Poluição do Ar

A cidade de São Paulo está com o ar menos poluído

Posted by on 29-out-2014 in Blog, Poluição do Ar | 0 comments

Quando li Novembro de 1963 (fiz resenha aqui), uma das observações feitas pelo protagonista-narrador Epping/Amberton é de que o passado tem cheiro de poluição.  Trazendo essa constatação da Nova Inglaterra para a realidade de São Paulo-SP, conclui-se que o mesmo acontece por aqui, pelo menos para alguns poluentes específicos.

Em um estudo recente feito por pesquisadores do IAG/USP foi revelado que nos últimos 30 anos, caiu consideravelmente a concentração de um poluente chamado acetaldeído. Parte dos resultados dessa pesquisa foram divulgados na Revista FAPESP, que tem como objetivo divulgar pesquisas científicas financiadas pela agência de fomento de mesmo nome.

O acetaldeído pertence a família dos aldeídos e é liberado principalmente por veículos movidos a etanol. Os aldeídos estão associados com irritações nas mucosas, crises asmáticas, são carcinogênicos e contribuem para o aquecimento global pois na forma de gás, ele absorve radiação infra-vermelha, deixando a atmosfera mais quente.

No primeiro gráfico da figura abaixo é possível observar a queda na concentração de acetaldeídos. Essa queda deve-se principalmente ao aperfeiçoamento da tecnologia dos motores a álcool. E mesmo com o recente aumento de carros com motores flex (que aceitam álcool e gasolina), a concentração de acetaldeídos continuou em declínio. Além do aumento do número de veículos com motores flex, houve também um aumento na frota. O segundo gráfico da figura abaixo mostra que no início da década de 80 tínhamos 1 carro para cada 15 pessoas. Em 2011, era 1 carro para cada 3 pessoas. Mas ainda assim, a concentração de acetaldeído caiu ao longo de quase 30 anos de dados.

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A pesquisa foi publicada no periódico científico Fuel e o gráfico acima foi adaptado desse periódico pela equipe da Revista FAPESP.

Para frear o aumento da emissão de aldeídos, é fundamental investir em catalisadores. Catalisador é um equipamento instalado no escapamento de um carro e que tem como objetivo tratar os gases emitidos no processo de combustão antes que eles sejam liberados no ambiente. De acordo com a reportagem de divulgação, todos os veículos que saem das fábricas atualmente precisam atender uma resolução do Proconve (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores) que determina que os veículos devam vir equipados com catalisadores de 3 vias, que recebem esse nome porque ajudam a reduzir as emissões de três tipos de poluentes atmosféricos: monóxido de carbono (CO), óxidos de nitrogênio (NO2) e compostos orgânicos voláteis, grupo no qual se inserem os aldeídos.

Além dos catalisadores, a maior popularização de carros com injeção eletrônica e a melhoria da câmera de combustão também contribuíram para essas melhorias na qualidade do nosso ar. Como não entendo nada de carros, além do básico, leiam a reportagem para mais informações.

Uma notícia boa para quem mora nas cidades! Mas é preciso lembrar que o vilão ainda é o material particulado, que quando é bem fino pode entrar em nossas vias respiratórias. As complicações vão desde asma até enfisema pulmonar e problemas circulatórios. Falei sobre esse tipo de poluente nesse post.

Perdoem pela ausência de posts nos últimos dois dias. Teve um feriado e aproveitei a ocasião para passear, ler, ver filmes e arrumar a casa. Fui a um lindo sítio no último sábado e encontrei um fogão a lenha em ruínas, um grande emissor de material particulado. Fiquei pensando na saúde prejudicada de tantas mulheres que no passado ficavam em cozinhas escuras, cozinhando para suas famílias e inalando partículas da queima da lenha.

10707242_1555532031327618_1360431300_nEssa semana acho que vai ter resenha de outro livro do Stephen King. Também estou atuando como first reader de alguns contos, mas ainda é segredo =). Não vou prometer nada, mas fiquem ligadinhos.

 

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Como a mudança climática está deixando o smog ainda pior

Posted by on 10-set-2014 in Blog, Mudanças Climáticas, Poluição do Ar | 0 comments

Antes de mais nada, é preciso definir o que é smog.

