Desertos

Fifa diz que Copa no Qatar deverá ser disputada entre novembro e janeiro

Posted by on 8-jan-2014 in Blog, Calor, Desertos, Geografia | 0 comments

A Copa do Mundo de 2022 está prevista para ser disputada no Qatar.

Localização do Qatar. Fonte: Wikimedia Commons

Localização do Qatar. Fonte: Wikimedia Commons

Esse país é localizado numa pequena península do mesmo nome, que está localizada à nordeste da Península Arábica. É um país de clima seco e quente, classificado como desértico. Uma partida de futebol em um local assim é um grande desafio, uma vez que essas condições muito adversas podem prejudicar a saúde dos jogadores.

Uma curiosidade interessante sobre o Qatar é que o país está quase todo no nível do mar. Para vocês terem uma ideia, o ponto mais alto com relação ao nível do mar tem altitude de cerca de 100m.

Como está no Hemisfério Norte, o verão deste país ocorre no meio do ano. Entre maio e setembro, o calor é muito intenso e a umidade relativa é muito baixa, condições adversas para a prática de qualquer atividade ao ar livre. As temperaturas podem alcançar até 50°C no verão. Imaginem um jogo nessas condições.

Entre Novembro e Maio, as temperaturas são moderadas e podem chegar perto dos 5°C. A chuva é muito pouca: cerca de 100mm por ano. Só para vocês terem uma idéia, em São Paulo-SP chove aproximadamente 1300mm por ano e há regiões da Floresta Amazônica com total superior a 2500mm por ano. Essa pouca chuva cai durante os meses de inverno, algumas vezes em tempestades intensas que chegam a causar enchentes.

Além do calor e da secura, o país também é assolado por tempestades de areia, já que a região faz parte do que chamamos de Deserto da Arábia. Inclusive encontrei um vídeo de uma dessas tempestades de areia e é impressionante:

Boa parte da água utilizada no país é obtida através da dessalinização da água do mar.

O calor é tão intenso que há um tempo atrás eu li que uma universidade do Qatar estava desenvolvendo um projeto de nuvem artificial. Essa nuvem ficaria sobre os estádios, na frente do disco solar, enquanto ocorressem os jogos. O projeto é tão grandioso que nem consigo explicar, tem um vídeo que explica a ideia melhor:

É como se um disco voador ficasse sobre o estádio, fazendo as vezes de um enorme guarda-sol. A BBC deu um grande destaque a esse projeto alguns anos atrás.

Hoje eu li essa reportagem da Folha de São Paulo, onde é dito que um secretário da FIFA cogita um calendário diferente: os jogos da Copa 2022 deverão ocorrer entre 15 de novembro e 15 de janeiro. Dessa forma, vão pegar o inverno do país, quando as temperaturas são mais amenas.

A maioria das copas ocorrem no meio do ano. Como a maior parte dos países que sediaram a copa até hoje estão localizados no Hemisfério Norte, alguns inclusive de altas latitudes (distantes do Equador), fazer com que o evento ocorra no verão é o mais lógico, evitando as temperaturas frias e até congelantes (dependendo do local). Quando as copas foram realizadas no Brasil ou no Uruguai, manteve-se a mesma regra, já que nosso inverno (que ocorre no meio do ano), não é tão rigoroso. Em alguns casos, deslocaram um pouquinho o calendário e fizeram com que o evento ocorresse na primavera.

Não sou uma grande conhecedora de futebol, mas acho que é a primeira vez que o evento ocorrerá em um local com condições climáticas tão adversas.  Acho que foram sábios em alterar o calendário. Encontrei o gráfico abaixo nesse site, com os valores médios diários de temperatura máxima (maior do dia) e temperatura mínima (menor do dia). Por volta do dia 6 de julho, a temperatura média máxima é 41°C e a temperatura média mínima 31°C. Mas gente, imaginem acordar com 31°C! Imaginem uma madrugada com temperatura superior aos 31°C. Ar condicionado é obrigatório.

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No WeatherSpark também encontrei outro gráfico muito interessante. Ele mostra a porcentagem do ano com cada uma das “bandas” de temperatura, que o site classifica da seguinte maneira:

- frigid (frio de matar): inferior a -9°C

- freezing (congelante): entre -9°C e 0°C

- cold (frio): entre 0°C e 10°C

- cool (fresquinho, maneiro): entre 10°C e 18°C

- comfortable (confortável): entre 18°C e 24°C

- warm (quentinho): entre 24°C e 29°C

- hot (calor): entre 29°C e 38°C e

- sweltering (escaldante): acima de 38°C.

