Posts Tagged "vapor d’água"

Experiência 8: Russo faz experiência jogando água quente do oitavo andar

Posted by on 14-mai-2013 in Água, Blog, Experiências, Nuvens, Vapor d'água | 0 comments

Ah, essa internet…

Com uma câmera digital, as pessoas fazem maravilhas e podem mostrá-las ao mundo. Ontem assisti um vídeo que me deixou intrigada, uma situação que como moradora do Brasil nunca teria a oportunidade de testar.

Num belo dia quente na Rússia (-41°C rs), um cara decidiu que seria uma boa idéia fazer um experimento científico para nosso deleite. Eleo resolveu ir até a sacada da sua casa e jogar uma panela de água quente, só para mostrar o que acontece.

Bom, eu estou questionando se a temperatura estava realmente -41°C. Não que isso seja impossível (estamos falando da Rússia, tudo é possível), mas reparem que bem no começo do vídeo ele mostra a temperatura a partir do celular. Pode ser um dado de previsão, com um valor de temperatura mínima que ocorreu no final da madrugada. Não me pareceu ser um dado medido em um termômetro (a não ser que o celular dele tenha um sensor de temperatura, não sei se existe um modelo de celular com este sensor). O que quero dizer é que a temperatura que marca em seu celular ou é uma informação de previsão (como a da Climatempo) ou uma informação medida em uma estação oficial em sua cidade (aqui em São Paulo, pode ser a da USP ou a do Mirante de Santana). No celular de nosso amigo russo, me pareceu uma informação de previsão.

Mas ok, a gente nem precisa de termômetro para perceber que estava horrivelmente frio. Só observar a vista da janela do nosso herói. É bastante óbvio que a temperatura é negativa, só não sei se é -41°C. Mas tá, vamos imaginar que é verdade (e na Rússia tudo é possível) e a temperatura está bem próximo de -41°C.

[Podia ser -42°C, porque 42°C é um número bem mais legal, né @melts10?? rs]

Quando ele joga a panela de água quase a 100°C (estou deduzindo isso porque acho que vi indícios de ebulição na panela) pela janela, com o exterior a uma temperatura de -41°C (é o que o gadget de nosso herói diz), a temperatura d’água cai rapidamente, passando do estado líquido para o sólido. Aquela ‘nuvenzinha’ sobre a panela de água fervente (que não é vapor d’água ou ‘fumacinha’, como muita gente fala) é formada por minúsculas gotículas d’água, por isso chamo de ‘nuvenzinha sobre a panela’. Essas minúsculas gotículas congelam-se mais rapidamente do que o líquido de dentro da panela, criando uma interessante cortina de nuvem. Eu diria que nosso colega russo criou uma nuvem Nimbustratus da janela de seu apartamento.

Eu fiquei me perguntando se é assim mesmo que acontece. Será que ele fez algum truque? Como não posso reproduzir o experimento no Brasil, vou acreditar no experimento do russo. Perceberam como ele fez a gravação em dois diferentes ângulos: um de cima do apartamento e o outro do lado de fora. Será que ele convenceu um amigo maluco a ajudá-lo? Será que é um tripé com uma câmera? De qualquer maneira, um corajoso teve que ir lá fora.

P.S.: Fiquei pensando se o controverso Efeito Mpemba se aplica aí no caso. Esse efeito, batizado assim em homenagem ao estudante tanzaniano que o observou, diz que água morna congela-se mais rapidamente que água fria. O que vocês acham?

 

 

 

 

 

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Como se formam as nuvens?

Posted by on 10-out-2011 in Blog, Nuvens, Vapor d'água | 0 comments

O ar é composto por diversos gases, dentre eles, o vapor d’água.  Para que as nuvens sejam formadas, o vapor d’agua contido em uma parcela de ar precisa se condensar, ou seja, passar do estado gasoso para o estado líquido. Falamos sobre condensação e outros processos de mudança de fase (ou de estado) aqui.

Sendo assim, as nuvens são constituídas principalmente de água no estado líquido. Sim, são microgotículas de água! São tão pequenas que não conseguimos ver o formato da gota. Essas microgotículas ficam todas agrupadas,  formando assim as nuvens.

