Meu lugar seguro

Aprendi ao longo desses anos sendo mãe que preciso de um lugar para desabafar. Esse lugar pode ser a terapia, um tempo sozinha, um junk journal (ou hobby qualquer), um diário comum, caminhada, exercício, café com amigas, um chá, etc. Essas coisas funcionam pra mim, para outras pessoas podem ser outras coisas. Esse lugar para desabafar precisa ser um lugar saudável, evidentemente, e talvez desabafar nem seja a palavra que traga a completude do que eu quero dizer. Creio que seja um lugar para você “esquecer” que é mãe e focar no próprio desenvolvimento pessoal, na reflexão sobre os próprios valores, enfim, talvez fazer um balanço, porque a gente também está vivendo pela primeira e talvez única vez, estamos fazendo isso enquanto cuidamos de outros seres humanos.
Vez ou outra vejo mães desabafando particularidades muito específicas pela internet e nem é de maneira anônima. Não sei se acho que isso é um ato de coragem; na maioria das vezes eu considero um ato de insensatez. Desabafar sobre a maternidade não envolve somente dizer que você está se sentindo cansada e sobrecarregada, mas também você desabafar sobre rotinas e situações que envolvem seus filhos. Essas pessoinhas não têm entendimento para decidir se querem ter suas vidinhas expostas por aí. A nossa sobrecarga não é somente física, eu diria que é principalmente mental. Há dias que lá pelas 22h da noite meu cérebro já derreteu. Nesse estágio, podem sair coisas bem desastrosas da minha boca ou dos meus dedinhos teclando e por isso prefiro ficar quieta, no meu canto, apenas refletindo sobre o dia. Acho que na dificuldade, aprendi sobre domínio próprio, deve ser isso.
