Desertos

A planta que parece rocha: llareta

Posted by on 22-set-2014 in Biologia, Blog, Desertos | 0 comments

Planta llareta. Fonte: Wikimedia Commons

Planta llareta. Fonte: Wikimedia Commons

Importante: esse texto foi postado originalmente no blog Jornal de Serviços. Para conferir a versão original, clique aqui.

Outro dia estava folheando uma dessas revistas de curiosidades e vi então uma foto muito semelhante a que abre essa postagem. Fiquei bastante intrigada, porque parecia uma “rocha verde”. No entanto, tratava-se de uma planta: a llareta ou yareta.

Bom, já aviso para vocês que sou meteorologista e não bióloga. Mas plantas em geral chamam muito minha atneção, principalmente aquelas que ao longo dos anos e anos de evolução adaptaram-se magistralmente a condições climáticas aparentemente adversas. E esse é o caso da llareta.

A planta, que é uma parente bem distante da salsa, cresce em solos arenosos, com boa drenagem e nutricionalmente pobres. Ela é endêmica de partes da Puna, ecorregião que se estende até o deserto do Atacama. É uma região onde chove muito pouco. Há regiões no Atacama com total anual de chuva da ordem de 1,0mm. Como comparação, em São Paulo-SP chove em torno de 1200mm/ano.

Apesar de viver sob condições de escassez de água, há llaretas com quase 3000 anos! Elas são bastante duráveis. O que chamou minha atenção também foi a estrutura da planta: ela é super compacta, com seus pequenos galhos bem aglomerados. Essa características faz com que a perda de calor pela planta seja reduzida, característica muito importante, já que nos desertos a temperatura cai bastante a noite.

Ou seja, não trata-se de uma rocha coberta por musgos, como pode parecer a primeira vista. A estrutura inteira consiste em uma planta.

Além de reduzir a perda de calor, a robustez da planta faz com que ela seja tão forte que é possível ficar em pé em cima do arbusto, exatamente como se ele fosse uma rocha. Mas tudo isso tem um preço: a planta cresce apenas 1,5cm por ano.

P.S.: a Revista BBC FOCUS, em sua edição de setembro/2014,  publicou uma rápida reportagem sobre a llareta. Eles entrevistaram a pesquisadora Catherine Kleier, da Regis University, Colorado. Segundo a pesquisadora, a llareta provavelmente tornou-se forte através de uma combinação entre fatores ambientais (stress causado pela elevada amplitude térmica dos desertos) e pressões de pastejo. Como a planta é super compacta, ela não se torna uma fonte de alimento interessante para pequenos roedores, como a viscacha, também endêmica da região.

Oi!

Oi!

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As Latitudes dos Cavalos

Posted by on 12-set-2014 in Artes Plásticas, Blog, Circulação da Atmosfera, Desertos, Música, Vento | 0 comments

Capa do single, lançado em janeiro de 1972. Fonte: Wikimedia Commons

Capa do single, lançado em janeiro de 1972. Fonte: Wikimedia Commons

Eu estava ouvindo a música A Horse with no name, do America e lembrei que tinha lido que a música se chamaria Desert Song.

A música descreve uma viagem no deserto do Arizona e do Novo México em direção ao Oceano Pacífico e é uma de minhas músicas favoritas.

And the sky with no clouds / The heat was hot and the ground was dry

Pura meteorologia! Pelo que li, o grupo inspirou-se em gravuras de cavalos feitos por Escher e em “desertos” que aparecem em pinturas Salvador Dalí. Como se os cavalos de Escher tivessem “saído” da gravura (o que quase é possível) e entrado no quadro de Dali. Impressionantemente criativo.