Entre junho e agosto, é 30% do tempo escaldante. O restante do tempo, no verão, é calor ou quentinho (quentinho só se tiver sorte). Os dias frescos estão realmente concentrados entre novembro e janeiro.

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Ao que parece, alterar o calendário dos jogos é apenas a opinião pessoal apenas de um secretário da FIFA. A FIFA ainda não se pronunciou oficialmente.

E aproveito para recomendar muito o WeatherSpark. Você digita o nome da cidade  e são fornecidas informações muito boas, valiosas para quem pretende organizar uma viagem, por exemplo.

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Afinal, como definir a palavra deserto?

Posted by on 27-ago-2013 in Blog, Desertos | 0 comments

Um post que escrevi na semana passada (sobre a tal ‘água em pó’) me inspirou a escrever um texto sobre desertos. O blog já tem mais de 2 anos e eu já falei sobre desertos algumas vezes, mas eu senti que faltava um post mais abrangente.

Deserto do Saara. Fonte: Free Digital Photos

Deserto do Saara. Fonte: Free Digital Photos

Como existem desertos de todos os tipos (quentes ou frios) é difícil chegar em uma definição concisa. No entanto, podemos falar em características principais dos ambientes desérticos.

A primeira delas é a pouca disponibilidade de água para as plantas.  Costuma-se dizer que  há um desbalanço entre precipitação e evapotranspiração (soma da evaporação do solo + transpiração das plantas) .

A evaporação é maior em situações com muito vento, baixa umidade atmosférica, chuva esparsa e em pouca quantidade e temperaturas altas. Isso faz com que a umidade do solo, essencial para manutenção das plantas, seja ainda mais diminuída, aumentando ainda mais a evapotranspiração.

A média anual de precipitação de cada um dos desertos da Terra é uma quantidade muito variável. Cada deserto tem uma característica. Na Patagônia, a média anual de precipitação é muito próxima de 0 mm. Na parte do litoral líbio do Deserto do Saara, a precipitação chega a 600m anuais. De acordo com a Britannica, costuma-se considerar que para ser um deserto verdadeiro, o local precisa ter total anual de precipitação inferior a 250mm. Se o total for entre 250mm e 400mm, o local é semi-desértico.

As regiões mais secas do planeta contribuem muito pouco na produção de alimentos. Em algumas regiões, a pequena quantidade de relva que cresce  é usada como pasto.

Se pegarmos um mapa com a distribuição de todos os desertos do planeta, veremos que a maioria deles estão localizados em latitudes muito próximas a dos trópicos de Câncer e Capricórnio. Não é uma mera coincidência. Nessas regiões, um padrão global de circulação da atmosfera chamado Célula de Hadley tem um movimento de cima para baixo (os meteorologistas chamam de movimento subsidente). Esse movimento dificulta a formação de nuvens e favorece a evaporação.

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Desertos do mundo. Reparem como há desertos nas regiões próximas do Trópico de Capricórnio e do Trópico de Câncer. Fonte: GROASIS.com

Precipitação média anual em todo o planeta. Repare que as regiões na cor amarela (precipitação inferior a 250mm anuais) correspondem as regiões desérticas da figura anterior. Fonte: USGS

Precipitação média anual em todo o planeta. Repare que as regiões na cor amarela (precipitação inferior a 250mm anuais) correspondem as regiões desérticas da figura anterior. Fonte: USGS

As regiões próximas a linha do Equador, apesar de receberam mais radiação solar, não possuem desertos porque temos um forte movimento de convecção. Isso significa que o Sol aquece a superfície da Terra nesses locais  e consequentemente aquece o ar acima dela,  que sobe e forma nuvens (através da condensação do vapor d’água). Na faixa equatorial de nosso planeta é onde encontramos os maiores acumulados de precipitação.

Nos níveis mais altos da atmosfera, o ar que subiu formando as nuvens nas proximidades da linha do Equador movimenta-se em direção aos trópicos e desce nos subtrópicos, próximo dos trópicos de Capricórnio e Câncer. Esse ar então esfria-se na superfície, movimenta-se em direção ao Equador novamente. Isso fecha a Célula de Hadley (ou circulação de Hadley).

