|

Os posts que atraem maluquices

Depois de mais de 10 anos de blog e de mais outros tantos na Internet, consigo perceber quando um conteúdo vai atrair maluco. Na realidade, maluquice pode surgir até nos comentários de uma receita de pudim. Mas há conteúdos onde a maluquice é fatalmente invocada.

Vou tentar me explicar usando exemplos. Se você produzir um conteúdo de qualidade e crítico sobre religião ou misticismo, vai fatalmente atrair maluco. Nesse caso, se você receber um comentário normal e simples, vai ter sorte. O maluco pode ser simplesmente uma pessoa que escreve um monte de incongruência, mas também pode ser alguém que chega te ofendendo ou te amaldiçoando. Mais recentemente, o maluco também pode ser alguém vendendo algum serviço charlatão. Como vocês podem ver, minha definição de maluco ou comentário maluco é bem abrangente, por isso precisei dar esses exemplos.

De vez em quando me dá vontade de escrever certas coisas e eu já me arrependo no processo da escrita, porque sei que vai atrair maluco. Como a presença de maluco também significa visualizações do blog, eu aceito correr o risco. Por exemplo, no post Meu filho pode ver desenhos animados? eu sabia que o potencial de atrair maluquice era gritante e eu escolhi esse título de propósito. O que me motivou a escrever na época foram algumas mães e pais de grupos de Facebook e WhatsApp que espalhavam desinformação e pânico sobre desenhos animados. Recebi muitos comentários que foram moderados, porque eram ofensas ou porque divulgavam links para conteúdos de evangélicos fundamentalistas.

Outro exemplo de post que foi ímã de maluco foi um no qual eu me perguntava sobre a existência de descendentes vivos de Cleopatra. A própria premissa do post, a pergunta que apresento no título, já é bem absurda. Cleópatra viveu há pouco mais de 2000 anos, sendo impossível rastrear fielmente qualquer linhagem até os dias atuais usando documentação, uma vez que as noções de família e linhagem mudaram em 2000 anos. Além disso, traições eram e ainda são muito comuns e até mesmo o Rei Charles III pode não ter como tatatataravô biológico (não sei se contei os tatas direitinho) o Rei Christian IX da Dinamarca.

Para acrescentar, não se sabe onde Cleopatra foi enterrada. Se descobrirem seu local de descanso, talvez nem seja possível coletar material para realizar uma análise de DNA que permita rastrear sua linhagem até os dias atuais. Portanto, com o que temos hoje é virtualmente impossível descobrir se a existem descendentes vivos de Cleópatra. Quando escrevi o texto eu sabia de todas essas coisas, mas eu queria atrair leitores e falar desse livro que eu havia lido recentemente. Não me surpreendi quando apareceram comentaristas que afirmaram ser descendentes de Cleopatra. Há um comentário pendente para moderação no qual a pessoa afirma que é descendente direta de Cleópatra e me prometeu enviar sua árvore genealógica por e-mail.

Minha hipótese nesse caso é que com essa onda de coaches picaretas que distorcem os conceitos de arquétipo, tem muita moça caindo nessa conversa e se autoconvencendo que é descendente da rainha. Pura maluquice. Maluquice perigosa.

Quando aceito certos comentários no blog, posso acabar divulgando serviços duvidosos. Procuro ter cuidado com isso, por isso modero vários comentários. Também modero comentários em que as pessoas expõe seu e-mail, número de WhatsApp e até endereço (já rolou!).

Para finalizar, eu estou nesse momento escrevendo um post que vai falar de religião. Esse post vai atrair maluco, tenho certeza. Vai atrair pessoas que só leem o título e o primeiro parágrafo. Claro que eu gosto disso, porque mais pessoas chegam até meu blog através do mecanismo de busca. Visualização de maluco é visualização! No entanto, meu objetivo final é compartilhar informação, então sei que chegam bons leitores que ficam por aqui e indicam meu conteúdo.

Posts Similares

Comente