Abaixo, algumas das gravuras de Escher que retratam cavalos. Escher costumava deixar o apreciador “confuso”, tentando pegar todos os detalhes da imagem:

Escher Escher

E em diversos trabalhos de Dalí, o “fundo”, o “horizonte ” parece ser um deserto. Em dois de seus trabalhos, A Persistência da Memória e O Grande Masturbador o “fundo” é na verdade uma região do litoral da Catalunha, o Cabo de Creus. Bom, a verdade é que olhando assim parece mesmo um deserto:

A Persistência da Memória, de Salvador Dali

A Persistência da Memória, de Salvador Dali

O Grande Masturbador, Salvador Dalí

O Grande Masturbador, Salvador Dalí

Daí fiquei com vontade de escrever um post falando das Latitudes dos Cavalos. Mas o que que é isso?

horselatitudes

As Latitudes dos Cavalos são localizadas aproximadamente em 30°N e 30°S, como mostra a figura acima. Aproximadamente nessas regiões é onde os ventos de escala global divergem: vamos ter ventos em direção ao Equador (os alíseos) e ventos em direção aos polos (os mais conhecidos são os ‘westerlies’). Essa divergência dos ventos resultam em uma área de alta pressão, com ventos calmos, céu ensolarado e pouca ou nenhuma precipitação.

Agora vou relacionar uma série de posts que já escrevi aqui no Meteorópole. O primeiro deles é este, quando falo sobre os ventos em escala global. Falo sobre as células de circulação no globo e menciono a Célula de Hadley, que é importante para definirmos a latitude dos cavalos:

A célula de Hadley é o nome dado a um dos padrões de circulação global (em vermelho, na ilustração). O ar sobe na região do Equador terrestre, provocando convecção (Zona de Convergência Intertropical). Em níveis mais altos da troposfera, o ar desloca-se para os trópicos (próximo as linhas dos trópicos de Câncer e Capricórnio, ou seja, nos dois hemisférios). O ar desce sobre essas regiões e volta, em superfície, para o Equador. Fonte: The COMET Program

A célula de Hadley é o nome dado a um dos padrões de circulação global (em vermelho, na ilustração). O ar sobe na região do Equador terrestre, provocando convecção (Zona de Convergência Intertropical). Em níveis mais altos da troposfera, o ar desloca-se para os trópicos (próximo as linhas dos trópicos de Câncer e Capricórnio, ou seja, nos dois hemisférios). O ar desce sobre essas regiões e volta, em superfície, para o Equador. Fonte: The COMET Program

Por volta dos 30°S e 30°N é onde está o ramo subsidente da célula de Hadley. Isso significa que o ar está descendo. Em baixos níveis, na superfície, o ar está indo em direção ao Equador (os alíseos). Nesse post, falei um pouco mais sobre isso:

Traduzindo cada um dos passos que explicam a Célula de Hadley na figura acima:

A: O Sol aquece o ar no Equador. O ar quente sobe e o vapor d’água condensa. Um montão de chuva!

B: O ar é transportado na direção dos pólos em altitudes elevadas, tanto no Hemisfério Sul quanto no Hemisfério Norte. É aqui que temos oscontra-alísios.

C:  O ar então desce por volta dos 30°S ou 30°N (dependendo do Hemisfério). Nessas regiões, é bastante seco. Mas é claro, há fatores locais que fazem com que não necessariamente haja um deserto (leia mais aqui).

D: Perto da superfície, o ar seco vai em direção ao Equador. E aqui temos os alísios. No meio do caminho, o ar vai pegando umidade. E então o ciclo continua, voltando para A.

E é aproximadamente por volta dos 30°N e 30°S que temos desertos. Até falei um pouco sobre esse assunto nesse post (e nesse outro também, em que defino a palavra deserto). Por essa razão, lembrei da música do America. De fato existem raças de cavalos adaptadas aos desertos. Há o Cavalo do Deserto da Namíbia, um cavalo feral que tem como ancestrais cavalos criados por alemães em fazendas da região durante a Primeira Guerra Mundial.

Cavalo do Deserto da Namíbia. Fonte: Wikimedia Commons

Cavalo do Deserto da Namíbia. Fonte: Wikimedia Commons

Há também os famosos cavalos árabes, que são muito utilizados pelos beduínos. São totalmente adaptados às condições de deserto. É a raça de cavalo mais antiga do mundo: há evidências de que já eram usados para carga em 2500 a.C.

Cavalo Árabe. Fonte: Wikimedia Commons

Cavalo Árabe. Fonte: Wikimedia Commons

Bom, aparentemente é só uma coincidência, embora interessante. Fui pesquisar porque a Latitude dos Cavalos tem esse nome e a história é bastante curiosa. Tem a ver com cavalos, mas não tem a ver com uma raça de cavalos específica.