Esse ar que desce nos subtrópicos já é bem seco, porque perdeu toda a umidade lá no Equador (com a chuva que caiu).  No seu movimento de descida (movimento descendente), esse ar se aquece um pouco e fica ainda mais seco. O movimento descendente dificulta a formação de nuvens. Os chamados desertos quentes forma-se nessa região de ar descendente, que consistem nas proximidades dos Trópicos de Câncer (Hemisfério Norte) e Trópico de Capricórnio (Hemisfério Sul).

A céluna de Hadley é o nome dado a um padrão de circulação global

A céluna de Hadley é o nome dado a um dos padrões de circulação global (em vermelho, na ilustração). O ar sobe na região do Equador terrestre, provocando convecção (Zona de Convergência Intertropical). Em níveis mais altos da troposfera, o ar desloca-se para os trópicos (próximo as linhas dos trópicos de Câncer e Capricórnio, ou seja, nos dois hemisférios). O ar desce sobre essas regiões e volta, em superfície, para o Equador. Fonte: The COMET Program

Célula de Hadley, em detalhe, ilustrando a convecção na região do Equador. Fonte

Célula de Hadley, em detalhe, ilustrando a convecção na região do Equador. Fonte Union College [1]

Claro que isso não é uma regra. Por exemplo, o Estado de São Paulo é ‘cortado’ pelo trópico de Capricórnio (meu pai sempre pedia para abaixar a cabeça quando víamos as placas…rsrs), mas não é um deserto. O formato do continente Sul Americano, que vai ficando mais “afunilado” a medida que desloca-se para a direção Sul,  favorece que as regiões recebam umidade proveniente do oceano.

Mapa das Américas. Talvez vocês já devem ter reparado que a América do Sul é  mais 'afunilada' conforme nos deslocamos para Sul. Se fosse uma área tão continental como é a América do Norte, certamente teríamos um deserto no interior do Brasil. Fonte: .guiageo-americas.com

Mapa das Américas. Talvez vocês já devem ter reparado que a América do Sul é mais ‘afunilada’ conforme nos deslocamos para Sul. Se fosse uma área tão continental como é a América do Norte, certamente teríamos um deserto no interior do Brasil. Fonte: .guiageo-americas.com

Um interessante padrão atmosférico que relaciona-se com o relevo pode também ajudar a formar um deserto. Quando uma parcela de ar úmido sobre uma montanha, ele vai provocar chuva naquele lado da montanha. Só que quando essa parcela de ar desce para o outro lado dessa mesma montanha, ela já não possui mais umidade. Conforme ela vai descendo, comprime-se e se aquece. Teremos então um lado da montanha verde e o outro lado, seco.

 A figura abaixo, embora apresente valores em °F (graus Fahrenheit), ilustra esse fenômeno: um lado da montanha é úmido e mais frio, enquanto o outro lado é seco e mais quente. A parcela de ar que ajudou a formar a nuvem de chuva do outro lado perdeu todo vapor d’água. Ao descer a montanha, essa parcela aquece-se adiabaticamente. Esse vento quente e seco que desce a montanha para o outro lado é chamado de Chinook Wind. Isso pode ajudar a formar algumas regiões desérticas (como o Deserto da Califórnia, nos EUA e o Deserto de Gobi, na Ásia).

 Além de chover muito pouco nos desertos, a quantidade das chuvas mal distribuida espacialmente e temporalmente. Isso significa que se contarmos o número de dias de chuva em um deserto, esse número certamente será menor que 20 dias. E a chuva pode inclusive ser forte. Em 5 de outubro de 1979, na região desértica de Mashʾabe Sade, Israel, choveu 14 mm em apenas 7 minutos, o que é considerado uma chuva intensa. Em Madagascar, toda a chuva do ano normalmente cai em apenas 1 mês, caindo apenas em áreas muito pequenas do deserto. Por outro lado, na  na região desértica de Cochones, no Chile, ficou sem chover por 45 anos! Isso ocorreu entre 1919 e 1964, segundo a Britannica.