Tenho certeza que você já viu nuvens formando-se artificialmente em seu dia a dia. Vejamos alguns exemplos:

- Uma panela com comida ou água muito quente:  muitas pessoas dizem que está saindo ‘vapor’ ou ‘fumaça’ da panela. Vapor (vapor d’água) não pode ser, porque vimos aqui que trata-se de um gás e portanto é invisível. Também não pode ser fumaça,  já que não temos algo em combustão.

Figura 1: A temperatura elevada da panela fez com que a água do alimento entrasse em ebulição, passando do estado líquido para o gasoso (vapor d’água). O vapor d’água, ao entrar em contato com o ar (que está mais frio) volta para o estado líquido, no processo chamado condensação, formando esta nuvenzinha logo acima da panela.

- Saindo do banho e o banheiro todo ‘enevoado’. O uso da palavra enevoado inclusive está correto, pois vem de névoa, uma palavra que significa nuvem. Muitas vezes de maneira errada falamos fumaça ou vapor. Mas mais uma vez: não é vapor e sim uma nuvem!

Figura 2: Parte da água quente que sai do chuveiro, evapora. E esse vapor condensa-se no ambiente.

- Dia frio. Em alguns locais do Brasil, temos temperaturas baixas em certas épocas do ano. Saímos de casa pela manhã quentinhos e agasalhados. Então damos uma ‘baforada’ e vemos uma mini-nuvem saindo de nossa boca.

Figura 3: A moça, em um dia bastante frio, expele ar de sua boca. O vapor d’água contido nesse ar condensa-se ao encontrar a temperatura mais baixa no exterior.

Por que os fenômenos listados acima ocorrem? Por que o vapor d’água encontrou condições para passar para o estado líquido (condensação). Lembram do exemplo da latinha de refrigerante?

Figura 4: O vapor d’água condensa-se sobre a latinha gelada!

Nesse caso, a ocorrência da condensação é bem vísivel, quero dizer, vemos a água que condensou-se sobre a superfície fria da lata. No caso das nuvens, sejam as artificiais listadas acima ou as naturais, também é necessário uma superfície com temperatura mais fria. E como ter esta situação?

Pense em um dia bem quente e úmido, o que normalmente ocorre no verão da maior parte do território brasileiro. Em um dia assim, a superfície de nosso planeta  se aquece rapidamente. Pense o quando é difícil andar descalço em uma praia ou no asfalto em um dia assim.

Figura 5: Em algumas situações, a superfície e uma fina camada de ar logo acima dela ficam bem mais quentes que o restante o ar, formando o fenômeno de miragem.

A superfície de nosso planeta então aquece parcelas o ar logo acima dela, nos primeiros metros da atmosfera. Assim, essas parcelas de ar mais quente são forçadas a subir, já que o ar mais quente é menos denso. Para compreender isso, vamos lembrar dos balões de ar quente, por exemplo (aqueles que utilizam grandes tochas de fogo). Os balonistas aquecem o ar no interior do balão, e este ar, por ser mais leve, é forçado a subir.

Figura 6: Balões de gás quente: o ar no interior do balão é aquecido com uma chama a gás. Como o ar de dentro do balão está mais quente do que o ar ambiente, ele é portanto menos denso e por isso sobe.

Então cada parcela de ar quente logo acima da superfície comporta-se como um ‘balão invisível’. Essas parcelas sobem, sobem… e a natureza aproveita-se delas:

Figura 7: Algumas aves, como o condor, urubu e o milhafre-real(fotos) aproveitam-se do ar quente em ascensão para apenas planarem, ou seja, voarem sem bater as asas.

Algumas aves aproveitam-se dessas parcelas de ar quente (também chamadas de termas) para planarem, e ficarem sossegadas, voando sem precisar bater asas. O mesmo procedimento é utilizado por asa-deltas, ultraleves e parapentes.

Figura 8: ultraleves, parapentes e asa-deltas são desenhados para que aproveitem-se de termas para subir e fazer seus movimentos.

Se essas parcelas subirem até uma altura onde encontram temperaturas mais baixas que favoreçam a condensação, o vapor d’água contido nessas parcelas pode condensar e então formar as nuvens.

