Desertos

Curiosidade: cemitério de aviões

Posted by on 21-mai-2015 in Blog, Clima, Desertos | 0 comments

Para onde vão os aviões depois que eles ficam muito velhos e irrecuperáveis? No Brasil acho que eles acabam virando sucata enferrujada, muitas vezes são leiloados antes disso e viram “esculturas” em parques de diversas cidades. Em Vinhedo-SP mesmo lembro de ter visto uma praça com um aviãozinho.

Entretanto, existem Cemitérios de Aviões ou Aircraft Boneyard. São amplas áreas onde as aeronaves ficam por lá, temporariamente ou por muito tempo (para não dizer para sempre). São locais muito amplos, normalmente muito distantes das cidades. Possuem pistas homologadas, já que o avião velho precisa chegar lá de alguma forma.

Esses locais normalmente são regiões desérticas, porque são áreas muito amplas e que raramente são utilizadas para produção agrícola, por exemplo. Além disso, a baixa umidade em regiões assim reduz as taxas de corrosão. O maior cemitério de aviões é o 309th Aerospace Maintenance and Regeneration Group, que pertence a Força Aérea dos Estados Unidos e fica em Tucson, no Arizona, que é uma região desértica. O local foi criado em 1946, para abrigar aeronaves B-29 e C-47. No local, já funcionava uma Base Aérea e foi escolhido como depósito de aviões porque reunia uma série de condições muito boas para esta finalidade:

– baixa umidade do ar na localidade;

– chuvas infrequentes;

– solo alcalino;

– alta altitude (780m), região distante do mar.

Todas essas condições favorecem a redução da ferrugem e da corrosão, reduzindo a necessidade de construir galpões. Além disso, o solo é ‘duro’, favorecendo a movimentação das aeronaves sem ter a necessidade de pavimentar áreas.

Além da 309th Aerospace Maintenance and Regeneration Group, há depósitos semelhantes em outros pontos dos EUA, no Reino Unido (RAF Shawbury, que funcionou do fim da Segunda Guerra Mundial até a década de 1970) e na Austrália. As aeronaves ficam nesses lugares até virarem sucata, até serem revendidas, para serem consertadas, etc.

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309th Aerospace Maintenance and Regeneration Group. Fonte: Wikipedia

Sobre esse assunto, encontrei uma reportagem do Fantástico, que reforça a enorme quantidade de aviões nesses desertos e muitos deles fizeram parte de guerras. Acredito que a reportagem mostra exatamente o 309th Aerospace Maintenance and Regeneration Group. Observe que alguns aviões precisam ficar acorrentados, já que ventos intensos são típicos em regiões desérticas. Outra questão interessante é que muitas das aeronaves são re-pintadas de uma cor bem clara, para refletir boa parte radiação solar. Dessa forma, as peças das aeronaves desgastam menos. Imagino que muitas aeronaves “antigas”, usadas em conflitos, não estão totalmente quebradas. Quero dizer, elas podem ser re-utilizadas em outras situações. No entanto, não há o interesse imediato em consertá-las. Enquanto se espera o conserto, elas precisam ser mantidas em segurança e com cuidado. No local, há um centro de manutenção no local e muitas aeronaves são “condenadas”, ou seja, serão destruídas/desmontadas pois não há interesse em consertá-las:

Alguns desses cemitérios viraram temas para trabalhos artísticos. O grafiteiro Chris Ingham Brooke e o fotógrafo Troy Paiva fizeram lindas imagens em um desses cemitérios, dando origem a série Lost America:

Uma das imagens da série Lost America, de Chris Ingham Brooke e Troy Paiva

Uma das imagens da série Lost America, de Chris Ingham Brooke e Troy Paiva

Para ver outras imagens lindas desse trabalho, clique aqui. E para conhecer um pouco mais do 309th Aerospace Maintenance and Regeneration Group, clique aqui.

