Caçando pokémons
Essa semana fui ao campo procurar por pragas, doenças e plantas consideradas daninhas. Como o primeiro trabalho consistia em procurar somente pragas (principalmente insetos), eu concluí que era o mesmo que caçar pokémons para registrar em minha Pokedex (meu celular). Parece fácil e divertido, mas não sou tão fã de insetos quanto sou de plantas, então tenho muita dificuldade para identificá-los. Pude aprender algumas coisas sobre o tema com uma colega engenheira agrônoma que nos acompanhou nessa jornada Pokémon e nos auxiliou bastante.
Fotografei pragas e também fiz alguns registros da área de plantações experimentais da Universidade. Vi uma revoada de pássaros pretos, dois pica-paus proseando e uma linda coruja na estação agrometeorológica. Só consegui fotografar os pica-paus.

A estação agrometeorológica me pareceu muito bem instalada e está localizada em uma área excelente. Ainda preciso visitá-la para conhecer os instrumentos em detalhes. O que eu precisava naquele momento era fotografar pragas, procurei não divergir muito desse objetivo (embora as fotos mostrem o contrário).

Dentre as plantações experimentais, vi essas alfaces lindas. Porém quando estão grandes dessa maneira já floresceram, estão com as folhas amargas e não são agradáveis para o consumo. Essa plantação tem como objetivo obter material para fazer melhoramento genético das plantas, então elas precisam chegar nesse estágio de vida.

A cor verde clara e o aspecto brilhante das folhas destacam em meio às outras plantas ao redor, como os cafeeiros ao fundo com suas folhas verde-escuras e a soja com um verde mais apagado.

Simplesmente adoro caminhar pelas ruas do cafezal. Eu encontrei o temido bicho-mineiro, uma das pragas que eu precisava registrar. O curioso é que esses pés de café tem cerca de 1,60m de altura, pois foram podados baixinhos dessa forma para que a colheita manual fosse facilitada.

A vastidão do bioma cerrado me emociona muito. Quem cresceu no domínio morfoclimático Mares de Morros e em áreas do bioma Mata Atlântica (como é meu caso), cresceu acostumado com outro tipo de vegetação e com uma paisagem com muitos morros. Eu olhava pra a direção norte e via a Serra da Cantareira; eu sabia que ela estaria lá. Agora, não há mais serra para olhar. Portanto, ao observar o cerrado, sinto falta de minha terra, mas também sinto um maravilhamento, um olhar de uma criança descobrindo algo novo.

As fotos de nuvens no cerrado ficam mágicas. Conseguimos ver fileiras e fileiras de Cumulus e Stratocumulus se estendendo pelo horizonte, fileiras que geralmente eu não conseguia ver direito em São Paulo, uma vez que o horizonte era obstruído por construções ou pela própria topografia.
Quando terminamos os trabalhos daquele dia, já era mais de 16h e o céu estava assim. Não choveu, afinal, já é abril. Mas a vista dos prédios da Universidade diante de toda a vastidão da savana brasileira me preocupa um pouco: tenho muita coisa pra ler e muito trabalho pra fazer.

Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é o meu coração.
Poema de sete faces – Carlos Drummond de Andrade
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Como meu perfil no Instagram (única rede social onde estou presente) é fechado, preciso fazer essa divulgação por aqui. Eu até acho mais interessante falar dessas coisas no blog, porque as pessoas que me leem geralmente tem mais interesse nesse conteúdo. Eu participei do podcast Intervalo de Confiança falando sobre Mudanças Climáticas (tinha falado sobre isso aqui). A gravação foi transmitida ao vivo semana passada, mas agora o episódio está editado e disponível nas plataformas de áudio. Se você prefere ouvir no navegador, clique aqui.