Smog na cidade do Cairo, Egito. Fonte: Wikimedia Commons

Smog na cidade do Cairo, Egito. Fonte: Wikimedia Commons

O termo smog deriva de smokefog, ou seja fumaça e nevoeiro/neblina. Refere-se normalmente ao ar altamente poluído que se forma sobre as grandes cidades em episódios de ar estável e relativamente úmido, quando há emissões de dióxido de enxofre e aerossóis, oriundos da queima de combustíveis fósseis.

Atualmente, o termo smog é usado para definir episódios de poluição do ar muito severa em áreas urbanas, com redução da visibilidade. Para separar dos episódios de nevoeiro comuns (que ocorrem no inverno, durante a madrugada, perto de lagos, etc), muitas estações meteorológicas usam o termo névoa seca.

O chamado smog clássico (ou smog de Londres) vem de uma época em que não havia regulamentações para a poluição do ar e o debate acadêmico sobre o assunto ainda era incipiente.

Em 1661, John Evelyn, inglês que costumava escrever em diários (que eram muito úteis no passado e ainda o são, na forma de blogs). Ele notou, empiricamente, que a poluição do ar da cidade de Londres estava afetando a saúde das pessoas e das plantas. No século XVII, havia relatos de plumas de cerca de 800m de altura e 32 km de largura que cobriam parte da cidade de Londres. Uma das sugestões de Evelyn era de que as indústrias ficassem mais distantes da cidade e de que as chaminés fossem mais altas.

Com o relato de Evelyn, quero dizer que mesmo que a discussão acadêmica fosse incipiente e mesmo que não houvesse regulamentação, claro que as pessoas já notavam os efeitos da poluição do ar em suas vidas.

No tipo clássico de smog, algumas partículas de poluição do ar são higroscópicas, ou seja, tem afinidade com a água, Elas servem de núcleo de condensação para que a umidade do ar se deposite sobre elas. O resultado é um denso nevoeiro. O gás dióxido de enxofre dissolve nas gotinhas que formam esse denso nevoeiro, onde oxidam e formam o ácido sulfúrico, ácido relativamente forte que prejudica as vias respiratórias.

Um episódio marcante de smog londrino foi o Great Smog de 1952. Por 5 dias, os moradores de Londres enfrentaram o pior episódio de smog já registrado. Cerca de 4000 pessoas morreram durante esses dias, em decorrência de problemas respiratórios e mais 8000 pessoas morreram nos meses subsequentes. Depois desse horrível episódio, leis foram aprovadas no Reino Unido para que fosse eliminado o uso de carvão e lenha para aquecimento doméstico. As leis foram sendo regulamentadas e implantadas em outros países também, mas ainda hoje a poluição do ar é um problema muito sério nas grandes metrópoles mundiais. Falei um pouco sobre o perfil da poluição em São Paulo nesse post. As cidades cresceram muito e em muitos casos (como São Paulo) os maiores poluidores são os veículos. No entanto, ainda há cidades na China e na Índia que não tem leis rígidas sobre o assunto e onde ainda queima-se carvão ou lenha na indústria e para aquecimento residencial.

Até aqui contei um pouco da história do smog clássico, vamos ao smog fotoquímico (que também é conhecido na literatura como Smog de Los Angeles). Ele se forma de maneira diferente e tem mais a ver com nossa cidade, São Paulo.

Em muitas metrópoles pelo mundo, atualmente a maior fonte de poluentes vem dos automóveis. Essa poluição pode ser combinada com luz solar e com eventos de “ar estagnado“, formando o smog de orígem fotoquímica.