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A planta que parece rocha: llareta

Posted by on 22-set-2014 in Biologia, Blog, Desertos | 0 comments

Planta llareta. Fonte: Wikimedia Commons

Planta llareta. Fonte: Wikimedia Commons

Importante: esse texto foi postado originalmente no blog Jornal de Serviços. Para conferir a versão original, clique aqui.

Outro dia estava folheando uma dessas revistas de curiosidades e vi então uma foto muito semelhante a que abre essa postagem. Fiquei bastante intrigada, porque parecia uma “rocha verde”. No entanto, tratava-se de uma planta: a llareta ou yareta.

Bom, já aviso para vocês que sou meteorologista e não bióloga. Mas plantas em geral chamam muito minha atneção, principalmente aquelas que ao longo dos anos e anos de evolução adaptaram-se magistralmente a condições climáticas aparentemente adversas. E esse é o caso da llareta.

A planta, que é uma parente bem distante da salsa, cresce em solos arenosos, com boa drenagem e nutricionalmente pobres. Ela é endêmica de partes da Puna, ecorregião que se estende até o deserto do Atacama. É uma região onde chove muito pouco. Há regiões no Atacama com total anual de chuva da ordem de 1,0mm. Como comparação, em São Paulo-SP chove em torno de 1200mm/ano.

Apesar de viver sob condições de escassez de água, há llaretas com quase 3000 anos! Elas são bastante duráveis. O que chamou minha atenção também foi a estrutura da planta: ela é super compacta, com seus pequenos galhos bem aglomerados. Essa características faz com que a perda de calor pela planta seja reduzida, característica muito importante, já que nos desertos a temperatura cai bastante a noite.

Ou seja, não trata-se de uma rocha coberta por musgos, como pode parecer a primeira vista. A estrutura inteira consiste em uma planta.

Além de reduzir a perda de calor, a robustez da planta faz com que ela seja tão forte que é possível ficar em pé em cima do arbusto, exatamente como se ele fosse uma rocha. Mas tudo isso tem um preço: a planta cresce apenas 1,5cm por ano.

P.S.: a Revista BBC FOCUS, em sua edição de setembro/2014,  publicou uma rápida reportagem sobre a llareta. Eles entrevistaram a pesquisadora Catherine Kleier, da Regis University, Colorado. Segundo a pesquisadora, a llareta provavelmente tornou-se forte através de uma combinação entre fatores ambientais (stress causado pela elevada amplitude térmica dos desertos) e pressões de pastejo. Como a planta é super compacta, ela não se torna uma fonte de alimento interessante para pequenos roedores, como a viscacha, também endêmica da região.

Oi!

Oi!

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As Latitudes dos Cavalos

Posted by on 12-set-2014 in Artes Plásticas, Blog, Circulação da Atmosfera, Desertos, Música, Vento | 0 comments

Capa do single, lançado em janeiro de 1972. Fonte: Wikimedia Commons

Capa do single, lançado em janeiro de 1972. Fonte: Wikimedia Commons

Eu estava ouvindo a música A Horse with no name, do America e lembrei que tinha lido que a música se chamaria Desert Song.

A música descreve uma viagem no deserto do Arizona e do Novo México em direção ao Oceano Pacífico e é uma de minhas músicas favoritas.

And the sky with no clouds / The heat was hot and the ground was dry

Pura meteorologia! Pelo que li, o grupo inspirou-se em gravuras de cavalos feitos por Escher e em “desertos” que aparecem em pinturas Salvador Dalí. Como se os cavalos de Escher tivessem “saído” da gravura (o que quase é possível) e entrado no quadro de Dali. Impressionantemente criativo.

Abaixo, algumas das gravuras de Escher que retratam cavalos. Escher costumava deixar o apreciador “confuso”, tentando pegar todos os detalhes da imagem:

Escher Escher

E em diversos trabalhos de Dalí, o “fundo”, o “horizonte ” parece ser um deserto. Em dois de seus trabalhos, A Persistência da Memória e O Grande Masturbador o “fundo” é na verdade uma região do litoral da Catalunha, o Cabo de Creus. Bom, a verdade é que olhando assim parece mesmo um deserto:

A Persistência da Memória, de Salvador Dali

A Persistência da Memória, de Salvador Dali

O Grande Masturbador, Salvador Dalí

O Grande Masturbador, Salvador Dalí

Daí fiquei com vontade de escrever um post falando das Latitudes dos Cavalos. Mas o que que é isso?

