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Aproprie-se do conceito de família!

Estudando Educação e principalmente a área de Engajamento Familiar, percebi como o conceito de família – e família sólida na qual a criança pode de fato contar – é extramamente importante. De acordo com a Teoria Ecológica do Desenvolvimento de Broffenbrenner (TEDF), a família é o primeiro ciclo que interage com a criança e ter esse ciclo sólido ajuda a criança a conquistar autonomia e segurança para se relacionar com os outros ciclos, na medida que ela vai ficando mais velha. E claro, é importante que haja interação saudável entre cada um dos círculos que compõe o esquema da TEDF: a família precisa ter uma boa relação com a vizinhança, com a comunidade escolar e com as instituições de um modo geral (veja esquema a seguir).

Com a pandemia, estamos vivendo uma situação na qual não estamos nos relacionando ativamente com a comunidade. As crianças estão fora da escola e muitas só tem o núcleo famíliar mais próximo para interagir. A família precisa estar ainda mais fortalecida para cuidar da saúde mental das crianças nesse momento de dificuldade.

Teoria Ecológica do Desenvolvimento de Broffenbrenner

Quando vamos pesquisar algo sobre a importância da família no desenvolvimento infantil – que é o primeiro círculo dentro da TEDB -, chegamos em muitos materiais com viés conservador. Não estou falando de artigos científicos publicados em periódicos da área de Educação. Eu falo de material de divulgação com dicas e conselhos práticos para os pais: sites, blogs, perfis no Instagram, etc. Quando consulto esses materiais de divulgação e vou investigar quem está por trás daquele material, acabo descobrindo que há alguma organização religiosa conservadora. E claro, noto que os textos tem um direcionamento claro que podem fazer muitas famílias se sentirem inadequadas ou não-representadas.

Aqui me refiro a “conservador nos costumes”, o que é associado à direita política aqui no Brasil. Normalmente essas pessoas tem uma ideia de família muito fixa, que é a moldada pelos ideais do Cristianismo (família nuclear composta por pai, mãe e filhos). Não há qualquer pensamento fora da caixa e famílias fora desse padrão sofrem preconceito. Dentro de várias igrejas, crianças criadas apenas pela avó ou pela mãe solo são aquelas consideradas “crianças problema”. Eu já vi até crianças adotivas sofrerem preconceito dentro de igrejas! E olha que nem mencionei famílias de casais homoafetivos, para eles isso é impensável, considerado uma aberração intolerável e nem sao bem-vindas na maioria das igrejas. Até aqueles que dizem tolerar colocam várias ressalvas para que essa tolerância exista.

Mas do outro lado do espectro político, vejo alguns membros da esquerda política criticando a família em seu modelo tradicional. Alguns chegam a abominar esse conceito, com falas duras e desrespeitosas. E eu sei qual é a origem desse raciocínio: pensadores como Marx e Engels, que ajudaram a moldar o conceito de socialismo, escreveram sobre como a família tradicional (pai, mãe e filhos) foram responsáveis por manter a ideia de propriedade privada e herança. Esse conceito também aprisionou as mulheres, que ficam em casa cuidando dos filhos enquanto os maridos conquistam sua vida fora de casa – e muitos conquistam outras mulheres.

No entanto, desde que Marx e Engels escreveram suas ideias muita coisa aconteceu. A sociedade passou por várias transformações, com outros pensadores ajudando a moldar nosso pensamento. Criticas ao status quo são necessárias e saudáveis, porém ridicularizar pessoas que decidem viver um estilo de vida considerado ultrapassado por motivos pessoais não é respeitoso e nem ajuda na causa da luta por um mundo menos desigual.

A família nuclear sólida e valorizada ajuda no desenvolvimento da criança. Essa família nuclear pode ser de qualquer maneira: dois pais, duas mães, pai e mãe, dois avós, uma avó, uma mãe, um pai, etc. E outros membros da família podem tios, tias, melhor amiga da mãe, vizinha de muitos anos, madrinha, etc. São as pessoas que amam a criança, que ajudam os pais na hora do aperto e que exercem uma boa influência direta na vida e na educação das crianças. Família é onde há amor, já diz o sábio ditado.

Vamos nos apropriar do conceito de família! Como educadora, eu não quero mais procurar textos de valorização da família e encontrar portais de grupos conservadores. Quero que as pessoas tolerantes e que compreendem que o mundo é diferente de sua casa possam refletir sobre coisas incríveis e escrever textos que valem para qualquer formato de família.

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Disclaimer: não sou historiadora, nem cientista política, nem filósofa, etc. Eu cursei e curso algumas matérias da area de Educação. Se eu falei alguma bobagem sobre as origens do socialismo, fiquem a vontade para me corrigir educadamente (eu vou adorar).

E manda um pix: samanthansm@gmail.com.

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1 Comentário

  1. Realmente, a esquerda permitiu que muitos campos fossem dominados pela direita conservadora, talvez mais por birra e preguiça de pegar os coleguinhas pela mão para explicar do que qualquer outra coisa. O que mais me dói são os gamers, que são uma demografia claramente descontente com a macroestrutura, mas que deixamos ser cooptada pela alt right.

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