Não é preciso gastar muito para fazer junk journal!
Bom, o próprio nome já diz: junk journal. Vou até traduzir a definição de Justine Jenkins porque é bastante precisa:
“A junk journal is a book that’s made (usually by hand) out of found and recycled materials, such as paper scraps, book pages, music sheets, maps, illustrations, and ephemera (think stamps, ticket stubs, postcards, greeting cards, fussy cut pictures, etc), and is a place where you can record your thoughts, ideas, memories, and musings.”
“Um junk journal (‘diário de lixo’) é um livro normalmente feito à mão com materiais recicláveis, como restos de papel, páginas de livros, partituras usadas, mapas, ilustrações e ephemera (tíquetes de shows, carimbos, cartões de natal, fotos fofas, etc) e é um lugar onde você pode escrever seus pensamentos, ideias, memorias e reflexões.”
Em outras palavras, você usa restos de várias coisas que tem em casa. Papéis antigos que por alguma razão seus avós guardaram, papeis de presente, páginas de livros, recortes de revista, bijuteria quebrada, etc. Qualquer coisa pode fazer parte de um junk journal e pra mim isso significa ter uma enorme liberdade, Criar um junk journal tem um lado criativo e um lado terapêutico muito intrincados. Enquanto eu mesma crio meus jornais (costuro, colo e ajusto), vou conhecendo mais sobre mim: é um mergulho dentro de mim mesma. Acho que por essa razão tantos psicoterapeutas tem recomendado atividades artísticas e criativas como parte da terapia. Essa atividade não precisa ser junk journal ou journaling de um modo geral, o legal é que você encontre uma atividade com a qual você se identifica.
Quando pesquisamos pela internet, vemos vários junk journals completos à venda. Além disso, várias artistas disponibilizam em suas lojinhas kits digitais com um ar shabby chic ou vintage. Há também um mercado de papeis especiais, adesivos e outros materiais usados para enriquecer e enfeitar seu junk journal. Claro que essas coisas são incríveis e eu mesma já comprei algumas dessas belezinhas. Mas será que a gente precisa gastar muito dinheiro para fazer o seu próprio junk journal? Na minha opinião, o legal é justamente gastar pouco e tentar fazer os processos na sua casa. Inclusive a criação do livro em si.
Vejam, não critico quem vende junk journals prontos. São verdadeiros trabalhos artísticos e é sempre muito bom ter sua arte reconhecida. Meu ponto aqui é que a gente pode tentar fazer o nosso próprio e se surpreender, obtendo um resultado único e bastante diferente.
Meu junk journal mais recente foi feito a partir de um caderno velho. Removi o miolo (cheio de anotações sem importância) e costurei novas folhas. Aprendi o básico de encadernação em vídeos do Youtube. Além disso, encapei usando retalhos que eu tinha em casa. Eu não precisei comprar nada para fazer esse projeto em específico. Usei muitos recortes que ganhei de pen pals e ephemeras que colecionei. Eu costumo guardar fitas e rendas de embalagens e lembranças de casamento e de aniversário, que sempre acabam fazendo parte dos meus junk journals. Bijouterias velhas acabam virando embelishments ou enfeites.
Eu me aprofundei nesse universo junk journal na pandemia e percebi que eu sempre fiz algo parecido e não sabia qual nome usar. Quando eu era adolescente, guardava embalagens de chá, de chocolate e de balas que tinham algum significado para mim. Colava na agenda, que ficava estufada. Eu não tinha muita preocupação estética no processo, mas com os junk journals eu procuro ter. Eu gosto muito do aspecto vintage e shabby chic, então minhas criações acabam tendo a ver com isso e com plantas, paisagens e natureza de um modo geral. Acho que com o tempo eu fui descobrindo do que gosto e aquilo que representa minha identidade.
Por fim, talvez um junk journal feito do zero em sua casa não fique tão perfeito quanto o da lojinha da sua artista preferida. Ela certamente é mais experiente, fez cursos e tem acesso a materiais e ferramentas melhores (porque é o negócio dela). E se você puder, apoie os artistas e compre kits digitais, kits físicos ou até mesmo journals completos! Mas se você está sem dinheiro ou procura uma experiência de construir algo do zero, algo cheio de sua personalidade, construa você mesmo seu junk journal com as coisinhas que tem em casa. O bacana é ser um hobby no qual se gasta muito pouco e no qual você produz algo único e com a sua cara, para guardar suas recordações e outros papeizinhos especiais.
Materiais relativamente baratos

Comprei essas ferramentas para encadernação que devem estar custando menos de 30 reais o kit. Essa agulha se chama “agulhão” e como você pode encontrar em lojas que vendem materiais de encadernação e de trabalho em couro. Esse agulhão pode inclusive ser improvisado com outros materiais afiados.
Também gosto muito de trabalhar nessa prancha de corte, comprei tamanho A3. Isso evita que eu estrague minha mesa e serve como referência quando preciso da medida em cm.
Acho que vale a pena investir em boas ferramentas de encadernação e de trabalho em papel. Ajudam no trabalho e deixam o acabamento do junk journal mais bonito.
Junk journal mais recente

Junk journal mais recente, que fiz a partir da capa de um caderno velho. Encapei com retalhos de tecido e usei essa fita de renda para decorar.

Adoro quando eles vão ficando mais recheados, cheios de beleza e lembranças. Para decorar, uso fitas e retalhos que vou guardando. Sabe aquelas fitinhas de cetim que vem em embalagens de presentes? Eu guardo tudo.
Abaixo, alguns exemplos de páginas desse junk journal. Não mostrei muitas porque é algo muito pessoal, na medida que há escolhas particulares e eu já comecei a escrever em algumas páginas.
Junk journals da pandemia
Na pandemia (2020/2021) fiz outros dois junk journals com capas de tecido. A capa foi costurada a mão e reforçada com feltro. Foi muito bom redescobrir a arte na pandemia. Eu não tenho dúvida que criar salvou minha mente e permitiu que eu me correspondesse com mulheres incríveis que compartilham os mesmos interesses e o mesmo hobby.
Eu usei muitos freebies e imagens gratuitas de bancos de imagens. Também comprei alguns kits físicos (recomendo muito o trabalho da amiga Jacriart) e washi tapes. Com o tempo, vi que em casa eu tinha um acervo incrível de coisinhas que guardei ao longo dos anos e aprendi a mesclar o novo e o antigo (e o novo com cara de antigo).
Como eu disse, não sou contra comprar! Pelo contrário, prestigie artesãos sempre que possível. Mas é que junk journals são coisas tão pessoais e cheias de significado, por isso acho que vale a pena tentar fazer o processo do zero.
***
Espero que tenham gostado do post. Visite os outros posts sobre journaling. E até a próxima!