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As Latitudes dos Cavalos são localizadas aproximadamente em 30°N e 30°S, como mostra a figura acima. Aproximadamente nessas regiões é onde os ventos de escala global divergem: vamos ter ventos em direção ao Equador (os alíseos) e ventos em direção aos polos (os mais conhecidos são os ‘westerlies’). Essa divergência dos ventos resultam em uma área de alta pressão, com ventos calmos, céu ensolarado e pouca ou nenhuma precipitação.

Agora vou relacionar uma série de posts que já escrevi aqui no Meteorópole. O primeiro deles é este, quando falo sobre os ventos em escala global. Falo sobre as células de circulação no globo e menciono a Célula de Hadley, que é importante para definirmos a latitude dos cavalos:

A célula de Hadley é o nome dado a um dos padrões de circulação global (em vermelho, na ilustração). O ar sobe na região do Equador terrestre, provocando convecção (Zona de Convergência Intertropical). Em níveis mais altos da troposfera, o ar desloca-se para os trópicos (próximo as linhas dos trópicos de Câncer e Capricórnio, ou seja, nos dois hemisférios). O ar desce sobre essas regiões e volta, em superfície, para o Equador. Fonte: The COMET Program

A célula de Hadley é o nome dado a um dos padrões de circulação global (em vermelho, na ilustração). O ar sobe na região do Equador terrestre, provocando convecção (Zona de Convergência Intertropical). Em níveis mais altos da troposfera, o ar desloca-se para os trópicos (próximo as linhas dos trópicos de Câncer e Capricórnio, ou seja, nos dois hemisférios). O ar desce sobre essas regiões e volta, em superfície, para o Equador. Fonte: The COMET Program

Por volta dos 30°S e 30°N é onde está o ramo subsidente da célula de Hadley. Isso significa que o ar está descendo. Em baixos níveis, na superfície, o ar está indo em direção ao Equador (os alíseos). Nesse post, falei um pouco mais sobre isso:

Traduzindo cada um dos passos que explicam a Célula de Hadley na figura acima:

A: O Sol aquece o ar no Equador. O ar quente sobe e o vapor d’água condensa. Um montão de chuva!

B: O ar é transportado na direção dos pólos em altitudes elevadas, tanto no Hemisfério Sul quanto no Hemisfério Norte. É aqui que temos oscontra-alísios.

C:  O ar então desce por volta dos 30°S ou 30°N (dependendo do Hemisfério). Nessas regiões, é bastante seco. Mas é claro, há fatores locais que fazem com que não necessariamente haja um deserto (leia mais aqui).

D: Perto da superfície, o ar seco vai em direção ao Equador. E aqui temos os alísios. No meio do caminho, o ar vai pegando umidade. E então o ciclo continua, voltando para A.

E é aproximadamente por volta dos 30°N e 30°S que temos desertos. Até falei um pouco sobre esse assunto nesse post (e nesse outro também, em que defino a palavra deserto). Por essa razão, lembrei da música do America. De fato existem raças de cavalos adaptadas aos desertos. Há o Cavalo do Deserto da Namíbia, um cavalo feral que tem como ancestrais cavalos criados por alemães em fazendas da região durante a Primeira Guerra Mundial.

Cavalo do Deserto da Namíbia. Fonte: Wikimedia Commons

Cavalo do Deserto da Namíbia. Fonte: Wikimedia Commons

Há também os famosos cavalos árabes, que são muito utilizados pelos beduínos. São totalmente adaptados às condições de deserto. É a raça de cavalo mais antiga do mundo: há evidências de que já eram usados para carga em 2500 a.C.