Nos outros dias, nem uma gotinha de chuva! As vezes há um pouco de orvalho ou um pouco de nevoeiro, mas nenhum valor realmente mensurável (menor que 0,1mm). As vezes chega a ter chuva, mas ela não chega no chão. Isso mesmo! A nuvem de chuva aparece, mas o calor é tão intenso que as gotinhas evaporam antes de chegar no solo.

Como comentei nesse post, o nevoeiro é uma importante fonte de umidade em alguns desertos. No post, falei especificamente dos cata nieblas no Deserto do Atacama, no Chile. Essa técnica de captura de gotículas de água de nevoeiros também é usada em outros países, como Iemen e Nepal.

Os chamados desertos quentes possuem temperaturas muito altas. O recorde de temperatura mundial ocorreu em um deserto:  no Death Valley, na Califórnia, ( 56,7°C do dia 10/07/1913). O recorde anterior (que deixou de ser recorde por um possível problema na instalação da estação meteorológica responsável) também tinha ocorrido em um deserto: numa borda do Deserto do Saara, na Líbia ( 57,8°C  em 13/09/1922) [2].

Se formos considerar a temperatura do solo, valores em torno de 78°C são comuns no Saara. Como comparação, a maior temperatura do solo já registrada em São Paulo-SP é 50,2°C (em 15/11/1993, de acordo com informações da Estação Meteorológica do IAG-USP). A temperatura do solo depende muito do tipo de solo. Solo nu costuma ter temperaturas máximas mais elevadas do que uma região gramada. O tipo de cobertura dos desertos (um assoalho formado por areia e rochas escuras) é ideal para absorver muita radiação solar e consequentemente apresentar temperatura elevadíssimas. Esse tipo de cobertura também tem por característica perder calor rapidamente, apresentando uma enorme amplitude térmica diária: ou seja, perto do meio-dia, a temperatura é elevadíssima (chegando aos 78°C mencionados). Durante a noite e madrugada, a superfície pode ficar extremamente fria, o que faz com que as temperaturas mínimas do ar fiquem  bem perto de 0°C, principalmente nas áreas mais continentais dos desertos. Após o por do Sol, a temperatura cai drasticamente, uma vez que o solo perde o calor para o espaço. Como em regiões desértica não há nuvens (ou há poucas nuvens!), não existe um mecanismo para segurar o calor. A propósito, por não terem tantas nuvens, regiões desérticas são muito usadas para a implantação de telescópios e radiotelescópios.  As atividades de astronomia dependem de céu completamente sem nuvens!

Antenas do projeto Alma, no Deserto do Atacama, no Chile. Fonte: DW.

Antenas do projeto Alma, no Deserto do Atacama, no Chile. Fonte: DW.

Há também desertos frios, localizados em latitudes mais altas (mais distantes dos trópicos) e que portanto possuem temperaturas mais baixas. Esses ambientes áridos normalmente são causados por serem extremamente continentais (longe da costa) e portanto não recebem a umidade proveniente dos oceanos ou porque há uma cadeia de montanhas altas que separa a região desértica da costa, provocando aquele efeito de região bem chuvosa de um lado da montanha e região mais seca do outro lado da montanha.  As montanhas tem um papel na formação de alguns desertos da região mais central da Ásia: o Himalaia é uma enorme barreira. Temos uma estação extremamente chuvosa e bem definida em partes da Índia e em Bangladesh. Por outro lado, mais ao norte, depois do Himalaia, há o deserto de Gobi. Os desertos frios também são ambientes bastante áridos e com solo ressecado, assim como os desertos quentes. O total anual de chuva também é muito pequeno e também chove erraticamente.

Bom pessoal, tentei nesse post abordar as principais características climáticas dos desertos. Os desertos são um tipo de ecossistema que na minha opinião são muito interessantes, pois desafiam os limites e eu diria que até a criatividade dos seres humanos. Há pessoas que vivem no deserto ou que trafegam por ele, viajando por quilômetros em lombos de animais. Apesar de ser um ecossistema aparentemente inóspito, há algumas formas de vida vivendo por lá. Considerando a Terra como um todo, sob o ponto de vista Gaia, todos os ecossistemas estão integrados. Os desertos também possuem importância e beleza.

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[1] Leia mais sobre padrões de circulação global aqui.

[2] Veja mais informações sobre o recorde mundial de temperatura aqui.