Não vou entrar nos detalhes sobre a química, mas acontece que os veículos emitem muitos poluentes. Aqui vamos nos ater aos óxidos de nitrogênio (NO2 e NO) e aos compostos orgânicos voláteis (hidrocarbonetos, aldeídos e outras moléculas a base de carbono). Em situações de luz solar intensa (dias de outono completamente sem nuvens, por exemplo), ocorrem reações químicas entre essas substâncias que formam o ozônio troposférico, um poluente secundário altamente oxidante, que irrita as mucosas, piora quadros alérgicos, etc. O ozônio estratosférico, da “camada de ozônio” nos é benéfico pois filtra parte dos raios UV. No entanto, quando próximo da superfície, esse ozônio prejudica nossa saúde. É por isso que atualmente discute-se tanto a melhoria dos transportes coletivos por um motivo principal: saúde. Melhorando o transporte público e tornando-o cada vez menos poluente, menos carros estarão nas ruas para emitir os componentes primários que formam o ozônio. Além disso, as emissões de material particulado (outro tipo de poluente, altamente prejudicial ao sistema circulatório e respiratório), também serão reduzidas.

Depois de ter feito essa introdução sobre tipos de smog, vamos ao artigo que li essa semana e me motivou a escrever esse post. A mudança climática está alterando a circulação atmosférica e os padrões de precipitação. Os extremos (período seco intenso e período chuvoso mais intenso ainda) estão ficando comuns em boa parte do globo.

Em alguns lugares do planeta, poderemos ter menos chuvas e menos ventos. Em um recente estudo publicado na Nature Climate Change [veja reportagem sobre o artigo aqui e veja informações sobre a publicação aqui], os pesquisadores observaram  a frequência e duração dos eventos de ar estagnado. Eventos de “ar estagnado” ou simplesmente estagnação são condições que limitam a dispersão dos poluentes, ou seja, ocorrem quando os ventos são fracos (perto da superfície e nas camadas mais acima também) e quando não há precipitação.

Se as concentrações de gases de efeito estufa continuarem aumentado, a temperatura média global poderá subir até 4°C até 2100. Usando modelos climáticos, os autores do artigo mencionado acima concluiram que as áreas sujeitas a eventos de ar estagnado podem atingir até cerca de 55% da população mundial. Algumas regiões podem sofrer aumento de mais 40 dias no total de eventos de estagnação por ano. Evidentemente, esse fato teria um enorme impacto na saúde humana.

E como o smog afeta a saúde humana? Apesar de ter citado o material particulado, não deixei claro que ele faz parte do smog, de certo modo. Porque sempre que tem os poluentes necessários para formar o smog fotoquímico (o caso mais comum nos dias de hoje), também há material particulado, já que as fontes desses poluentes são as mesmas.

Há pelo menos 4 pontos em que o smog pode afetar a saúde humana:

1) Cérebro:  alguns poluentes podem causar problemas cognitivos, pois as partículas podem atuar na degeneração dos neurônios.

2) Pulmões: material particulado bem pequeno, pode entrar nos pulmões e acumular dentro deles, resultando em inflamações e até problemas respiratórios.

3) Coração: níveis elevados de poluição estão associados com o risco de ataques cardíacos e acidentes vasculares,

4) Reprodução: os poluentes podem causar toxicidade no sangue da placenta, prejudicando o feto.

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Leia mais aqui.

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Imagem mostra diferentes níveis de poluição do ar em Pequim

Posted by on 17-abr-2013 in Blog, Opinião, Poluição do Ar | 0 comments

Recentemente vi essa montagem no G1, mostrando os diferentes níveis de poluição (observação visual) de poluição na cidade de Pequim, China. Cada faixa da imagem corresponde a um dia: do dia 06 de março até 15 de março de 2013:

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Repare na quinta faixa da figura. De a gente olhar no calendário, veremos que esta faixa corresponde ao dia 10 de março, que foi um domingo. Com menos veículos em circulação e menos fábricas em operação, a poluição diminui e os chineses podem finalmente ver o céu azul.

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Como grandes cidades brasileiras, Pequim sofre com engarrafamentos. Pequim tem 4,6 milhões de carros rodando, segundo este site especializado em notícias automotivas. Os congestionamentos e a poluição do ar foram um problema debatido durante os jogos olímpicos, tanto que na época (em 2008), houve restrição de circulação de veículos.