Figura 9: processo de formação de nuvens através de termas, que são parcelas de ar quente que sobem, já que são menos densas. Na figura podemos inclusive ver a representação deu um planador, logo abaixo da nuvem [1

Vamos relembrar do caso da latinha. O ar ambiente encontrou a superfície mais fria da latinha e então o vapor d’água contido nesse ar condensou-se. Mas, e no caso da parcela de ar que formou a nuvem? Em qual superfície o vapor d’água condensou-se para formar essas gotículas?

Na atmosfera há pequeníssimas partículas em suspensão, invisíveis a olho nu. Essas partículas são chamadas núcleos de condensação, pois tem afinidade com a água. Elas são a superfície onde o vapor d’água condensa-se. Núcleos de condensação podem ser pólen, poeira, partículas de sal, fumaça etc.

Figura 10: Muitas partículas podem atuar como núcleos de condensação. Desde partículas naturais (sal marinho, poeira de deserto, etc) até as fabricadas pelo homem (poluentes, fuligem, etc). Na figura, temos uma enorme nuvem de poluentes na Índia

Quando a água condensa-se sobre essas partículas, temos então a formação das pequeníssimas gotas que formam uma única nuvem!

Nos próximos posts, teremos mais informações sobre este assunto. Até mais!

Bibliografia e notas:

- Algumas fotos que ilustram foram tiradas do serviço Stock.Xchng que fornece algumas fotografias gratuitras para este tipo de uso. Para mais informações, clique na própria foto.

- Minha crônica sobre nuvens, no Stoa.

-  Um antigo post sobre o assunto, que escrevi no Stoa.

[1]  Adaptado de FORSDYKE, A.G. Previsão do tempo e clima. Coleção prisma. ed. Melhoramentos. l978

- Cloud Condensation Nuclei, Wikipedia.

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Experiência 1: como fabricar uma nuvem?

Posted by on 10-out-2011 in Blog, Experiências, Nuvens | 0 comments

Essa é a primeira experiência de nosso blog e está relacionada como as seguintes postagens:

- Como se formam as nuvens?

- Em quais situações as nuvens se formam?

- As nuvens possuem nomes?

Atenção crianças! Peço que vocês solicitem a ajuda de seus pais para realizar os experimentos! Faça tudo com bastante atenção e calma.

Nesse experimento, vamos fabricar uma nuvem dentro de um pote de vidro. Para isso, utilizaremos:

- 1 pote de vidro com tampa;

- fósforo

- água morna

- tecido preto, eva ou papel cartão (para fazer o fundo e podermos ver melhor a nuvem)

- 1 forma de alumínio

- gelo

Agora veja o vídeo abaixo com a descrição do experimento.

O que aconteceu?

- A água morna forneceu vapor d’água para o ambiente (interior do pote de vidro);

- As partículas de fumaça forneceram núcleos de condensação, superfícies onde a água pode se condensar;

- A forma de metal com gelo em cima fez com que o vapor d’água presente no interior do pote de vidro pudesse diminuir a temperatura e passar para a fase líquida (gotículas condensadas nos núcleos de condensação).

Na atmosfera, ocorrem fenômenos parecidos. O Sol aquece a superfície. A superfície então aquece o ar logo acima dela. Esse ar mais quente é mais leve e por isso sobe. Quando encontra temperaturas baixas no alto da troposfera, o vapor d’água contido no ar condensa-se sobre os núcleos de condensação (que podem ser partículas de pólen, fumaça, sal, poeira, etc).

Gostaram da experiência? Se tiverem dúvidas, deixem nos comentários.

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Ciclo hidrológico

Posted by on 5-out-2011 in A Atmosfera, Água, Nuvens, Vapor d'água | 0 comments

 

No tópico passado, falamos sobre  o vapor d’água, que é um dos gases que compõe a atmosfera. Falamos também sobre o fenômeno da evaporação, que ocorre quando a água passa da forma líquida para a forma gasosa.

A água é uma substância química composta por dois elementos químicos diferentes: hidrogênio e oxigênio. É uma substância essencial para todas as formas de vida da Terra.

Considerando toda massa do planeta Terra, constata-se que ele é  70,9% composto por água. Esse total é distribuído percentualmente de acordo com o gráfico abaixo:

Figura 1: Distribuição da água ao longo do planeta.

