A produção de conteúdo nos dias atuais

Recentemente li o texto Por que eu ainda blogo? da Sybylla e pensei em muitas e muitas coisas. Refleti sobre minha própria produção de conteúdo. Senta que lá vem textão.
Desde que comecei a usar a internet regularmente (e acho que isso foi em 1999/2000) esse universo sempre me fascinou. Quando descobri que pessoas podiam criar suas próprias páginas (e isso deve ter sido por volta de 2000), eu pirei. Aprendi o básico de html, fiz uma página bem de adolescente da época, falando da minha vida e das coisas que eu gostava. Consegui digitalizar algumas fotos de viagens (com paisagens e flores) e até coloquei no site. Demorava uma eternidade para carregar pois eu não sabia diminuir o tamanho das fotos. Mas eu adorava, quando via o contador de acessos do meu site mudando, eu ficava muito satisfeita.
O tempo foi passando e surgiram os blogs. Comecei a escrever blogs meio no estilo querido diário. Apaguei todos, eu tinha vergonha do conteúdo que eu produzia. Que bobagem!
Quando os blogs começaram a se profissionalizar, decidi escrever um de divulgação científica. Eu já trabalhava com isso e eu queria divulgar Meteorologia para ajudar estudantes, jornalistas, curiosos, etc. Surgiu o Meteorópole. Eu nunca ganhei dinheiro com isso. Coloquei anunciantes por volta do 3º ano do blog, com o objetivo de pelo menos pagar pela renovação do domínio e da hospedagem e “zerar” meu hobby. Aqui eu cometi um enorme equívoco: achei que o blog era um hobby. Bom, era e não era. Era um hobby porque era algo que eu fazia fora do trabalho, mas eu falava do meu trabalho e do que eu tinha estudado na faculdade. Houve um tempo em que as duas coisas se intrincavam e pessoas me conheciam do meu trabalho e do hobby ou iam no meu trabalho e falavam que me conheciam do blog. Isso não era ruim, conheci pessoas incríveis e tenho ajudado muita gente. Mas a questão é que hoje eu entendo que eu não tinha um hobby, porque eu simplesmente não me desligava de Meteorologia em momento algum! Foi quando me arrependi de ter criado um blog cujo propósito inicial era ser monotemático.
É sério, gente: tenham hobbies. Encontre pelo menos uma atividade que não tenha nada a ver com o seu trabalho para descansar sua mente. Acho que isso é muito importante e eu lamento ter negligenciado esse lado por tanto tempo na minha vida.
Mas voltando ao tema blogar, sempre gostei também de me comunicar. E o blog é um canal para isso, claro. Só que você quer ser lido, quer ser ouvido. Você deseja que pessoas que gostem do seu conteúdo entrem em contato com você. Deseja conhecer outras pessoas que produzam conteúdos que você gosta. Só que nem sempre seu blog aparece na primeira lista de uma busca no Google. E em meio a tanto conteúdo, fica difícil ser visualizada. Os blogs foram dando lugar às redes sociais (falei sobre isso quando escrevi sobre a internet-livro) e a outras produções como vídeos e podcasts.
Para muitos, internet é sinônimo de redes sociais. Não é incomum por exemplo vermos empresas de médio porte que não tem um domínio e um site, pois toda sua identidade visual e sua comunicação com o público parte do Instagram. E em um oceano de tanta gente, para se destacar você precisa entrar na trend, criar perfil em redes sociais da moda, fazer a dancinha, opinar sobre o tema em destaque no momento, etc. Mas eu fui descobrindo que eu não quero fazer nada disso, que eu gosto de blogar como fazíamos no passado. E eu gosto de pensar que blogs são a resistência da internet, em um mundo onde as pessoas parecem ler cada vez menos. Bom, deve ter alguém lendo tudo isso, não é?
Obrigada pelo texto, Sybylla. Alugou um lote florido na minha cabeça.
“A internet é um oceano que cobre o mundo todo, mas ele é raso e nenhuma criatura pode viver nele”
Ouvi Chico Felitti falar isso nesse episódio de Além do Meme