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Água em pó??? Que marmota é essa?

Posted by on 22-ago-2013 in Agricultura, Água, Blog, Desertos | 0 comments

Antes de falar coisa séria, vou contar uma piadinha que era muito comum na época em que eu era aluna do curso técnico em Eletrotécnica, no antigo CEFET. Um aluno cara de pau chegava sério para um aluno novo e dizia:

- Cara, esses cientistas são demais. Acredita que inventaram água em pó?

Então o novato ficava surpreso e se fosse suficientemente ingênuo e tivesse uma pitada de curiosidade no ser, não questionaria a veracidade da afirmação (lembre-se, na época a internet não era tão popular como hoje):

- Poxa, cara, que legal! Água em pó. Deve ser muito caro. Como funciona?

O veterano respondia:

- Pô, cara, você coloca água e ela funciona.

Bom, daí ontem eu estava lendo algumas notícias quando me deparo com uma , cuja manchete é: ‘Água em pó’ pode tornar a seca um problema do passado. Apesar do termo estar entre aspas, deixando evidenciado que trata-se de uma figura de linguagem ou algo assim, eu lembrei da piadinha acima e comecei a rir. Que marmota é essa de água em pó?

 

Batizado de "Chuva Sólida", o pó é capaz de absorver enormes quantidades de água para liberar o líquido aos poucos, permitindo que as plantas sobrevivam a um período de seca. Um litro de água pode ser absorvido por apenas 10 gramas do produto, que é um tipo de polímero especial criado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos na década de 1970. "Ele funciona encapsulando água e pode durar oito a dez anos no solo, dependendo da qualidade da água", explica o engenheiro químico Sérgio Jesus Rico Velasco. Fonte: UOL

Batizado de “Chuva Sólida”, o pó é capaz de absorver enormes quantidades de água para liberar o líquido aos poucos, permitindo que as plantas sobrevivam a um período de seca. Um litro de água pode ser absorvido por apenas 10 gramas do produto, que é um tipo de polímero especial criado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos na década de 1970. “Ele funciona encapsulando água e pode durar oito a dez anos no solo, dependendo da qualidade da água”, explica o engenheiro químico Sérgio Jesus Rico Velasco. Fonte: UOL

Bom, é que foi desenvolvida uma substância capaz de absorver grandes quantidades de água e então ir liberando a água aos pouquinhos. Essa substância é apresentada em flocos (não me pareceu pó). O agricultor de uma região seca poderia então misturar essa substância no solo, durante o plantio. O pouquinho da água de um nevoeiro ou até mesmo do orvalho poderia ser então absorvido por essa substância,  que liberaria a água vagarosamente e permitira que o solo ficasse sempre úmido.

Esse produto foi inventado na década de 70 por pesquisadores do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. Foi por muito tempo usado como produto absorvente em fraldas de bebês. Foi quando um engenheiro mexicano viu no produto uma possibilidade adicional, pensando na ideia de misturá-lo ao solo para que pudesse absorver água e então liberá-la vagarosamente. Segundo este engenheiro, o produto poderia armazenar água por 1 ano.

No entanto, de acordo com Linda Chalker-Scott, da Universidade do Estado de Washington, não há evidências científicas que comprovem a eficácia da “água em pó”. Além disso, segundo a pesquisadora, o produto poderia criar um problema adicional: absorvendo a água da superfície do solo, a água que iria para o sistema radicular das plantas seria reduzida. Ou seja, a água ficaria só na parte mais superior do solo. Segundo Chalker-Scott, colocar lascas de madeira no solo surtiria o mesmo efeito.

As palavras da pesquisadora me fizeram questionar mais ainda a eficácia desse produto. Os moradores das regiões áridas do planeta desenvolvem todo tipo de mecanismo para que a agricultura e o bem estar seja possível. No Brasil, é comum o uso de cisternas e poços. Em alguns lugares do Chile, utiliza-se o catanieblas, uma rede que coleta a água dos nevoeiros. Em Israel, utiliza-se a irrigação por gotejamento.  Se a água em pó funcionasse, seria mais uma alternativa para ajudar na produção de alimentos de regiões áridas.

