Novo sensor de precipitação da Vaisala quase não precisa de manutenção

Observem que no título eu disse sensor de precipitação e não pluviômetro. Eu já vou explicar o motivo. Temos basicamente dois tipos de pluviômetros: os convencionais e os automáticos.
Os convencionais são daquele modelo que a gente até consegue fazer fazer com garrafa pet. Ou seja, trata-se um reservatório que coleta a água e depois é necessário medir, usando uma proveta (ou o próprio instrumento é graduado) para saber quantos mm de chuva foram observados.
Já os automáticos, funcionam com uma espécie de báscula. Essa báscula tem um volume definido e bem conhecido, vamos supor 5mm de chuva (depende da especificação do instrumento, por isso é tão importante ler os manuais) e cada vez que ela enche, ela esvazia rapidamente e manda um sinal para o datalogger, que registra os 5mm de chuva. Caso continue chovendo, o instrumento repete esse processo quantas vezes forem necessárias e a chuva total é registrada, bem como os intervalos de tempo que foram observadas.
O problema é que tanto nos pluviômetros convencionais quanto nos automáticos, o sistema pode entupir. Folhas e sujeiras podem cair dentro do pluviômetro, levadas pelo vento. Durante a estação seca, aranhas podem fazer teia, abelhas e outros insetos podem decidir se alojar no instrumento e até mesmo passarinhos podem achar que é uma boa ideia fazer um ninho em cima. Dessa maneira, a manutenção frequente é necessária e isso pode ser muito desafiador em estações localizadas em locais distantes de estradas, no meio de florestas e em áreas ermas de um modo geral.
Pois é aqui que entra uma nova geração de sensores terrestres de precipitação, que funcionam de um jeito bem diferente do pluviômetro. A Vaisala, provavelmente a maior fabricante de sensores meteorológicos eletrônicos robustos e que atendem normas da OMM, criou o PRECIPICAP®. O nome segue o padrão de outros sensores do mesmo fabricante (BAROCAP®, THERMOCAP®, etc) e o vídeo abaixo divulga o novo produto e explica um pouco de seu funcionamento:
Trata-se de um sensor moderno de precipitação baseado em radar Doppler de 61 GHz. Portanto, diferentemente dos pluviômetros tradicionais, que coletam água fisicamente por meio de básculas ou sistemas de pesagem, o PRECICAP® detecta gotas e outros hidrometeoros diretamente no ar, analisando o sinal refletido pelas partículas em queda. A partir do efeito Doppler, o sensor estima a intensidade, o acumulado e o tipo de precipitação, como chuva, neve ou granizo. Por não possuir partes móveis e dispensar coleta física da água, o equipamento reduz problemas associados a evaporação, entupimento, respingos, congelamento e desgaste mecânico, além de exigir baixa manutenção. O fabricante destaca que essa tecnologia representa um avanço para aplicações meteorológicas que demandam medições contínuas, maior sensibilidade à precipitação fraca e operação confiável em ambientes remotos ou condições climáticas severas.
Deixando claro que obviamente não estou recebendo nada da Vaisala (que nem sabe que eu existo), mas eu trouxe aqui porque eu trabalhei 10 anos com instrumentos meteorológicos e até hoje eu tenho interesse nesse assunto e sei que muitos leitores “das antigas” também gostam de conhecer essas novidades. Considero um avanço no monitoramento de precipitação, sendo um radar meteorológico móvel. Não encontrei informações sobre preço, mas eu deduzo que deve custar alguns milhares de dólares.
Mesmo com a possibilidade de medir a quantidade de chuva via satélite ou de estimar a chuva de outras formas, precisamos de pluviômetros para calibrar e melhorar esses métodos de medição que não são in situ. Esse instrumento certamente é uma importante novidade que possibilita a expansão da rede de postos pluviométricos.
Se você quiser saber mais sobre precipitação, considerando o fenômeno em si e os instrumentos usados para medi-lo, leia esse post também.
