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Panfletagem: vale a pena?

Diversos folhetos de divulgação de Meteorologia, Astronomia e Geofísica. Predominam os de Meteorologia.

Eu trabalhei em muitos eventos de divulgação científica ao longo da minha vida. Trabalhei em feiras de profissões, eventos da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, feiras escolares, etc. Ao longo desses anos, colecionei alguns folhetos de divulgação de Meteorologia e áreas afins. Alguns desses folhetos foram distribuídos por mim, ou seja, eram parte do material de divulgação dos stands em que trabalhei. Outros, foram distribuídos por outras instituições, mas eu guardei porque tinham relação com Meteorologia.

A última vez que trabalhei em um evento desses deve ter sido em 2018. Há 7 anos, a divulgação científica através do Youtube, Instagram e podcasts estava a todo vapor. Também existiam os blogs, claro, o Meteorópole já estava aqui. Nessa época eu já me perguntava se os folhetos eram eficazes, porque lembro de, em pelo menos uma ocasião, ver que as lixeiras espalhadas pela área do evento estavam cheias de folhetos. Ou seja, muito do que era produzido simplesmente ia para o lixo e eu me perguntava se aquele folheto tinha sido pelo menos lido antes de ter sido descartado.

Ok, eu sei que guardar os folhetos, como eu fiz, não é algo comum, eu fiz isso por puro afeto mesmo. Eu só quero dizer que eu tinha a impressão que muitos pegavam o folheto por educação, após ouvirem uma breve explicação sobre o curso de Meteorologia. Outros passavam pelo stand, olhavam os instrumentos que a gente expunha e pegam um folheto de uma maneira meio sem graça. Será que essas pessoas liam esses folhetos? Claro, eu também recebia pessoas muito interessadas, que faziam várias perguntas incríveis e levavam os folhetos que provavelmente seriam lidos.

Recentemente, fui em um evento de divulgação científica promovido por uma universidade e notei que a panfletagem acontecia em menor quantidade. Muitos stands nem tinham folheto, mas proporcionavam atividades mais interativas e visuais, como demonstrações, experiências e oficinas. O coordenador de um certo curso pouco comum, preocupado com a baixa procura e evasão, optou por se aproximar das escolas da região e oferecer palestras. O objetivo dele é estabelecer uma relação de amizade com os professores e gestores, de modo que possa sempre voltar e falar sobre o curso. Ele distribui folhetos, mas a aproximação é diferente. As pessoas passaram a conhecê-lo, ele virou “o cara legal da universidade”. Sabe, essa abordagem é diferente de uma feira onde você vai encontrar a meteorologista estranha uma vez e vai pegar o folheto da mão dela por educação. Tenho pensado muito sobre essa proposta, na qual se insere a universidade dentro da escola. Pra mim é uma alternativa simples, um trabalho de formiguinha para alguns, mas que impacta as pessoas porque relacionamentos de amizade são estabelecidos.

Vou continuar guardando meus folhetos com muito carinho, pois eles fazem com que eu me recorde de detalhes de minha trajetória profissional. No entanto, sei que muita coisa muda na sociedade e tudo muda muito rapidamente. Se quisermos engajar as crianças e jovens em carreiras científicas, a forma de mostrar as coisas precisa mudar. Precisamos maravilhá-los.

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