Quando os navegadores europeus saiam em direção ao Novo Mundo (ou América rs),  frequentemente ficavam presos por dias ou até semanas quando eles encontravam essas áreas de alta pressão, onde os ventos eram muito fracos e prejudicavam a navegação. Além disso, não chovia nada. Dessa maneira, a tripulação logo ficava sem água.

Nessas grandes naus também eram transportados todo tipo de carga viva, como cavalos, por exemplo. Para economizar água e muito desesperada, reza a lenda que a tripulação jogava os cavalos no mar. Dessa maneira, teriam mais água para o consumo humano.

O que também me inspirou e me deu as informações necessárias para escrever esse post, foi esse tweet da NOAA:

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Dúvida do Leitor: São Paulo era para ser um deserto?

Posted by on 26-jul-2014 in Blog, Desertos, Dúvida do Leitor | 0 comments

O leitor Ralph sempre manda umas perguntas muito pertinentes, que me inspiram a escrever posts bem interessantes (leia outras aqui e aqui).

Recentemente ele fez outra pergunta muito boa.

É verdade que todo lugar por onde passa o trópico de capricórnio tende a ser  deserto (deserto da Namíbia, deserto da Austrália) e que SP só não o é por causa da umidade que vem da floresta amazônia canalizada para o sul pelos Andes?

Sim, é verdade!

Mas não vamos acabar o post por aqui. Primeiro vou mostrar um mapa que ilustra o que o Ralph disse na pergunta:

Desertos do mundo. Reparem como há desertos nas regiões próximas do Trópico de Capricórnio e do Trópico de Câncer. Fonte: GROASIS.com

Desertos do mundo. Reparem como há desertos nas regiões próximas do Trópico de Capricórnio e do Trópico de Câncer. Fonte: GROASIS.com

Observando a figura acima, notamos que ao longo do Trópico de Capricórnio temos o Deserto do Atacama, o Deserto de Kalahari e o Deserto Australia. E se rebatermos a observação para Norte, olhando o Trópico de Câncer, notamos o Deserto Norte-Americano (super cenário do livro Desperation), o majestoso Deserto do Sahara e o Deserto da Península Arábica.

E por que isso acontece bem onde passam os trópicos? Isso tem a ver com a circulação global da atmosfera. Nesse post, em que falamos do significado do termo deserto, nós falamos sobre essa característica. Vou copiar um trecho:

As regiões próximas a linha do Equador, apesar de receberam mais radiação solar, não possuem desertos porque temos um forte movimento de convecção. Isso significa que o Sol aquece a superfície da Terra nesses locais  e consequentemente aquece o ar acima dela,  que sobe e forma nuvens (através da condensação do vapor d’água). Na faixa equatorial de nosso planeta é onde encontramos os maiores acumulados de precipitação.

Nos níveis mais altos da atmosfera, o ar que subiu formando as nuvens nas proximidades da linha do Equador movimenta-se em direção aos trópicos e desce nos subtrópicos, próximo dos trópicos de Capricórnio e Câncer. Esse ar então esfria-se na superfície, movimenta-se em direção ao Equador novamente. Isso fecha a Célula de Hadley (ou circulação de Hadley).

Esse ar que desce nos subtrópicos já é bem seco, porque perdeu toda a umidade lá no Equador (com a chuva que caiu).  No seu movimento de descida (movimento descendente), esse ar se aquece um pouco e fica ainda mais seco. O movimento descendente dificulta a formação de nuvens. Os chamados desertos quentes forma-se nessa região de ar descendente, que consistem nas proximidades dos Trópicos de Câncer (Hemisfério Norte) e Trópico de Capricórnio (Hemisfério Sul).