De acordo com a figura 1 (com informações provenientes da USGS[1]), a água no planeta Terra está distribuída da seguinte maneira:

- Oceanos: 97%

- Geleiras permanentes (pólos e topos de montanhas mais altas): 2,4%

- Água subterrânea (aqüíferos): 1,6%

- Lagos, lagoas e rios: 0,6%

- Na atmosfera, nas nuvens ou como vapor d’água: 0,001%

Para visualizarmos melhor, traduzi a figura 2 logo abaixo, da USGS. Para interpretar a figura 2, note que no gráfico com tons de verde, primeiro e separada a água total do planeta, com 97% dela sendo água salgada (dos oceanos). Os 3% restantes constituem em água doce. No gráfico marrom, temos apenas a água doce. Desse total de água doce, a maior parte (68,7%) está nas geleiras e nas caloras polares, portanto está inacessível para consumo imediato. 30,1% está como água subterrânea, inacessível, muitas vezes sendo necessárias caras tecnologias para explorá-la (através de poços artesianos, por exemplo). Apenas 0,3% da água doce está na superfície, e então vamos para o gráfico azul. Essa ínfima porcentagem está distribuída em lagos, represas, açudes (87%), rios (2%) e pântanos (11%).

Figura 2: A quantidade de água doce disponível no planeta é muito pequena em coparação a quantidade de água salgada.

Na figura 2, vemos que a quantidade de água disponível para nosso uso imediato (em rios, lagos, açudes, represas, etc), corresponde a somente 0,3% da água total do planeta. Por isso vemos com bastante frequência anúncios falando da importância em economizar este precioso e escasso recurso.

Veja que na figura 2 acima não falamos nem dá água na atmosfera, como falamos na figura 1. A quantidade de água na atmosfera é muito, muito pequena, porém é de importância vital para a meteorologia.  A água movimenta-se por toda a Terra. Ou seja, os rios deságuam em outros rios que deságuam no mar; as geleiras derretem; a água congela; a água evapora, nuvens formam-se e temos a chuva, etc. Este é o chamado ciclo hidrológico (ou ciclo d’água). Sendo assim, ao longo de todo o ciclo hidrológico, a água passa por processos físicos que mudam a sua fase.

E quais são esses processos físicos? E quais as fases da água?

Vamos primeiro responder quais são as fases da água (ou estados da água). Você provavelmente já deve ter visto isso na escola, mas aqui vou mostrar como podemos encontrar as três fases da água na natureza:

Figura 3 – Geleira: água no estado sólido

Figura 4 – Água correndo em um rio: estado líquido

Figura 5: Demostração do ar que respiramos, uma mistura de gases, como vimos no post anterior. Dentre os gases que compõe o ar, temos o vapor d’água.

Com relação ao estado gasoso, no post anterior falei sobre os gases da atmosfera e o vapor d’água é um destes gases. Os gases que compõe a atmosfera estão todos misturados, e como a maioria dos gases, essa mistura não pode ser vista. Podemos sentir por exemplo as variações de temperatura dessa mistura:  em um dia quente,  o ar fica mais quente.  Onde eu quero chegar?

Quero que vocês pensem na seguinte pergunta: do que são feitas as nuvens? Quando faço essa pergunta diante de uma sala lotada de alunos, ouço principalmente dois tipos de respostas:

1) São feitas de algodão! (eu adoro alunos espirituosos, hehe)

2) São feitas de vapor d’água.

Eu sempre ouço a resposta 2) e ela é um dos principais equívocos relacionados à meteorologia que escuto. Nós podemos ver as nuvens, entretanto, não podemos ver os gases. Do que será que elas são feitas então? Respondo no post seguinte, apenas para deixar os leitores curiosos. Porém, acredito que muitos terão uma boa idéia a respeito disso até o final desse texto.

Mas voltando ao rumo de nossa prosa: quais processos físicos fazem com que a água mude de fase? Pois sim, sabemos que a água muda de fase. Para constatar isso, sugiro três experimentos bem fáceis, que na verdade são observações do cotidiano:

a) Enchendo um copinho de plástico com água e colocando-o no congelador de sua casa, o que acontece com a água, horas depois?

b) Tire um cubo de gelo do congelador de sua casa e coloque na pia. O que aconteceu com o gelo depois de alguns instantes?

c)  Pela manhã, encha um copo transparente e sem detalhes (como o da foto abaixo) com água. Em seguida, faça uma marca com caneta permanente neste copo. Deixe-o em um local onde ninguém poderá mexer ou beber a água (isso é importante, rs). Na manhã do dia seguinte, verifique o copo e faça uma nova marca nele. O que aconteceu com a água? A marca continua no mesmo lugar?

