Estou no limite da pandemia

Essa imagem já tem quase 1 ano e já estávamos na pandemia. Eu nem imaginava que teríamos que aprender a conviver com esse vírus. Para dizer a verdade, eu nem sei o que eu pensava direito, tudo parece muito desorganizado na minha cabeça. Eu vou demorar anos para entender bem o que senti e vivi nessa pandemia.
Talvez até certo momento do ano passado eu acreditava que a doença iria simplesmente sumir, o vírus magicamente deixaria de existir . Como se aliens bonzinhos e muito avançados tecnologicamente fossem num momento sondar nosso planeta, detectariam o vírus, sentiriam pena da gente e em horas desenvolveriam um tratamento que consistiria numa substância que simplesmente seria jogada em nossa atmosfera. E pronto, o vírus teria sumido e nós nem entenderíamos como isso aconteceu.
Claro que conscientemente eu não declaria essa sandice de aliens bonzinhos, mas tenho certeza que parte de mim, aquela parte que cresceu assistindo Star Trek, acreditava em algo assim. Aquela parte que teve sua vida completamente modificada no ano de 2019 e acreditava que 2020 traria muitas mudanças e novidades. Eu realmente me enganei.
Meu marido passou por períodos de trabalho em casa e trabalho no laboratório. Em alguns momentos, quando enfrentávamos a temida onda roxa, ele ficou em casa. Tivemos problemas e nos ajustamos. As crianças cresceram durante a pandemia, não pudemos passear ou viajar. Meu filho mais novo, que aparece na foto com seu notebook de brinquedo, já viveu mais tempo de vida na pandemia do que fora dela. Ele aponta para o rostinho e pede máscara quando vamos na rua. Ele sabe que não pode tocar nas coisas, ele estende as mãozinhas pedindo álcool em gel.
O meu mais velho estava super empolgado com a escola nova, que ele frequentou por apenas 6 meses em 2019 e quase dois meses em 2020. É um momento de muita frustração, espero que eu possa ensinar resiliência para eles. Espero que eles possam se recuperar, que eles possam voltar a ter uma vida normal de criança: ir pra escola, brincar na casa dos amigos, receber os amigos, correr livremente, etc. Eu saí de São Paulo esperando por isso e mal pudemos aproveitar. Estou cansada, eu estou em meu limite e eles estão no limite deles.
A área de atuação de meu marido é muito prática, há a necessidade de viajar para trabalhos de campo. Isso não está sendo possível e ele também está frustrado, eu sei. Estamos todos cansados e felizmente temos uns aos outros.
Espero que seja verdade mesmo essa história de que o amor pode consertar tudo.

🙁
Força.