A Educação Física na minha época de escola

Eu era uma excelente aluna, nerd mesmo.
Na sétima série, tirei ‘D’ em Educação Física.
Vou explicar como isso aconteceu e comentar como muitas de minhas aulas de Educação Física, infelizmente, não me ajudaram em nada. Tenho certeza de que várias pessoas vão se identificar com meu relato.
O ano era 1996. Recebi meu boletim bimestral, impresso em impressora matricial. ‘A’ em quase todas as matérias, ‘B’ em algumas e um gritante ‘D’ em Educação Física. Não foi por falta de aviso da professora.
A professora me via sentada em um cantinho da quadra toda aula. Era a sombra de uma goiabeira, a única sombra naquele espaço. Geralmente, eu estava com algumas colegas, conversando. Os outros alunos jogavam futebol ou vôlei sob o sol causticante. Eu não era boa em vôlei, nunca era escolhida. Futebol era só para meninos. Insistir para jogar vôlei e ficar debaixo do sol quente não estava nos meus planos, pois minha cabeça doeria.
A professora se aproximava do grupinho da goiabeira em todas as aulas e dizia: “Vocês têm que participar.” Nós ignorávamos. Achávamos que não daria em nada. Mas veio o ‘D’. Depois disso, me obriguei a participar para não repetir esse resultado nos bimestres seguintes, mas acho que em algum momento consegui um atestado médico. O medo era grande, parecia que eu poderia até repetir de ano por causa de Educação Física. Na verdade, isso não aconteceria, mas eu não sabia.
Sempre tive dificuldades com Educação Física na escola. Não era boa em esportes de equipe e simplesmente não era escolhida pelos colegas. Isso mudou um pouco no Ensino Médio, quando um professor incentivou as meninas a jogarem futebol. Porém, no Ensino Fundamental, essa professora não parecia interessada em incluir aqueles que eram excluídos pelos colegas. Assim, aceitei que não era boa em atividades físicas.
Com o passar dos anos, na vida adulta, descobri que gostava muito de caminhar e fazer trilhas. Percebi que tinha resistência para isso. Conheci yoga, pilates e musculação. Através da prática e da informação, entendi que atividades físicas fazem muito bem para a saúde integral.
O problema era como a Educação Física era ensinada
Na minha infância, eu vivia em um bairro sem opções de lazer. Não havia quadras gratuitas, praças ou outros espaços seguros para que as crianças pudessem brincar e praticar esportes. Ou seja, quem gostava de jogar bola tinha que fazer isso na escola. As crianças pressionavam a professora para que tivessem futebol ou vôlei (basquete e handebol eram menos requisitados).
Essa realidade da falta de um terceiro lugar ainda é comum. Muitas cidades pequenas e periferias do Brasil carecem de espaços de lazer e convivência comunitária. Quem tem dinheiro ou convênios pode pagar por uma academia ou clube, mas essa não é a realidade da maioria dos brasileiros.
Dessa forma, a aula de Educação Física se tornava um ambiente de disputa e, muitas vezes, de bullying. Infelizmente, acredito que essa realidade ainda persiste em muitas escolas.
Não me lembro dessa professora nos ensinando que exercícios fazem bem para a saúde ou proporcionando momentos lúdicos, com circuitos ou atividades aeróbicas. Também não me lembro de nenhuma aula sobre alimentação saudável ou a importância do exercício para a saúde integral. Felizmente, esses temas têm sido mais abordados nos últimos anos. Meus filhos, que têm menos de 10 anos, já sabem dessas coisas.
Durante muito tempo, aceitei que atividade física não era para mim. Só fui me convencer do contrário na faculdade e, principalmente, depois, quando esse assunto começou a ser mais debatido. Fui incentivada por colegas e amigos que tiveram uma formação melhor que a minha nessa área. Felizmente, tive a oportunidade de aprender antes de comprometer minha saúde com hábitos ruins.
Em suma, eu diria que minha experiência com a Educação Física escolar reflete um problema estrutural: a falta de inclusão e diversidade nas atividades propostas. A maneira como a disciplina era conduzida afastava aqueles que não tinham habilidades esportivas tradicionais. Hoje, entendo que a prática de exercícios vai muito além dos esportes coletivos. Caminhadas, yoga, musculação e outras atividades são essenciais para a saúde física e mental. Espero que as escolas evoluam e passem a abordar a Educação Física de forma mais inclusiva e educativa, incentivando cada aluno a encontrar sua própria maneira de se movimentar e se cuidar.
Imagem em destaque: gerada por IA, usando o ChatGPT

Vivenciei isso tudo que você descreveu. Na escola onde estudei a vida toda, Colégio Cidade Maia em Guarulhos. Não vou lembrar os nomes dos professores de Educação Física que tive, infelizmente eu só guardei nomes dos das matérias que eu gostava ou de alguns professores especiais ou caricatos (nós éramos terríveis). A única vez que um professor fez um circuito eu simplesmente adorei e marcou na memória. Mas havia sim uma tentativa de inclusão. Lembro de um professor que, sabendo quais alunos eram os últimos a serem escolhidos para os times de futebol, pedia para que os excluídos montassem os times. Eu lembro, eu e um colega chamado Cleber montando times kkkk, os excluídos deixando de serem os últimos a serem escolhidos para os times. Eu não sei o que era pior, se esta condição de poder escolher o time, pois ficava evidente o porquê que nós escolhíamos e dava uma ideia de vergonha kkkk, ou se continuar sendo marcado como os indesejáveis em qualquer time kkkkk. Eu era tão ruim que eu lembro dos únicos 2 gols que fiz na vida. Um passe do Dudu deixando o goleiro vendido kkk, e um chute de quase meio da quadra enquanto o povo reclamava de uma falta de alguém em sei lá quem. Kkkk.
Bom, com uns 14 anos de idade eu entrei para a natação, particular, numa rua perto da casa da minha avó, perto da Rua Tabajara, onde um dia foi incluive uma escola antes de ser uma academia e piscina, Cantinho da Tia Ana, onde fiz a pré escola antes de ir pro Maia.
Era toda aula de Educação Física com o professor sofrendo pressão para jogar futebol. Mas lembro de épocas em que teve volei também.
Quando o aumento da carga de aulas fez com que a Educação Física mudasse para a tarde e por conta de se não me engano reformas na quadra, passaram a fazer Educação Física num quadra externa, eu trouxe uma espécie de atestado, era de trabalho na verdade, isto já no colegial, foi quando comecei a dar aula de inglês no CNA, foi minha despedida da Educação Física.
Minha esposa conta que no futebol ela ficava era fingindo e andando na quadra kkk, ela não gostava, mas seria melhor ela contar estas coisas kkk.
Uma vez sim, um professor fez aulas teóricas sobre a importância de exercícios físicos, lembra vagamente disso, evidentemente que a maioria dos alunos estavam pouco interessados nisso. Vale lembrar que estudei a vida toda em escola particular.
Vlamir, obrigada por compartilhar essa vivência. Gostei particularmente da postura desse professor, que incluiu os que sempre eram excluídos ou deixados por último na escolha de times. Durante o Fundamental a Educação Física, como narrei, era bem ruim. Isso pq não contei que tive uma professora que assediava os meninos (no oitavo ano). Só fui ter uma educação física um pouco melhor no Ensino Médio, com esse professor que incentivou as meninas a jogarem bola e participarem de campeonato.
Gosto de contar essas coisas aqui no blog porque amigos próximos (como você) e leitores que nem me conhecem pessoalmente também compartilham vivências muito importantes. Isso faz a gente refletir sobre o passado, sobre o que nos tornamos. Acho importante.
Abraços