Certamente você observou algumas coisas bastante interessantes nos experimentos acima.  No experimento a), o mais fácil deles, a água passou do estado líquido para o estado sólido. Chamamos esse fenômeno de Solidificação.

No experimento b), a água passou do estado sólido para o estado líquido. E o contrário do que ocorreu em a) e chamamos o fenômeno de Fusão.

E no experimento c) a água passou do estado líquido para o estado gasoso. Chamamos este fenômeno de Vaporização.  A vaporização pode ser ainda ocorrer de três maneiras:

- calefação:  quando uma frigideira é aquecida e então joga-se água nela, notamos um borbulhar violento. Esse processo de vaporização também é chamado de calefação.

- ebulição: colocamos a água em uma panela. A água então recebe o calor da chama do fogão e lentamente tem sua temperatura aumentada, diferentemente da calefação, em que a mudança de temperatura é abrupta. Esse processo chama-se ebulição.

- evaporação: ocorre quando deixamos a roupa no varal para secar, quando colocamos água em um copo e esperamos que ela evapore livremente (como no experimento proposto). Neste caso, temos a evaporação e é a forma de vaporização mais comum que ocorre na natureza. Eu falei da evaporação aqui também e citei como exemplo as roupas molhadas que secam livremente no varal.

No diagrama abaixo (figura 6), simplificamos a forma de compreender estes processos:

Figura6: Diagrama mostrando como ocorrem as mudanças de fase

Aparecem na figura 6 os nomes de outros fenômenos:  condensação e a sublimação. Condensação ocorre quando a substância passa do estado gasoso para o líquido e sublimação ocorre quando a substância passa do estado sólido diretamente para o gasoso.

Para compreendermos melhor a condensação, sugiro pensarmos em uma observação cotidiana.  Quem nunca tomou uma lata de refrigerante ou suco gelado em um dia de bastante calor?

O que acontece minutos depois com a lata? Ela fica molhada. Muitas pessoas dizem que a ‘lata suou’. Como as latinhas não tem poros, o uso da palavra ‘suar’ nesse contexto não faz sentido. O que realmente aconteceu?

O vapor d’água, presente no ar, condensou na latinha. Isso significa portanto que o vapor d’água contido na atmosfera passou para o estado líquido, ao encontrar a superfície mais fria da latinha.

O vapor d’água condensa-se sobre a latinha gelada!

Já a sublimação é um processo mais difícil de ser visualizado. Entretanto, podemos por exemplo dizer que o vento faz com que o gelo das geleiras passe rapidamente para o estado gasoso. Entretanto, essa contribuição é muito pequena, e a sublimação não é muito significativa dentro do ciclo d’água.

Talvez vocês tenham notado que a temperatura é fundamental nos processos de mudança de fase.  Quando tiramos o gelo do congelador e colocamos na pia, o gelo sai de uma situação em que a temperatura estava mais baixa, para uma situação em que a temperatura está mais elevada (fora da geladeira), por exemplo.   Quando o vapor d’água contido no ar condensa-se sobre a latinha de refrigerante, o vapor d’água contido no ar encontra uma superfície mais fria e então muda para a fase líquida.

Sendo assim,  podemos esquematicamente falar das mudanças de fase que ocorrem ao longo de todo ciclo d’água. Na figura abaixo, alguns desses processos físicos (fusão, evaporação, condensação e solidificações) podem ser observados, mostrando exatamente o que ocorre na natureza:

Ciclo hidrológico. Adaptado de AHRENS, C.D.: Meteorology Today 9th Edition

A figura acima também fala de um processo biológico, a transpiração. Plantas e animais perdem água para o ambiente através da transpiração. É o que ocorre com nosso corpo em um dia de bastante calor, quando perdemos água através de nossos poros. Essa água é então evaporada para o ambiente, fazendo com que nos sintamos mais confortáveis. O processo de transpiração, portanto, também faz parte do ciclo hidrológico (ou ciclo d’água).