Parece um número absurdo, mas em São Paulo são 7 milhões de carros! Pequim possui cerca de 20 milhões de habitantes, enquanto São Paulo-SP possui cerca de 12 milhões de moradores. Repararam que o problema em São Paulo é muito maior, já que a proporção de carro/habitante é maior. Muitos moradores de Pequim são adeptos das bicicletas.

Também devemos lembrar que o mês de março em Pequim é bem seco. As chuvas monçônicas ocorrem de junho a setembro. Assim como a qualidade do ar cai drasticamente entre os meses mais secos de São Paulo (de junho até setembro), a qualidade do ar também cai bastante lá em Pequim durante a estação seca daquela região.

 

Aqui em São Paulo, a brisa marítima é uma grande responsável pela dispersão da poluição do ar. Lá em Pequim, há um problema meio sério: a cidade possui cadeias montanhosas a oeste e a norte da cidade (veja figura abaixo), dificultando a dispersão da poluição. É como se essas montanhas funcionassem como uma parede.

Cidade de Pequim. Fonte: Wikimedia Commons/NASA Landsat 7

Cidade de Pequim. Fonte: Wikimedia Commons/NASA Landsat 7

Olhando a localização da cidade de Pequim, me parece que a brisa marítima até chega por lá, uma vez que a cidade não é muito distante do litoral chinês. Muito provavelmente essas cadeias de montanhas impedem que a poluição seja dispersada pelo interior.

Fantástico, né? A imagem que abre a postagem é sem dúvida impressionante, mas deveríamos refletir sobre ela e pensarmos em nossas grandes cidades, como São Paulo, por exemplo. Vou repetir: em São Paulo-SP são 12 milhões de habitantes e 7 milhões de automóveis. Repararam que há mais de 2 carros por habitante? Chegamos em um ponto assustador! Isso precisa ser discutido, estamos atrasados, precisamos de transporte público de qualidade e que atinja todos os pontos da cidade. Precisamos de ciclovias, ciclofaixas e de respeito ao ciclista e ao pedestre.

Para refletirmos mais, sugiro o excelente documentário Sociedade do Automóvel:

P.S.: Descobri algo impressionante que eu não sabia: Pequim e Beijing é o mesmo nome para a mesma cidade.

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Poluição atmosférica por dióxido de nitrogênio

Posted by on 4-dez-2012 in A Atmosfera, Blog, Descargas Atmosféricas, Imagens de Satélite, Meio Ambiente, Poluição do Ar | 0 comments

O dióxido de nitrogênio (NO2) é um poluente atmosférico muito comum, conhecido por seu cheiro forte e coloração castanha em algumas situações (a maioria dos gases são incolores). De acordo com a Organização Mundial da Saúde, 2.4 milhões de pessoas morrem anualmente por doenças associadas a poluição do ar. A exposição a concentrações elevadas de NO2pode causar problemas respiratórios, principalmente para pessoas que já possuem alguma doença respiratória pré-existente.

Veículos automotores, usinas termoelétricas e siderúrgicas são as principais fontes antropogênicas de NO2. As fontes naturais incluem incêndios florestais (que podem ser intencionais), calor gerado pelos relâmpagos (que cria NO2 a partir de reações químicas entre N2 e O2) e atividade microbiana nos solos.

Para estudar a localização das fontes de NO2, a NASA usa imagens de satélite. As imagens de satélite são importantes ferramentas em estudos ambientais e meteorológicos. Através das imagens de satélite, podemos ver como as luzes das cidades se distrbuem pelo planeta:

Mapa das luzes da cidade. O mapa revela uma visão única da urbanização ao redor do globo. Tipicamente, as maiores concentrações de NO2 são encontradas em áreas urbanas com muito tráfego de veículos ou próximas a áreas industriais. Fonte: NASA

Esse tipo de informação nos permite determinar quais áreas do planeta são mais urbanizada, determinando assim áreas em que a emissão de NO2 pode ser mais alta. O mapa das luzes das cidades nos mostra que a costa leste americana é mais densamente urbanizada que a costa oeste. Também podemos ver grandes cidades sulamericanas, como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Buenos Aires e Montievidéu. A Europa também aparece bem iluminada no mapa, assim como áreas da China e do Japão. Há detalhes bastante curiosos: reparem como a Índia está perfeitamente destacada e limitada por suas nuvens. A fronteira norte da Índia consiste no Himalaia e outras regiões inóspitas, como poucos habitantes. Outra característica interessante deste mapa é a Àfrica. Embora seja um continete muito populoso, as luzes destacam-se apenas em áreas da África do Sul e da porção oeste do continente.