E reparem na manchete: ‘Água em pó’ pode tornar a seca um problema do passado. É uma manchete bem exagerada, não? A seca é situação típica de muitas regiões do globo, não há como fazer com que ela deixe de existir. Há regiões com estações chuvosa e seca bem definidas. Por outro lado, há regiões que são áridas o ano todo, com chuva anual inferior a 400mm (aqui em São Paulo temos cerca de 1300-1400mm anuais e há regiões na Floresta Amazônica com totais anuais da ordem de 3000mm). Normalmente, essas regiões são classificadas como desérticas e não há muito o que fazer. Para que elas deixassem de ser desertos, uma grande mudança global teria que acontecer. Os ventos de escala global teriam que soprar em outras direções, o eixo da Terra teria que ter outra inclinação, etc. Como essas coisas são muito difíceis de acontecer em um curto período de tempo (inferior a 10 mil anos, eu diria), então dentro da existência de nossa civilização, eu diria que continuarão sendo desérticas.

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Areia do Saara na América do Sul :)

Posted by on 7-ago-2013 in Blog, Desertos, Nuvens | 0 comments

A Flávia me mandou um link bem interessante: Grãos de areia do Deserto do Saara vão chegar na América do Sul. É claro que é uma quantidade bem pequena de grãos e talvez alguns pilotos de avião vejam uma coloração marrom clara enquanto voam sobre o Oceano Atlântico e provavelmente essa areia não vai atrapalhar os vôos.

Esses grãos de areia são trazidos para a América do Sul principalmente pelos ventos alíseos, nome dado aos ventos das proximidades da linha do Equador.  Muitos desses grãos de areia certamente serão núcleos de condensação de tempestades da Região Amazônica e de demais regiões do norte da América do Sul e sul da América Central.

No vídeo abaixo, que trata-se de uma animação de imagens de um satélite da NOAA, é possível ver a pluma de poeira do deserto atravessando o Oceano Atlântico. A NOAA também possui um modelo matemático especializado em aerossóis, o  NOAA NGAC. E de acordo com esse modelo, a previsão é de que realmente ela atravesse o Atlântico e chegue até a América do Sul.

A animação foi feita usando imagens de 31 de julho até 03 de agosto.

Poeira do Saara costuma viajar por aí com certa frequência, dependendo da direção e da intensidade do vento. Nesse post do começo do ano, poeira do deserto do Saara (na região da Líbia) atravessava o Mar Mediterrâneo, chegando no sul da Europa.

 

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Chuva de sangue!

Posted by on 25-out-2012 in Blog, Chuva, Desertos | 0 comments

Meu amigo Roger me mandou uma notícia muito interessante e decidi comentá-la aqui. Obrigada, Roger :)

O título da notícia é: Meteorologista preveem “chuva de sangue” no Reino Unido. O título é bem proposital e garante cliques. Escrever um bom título para sua matéria sempre foi uma grande preocupação dos jornalistas, desde a época em que só havia jornal impresso. Com a internet, escrever um bom título garante clique, garante que a notícia estará na lista das mais lidas e talvez até das mais comentadas. Na maioria dos portais, a notícia só aparece na íntegra após clicar no link e o link normalmente é o título da notícia.

O que seria a tal chuva de sangue?

Sabemos que a chuva é composta basicamente por água, que quando disposta em pequenas quantidades (como gotas) é incolor. No entanto, as gotas de chuva interceptam todo material em suspensão na atmosfera (poluição gasosa, fuligem, poeira, etc) antes de atingirem o solo.  Os meteorologistas britânicos preveem que poeira vermelha proveniente do deserto do Saara poderá chegar até o sudeste do Reino Unido por esses dias (a notícia é de ontem, dia 24 de  outubro).

Apesar da enorme distância entre o deserto do Saara e o Reino Unido (mais de 2000km de distância), a poeira é tão fininha que em algumas situações pode ser carregada pelo vento em longas distâncias. A chuva então intercepta essa poeira que tem tonalidade avermelhada e as gotas d’água ficam ‘tingidas’ de vermelho.

 

Imagem obtida pelo sensor Sea-viewing Wide Field-of-view (SeaWiFS) que está abordo do satélite OrbView-2. A imagem mostra uma enorme quantidade de poeira do deserto do Saara se deslocando para o sul da Europa, mais especificamente para a direçãoda Itália e Grécia. (NOAA/orbimage HO)

O fenômeno é bastante raro no Reino Unido e é relativamente mais comum em países do sul da Europa, como Espanha, Itália, Portugal e sul da França, que estão mais próximos do Saara.