Cavalo Árabe. Fonte: Wikimedia Commons

Cavalo Árabe. Fonte: Wikimedia Commons

Bom, aparentemente é só uma coincidência, embora interessante. Fui pesquisar porque a Latitude dos Cavalos tem esse nome e a história é bastante curiosa. Tem a ver com cavalos, mas não tem a ver com uma raça de cavalos específica.

Quando os navegadores europeus saiam em direção ao Novo Mundo (ou América rs),  frequentemente ficavam presos por dias ou até semanas quando eles encontravam essas áreas de alta pressão, onde os ventos eram muito fracos e prejudicavam a navegação. Além disso, não chovia nada. Dessa maneira, a tripulação logo ficava sem água.

Nessas grandes naus também eram transportados todo tipo de carga viva, como cavalos, por exemplo. Para economizar água e muito desesperada, reza a lenda que a tripulação jogava os cavalos no mar. Dessa maneira, teriam mais água para o consumo humano.

O que também me inspirou e me deu as informações necessárias para escrever esse post, foi esse tweet da NOAA:

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Dúvida do Leitor: São Paulo era para ser um deserto?

Posted by on 26-jul-2014 in Blog, Desertos, Dúvida do Leitor | 1 comment

O leitor Ralph sempre manda umas perguntas muito pertinentes, que me inspiram a escrever posts bem interessantes (leia outras aqui e aqui).

Recentemente ele fez outra pergunta muito boa.

É verdade que todo lugar por onde passa o trópico de capricórnio tende a ser  deserto (deserto da Namíbia, deserto da Austrália) e que SP só não o é por causa da umidade que vem da floresta amazônia canalizada para o sul pelos Andes?

Sim, é verdade!

Mas não vamos acabar o post por aqui. Primeiro vou mostrar um mapa que ilustra o que o Ralph disse na pergunta:

Desertos do mundo. Reparem como há desertos nas regiões próximas do Trópico de Capricórnio e do Trópico de Câncer. Fonte: GROASIS.com

Desertos do mundo. Reparem como há desertos nas regiões próximas do Trópico de Capricórnio e do Trópico de Câncer. Fonte: GROASIS.com

Observando a figura acima, notamos que ao longo do Trópico de Capricórnio temos o Deserto do Atacama, o Deserto de Kalahari e o Deserto Australia. E se rebatermos a observação para Norte, olhando o Trópico de Câncer, notamos o Deserto Norte-Americano (super cenário do livro Desperation), o majestoso Deserto do Sahara e o Deserto da Península Arábica.

E por que isso acontece bem onde passam os trópicos? Isso tem a ver com a circulação global da atmosfera. Nesse post, em que falamos do significado do termo deserto, nós falamos sobre essa característica. Vou copiar um trecho:

As regiões próximas a linha do Equador, apesar de receberam mais radiação solar, não possuem desertos porque temos um forte movimento de convecção. Isso significa que o Sol aquece a superfície da Terra nesses locais  e consequentemente aquece o ar acima dela,  que sobe e forma nuvens (através da condensação do vapor d’água). Na faixa equatorial de nosso planeta é onde encontramos os maiores acumulados de precipitação.

Nos níveis mais altos da atmosfera, o ar que subiu formando as nuvens nas proximidades da linha do Equador movimenta-se em direção aos trópicos e desce nos subtrópicos, próximo dos trópicos de Capricórnio e Câncer. Esse ar então esfria-se na superfície, movimenta-se em direção ao Equador novamente. Isso fecha a Célula de Hadley (ou circulação de Hadley).

Esse ar que desce nos subtrópicos já é bem seco, porque perdeu toda a umidade lá no Equador (com a chuva que caiu).  No seu movimento de descida (movimento descendente), esse ar se aquece um pouco e fica ainda mais seco. O movimento descendente dificulta a formação de nuvens. Os chamados desertos quentes forma-se nessa região de ar descendente, que consistem nas proximidades dos Trópicos de Câncer (Hemisfério Norte) e Trópico de Capricórnio (Hemisfério Sul).