A célula de Hadley é o nome dado a um dos padrões de circulação global (em vermelho, na ilustração). O ar sobe na região do Equador terrestre, provocando convecção (Zona de Convergência Intertropical). Em níveis mais altos da troposfera, o ar desloca-se para os trópicos (próximo as linhas dos trópicos de Câncer e Capricórnio, ou seja, nos dois hemisférios). O ar desce sobre essas regiões e volta, em superfície, para o Equador. Fonte: The COMET Program

A célula de Hadley é o nome dado a um dos padrões de circulação global (em vermelho, na ilustração). O ar sobe na região do Equador terrestre, provocando convecção (Zona de Convergência Intertropical). Em níveis mais altos da troposfera, o ar desloca-se para os trópicos (próximo as linhas dos trópicos de Câncer e Capricórnio, ou seja, nos dois hemisférios). O ar desce sobre essas regiões e volta, em superfície, para o Equador. Fonte: The COMET Program

Uma grande quantidade de umidade vem da Região Amazônica e é canalizada pelos Andes chegando até o Paraguai, norte da Argentina, Região Sul, oeste da Região Sudeste e sul Região Centro-Oeste. Esse fenômeno chama-se Jato de Baixos Níveis (JBN) e é uma caracerística da circulação em diversas regiões do planeta, onde há uma grande fonte de umidade e a presença de cadeias de montanhas que canalizam o vento. Em 2004, eu ainda estava na graduação, e estudei o JBN em um trabalho de Iniciação Científica (IC). Veja a publicação aqui. Confesso para vocês que me arrependo muito de não ter continuado esse trabalho no mestrado.

Em meu trabalho de IC (muito preliminar, claro), concluí que:

A precipitação mostrou-se mais intensa e concentrada (quanto há JBN) corrente abaixo do JBN. Deste modo, o JBN parece favorecer a precipitação no norte da Argentina, Rio Grande do Sul e Uruguai, e desfavorecer esta no centro-oest e e sudeste do Brasil.

Claro que atualmente sabe-se mais sobre este fenômeno, já que novos artigos foram publicados. Inclusive o termo popularizado foi “Rios Voadores“. Houve até uma exposição no SESC sobre esses tais rios voadores.

O principal rio voador do Brasil nasce no oceano Atlântico, bomba de volume ao incorporar a evaporação da floresta Amazônica, bate nos Andes e escapa rumo ao sul do país. “O vapor d’água que faz esse trajeto é importantíssimo para as chuvas de quase todo o Brasil”, afirma o engenheiro agrônomo Enéas Salati, da Universidade de São Paulo (USP). Leia mais aqui.

Acredito que a umidade trazida pelo JBN é mais importante para o oeste da Região Sul, oeste e sul do Estado de São Paulo e no sul da Região Centro-Oeste. Na faixa mais a leste das Regiões Sudeste e Sul, a umidade vinda do oceano tem papel mais dominante, de modo que o próprio formato da América do Sul (que se afunila quando se dirige ao sul), favorece que a região seja abastecida por umidade (falei desse aspecto nesse post).

Sendo assim, são variados os aspectos que fazem com que São Paulo não seja uma região desértica. Acho que os principais foram abordados nesse post. Se alguém tiver alguma observação ou alguma dúvida, basta entrar em contato :).

 

 

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Poeira do Saara atravessa o Atlântico

Posted by on 2-jul-2014 in Blog, Chuva, Desertos, Imagens de Satélite | 3 comments

Sempre que surge uma imagem de satélite em que é possível observar a poeira do Deserto do Saara atravessando o Atlântico ou chegando até o sul da Europa (dependendo da direção do vento), a imagem vira destaque na imprensa.

Aqui no Meteorópole mesmo já destaquei uma viagem dessa poeira até a América do Sul (veja aqui), ou viajando até o sul da Europa (veja aqui) ou sendo responsável pelo fenômeno Chuva de Sangue, no Reino Unido (veja aqui).

No final do mês passado, a EUMETSAT divulgou o vídeo abaixo em seu canal:

EUMETSAT (European Organisation for the Exploitation of Meteorological Satellites ) é uma organização científica com vários países europeus participantes. Eles são os responsáveis pelo lançamento dos satélites Meteosat. E o vídeo acima foi feito a partir de imagens obtidas pelo Meteosat-10, um desses satélites. Essas imagens são do período entre 22 e 25 de Junho de 2014.

É possível ver a jornada da poeira do deserto. Acompanhando os ventos, minúsculas partículas de poeira chegam até a América. São importantes núcleos de condensação,  ou seja, superfícies nas quais o vapor d’água presente na atmosfera vai se condensar para formar as gotículas das nuvens.

Assim, a poeirinha que veio lá do Saara pode ser uma das responsáveis por aquela tempestade da tarde, típica de cidades da Região Norte, como Belém e Manaus.