Agora, veja abaixo um mapa com as medições de NO2. As medições deste poluente são um grande indicador da localização de sua fonte, já que o NO2 tem um tempo de residência de aproximadamente 1 dia, ficando assim concentrado bem próximo às fontes poluidoras. Observando o mapa abaixo, vemos altos níveis de concentração do poluente em cidades como Nova York, Beijing e Bruxelas. O ar é mais livre de NO2 em áreas bem pouco urbanizadas como Groelândia, norte da América do Sul (faixa que compreende a Floresta Amazônica) e oeste da Austrália.

Fonte: Aura Mission/NASA

Esse mapa foi produzido pela equipe de pesquisadores da Aura Mission, divisão da NASA que estuda poluição atmosférica.
Esse post foi escrito usando informações de divulgação da NASA.

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A história por trás da foto

Posted by on 7-set-2012 in Blog, Fotografia, Notícias, Poluição do Ar | 0 comments

Lembram quando falei sobre poluição do ar e mostrei uma foto de Thiago Queiroz, da Agência Estado? Relembrem aqui. Vou postar a foto do Thiago aqui para vocês lembrarem.

Foto de Tiago Queiroz/AE.

Através dos comentários, o Thiago me avisou para ficar de olho no Estadão no dia 04/09/2012. Fiquei curiosa e fiquei acompanhando o portal, o que já faço normalmente (principalmente as seções Ciência, Educação e Planeta). No dia 04/09/2012 foi ao ar um vídeo do Thiago explicando como ele obteve a imagem. Ele estava chegando em São Paulo de avião quando olhou pela janelinha e viu esse triste flagrante. Veja o depoimento de Thiago abaixo:

Parabéns, Thiago. Adorei conhecer os bastidores de sua foto :)

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A poluição do ar

Posted by on 28-jul-2012 in Blog, Poluição do Ar | 3 comments

Foto de Tiago Queiroz/AE.

Essa semana, vi a foto acima na página do Facebook do caderno Metrópole, do Estadão. Nas atualizações da página do Metrópole, sempre há imagens interessantes como esta, retratando belezas, curiosidades e horrores da cidade de São Paulo. Essa imagem, que mostra uma nítida camada de poluição sobre a cidade de São Paulo, é um desses horrores. Vou usá-la para ilustrar o post de hoje.

A poluição do ar é um dos grandes problemas da cidade de São Paulo. A maior fonte de poluentes é nossa frota de veículos. Os dados mais recentes apontam que há cerca de 1 carro para cada 2 habitantes. Os últimos dados mostram que a cidade de São Paulo possui cerca de 11 milhões de habitantes. Sem levar em consideração os habitantes das demais cidades da Região Metropolitana de São Paulo (cidades do ABC, Osasco, Guarulhos,etc). Muitos dos moradores dessas cidades trabalham em estudam na cidade de São Paulo.

Região Metropolitana de São Paulo. A cidade de São Paulo é a representada pelo número 1.

Eu não tenho carro e muitos amigos meus também não tem. Isso indica que muitas famílias possuem mais de 1 carro. O argumento utilizado para manter dois veículos é normalmente o mesmo: o rodízio. Com o rodízio, todos os carros ficam impedidos de circular em um dia da semana. Então, é prática comum que muitas pessoas tenham dois carros. Esses veículos emitem poluentes estranhos à composição da atmosfera. De acordo com a OMM (Organização Meteorológica Mundia, cuja sigla em inglês é WMO), a definição de poluentes atmosféricos é a seguinte:

Poluentes atmosféricos são substâncias (gases e partículas) que, quando presentes na atmosfera em quantidades suficientes, podem ser prejudiciais a pessoas, animais, plantas ou materiais, e que possam interferir na qualidade de vida. Alguns poluentes atmosféricos comuns são dióxido de enxofre (SO2), óxidos de nitrogênio (NOx), ozônio (O3) e outros gases oxidantes, monóxido de carbono (CO) e material particulado (MP). A atmosfera também contém relativamente grandes quantidades de dióxido de carbono (CO2) resultante da queima de combustíveis fósseis e outras práticas associadas ao uso do terra. Esta quantidade de CO2 vem crescendo nos últimos anos, e pode ser que a WMO passe a considerá-lo como um poluente, uma vez que está associado às mudanças climáticas, sendo portanto prejudicial.