A célula de Hadley é o nome dado a um dos padrões de circulação global (em vermelho, na ilustração). O ar sobe na região do Equador terrestre, provocando convecção (Zona de Convergência Intertropical). Em níveis mais altos da troposfera, o ar desloca-se para os trópicos (próximo as linhas dos trópicos de Câncer e Capricórnio, ou seja, nos dois hemisférios). O ar desce sobre essas regiões e volta, em superfície, para o Equador. Fonte: The COMET Program

A célula de Hadley é o nome dado a um dos padrões de circulação global (em vermelho, na ilustração). O ar sobe na região do Equador terrestre, provocando convecção (Zona de Convergência Intertropical). Em níveis mais altos da troposfera, o ar desloca-se para os trópicos (próximo as linhas dos trópicos de Câncer e Capricórnio, ou seja, nos dois hemisférios). O ar desce sobre essas regiões e volta, em superfície, para o Equador. Fonte: The COMET Program

Uma grande quantidade de umidade vem da Região Amazônica e é canalizada pelos Andes chegando até o Paraguai, norte da Argentina, Região Sul, oeste da Região Sudeste e sul Região Centro-Oeste. Esse fenômeno chama-se Jato de Baixos Níveis (JBN) e é uma caracerística da circulação em diversas regiões do planeta, onde há uma grande fonte de umidade e a presença de cadeias de montanhas que canalizam o vento. Em 2004, eu ainda estava na graduação, e estudei o JBN em um trabalho de Iniciação Científica (IC). Veja a publicação aqui. Confesso para vocês que me arrependo muito de não ter continuado esse trabalho no mestrado.

Em meu trabalho de IC (muito preliminar, claro), concluí que:

A precipitação mostrou-se mais intensa e concentrada (quanto há JBN) corrente abaixo do JBN. Deste modo, o JBN parece favorecer a precipitação no norte da Argentina, Rio Grande do Sul e Uruguai, e desfavorecer esta no centro-oest e e sudeste do Brasil.

Claro que atualmente sabe-se mais sobre este fenômeno, já que novos artigos foram publicados. Inclusive o termo popularizado foi “Rios Voadores“. Houve até uma exposição no SESC sobre esses tais rios voadores.

O principal rio voador do Brasil nasce no oceano Atlântico, bomba de volume ao incorporar a evaporação da floresta Amazônica, bate nos Andes e escapa rumo ao sul do país. “O vapor d’água que faz esse trajeto é importantíssimo para as chuvas de quase todo o Brasil”, afirma o engenheiro agrônomo Enéas Salati, da Universidade de São Paulo (USP). Leia mais aqui.

Acredito que a umidade trazida pelo JBN é mais importante para o oeste da Região Sul, oeste e sul do Estado de São Paulo e no sul da Região Centro-Oeste. Na faixa mais a leste das Regiões Sudeste e Sul, a umidade vinda do oceano tem papel mais dominante, de modo que o próprio formato da América do Sul (que se afunila quando se dirige ao sul), favorece que a região seja abastecida por umidade (falei desse aspecto nesse post).

Sendo assim, são variados os aspectos que fazem com que São Paulo não seja uma região desértica. Acho que os principais foram abordados nesse post. Se alguém tiver alguma observação ou alguma dúvida, basta entrar em contato :).

 

 

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Poeira do Saara atravessa o Atlântico

Posted by on 2-jul-2014 in Blog, Chuva, Desertos, Imagens de Satélite | 3 comments

Sempre que surge uma imagem de satélite em que é possível observar a poeira do Deserto do Saara atravessando o Atlântico ou chegando até o sul da Europa (dependendo da direção do vento), a imagem vira destaque na imprensa.

Aqui no Meteorópole mesmo já destaquei uma viagem dessa poeira até a América do Sul (veja aqui), ou viajando até o sul da Europa (veja aqui) ou sendo responsável pelo fenômeno Chuva de Sangue, no Reino Unido (veja aqui).