Lembram no começo do texto, quando falei da quantidade de água (em porcentagem) contida em diversos locais do planeta Terra? E quando disse que apenas 0,001% de toda a água presente na Terra está na atmosfera (presente nas nuvens e como vapor d’água, misturado aos demais gases da atmosfera). Essa pequena porcentagem é o que estudamos em meteorologia, pois é ela que dará origem as nuvens e a chuva. E assim a água circula pelo planeta, trocando de lugar o tempo todo.  E durante essa troca, ocorrem os processos físicos descritos ao longo deste post.

Uma informação importante, que não deve ser desprezada, é que neste post tratamos somente da água, mas os processos de mudança de fase e os diferentes estados da água. Entretanto, os processos de mudança de fase e os diferentes estados da água (que podemos chamar de estados da matéria) ocorrem com todas as substâncias químicas. O álcool, o éter, o detergente de cozinha, etc: todas as substâncias reagem com as mudanças intensas de temperatura.  A diferença, é que as mudanças de fase ocorrem em temperaturas diferentes para substâncias diferentes. Voltaremos a falar disso no futuro, quando falarmos sobre termômetros.

No próximo post, veremos com mais detalhes como as nuvens são formadas. O post será uma continuidade deste post, pois  como vimos, as nuvens são parte do ciclo hidrológico.

Bibliografia e notas:

[1] United States Geological Survey- Serviço de Geologia dos Estados Unidos.

- AHRENS, Donald C.: Meteorology today: an introduction to weather, climate, and the environment. Cengage Learning, 2007

- Water Cycle, Wikipedia

- USGS, United States Geological Survey

- DAEE, Departamento de Águas e Energia Elétrica. Página didática.

- Algumas fotos ilustrativas foram tiradas do site Free Digital Photos. Clicando nas imagens, o leitor é redirecionado para as galerias de onde elas vieram.

- Esse interessante vídeo (em inglês) com uma animação muito graciosa e criativa sobre o ciclo d’água.

- Earth Observatory, NASA: Water Cycle.

- Droplet and the Water Cycle, joguinho da NASA. Em inglês.

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Vapor d’água – um importante componente da atmosfera

Posted by on 14-set-2011 in A Atmosfera, Desertos, Florestas, Vapor d'água | 0 comments

No post anterior (veja aqui) falamos sobre os principais gases que compõe a atmosfera, mas não mencionamos o vapor d’água. Ou seja, no post passado consideramos uma atmosfera completamente seca.

Hoje vamos falar do vapor d’água. Os demais gases citados no post anterior apresentam sua concentração praticamente constante em todos os locais de nosso planeta. Sendo assim, seja no Pólo Sul , na Floresta Amazônica ou em qualquer outro lugar, as quantidades de Nitrogênio, Oxigênio, Argônio, Kriptônio, Hélio, etc permanecem com os mesmos valores citados nos gráficos do post:

Essa imagem complementa-se com a próxima

Outros gases que compõe a atmosfera, mas em quantidades muito pequenas, inferiores a 1%.

Já o vapor d’água varia bastante ao longo de todo planeta. Em termos de porcentagem, a concentração de vapor d’água no planeta pode variar de quantidades muito pequenas, próximas de 0% até 4% aproximadamente. O vapor d’água presente na atmosfera fica quase que em sua totalidade limitado a troposfera, a primeira camada da atmosfera. Sendo assim, as demais camadas da atmosfera possuem quantidades muito desprezíveis de vapor d’água.

Adaptado para o português de AHRENS, C.D.: Meteorology Today 9th Edition

Adaptado de AHRENS, C.D.: Meteorology Today 9th Edition

Vamos fazer o que chamo de exercício mental. Apresento abaixo duas fotos, com duas paisagens bem diferentes de nosso planeta. Onde há mais vapor d’água?

Deserto do Saara e Floresta Amazônica

Deserto do Saara e Floresta Amazônica

Certamente desses dois locais da foto acima, a floresta apresenta mais vapor d’água do que o deserto. A atmosfera apresenta mais vapor d’água em locais onde ocorre mais evaporação.

Mas, o que é a evaporação?

Ocorre evaporação quando uma substância passa do estado líquido para o gasoso.

