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Mise en place da vida

Ingredientes diversos separados em diferentes recipientes. Temos carnet, tomate, batata, cebola, temperos diversos, cenoura e um pilão onde amassei alho. Ao lado direito, uma tábua de madeira,

Quando eu era adolescente, costumava assistir programas como Note e Anote com minha mãe. Eu observava que nos quadros de culinária, os cozinheiros costumavam colocar todos os ingredientes em diferentes potinhos. Na minha cabeça, eles faziam aquilo somente porque era um programa de tevê e era necessário mostrar cada um dos ingredientes para os telespectadores, porque muitos poderiam ser surdos, por exemplo (os pais de um ex-namorado eram surdos e cheguei a conviver um pouco com eles).

Na minha cabeça da época, se alguém separasse todos os ingredientes dessa forma dentro de sua própria casa estaria fazendo só para aparecer, pois não haveria utilidade prática para tal ação. Por muito tempo eu pensei dessa forma e só fui compreender que cozinhar exige planejamento bem mais tarde, quando eu já era adulta e comecei a ter que me virar nessa atividade. Não dá pra ser freestyle: tem que saber bem o que pretende preparar, separar os ingredientes todos, cortá-los, etc. Bom, antes de começar a fazer qualquer coisa preciso primeiro saber se tenho os ingredientes, se será necessário comprá-los ou se é possível fazer alguma adaptação.

Quando a gente é adolescente e até mesmo um jovem adulto, acha que já sabe tudo da vida. Não respeita os saberes dos outros, não entende que é preciso estudar e ter prática antes de opinar. Minha atitude diante da necessidade de se ter um mise en place antes de cozinhar era uma dessas atitudes presunçosas, dessas convicções vazias da adolescência.

Recentemente eu estava cozinhando em casa. Era algo simples, mas que eu gosto bastante: carne com legumes e eu também faria um arroz branco para acompanhar. Fiz toda a separação dos ingredientes, como vocês podem ver na foto que abre o post. Enquanto eu fazia essas coisas, eu me lembrava desses pensamentos equivocados que eu tinha no passado.

Essas pequenas coisinhas me fazem pensar que eu melhorei com os anos e sinto muito orgulho disso. Sei que sou capaz de dialogar comigo mesma e ser minha melhor versão, na medida do possível. Também me faz lembrar que eu já fui bem jovem, tive opiniões nada a ver (e ainda tenho), mas que pude refletir e mudar meus pontos de vista ao longo dos anos. Dessa maneira, preciso ter paciência com quem é mais novo, porque talvez esteja nessa etapa de maior arrogância na vida. Certas coisas, acho, a gente só aprende com o tempo.

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