E os principais poluentes emitidos pelos veículos são:

Poluentes primários: monóxido de carbono (CO), óxidos nitrogênio (NO e NO2, genericamente tratados por NOx), material particulado (fuligem, tratado na literatura pela sigla MP), dióxido de enxofre (SO2)

Poluentes secundários (que formam-se na atmosfera em reações químicas, que tem como ingrediente os poluentes primários): Ozônio (O3) troposférico.

E os principais problemas que esses poluentes podem causar são:

- Danos ao patrimônio: o material particulado se acumula em roupas, tecidos de cortinas e em pinturas, sujando e deixando um aspecto desagradável. Os óxidos de nitrogênio e de enxofre podem danificar mármore e detalhes finos em construções.

- Danos a saúde: o principal dano e o grande responsável pela grande preocupação com o tema. Irritações na pele, nos olhos e nas vias respiratórias superiores, além de episódios de asma, bronquite e outras doenças crônicas das vias respiratórias inferiores.

Apenas como complemento: há alguns anos, preparei uma aula sobre poluição do ar e fiz um levantamento do tipo de poluente e do impacto que pode causar. Veja no quadro abaixo:

- Dano a vegetação: SO2 , NOx, O3 e fluoridos

– Corrosão a metais: SO2, H2S e HCl

– Dano a tecidos, pintura e borracha: SO2, H2S, NOx, O3

– Faz materiais ficarem sujos, aumentando custos em limpeza e pintura: partículas de poeira (poeira urbana – resultado da queima incompleta de combustíveis –  e rural)

– Efeitos climáticos: CO2, clorofluorcarbonos, partículas de aerossol

– Impactos na camada estratosférica de ozônio: clorofluorcarbonos, NOx, N2O, CH3Cl

– Acidificação da água de chuva:  SO2, NOx, vapor de ácido nítrico (NHO3), sulfato e nitrato particulado

É evidente que a principal preocupação é o problema da saúde pública. De acordo com algumas pesquisas, a poluição é responsável pela redução de 7,3 meses de vida na população de uma cidade poluída, como São Paulo. Ainda de acordo com este mesmo pesquisador, a poluição causa danos aos bebês ainda na barriga das mães.

A poluição atmosférica é um sério problema de saúde pública. Durante os meses mais secos, aumentam os números de internação por alergia e por crises de asma e bronquite. As chuvas ajudam a depositar os poluentes, removendo-os da atmosfera.

Quando chove, o ar fica mais limpo. Quando venta bastante, os poluentes dispersam-se. No período de seca ou em situações de pouco vento, os poluentes ficam mais tempo suspensos. O principal vilão para os problemas respiratórios é um poluente chamado Material Particulado (muitas vezes abreviado na literatura por MP). Material particulado é  uma denominação geral para partículas em suspensão na atmosfera. Normalmente, a sigla MP vem acompanhada por um número, que indica o diâmetro aproximado dessas partículas. Por exemplo: MP2,5 é o material particulado  com tamanho da ordem de 2,5µm. Leia mais sobre o assunto, aqui.

Quanto menor for o diâmetro dessas partículas, maiores as chances de elas penetrarem nas vias respiratórias inferiores (parte inferior da traquéia, brônquios, bronquíolos, alvéolos e pulmões). Quando penetram nas vias respiratórias inferiores, podem causar danos severos. De acordo com pesquisas do Prof. Paulo Saldiva, o pulmão de um morador da cidade de São Paulo possui danos semelhantes aos de uma pessoa que fume 2 cigarros por dia. Portanto, a poluição do ar pode matar.