Vamos pensar na evaporação em nosso dia-a-dia em cinco exemplos:

1) Quando as donas-de-casa colocam a roupa para secar, a água das roupas evapora, secando as roupas:

2) As poças d’água que se formam na rua durante a chuva evaporam-se, deixando a rua seca novamente:

3) Quando lavamos nossas mãos, na ausência de uma toalha para secá-las, o que fazemos? Balançamos as mãos para que elas se sequem:

4) Quando esquecemos de regar uma planta, ela se seca e fica murcha:

5) E quando o cabelo está molhado e usamos o secador?

Pensando nesses cinco  exemplos, podemos concluir que pelo menos dois fatores contribuem para que ocorra a evaporação:

- Vento: Se estendermos nossa roupa úmida ao ar livre em um dia com muito vento, as roupas secam-se mais rapidamente do que em um dia com vento mais fraco. Quando agitamos nossas mãos, o efeito é parecido com o vento, e as mãos secam-se mais rapidamente do que se não tivéssemos agitado. E o ar que sai do secador de cabelo sai com uma certa velocidade: uma espécie de ‘vento artificial’.

- Temperatura: se a roupa molhada for exposta ao Sol, por exemplo, ela seca bem mais rápido do que se estiver dentro de casa.  Muitas pessoas usam o ferro de passar roupa para secar uma peça de roupa úmida. E também não podemos esquecer de mencionar o secador de cabelo, que através de um jato de ar quente cumpre sua função. E sem esquecer que em dias quentes, as plantas que mantemos em nossas casas precisam de mais água! Inclusive nosso corpo precisa de mais hidratação em dias quentes!

Então vocês podem argumentar: a temperatura é alta no deserto! Sim, alguns desertos podem ser realmente quentes. No Deserto do Saara, a temperatura já chegou a 58°C, na região de Al’Aziziyah, na Líbia, no dia 13 de setembro de 1922. Devemos entretanto lembrar que existem desertos muito frios também. A própria Antártica é um deserto. Nos desertos, também pode haver ventos fortes. Quem nunca ouviu falar das areia que se move em alguns desertos, modificando as paisagens todos os dias?

Fotografia de Luca Galuzzi – www.galuzzi.it

O que caracteriza um deserto é a pouca quantidade de chuva, tão pouca, que quase nenhuma planta resiste. Sendo assim, em alguns desertos, como o Saara, podemos ter temperaturas altíssimas, mas não temos fontes de evaporação.

Saindo dos nossos exemplos (roupas molhadas, poças d´água, mãos molhadas, plantas em casa, cabelos molhados), quais seriam as fontes de evaporação da natureza? Regiões densamente vegetadas, rios, grandes lagos e oceanos são locais com essa característica. No mapa abaixo, temos a distribuição de vapor d’água ao redor do mundo:

Concentração Média de Vapor d’água no dia 30/01/2005 – MODIS

Na imagem acima, obtida graças as medições do sensor MODIS[1], um equipamento sofisticado instalado nos satélites Aqua e Terra da Nasa, podemos ver algumas medições feitas em vários pontos de nosos planeta. Vemos nas cores amarela, laranja e vermelho as regiões do planeta com maiores concentrações de vapor d’água. Essas regiões coincidem aproximadamente com a faixa tropical do planeta (próximo ao Equador), já que essas regiões são mais quentes. O deserto da Saara, localizado no norte da África, é uma grande mancha azul e roxa nessa figura (que corresponde a pouca evaporação, na escala de cores).

Os locais onde ocorre muita evaporação normalmente coincidem com os locais onde ocorrem muitas chuvas. No próximo post, abordaremos em mais detalhes ciclo d’água e assim poderemos compreender melhor a ligação entre chuva e evaporação.

E como sempre peço aos leitores: se alguém tiver alguma dúvida ou comentário a respeito do conteúdo apresentado neste post, seja bem vindo e escreva! Gosto de ler os comentários!

Bibliografia:

- AHRENS, Donald C.: Meteorology today: an introduction to weather, climate, and the environment. Cengage Learning, 2007

- Evaporation, Wikipedia – the free encyclopedia

- Desert, Wikipedia – the free encyclopedia

- As imagens dos exemplos foram retiradas do site Free Digital Photos. Clicando nas imagens, o leitor é redirecionado para as galerias de onde elas vieram.

- [1] MODIS:  Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer é o nome técnico de um sensor que está a bordo  dos satélites Terra e Aqua, operados pela NASA. Mais informações aqui.

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