| | | |

Temas de Geografia em Avatar (2009)

A franquia Avatar é composta por dois filmes: Avatar (2009) e Avatar 2: O caminho da água (2022) e há ainda a previsão para mais 3 filmes, que deverão ser lançados em 2025, 2029 e 2031 (leia mais).

Cada um desses filmes proporciona boas possibilidades para discutirmos temas de Geografia. Para facilitar a discussão, vou falar sobre cada um dos filmes separadamente. Se você ainda não assistiu nenhum dos filmes, sugiro que assista primeiro e depois leia esse post, pois há alguns spoilers.

Avatar (2009)

Temos bem clara a questão da colonização. Em busca de recursos, uma missão de colonização chega da Terra até Pandora. É uma alusão clara ao que os europeus fizeram no continente americano, no continente africano, em várias regiões da Ásia e também na Oceania. Esse processo de colonização nunca foi pacífico, como muitas séries de televisão e até professores sugeriam no passado. Sabe aquela ideia de colonos pacíficos em busca de uma vida nova que chegam com suas famílias em terras desabitadas? Então, precisamos superar essa visão ingênua de colonização. A colonização é um processo brutal de dominação política, militar e cultural.

Em Avatar (2009) temos exemplos muito claros sobre o conceito de hegemonia. Os humanos chegam na lua Pandora para explorá-la economicamente, em busca de um valioso minério chamado unobtainium. Não há qualquer preocupação socioambiental nesse processo. O personagem Parker Selfridge representa o capital, os interesses da mineradora que está explorando esse minério.

Para alcançar os interesses do capital, essa mineradora contrata soldados mercenários, chefiados pelo principal vilão da franquia, o Coronel Quaritch, que tem como objetivo dominar os Na’vi através da ameaça e da força. Isso representa a hegemonia militar.

Gramsci e outros pensadores observaram que não é possível dominar somente através da hegemonia militar. A hegemonia cultural tem um importante papel no processo de dominação. E na minha opinião, a Dra Grace Augustine e o Dr. Norm Spellman representam a hegemonia cultural. A Dra. Grace mantinha uma escola que ensinava inglês para os Na’vi, enquanto o Dr. Norm Spellman domina o idioma na’vi. Tantos conflitos entre humanos e Na’vi fizeram a escola da Dra. Grace ser fechada, mas depois que ela e Jake Sully chegam na floresta com seus avatares, percebemos que as crianças Na’vi ainda gostam da Dra. Grace, mostrando que através de um relacionamento ela conseguiu essa confiança. Assim, temos também um pouco da hegemonia política sendo explorada.

Depois vemos que aparentemente uma boa parte dos cientistas fica do lado dos Na’vi e os apoiam ativamente no processo de expulsão dos militares e mineradores, que é como termina o primeiro filme.

***

Eu já escrevi sobre o segundo filme e pretendo publicar em breve em um novo post na sequência. Se eu esqueci de comentar alguma discussão geográfica presente no filme, peço por gentileza que vocês escrevam nos comentários.

***

Não tem a ver com Avatar, mas eu gravei um novo Spin de Notícias! Nele falo sobre a Organização Meteorológica Mundial e sua nova secretária-geral, a Dra. Celeste Saulo. Espero que gostem.

Posts Similares

Comente