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Temas de Geografia em Avatar 2: O caminho da água (2022)

No post anterior, falei dos temas geográficos em Avatar (2009). Agora vamos discutir o filme mais recente, Avatar 2: O caminho da água (2022), e os temas geográficos presentes nesse filme.

Como disse no texto anterior, se vocês perceberem que eu esqueci de comentar algum tema geográfico, deixe nos comentários.

Avatar 2: O caminho da água (2022)

O início do segundo filme apresenta a vida familiar de Jake Sully e Neytiri, que possuem 3 filhos biológicos, uma filha adotiva (concebida milagrosamente e que nasceu do avatar da Dra. Grace) e um filho adotivo humano (que está mais pra pet). Tudo ia bem, com os cientistas remanescentes fazendo pesquisas pacíficas e mantendo boas relações com os Na’vi. Até que os humanos chegam novamente, ainda mais agressivos.

A imagem dos humanos chegando impacta pela brutalidade com o ambiente. Os Na’vi vivem em um bioma que lembra as florestas tropicais. Quando os humanos chegam da segunda vez, suas naves chegam queimando as plantas e o solo, com robôs e outros equipamentos que transformam a paisagem rapidamente. O objetivo dessa vez é a colonização para ocupação: a Terra está muito degradada e a ideia é transformar Pandora em um ambiente adequado às necessidades humanas.

Um destaque importante já discutido no outro filme é que a atmosfera de Pandora não é respirável pelos humanos, que sufocam rapidamente se não estiverem usando uma máscara de ar. Essa máscara não parece ser pesada e nem parece descarregar facilmente ou coisa assim. Parece ser uma tecnologia fácil de lidar, algo simples como um smartphone. Em outras palavras, essa questão da composição da atmosfera inicialmente não é um limitador para a vida humana, já que há tecnologia portátil para lidar com isso. Além disso, sempre há a possibilidade de terraformação (será que isso vai ser explorado nos próximos filmes?).

Os Na’vi voltam a lutar contra os humanos, destruindo suas instalações e obtendo as armas humanas para ajudar na insurreição. A luta dessa vez é mais difícil, porque os humanos vieram mais preparados e evoluíram seus recursos tecnológicos. As construções ocorrem de maneira muito rápida. Além disso, o Coronel Quaritch volta à vida através de suas memórias implantadas em um avatar. Esse retorno não ocorre somente para servir o capital, como antes. Ele quer vingar sua própria morte vingando-se de Jake Sully, Neytiri e os demais Na’vi.

Quando descobre que é um alvo, Jake Sully foge com sua família e então passamos a conhecer outros biomas de Pandora. Ele busca refúgio com outro grupo de Na’vi que vive em algumas ilhas e recifes. O modo de vida desse novo grupo de na’vi lembra muito o dos povos da Polinésia, com tatuagens e danças que foram inspiradas nesses povos.

Poucas produções que se debruçam em planetas alienígenas exploram domínios morfoclimáticos diferentes. Por exemplo, quando pensamos em Vulcan, o planeta dos vulcanos em Star Trek, pensamos em paisagens semidesérticas. Quero dizer, não parece haver uma diversidade paisagística.

Em Avatar (2009), parecia existir apenas aquela vegetação que lembrava uma floresta ombrófila em Pandora. Para o segundo filme, foi uma ideia muito interessante pensar em outros biomas e consequentemente outras paisagens na ilha.

Uma questão interessante é que os Na’vi que vivem nessas ilhas e recife tem a pele esverdeada, membros e caudas que lembram nadadeiras. São Na’vi também, porém possuem essas adaptações evolutivas. Também conseguem permanecer mais tempo embaixo d’água. Ou seja, há uma diversidade em termos étnicos e de modo de vida em Pandora, assim como temos na Terra.

A família de Jake Sully tem dificuldades para se adaptar nesse novo lugar. Os filhos de Jake Sully, por exemplo, sofrem bullying. Além de não serem do lugar, possuem DNA humano, uma lembrança do povo devastador.

Kiri, a filha milagrosa da Dra. Grace, é taxada como esquisita ou estranha e possui uma ligação espiritual diferente com Eywa. Essa própria ideia de espiritualidade, com uma Grande Mãe que une tudo, é muito presente em diversas culturas humanas.

Essas crianças apresentam dificuldades iniciais de adaptação ao novo ambiente e a nova cultura que as cerca, porém aprendem muito mais rapidamente que os adultos. Essas novas habilidades conquistadas pelas crianças é o que permite que elas sobrevivam e salvem seus pais em um ponto crucial da história. Gosto quando as histórias colocam crianças e adolescentes como protagonistas, mostrando que elas também são capazes de ensinar os adultos.

Há ainda uma questão da caça predatória e do conhecimento científico empregado de maneira antiética. Há criaturas no oceano de Pandora chamadas tulkuns, que lembram grandes baleias. O povo dos recifes tem uma importante relação pacífica com os tulkuns, que envolvem amizade e trocas culturais entre espécies. O cérebro dos tulkuns é muito desenvolvido e essas criaturas desenvolveram filosofia, música e linguagem. Um cientista humano que inicialmente pesquisava os tulkuns se uniu a um caçador (que no filme faz referências à Moby Dick). Esse caçador tem um único objetivo: matar os tulkuns para extrair um fluido cerebral que tem ação rejuvenescedora no metabolismo humano. De cada tulkun se extrai algo como apenas 2l desse fluido, fazendo uma clara referência à caça predatória de baleias e outros animais.

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Fiquei muito entusiasmada com o segundo filme da franquia e espero que os próximos não atrasem tanto para sair. James Cameron detesta fazer cortes, os filmes dele sempre são muito longos, mas eu gosto de assistir como se fossem minisséries (assisto em 2 ou 3 noites). As imagens são de tirar o fôlego e a criatividade para compor as paisagens é incrível. Gosto de como pensam na flora do planeta e na bioluminescência das criaturas, que pode ter relação ao ciclo de claridade e escuridão relacionado com os eclipses em Pandora, que parecem ser diários.

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Se tiver algum outro tópico geográfico da franquia Avatar que eu não mencionei, escreva nos comentários.

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Livros recomendados

Conhece alguém que é fã da franquia Avatar e gostaria de dar um presente legal? Tenho algumas dicas!7

  • Avatar – the way of water. The visual dictionary. Em capa dura, apresenta todas as criaturas presentes no segundo filme e uma explicação sobre cada uma. O projeto gráfico é lindo.
  • The world of Avatar – A visual exploration. Assim como o livro anterior, esse é um livro lindo. Uma experiência visual. Para você que é fã e quer colocar esse livro na mesa de centro de sua sala e folhear nos momentos de descanso.
  • A Ciência de Avatar. Esse é meu tipo de livro favorito. Eu tenho também um semelhante de Star Wars e outro de Star Trek. Explora aspectos do filme do ponto de vista científico, estudando a viabilidade de cada um desses aspectos. Uma forma muito criativa de divulgação científica.

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