Estima-se que 40 milhões de toneladas de areia do Deserto do Saara chegue até a Bacia Amazônica todos os anos. Isso mesmo! Quarenta milhões de toneladas. Confesso para vocês que enquanto escrevia esse post, reli a matéria várias vezes para ter certeza que eu tinha entendido corretamente.

Assim, além da disponibilidade de vapor d’água, decorrente da evapotranspiração da floresta e também devido ao fato de a floresta estar em uma zona tropical (onde há naturalmente mais calor e mais evaporação), também temos a presença de eficientes núcleos de condensação. A água precisa se condensar em uma superfície e encontra na poeira do deserto condições ideais para isso.

Aparentemente, a quantidade de poeira que vem do deserto do Saara tem aumentado nos últimos anos.  Cientistas tem investigado se a poeira do deserto causa algum dano para a vida animal e vegetal. Alguns estudos indicaram possíveis relações entre poeira do deserto e o clareamento dos corais no Caribe e entre o aumento na quantidade de certos tipos de algas (veja as referências e leia mais aqui).

Além disso, a ‘nuvem de poeira ‘ passa sobre  a região onde os furacões ‘nascem’, que é bem no litoral noroeste da África. A poeira pode refletir a luz solar, reduzindo a temperatura do oceano no local, o que faria com que menos furacões nascessem. Por outro lado, uma maior quantidade de poeira faria com que existisse mais núcleos de condensação sobre a região, favorecendo a formação de nuvens e assim favorecendo o nascimento dos furacões. Sendo assim, o efeito dessa poeira na formação de furacões ainda é incerto.

Uma das paisagens do Deserto do Saara. Foto de Luca Galuzzi - www.galuzzi.it

Uma das paisagens do Deserto do Saara. Foto de Luca Galuzzi – www.galuzzi.it

 

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Mais um post no Jornal de Serviços: O que é Amplitude Térmica?

Posted by on 26-jun-2014 in Blog, Desertos, Temperatura | 0 comments

DIVULGACAO_jsEsse é mais um post que escrevo para o blog Estação Meteorológica, do Jornal de Serviços.

O Jornal de Serviços é um portal com excelentes blogs. Tem blog de moda, blog de jardinagem, blog de Direito (com tudo bem explicadinho), blog sobre curiosidades do passado, um blog de economia sem economês, etc. Clique aqui e veja a lista completa. Eu fiquei muito feliz com o convite do Paulo, para escrever por lá. Normalmente escrevo um post por semana. É mais um canal para popularizar a meteorologia.

No post dessa semana, falo sobre Amplitude Térmica. Explico o que significa esse termo, que certamente será ouvido nos próximos meses com muita recorrência.

Amplitude térmica é a diferença entre a maior e a menor temperatura do dia. Quando a amplitude térmica é alta, significa que a diferença entre temperatura mínima e temperatura máxima foi muito grande. Como conseguimos prever com bastante eficiência a maior e a menor temperatura do dia, é possível também prever a amplitude térmica.

Eu já falei sobre Amplitude Térmica em outros posts do Meteorópole. O principal deles é esse em que falo sobre a definição de deserto.

Espero que vocês gostem. E gostaria que meus leitores me prestigiassem lá também, além de também poder conhecer os outros blogs do portal.

 

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Fifa diz que Copa no Qatar deverá ser disputada entre novembro e janeiro

Posted by on 8-jan-2014 in Blog, Calor, Desertos, Geografia | 0 comments

A Copa do Mundo de 2022 está prevista para ser disputada no Qatar.

Localização do Qatar. Fonte: Wikimedia Commons

Localização do Qatar. Fonte: Wikimedia Commons

Esse país é localizado numa pequena península do mesmo nome, que está localizada à nordeste da Península Arábica. É um país de clima seco e quente, classificado como desértico. Uma partida de futebol em um local assim é um grande desafio, uma vez que essas condições muito adversas podem prejudicar a saúde dos jogadores.

Uma curiosidade interessante sobre o Qatar é que o país está quase todo no nível do mar. Para vocês terem uma ideia, o ponto mais alto com relação ao nível do mar tem altitude de cerca de 100m.