Destaco uma reportagem que li há alguns anos e separei para dar aulas. Os fiscais do trânsito de São Paulo, apelidados de ‘marrozinhos’ devido a cor de seus uniformes, correm riscos de saúde semelhante ao dos fumantes. Para ler a reportagem, clique na imagem abaixo para que ela se amplie. Ou leia aqui.

E o que as autoridades tem feito para eliminar ou pelo menos mitigar um problema tão sério? Na minha opinião, nada. Creio que é bastante evidente que se os investimentos em transporte público fossem maiores, o problema da poluição do ar reduziria muito. Muitas pessoas usam carros para se locomover porque sentem-se desconfortáveis nos transportes públicos, que não são de boa qualidade ou não alcançam todos os moradores da cidade com a mesma eficácia. O Metrô, que provavelmente é o meio de transporte mais eficaz da cidade, atinge poucos moradores. Mesmo se expandirmos a rede e levarmos em consideração os trens da CPTM, o sistema é insuficiente e ineficiente, pois ouvimos notícias de lentidão e falhas o tempo todo. Quem mora na cidade de São Paulo há muitos anos sabe que desde o início de funcionamento do sistema, a expansão da rede de Metrô tem sido bastante lenta. Recentemente, circulou pelo Facebook uma ilustração que comparava o tamanho da rede dos metrôs de diversas cidades do mundo. O metrô da cidade de São Paulo e da cidade do Rio de Janeiro são ridiculamente pequenos, perto dos metrôs de outras grandes cidades.

Essa imagem tirada da página do Facebook do jornal O Globo compara o metrô carioca com o de algumas cidades pelo mundo.

Mapa do metrô paulistano.

Mapa do transporte metropolitano de São Paulo, que leva em consideração também os trens da CPTM. Não se enganem: apesar do aparente grande número de estações, não atende bem todos os moradores da cidade e da RMSP.

A importância do Metrô é tão grande, que um estudo recente da UNIFESP aponta que caso a cidade de São Paulo ficasse um ano sem metrô, a concentração de poluentes aumentaria em 75%, e o número de mortes por problemas cardiorrespiratórios amplificaria em 14%. Esses números representariam um custo de US$ 18 bilhões ao município. Esse ano é ano de eleições. Prestem atenção nas propostas de seus candidatos. E você que vota em São Paulo: opte por candidatos que tenham projetos de melhorias para o sistema de transportes. Escolha um bom candidato, com bons projetos e continue exercendo seu papel de cidadão, cobrando o cumprimento das promessas e cobrando por melhorias no transporte, que representam enormes melhorias na qualidade de vida.

Após muito estudo, verificou-se que os poluentes atmosférico podem oferecer risco mínimo a população, desde que estejam presentes no ar em concentrações mínimas. É provavelmente o tipo de cenário que moradores de cidades bem menores tem a sorte de vivenciar. A Organização Mundial da Saúde (OMS) possui uma tabela com os valores aceitáveis de poluentes atmosféricos. São os limites. Acima desses valores, a concentração de poluentes já passa a oferecer risco para a saúde.

O monitoramento da poluição do ar aqui em São Paulo-SP (que provavelmente  é a cidade com o ar mais poluído do Brasil) é a CETESB. A CETESB possui pontos de medição em diversos bairros de São Paulo, em cidades da RMSP e em cidades do interior paulista. Nesses pontos de medição, são medidos os seguintes poluentes:

Fonte: CETESB. O mapa é de 2005. Pode ser que mais estações tenham sido instaladas. Em caso de consulta para trabalhos acadêmicos, entre em contato com a CETESB

Os valores medidos são comparados com tabelas de referência.  Entretanto, os limites da CETESB são menos rígidos que os limites da OMS. A Rede Globo, em seu projeto RespirAR, reforçou muito essa questão: é preciso adotar os limites rígidos da OMS, pois só assim, teremos real dimensão do problema da poluição do ar. E tendo um real conhecimento sobre a poluição do ar, poderemos tomar decisões que ajudarão a minimizar ou resolver parcialmente este problema.

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