amazônica) e oeste da Austrália.

Fonte: Aura Mission/NASA

Esse mapa foi produzido pela equipe de pesquisadores da Aura Mission, divisão da NASA que estuda poluição atmosférica.
Esse post foi escrito usando informações de divulgação da NASA.

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