No final do mês passado, a EUMETSAT divulgou o vídeo abaixo em seu canal:

EUMETSAT (European Organisation for the Exploitation of Meteorological Satellites ) é uma organização científica com vários países europeus participantes. Eles são os responsáveis pelo lançamento dos satélites Meteosat. E o vídeo acima foi feito a partir de imagens obtidas pelo Meteosat-10, um desses satélites. Essas imagens são do período entre 22 e 25 de Junho de 2014.

É possível ver a jornada da poeira do deserto. Acompanhando os ventos, minúsculas partículas de poeira chegam até a América. São importantes núcleos de condensação,  ou seja, superfícies nas quais o vapor d’água presente na atmosfera vai se condensar para formar as gotículas das nuvens.

Assim, a poeirinha que veio lá do Saara pode ser uma das responsáveis por aquela tempestade da tarde, típica de cidades da Região Norte, como Belém e Manaus.

Estima-se que 40 milhões de toneladas de areia do Deserto do Saara chegue até a Bacia Amazônica todos os anos. Isso mesmo! Quarenta milhões de toneladas. Confesso para vocês que enquanto escrevia esse post, reli a matéria várias vezes para ter certeza que eu tinha entendido corretamente.

Assim, além da disponibilidade de vapor d’água, decorrente da evapotranspiração da floresta e também devido ao fato de a floresta estar em uma zona tropical (onde há naturalmente mais calor e mais evaporação), também temos a presença de eficientes núcleos de condensação. A água precisa se condensar em uma superfície e encontra na poeira do deserto condições ideais para isso.

Aparentemente, a quantidade de poeira que vem do deserto do Saara tem aumentado nos últimos anos.  Cientistas tem investigado se a poeira do deserto causa algum dano para a vida animal e vegetal. Alguns estudos indicaram possíveis relações entre poeira do deserto e o clareamento dos corais no Caribe e entre o aumento na quantidade de certos tipos de algas (veja as referências e leia mais aqui).

Além disso, a ‘nuvem de poeira ‘ passa sobre  a região onde os furacões ‘nascem’, que é bem no litoral noroeste da África. A poeira pode refletir a luz solar, reduzindo a temperatura do oceano no local, o que faria com que menos furacões nascessem. Por outro lado, uma maior quantidade de poeira faria com que existisse mais núcleos de condensação sobre a região, favorecendo a formação de nuvens e assim favorecendo o nascimento dos furacões. Sendo assim, o efeito dessa poeira na formação de furacões ainda é incerto.

Uma das paisagens do Deserto do Saara. Foto de Luca Galuzzi - www.galuzzi.it

Uma das paisagens do Deserto do Saara. Foto de Luca Galuzzi – www.galuzzi.it

 

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Mais um post no Jornal de Serviços: O que é Amplitude Térmica?

Posted by on 26-jun-2014 in Blog, Desertos, Temperatura | 0 comments

DIVULGACAO_jsEsse é mais um post que escrevo para o blog Estação Meteorológica, do Jornal de Serviços.

O Jornal de Serviços é um portal com excelentes blogs. Tem blog de moda, blog de jardinagem, blog de Direito (com tudo bem explicadinho), blog sobre curiosidades do passado, um blog de economia sem economês, etc. Clique aqui e veja a lista completa. Eu fiquei muito feliz com o convite do Paulo, para escrever por lá. Normalmente escrevo um post por semana. É mais um canal para popularizar a meteorologia.

No post dessa semana, falo sobre Amplitude Térmica. Explico o que significa esse termo, que certamente será ouvido nos próximos meses com muita recorrência.

Amplitude térmica é a diferença entre a maior e a menor temperatura do dia. Quando a amplitude térmica é alta, significa que a diferença entre temperatura mínima e temperatura máxima foi muito grande. Como conseguimos prever com bastante eficiência a maior e a menor temperatura do dia, é possível também prever a amplitude térmica.

Eu já falei sobre Amplitude Térmica em outros posts do Meteorópole. O principal deles é esse em que falo sobre a definição de deserto.

Espero que vocês gostem. E gostaria que meus leitores me prestigiassem lá também, além de também poder conhecer os outros blogs do portal.

 

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