Eu não aguento mais o caso da moça na janela do avião

Deve ser o fim de ano, aquele período em que fico realmente esgotada.
Andei tentando entender esse cansaço. Acho que tem a ver com o calor, com viroses, com as crianças entrando de férias, com as intermináveis reuniões e confraternizações, e com a ansiedade em relação ao ano que está por vir. Talvez também esteja relacionado a experiências pessoais, coisas que carrego desde a infância.
Tudo isso para dizer que não aguento mais ouvir falar da história da moça na janela do avião. Aquela que foi exposta por outra mulher, que a acusou de não ceder o lugar na janela para uma criança chorando, e assim por diante. Tudo nessa história, e nos seus desdobramentos, me incomoda. Pensei na pobre moça, que só queria viajar em paz e acabou exposta por alguém egoísta, que parece achar que o mundo gira ao seu redor. Pensei também na pobre criança, que ficou chorando e não foi acolhida por um adulto que pudesse explicar a ela que o mundo real não é um lugar onde tudo sempre vai ao nosso favor.
Também fiquei pensando em como a internet é emocionada. Já transformaram a moça em celebridade instantânea, com milhares de novos seguidores. Vieram os vídeos e paródias, a maioria chatos, feitos por pessoas que não têm nada de relevante a acrescentar sobre o assunto. Mas, no meio disso tudo, também vi alguns comentários relevantes, que me fizeram refletir.
Essa história parece um pernil de Natal. Sabe aquele pernil gigante que algumas famílias compram para a ceia? Tem comida demais, sobra muito, e você acaba passando dias comendo peru requentado com pimentão e cebola em todas as variações possíveis. Cansa. Enjoa.
Espero que a moça fique bem.
Espero que a criança fique bem.
E espero que os adultos ao redor dessa criança aprendam alguma coisa nessa vida.