Um incidente bem documentado desse fenômeno aconteceu em 2001, no sul do Estado indiano de Kerala, chegando inclusive a manchar as roupas dos moradores. Como a Índia está distante do deserto do Saara, certamente a poeira avermelhada veio de um dos desertos asiáticos.

Há também relatos de “chuvas de sangue” em textos históricos. O fenômeno é mencionado na Ilíada, de Homero, escrita no século 8 a.C., e em textos do século 12 do escritor Geoffrey de Monmouth, que popularizou a lenda do Rei Arthur. Antigamente, muitos acreditavam que a chuva era realmente de sangue e o fenômeno era considerado um mau presságio. Inclusive, a primeira das 10 pragas do Egito teria sido a água sendo transformada em sangue. Além do fenômeno da maré vermelha (crescimento descontrolado de uma espécie de microalga com coloração vermelha), o fenômeno da chuva de sangue poderia também estar associado a esta praga.

 

 

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Recordes de temperatura no mundo!

Posted by on 25-out-2011 in Blog, Desertos, Temperatura | 0 comments

No post de hoje vou falar sobre alguns recordes de temperatura pelo mundo.  Eu particularmente adoro recordes!

A medição sistemática (ou seja, todos os dias e com termômetros de qualidade) da temperatura é bastante recente na maioria dos países. Estados Unidos e Europa iniciaram a fazer registros sistemáticos de temperatura no século XIX. A Fort Collins Weather Station, no Colorado EUA, por exemplo, iniciou suas atividades em 1870, medindo até hoje algumas variáveis meteorológicas, dentre elas a temperatura. Há também uma Estação Meteorológica da Universidade de Graaz, na Áustria, em funcionamento desde 1836. E estes são apenas alguns exemplos! Quanto mais antiga a Estação Meteorológica, teremos um melhor conhecimento da história do clima daquela região. Infelizmente, nem todos os locais do mundo possuem estações meteorológicas e em muitos lugares, a estação é bastante recente, com menos de 20 anos de idade. Assim, parte da história do clima foi perdida! Quero dizer, pode ser que uma temperatura mais alta do que o valor máximo registrado tenha ocorrido antes da estação meteorológica ter sido instalada naquela região. Mas nunca saberemos.

Vamos então a alguns recordes pelo mundo.

Temperatura mais alta

Recordes de maior temperatura. A fonte desta informação está no final deste post.

O curioso sobre o recorde brasileiro de maior temperatura (44,7°C em 21/11/2005) é que o recorde anterior era  de 44,6°C, registrado em Orleans, Santa Catarina, em 06/01/1963. Santa Catarina é o estado brasileiro que detém o recorde de menor temperatura, como veremos em seguida.

Eu fiz um mapa com os locais da tabela acima, onde foram registradas as maiores temperaturas:


Visualizar Locais com as maiores temperaturas registradas em um mapa maior

Temperatura mais baixa

Recordes de menor temperatura. A fonte desta informação está no final deste post.

Eu fiz um mapa com os locais da tabela acima, onde foram registradas as menores temperaturas:


Visualizar Locais com as menores temperaturas registradas em um mapa maior

O pessoal da Estação Meteorológica do IAG-USP vem monitorando os valores de temperatura na cidade de São Paulo-SP (onde está localizada) desde 1933. Os recordes de temperatura registrados nessa cidade estão logo abaixo:

Recordes de temperatura em São Paulo. Fonte: Estação Meteorológica do IAG-USP

E você, torce para que esses recordes sejam quebrados? E nunca mais reclame que está muito frio ou muito calor :)

 

Fontes:

-National Climatic Data Center,NOAA.

- List of Weather Records, Wikipedia, the free encyclopedia

- INMET.

- EPAGRI/CIRAM. Curiosidades sobre o frio em Santa Catarina. Agradecimento especial ao colega meteorologista Marcelo Schneider por ter mandado este link.

IMPORTANTE: O recorde absoluto de maior temperatura já registrada no mundo mudou. Agora é de 56,7°C  e ocorreu em 10 de julho de 1913 no Death Valley. Leia  mais informações sobre esta mudança aqui.

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