Como está no Hemisfério Norte, o verão deste país ocorre no meio do ano. Entre maio e setembro, o calor é muito intenso e a umidade relativa é muito baixa, condições adversas para a prática de qualquer atividade ao ar livre. As temperaturas podem alcançar até 50°C no verão. Imaginem um jogo nessas condições.

Entre Novembro e Maio, as temperaturas são moderadas e podem chegar perto dos 5°C. A chuva é muito pouca: cerca de 100mm por ano. Só para vocês terem uma idéia, em São Paulo-SP chove aproximadamente 1300mm por ano e há regiões da Floresta Amazônica com total superior a 2500mm por ano. Essa pouca chuva cai durante os meses de inverno, algumas vezes em tempestades intensas que chegam a causar enchentes.

Além do calor e da secura, o país também é assolado por tempestades de areia, já que a região faz parte do que chamamos de Deserto da Arábia. Inclusive encontrei um vídeo de uma dessas tempestades de areia e é impressionante:

Boa parte da água utilizada no país é obtida através da dessalinização da água do mar.

O calor é tão intenso que há um tempo atrás eu li que uma universidade do Qatar estava desenvolvendo um projeto de nuvem artificial. Essa nuvem ficaria sobre os estádios, na frente do disco solar, enquanto ocorressem os jogos. O projeto é tão grandioso que nem consigo explicar, tem um vídeo que explica a ideia melhor:

É como se um disco voador ficasse sobre o estádio, fazendo as vezes de um enorme guarda-sol. A BBC deu um grande destaque a esse projeto alguns anos atrás.

Hoje eu li essa reportagem da Folha de São Paulo, onde é dito que um secretário da FIFA cogita um calendário diferente: os jogos da Copa 2022 deverão ocorrer entre 15 de novembro e 15 de janeiro. Dessa forma, vão pegar o inverno do país, quando as temperaturas são mais amenas.

A maioria das copas ocorrem no meio do ano. Como a maior parte dos países que sediaram a copa até hoje estão localizados no Hemisfério Norte, alguns inclusive de altas latitudes (distantes do Equador), fazer com que o evento ocorra no verão é o mais lógico, evitando as temperaturas frias e até congelantes (dependendo do local). Quando as copas foram realizadas no Brasil ou no Uruguai, manteve-se a mesma regra, já que nosso inverno (que ocorre no meio do ano), não é tão rigoroso. Em alguns casos, deslocaram um pouquinho o calendário e fizeram com que o evento ocorresse na primavera.

Não sou uma grande conhecedora de futebol, mas acho que é a primeira vez que o evento ocorrerá em um local com condições climáticas tão adversas.  Acho que foram sábios em alterar o calendário. Encontrei o gráfico abaixo nesse site, com os valores médios diários de temperatura máxima (maior do dia) e temperatura mínima (menor do dia). Por volta do dia 6 de julho, a temperatura média máxima é 41°C e a temperatura média mínima 31°C. Mas gente, imaginem acordar com 31°C! Imaginem uma madrugada com temperatura superior aos 31°C. Ar condicionado é obrigatório.

daily_high_and_low_temperature_temperature_c

No WeatherSpark também encontrei outro gráfico muito interessante. Ele mostra a porcentagem do ano com cada uma das “bandas” de temperatura, que o site classifica da seguinte maneira:

- frigid (frio de matar): inferior a -9°C

- freezing (congelante): entre -9°C e 0°C

- cold (frio): entre 0°C e 10°C

- cool (fresquinho, maneiro): entre 10°C e 18°C

- comfortable (confortável): entre 18°C e 24°C

- warm (quentinho): entre 24°C e 29°C

- hot (calor): entre 29°C e 38°C e

- sweltering (escaldante): acima de 38°C.

Entre junho e agosto, é 30% do tempo escaldante. O restante do tempo, no verão, é calor ou quentinho (quentinho só se tiver sorte). Os dias frescos estão realmente concentrados entre novembro e janeiro.

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Ao que parece, alterar o calendário dos jogos é apenas a opinião pessoal apenas de um secretário da FIFA. A FIFA ainda não se pronunciou oficialmente.

E aproveito para recomendar muito o WeatherSpark. Você digita o nome da cidade  e são fornecidas informações muito boas, valiosas para quem pretende organizar uma viagem, por exemplo.

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